Capítulo 12:
A noite estava fria quando retornamos à mansão, e a sensação de alívio de estar longe daquele leilão ainda não havia se dissipado completamente. Dante andava ao meu lado, sua presença constante, como sempre, mas algo no seu comportamento me deixava inquieto. Ele estava mais calmo agora, mas a tensão ainda estava lá, invisível, pairando entre nós como uma sombra silenciosa. Eu sabia o que ele queria. E, mais do que isso, sabia o que ele esperava de mim.
Quando entramos no quarto, Dante fechou a porta atrás de nós e se aproximou com aquele olhar intenso, tão característico dele. Ele estava diferente agora, com o semblante sério e a postura mais suave, como se o que fosse dizer fosse algo importante, algo que demandasse uma resposta definitiva. Eu me afastei um pouco, instintivamente, não sabendo o que ele faria a seguir.
Dante parou diante de mim e falou, com a voz grave que sempre fazia meu estômago revirar:
— Liam, temos que conversar sobre a marca. — Ele fez uma pausa, como se estivesse pesando as palavras que estava prestes a dizer. — Eu sei que você entende o que isso significa. E, mais importante, sei que você sabe que, como meu ômega, é inevitável que eu marque a sua nuca.
Eu engoli em seco, sentindo a tensão se apertar em meu peito. Eu sabia muito bem o que ele queria dizer com isso. A marca era o ponto final para tudo. Era a confirmação de que eu estava completamente sob o controle dele, que ninguém mais poderia me tocar ou me possuir. Eu era dele, e essa marca seria o selo definitivo disso. E, mesmo sabendo de tudo isso, uma parte de mim ainda questionava o que realmente significava para ele. Se isso era um sinal de posse ou se havia algo mais por trás.
Dante observava cada um dos meus movimentos, esperando, talvez, que eu dissesse algo. Mas, ao invés de abrir a boca, apenas fiquei em silêncio, sentindo a pressão aumentar. O que ele esperava de mim? O que eu deveria dizer?
Ele deu um passo à frente, seu olhar não deixando dúvidas sobre sua autoridade, mas havia uma suavidade no fundo de seus olhos que eu não conseguia entender.
— Não estou pedindo permissão, Liam. — Sua voz se suavizou um pouco, quase como se estivesse explicando algo delicado. — Mas quero que você me dê essa permissão. Quero que seja uma escolha sua. Uma vez que eu marque você, não haverá mais volta. Quero que você me deixe ser o único que vai definir o seu destino.
Eu senti meu corpo estremecer ao ouvir aquelas palavras. Ele não estava me forçando, não de forma direta. Mas havia algo naquela proposta, algo na forma como ele olhava para mim, que me fazia sentir como se eu tivesse realmente pouco controle sobre a situação. Ele queria minha permissão, mas, ao mesmo tempo, estava implícito que eu não tinha escolha, não se eu quisesse continuar em sua vida. A ideia de ser marcado por ele me assustava, mas, de alguma forma, uma parte de mim queria isso, desejava que ele fosse o único a decidir meu futuro.
Eu não respondi imediatamente. Ao invés disso, fui até a mesa ao lado da cama, onde a joia que ele havia comprado para mim ainda estava na embalagem. A joia era deslumbrante, um colar com um pingente de diamante, tão refinado que parecia quase irreal. Dante tinha me dado aquilo como se fosse um prêmio, mas, ao mesmo tempo, aquilo parecia mais uma moeda de troca, algo que eu deveria usar como símbolo do meu lugar ao seu lado.
Eu fiquei ali, observando a joia na minha mão, os raios da luz da lâmpada refletindo nas pedras. Havia algo estranho naquela peça, algo que me fazia sentir ainda mais a pressão de ser a propriedade dele. Eu estava, de alguma forma, sendo marcado por ela também, não apenas pela marca em minha nuca, mas por todos os gestos de Dante.
Quando levantei os olhos novamente, ele estava saindo do quarto, sem mais uma palavra. Apenas me olhou uma última vez, sua expressão difícil de ler, e então desapareceu pela porta. Fiquei ali, sozinho, com a joia nas mãos e o peso da decisão que estava diante de mim.
Eu sabia que Dante queria que eu aceitasse a marca. Queria que eu fosse dele por completo. Mas será que eu poderia fazer isso? Será que eu poderia me entregar completamente a ele, sem mais reservas? A marca, a joia, tudo aquilo significava algo muito mais profundo do que eu queria admitir. Era um ponto sem volta, e eu não sabia o que isso significava para mim, para o que eu queria para o meu futuro.
Deitei-me na cama, a joia ainda na minha mão, e fechei os olhos, tentando afastar as dúvidas que me consumiam. A decisão estava próxima, e eu não sabia o que seria de mim quando chegasse a hora de realmente entregar tudo o que eu era a Dante.
Eu não sabia se o que eu sentia por ele era amor, ódio, ou algo completamente diferente. Mas sabia que, no fundo, talvez ele fosse a única coisa que eu tinha agora.
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Comments
Clesiane Paulino
eu ainda acho que ele tá mais seguro com Dante... algo me diz isso🥺🥺🥺
2025-01-30
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Daniela Rodrigues
lá vem mais um com síndrome de Estocolmo, cara isso não é amor não. isso é um pesadelo e tu tá se enganando achando que é amor. achei que ele conseguisse fugir mais pelo visto ele desistiu muito rápido.
2024-12-21
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