Capítulo 7: O Toque do Destino
(Liam)
Eu não sabia se seria capaz de me acostumar com essa vida. Cada dia parecia mais pesado que o anterior, e os corredores da mansão De Luca, imponentes e sombrios, me faziam sentir ainda mais pequeno. Às vezes, eu me perguntava se havia realmente algum jeito de escapar desse destino. Mas ao mesmo tempo, sabia que minha liberdade já estava perdida, e o que restava era tentar sobreviver em um mundo que eu não queria.
Foi em um desses momentos em que me sentia deslocado que eu o encontrei. O pai alfa de Dante. Já o tinha visto no casamento, e também no jantar do dia anterior. Ele estava sempre ali, observando, mas nunca me dirigindo a palavra diretamente. Até agora.
Ele estava sozinho naquele corredor, com o olhar frio e implacável que eu já conhecia. Quando me viu, não fez questão de disfarçar o interesse, como se minha presença fosse algo que ele já esperava. Seus olhos, azuis como o mar em um dia nublado, se fixaram em mim. Não havia gentileza, apenas uma observação calculada.
Eu parei de caminhar, meu corpo tenso, sem saber o que fazer. Ele era uma presença imponente, seu porte altivo e a maneira como sua energia se espalhava por toda a sala fazia o ar parecer denso. Ele era o alfa da família De Luca, e eu… bem, eu era apenas um ômega, alguém que ele provavelmente via como uma peça no jogo da família.
Ele deu um passo à frente, seus passos ecoando no piso de mármore, e sua voz, quando falou, foi profunda, grave, como se cada palavra tivesse um peso imenso.
— Então, você é o novo ômega. Liam, certo? — Sua pergunta era direta, sem rodeios, mas havia algo nela que me fez sentir ainda mais exposto. Eu não era mais apenas o ômega de Dante, agora eu estava sendo observado por ele também, pelo pai de Dante.
Eu respirei fundo, tentando manter a compostura, apesar de sentir meu estômago revirar.
— Sim, senhor — minha voz saiu baixa, tentando transmitir o máximo de respeito possível, embora eu estivesse implodindo por dentro. Ele apenas me observou por mais alguns segundos, como se estivesse analisando cada centímetro de minha alma.
— Você sabe o que significa estar aqui, certo? — Ele não parecia esperar uma resposta, mas sua pergunta fez minha pele arrepiar. Eu sabia o que significava, claro. Estar na casa dos De Luca não era apenas uma questão de casamento, mas de posse. Era sobre ser marcado, sobre ser algo que Dante e sua família controlavam. Mas eu não queria ser controlado.
Eu não consegui dizer nada. Apenas o encarei, tentando esconder o quanto aquilo me abalava.
O pai de Dante continuou, com um sorriso que não chegou a tocar seus olhos, mas que me fez sentir como se eu estivesse prestes a ser devorado.
— Você foi escolhido, Liam. Agora, basta esperar. Dante vai cuidar de você da maneira que acha que é melhor. — Ele deu uma pausa, como se estivesse ponderando suas palavras. — Mas há algo que ainda não foi feito. Algo que você talvez não entenda completamente.
Minha mente se fixou nas palavras dele. Algo que ainda não foi feito? O que ele queria dizer?
— Dante ainda não marcou a sua nuca. — Ele disse essas palavras com uma calma que me desorientou. — Algo que um alfa faz com seu ômega. É um sinal, um compromisso. Uma forma de afirmar que o ômega é dele, e somente dele. Mas Dante ainda não fez isso.
O ar parecia ter sumido dos meus pulmões. Eu sabia sobre a marcação, mas ouvir aquilo da boca do pai de Dante me deixou paralisado. A ideia de ser marcado, de ser marcado como propriedade de Dante, me fazia sentir um nó na garganta, uma angústia profunda. Eu não queria isso. Eu não queria ser nada de ninguém.
O pai de Dante pareceu notar a reação em meu rosto, mas não fez questão de se importar. Ele apenas observou o efeito de suas palavras em mim, como se estivesse se divertindo com o que via.
— Não se preocupe, Liam. A marcação vai acontecer, cedo ou tarde. Dante é paciente, mas ele sempre faz o que deseja. E ele deseja você. — Ele sorriu de novo, mas não era um sorriso amigável. Era algo distante, cruel até, como se fosse uma constatação óbvia.
Eu queria gritar, fugir, mas o peso das palavras dele me manteve em silêncio. Eu sabia o que ele queria dizer. Eu sabia que Dante iria me marcar, que ele faria de mim o que quisesse. Eu não era mais livre. Não havia mais escapatória.
O pai de Dante deu as costas e começou a caminhar, mas antes de desaparecer na esquina do corredor, ele parou por um momento, como se tivesse algo mais a acrescentar.
— Lembre-se, Liam. Você não está apenas sendo vinculado a Dante. Está sendo vinculado à nossa família. E nada, nada, pode mudar isso.
Eu fiquei ali, sozinho, tentando processar tudo o que ele dissera. O vínculo estava selado. Dante já havia feito a escolha. E eu? Eu era apenas uma peça nesse jogo perigoso, incapaz de escapar, incapaz de recuar.
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Comments
Clesiane Paulino
ainda bem que somos humanos... já imaginou viver uma vida onde não temos escolhas... a vida humana é difícil, mas temos escolhas e leis para garantir isso... as vezes a lei falha mas não podemos desistir de nossos sonhos e ideais 😮💨😮💨😮💨😮💨
2025-01-30
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