Eu estava sentado na cama, os olhos fixos no vazio, meu corpo imerso em uma sensação de inquietação que não parecia ter fim. O quarto estava mais silencioso do que nunca, e mesmo o som suave da brisa lá fora não conseguia aliviar o peso que eu sentia dentro de mim. A marca em minha nuca queimava com uma intensidade que eu não conseguia mais ignorar, e, mesmo quando me afastava dela com a mão, ela parecia me atrair de volta, como uma espécie de gravidade invisível que me controlava.
Durante os dias que se seguiram, a dor foi diminuindo, mas algo mais forte ainda tomava conta de mim: o vazio. Eu ainda não conseguia entender completamente o que havia acontecido, o que Dante queria de mim. Ele dizia que me queria, mas não da maneira em que eu queria acreditar. Ele me queria de uma forma possessiva, dominadora, como se eu fosse algo que ele tivesse conquistado e agora fosse seu para sempre. O que mais me desconcertava era que, em algum lugar dentro de mim, havia um eco daquilo que ele dizia. Talvez, em algum nível, eu também o quisesse, mas o medo e o desgosto se interpunham entre nós, criando uma barreira que eu não sabia como ultrapassar.
A marca, tão visível e tão íntima, parecia ser a linha que separava minha liberdade de minha prisão. Eu sabia que não poderia mais voltar atrás. O que ele havia feito não era apenas físico; havia algo profundo nisso, algo que se enraizava em minha alma e me lembrava de sua presença, de sua dominância.
A porta do quarto se abriu com um rangido baixo, e eu sabia imediatamente quem estava ali antes mesmo de olhar. A aura de Dante invadia o ambiente como uma sombra, algo que tomava conta de tudo ao redor. Eu não olhei para ele de imediato, mas senti sua presença pesando sobre mim. Quando finalmente olhei, seus olhos estavam fixos em mim, sua expressão fria, mas, ao mesmo tempo, havia algo mais ali. Eu não sabia se era preocupação ou, talvez, possessividade, mas algo no jeito como ele me olhava me fazia sentir vulnerável.
"Você ainda está assim?", sua voz grave cortou o silêncio, fazendo meu corpo reagir de forma automática, como se ele tivesse o poder de me fazer agir sem pensar.
Eu não sabia como responder. Como explicar que minha mente e meu corpo estavam tão confusos? Como dizer que a marca, a mordida, a dor, tudo isso estava me destruindo lentamente, mas, ao mesmo tempo, me prendia a ele, a essa vida que eu não escolhi? Eu apenas respirei fundo, tentando controlar o que sentia.
"Eu... preciso de um tempo", minha voz saiu mais fraca do que eu gostaria, mas não consegui evitar. Eu sentia como se estivesse em um campo minado, onde qualquer palavra errada pudesse me levar a um ponto sem volta.
Dante não respondeu de imediato. Ele apenas se aproximou, seus passos firmes e decididos ecoando na quietude do quarto. Quando ele parou ao meu lado, senti sua presença como um peso sobre mim. Ele olhou para a marca em minha nuca, os olhos dele se estreitando ligeiramente, como se estivesse tentando ler alguma coisa em mim que eu não conseguia mostrar.
"Eu sei o que você está pensando", ele disse, sua voz mais suave agora, quase como se estivesse tentando quebrar a distância entre nós. "Eu sei que você está com raiva, que está confuso, mas eu preciso que você entenda uma coisa, Liam. Eu não fiz isso porque queria te machucar. Eu fiz isso porque... porque você é meu."
Aquelas palavras reverberaram em minha mente, como um eco que se repetia sem parar. "Você é meu." Era isso que ele sempre dizia. E, de alguma forma, aquilo ainda mexia comigo. Não porque eu me sentisse feliz com a ideia, mas porque ele parecia acreditar genuinamente nisso. Como se fosse algo inevitável, como se fosse uma verdade universal que eu não podia negar.
Mas a realidade era que eu não queria ser de ninguém. Eu não queria ser propriedade de Dante, ou de qualquer outra pessoa. Eu queria ser livre, escolher meu próprio destino. Eu queria voltar a ser quem eu era antes de tudo isso, mas sabia que isso era impossível agora. A marca na minha nuca me lembrava disso a cada segundo.
"Você pode me dar espaço?", perguntei, a voz embargada, como se cada palavra fosse um esforço. "Eu só preciso de um pouco de espaço. Para pensar."
Dante hesitou, olhando para mim com uma intensidade que fazia meu coração acelerar. Eu não sabia o que ele estava pensando, mas, por um momento, fiquei com medo de que ele fosse me forçar a fazer algo que eu não queria. Porém, depois de alguns segundos, ele se afastou lentamente, seus olhos ainda fixos em mim.
"Eu não vou te deixar sozinho, Liam", ele disse com firmeza, mas algo em seu tom sugeria que ele estava ciente de que estava me concedendo algo que eu precisava. "Mas, se for o que você quer, eu vou te dar esse tempo. Só... não se esqueça de quem você é agora. De quem você sempre será."
Eu fiquei em silêncio, observando-o sair do quarto, a porta se fechando suavemente atrás dele. A pressão de sua presença ainda pairava no ar, mas, por um momento, me senti aliviado. Ele havia me dado algo que eu não imaginava: espaço. Mesmo que fosse temporário, eu tinha a chance de processar tudo o que havia acontecido, de tentar entender o que ele realmente queria de mim, e o que eu queria de mim mesmo.
Eu voltei a olhar para a janela, a luz da tarde entrando timidamente pelo vidro. Tudo ao meu redor parecia tranquilo, mas dentro de mim, o turbilhão de sentimentos não cessava. Eu sabia que não podia continuar assim, preso entre o desejo de liberdade e a necessidade de aceitar a realidade. A pergunta que ecoava em minha mente era: o que eu faria agora? O que seria de mim depois de tudo o que havia acontecido?
Eu me recostei na cama, fechando os olhos por um momento, tentando bloquear os pensamentos que não paravam de me assaltar. Mas, no fundo, eu sabia que não importava o quanto eu tentasse negar, a verdade estava ali, marcada em minha pele, em minha alma. Eu estava preso. E talvez, no fundo, eu já soubesse que não havia saída.
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Comments
Clesiane Paulino
poxa... quase na metade da história e eu já tô quase desistindo... e olha que eu amo ler... eu sei que difícil mas essa é sua vida agora Liam... viver reclamando não vai fazer as coisas melhorar 😔😔😔😔
2025-01-30
1
Edilce Rangel
aí tá ficando chato, sempre a mesmice.
2025-03-28
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