13

Capítulo 13:

Os dias na mansão passavam como se eu estivesse em um sonho, ou talvez em um pesadelo, onde tudo parecia estar fora de meu controle. Dante estava sempre por perto, observando-me, esperando por algo de mim, e eu sentia o peso da expectativa sobre meus ombros, pressionando cada vez mais. Ele queria a marca, ele queria meu consentimento, mas algo dentro de mim ainda resistia. No entanto, havia algo que eu ansiava profundamente, algo que me proporcionava um pouco de paz, mesmo que fugaz. Eu descobri, sem querer, uma biblioteca abandonada no canto da mansão.

A biblioteca era escondida, longe da vista de qualquer um, e parecia que ninguém tinha entrado ali em anos. Estantes cobertas de poeira, livros que pareciam velhos e esquecidos, e um silêncio profundo que preenchia o espaço. Era o único lugar onde eu me sentia realmente livre, como se pudesse escapar da constante vigilância de Dante e de todos os outros que estavam sempre ao meu redor. Durante uma semana inteira, comecei a ir ali sempre que tinha uma oportunidade, me refugiando naquele lugar, procurando um alívio nas páginas amareladas dos livros.

No sétimo dia, quando entrei novamente, o som da porta rangendo ao ser aberta foi quase como uma saudação silenciosa. Mas, ao contrário das outras vezes, algo estava diferente. Eu não estava sozinho. No canto, em uma cadeira velha e quebrada, estava um rapaz, de cabelo escuro e olhos atentos, imerso na leitura de um livro. O som de minhas passos foi o suficiente para ele perceber minha presença. Seus olhos levantaram-se lentamente, e ele me olhou por um momento, um olhar de curiosidade.

Eu congelei por um instante. Ele não me reconheceu. Não sabia quem eu era. Não me via como o ômega de Dante De Luca, o homem que estava forçado a se casar com o alfa mais temido da cidade. Era uma sensação estranha, libertadora. Por um segundo, eu pude ser apenas eu mesmo.

— Você... não é da mansão? — Ele perguntou com uma leve surpresa, mas sem qualquer sinal de medo. Seu tom era calmo, até curioso.

Eu balancei a cabeça, tentando esconder a apreensão. Minha voz, normalmente suave e controlada, soou mais nervosa do que eu gostaria.

— Não... Eu sou... um visitante. Não costumo frequentar este lugar. — Eu menti, sem querer revelar a verdadeira razão pela qual estava ali. A última coisa que eu queria era ser reconhecido como a propriedade de Dante.

Ele sorriu, aparentemente acreditando em minha desculpa. Acomodou-se melhor na cadeira, fechando o livro com cuidado e apoiando-o na mesa ao seu lado.

— Eu sou Jonas. — Ele disse, se apresentando. — Eu não costumava ver ninguém por aqui. O que te traz à biblioteca? — Ele fez uma pausa, antes de acrescentar com um sorriso amigável, mas um pouco tímido: — Não é exatamente um lugar que eu recomendaria para quem está à procura de companhia. Ou livros atualizados, na verdade.

Eu ri fraco, sentindo a tensão começar a se dissipar um pouco. Ele era diferente. Não me olhava com aquele olhar de julgamento, como todos os outros faziam. Ele não sabia quem eu era, e isso me dava uma sensação de normalidade que eu quase esquecera como era sentir.

— Só... precisava de um lugar para pensar. — Eu respondi, um pouco hesitante. A última coisa que eu queria era parecer fraco para ele, mas não sabia como esconder a verdade. Eu precisava de um refúgio. De algo que me desse um pouco de paz.

Jonas parecia entender. Ele assentiu, como se compreendesse o peso que eu não havia revelado. A conversa foi fluindo lentamente, natural e sem pressa, como se o tempo não existisse ali, naquele lugar isolado. Eu falei pouco sobre mim, apenas o suficiente para que ele não me achasse estranho por estar ali. Ele também não parecia pressionar muito, deixando a conversa seguir de forma tranquila, quase confortável.

O que me chocava, no entanto, era a ausência de medo em seus olhos. Ninguém mais na mansão me olhava sem receio ou respeito. Quando as pessoas me viam, sabiam quem eu era, o que eu representava, e as interações sempre vinham carregadas de alguma tensão. Mas ele não sabia nada disso. Para ele, eu era apenas um estranho curioso pela biblioteca.

Conforme o tempo passava, começamos a conversar mais. Ele era uma pessoa interessante, e nossa troca de palavras parecia ser o único alívio que eu tinha de tudo que acontecia em minha vida. Ele me falava sobre livros, filmes, e até sobre sua vida, embora de forma um pouco vaga. Aquele lugar e a companhia de Jonas se tornaram um pequeno refúgio, e por alguns momentos, eu me sentia... normal.

Mas, apesar da tranquilidade que ele me proporcionava, uma parte de mim sabia que não poderia continuar me escondendo ali para sempre. Eu tinha uma vida, uma responsabilidade, algo do qual não podia escapar para sempre. E, por mais que Jonas fosse uma distração bem-vinda, a realidade que me aguardava era implacável.

Ainda assim, enquanto estava ali, com ele, eu não precisava pensar em Dante, na marca, ou na vida que estava sendo forçada a viver. Por um breve momento, naquele canto escondido da mansão, eu pude simplesmente ser Liam. E isso, por si só, já era um alívio.

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Comments

Clesiane Paulino

Clesiane Paulino

vai fazer o Jonas ser castigado por isso Liam... vc tinha que falar a verdade... até mesmo que talvez ele seja um inimigo 😮‍💨😮‍💨😮‍💨😮‍💨

2025-01-30

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