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Capítulo 16

Eu estava no meu quarto, sem conseguir relaxar. O peso do que Dante havia dito ainda pairava sobre mim, como uma sombra constante. Eu estava sentado na beira da cama, olhando para o nada, enquanto minha mente corria, tentando processar tudo o que tinha acontecido. As palavras de Dante ecoavam em minha cabeça, me lembrando de que não poderia mais voltar à biblioteca, e a ideia de nunca mais ver Jonas me apertava o peito. Eu sabia que ele provavelmente estava esperando por mim lá, como sempre, em nosso pequeno refúgio. Ele não saberia o motivo da minha ausência, e a culpa me corroía por isso.

Eu não conseguia parar de pensar em como ele estaria agora. Ele sempre foi tão compreensivo, tão paciente comigo. Mesmo sem saber exatamente o que acontecia em minha vida, ele estava lá, me ouvindo, me oferecendo uma fuga silenciosa do mundo caótico em que eu estava preso. E, de repente, eu estava sendo arrancado disso. Não poder mais vê-lo, conversar com ele... isso era algo que eu não podia aceitar, mas também não sabia como lutar contra.

Fiquei lá, tenso, rodando os dedos sobre a colcha da cama, minha mente em tumulto. A ideia de ver Jonas mais uma vez parecia me atrair, e não pude evitar. Levantei-me abruptamente, sem saber exatamente o que estava fazendo, mas com um impulso que parecia me controlar. Eu não sabia por quanto tempo eu poderia resistir à ideia de não ir até ele. Eu precisava vê-lo, precisava falar com ele mais uma vez.

Minha mente estava dividida, mas eu não consegui resistir. Com passos rápidos, saí do quarto e comecei a caminhar pelos corredores da mansão, meus pés ecoando silenciosamente pelo piso de madeira. Eu sabia que Dante não estava por perto, ele provavelmente tinha outras obrigações, e era a minha chance de ir até a biblioteca sem ser visto.

Quando cheguei à porta da biblioteca, respirei fundo, hesitando por um segundo antes de entrar. O lugar estava silencioso, como sempre, com os livros alinhados nas estantes, o cheiro de papel e madeira velha preenchendo o ar. Eu olhei ao redor, procurando por Jonas, e logo o vi. Ele estava sentado no chão, com as costas encostadas na estante, um livro aberto nas mãos, mas parecia ter uma expressão distante, como se estivesse perdido em pensamentos. Ele não percebeu minha chegada.

Senti uma onda de alívio ao vê-lo ali, tão tranquilo, tão... Jonas. Caminhei até ele, e, quando ele me viu, seus olhos se iluminaram com um sorriso caloroso. Eu sorri de volta, sentindo uma tensão em meu peito se dissipar um pouco.

— Liam! Você finalmente apareceu — disse ele, a voz suave e acolhedora. Ele fechou o livro com delicadeza e o deixou de lado, movendo-se para me dar espaço para me sentar ao seu lado.

Eu me sentei lentamente, sentindo uma mistura de emoções. Eu queria que as coisas fossem diferentes, que eu não tivesse que carregar o peso de tudo o que Dante me impunha, mas, ao mesmo tempo, estar ali com Jonas fazia o mundo parecer um pouco mais leve.

— Desculpa por não ter aparecido ontem — comecei, tentando esconder a ansiedade na minha voz. — Eu... eu não posso mais voltar aqui. Dante... ele descobriu onde eu estava indo.

Jonas me olhou por um momento, uma expressão de confusão no rosto. Ele parecia não entender completamente o que eu estava dizendo, mas algo em seus olhos dizia que ele percebia a gravidade das minhas palavras. Ele não perguntou mais nada, mas o silêncio entre nós era denso, como se ele soubesse que não havia mais explicações a dar.

— Eu entendo — disse ele finalmente, a voz baixa, mas cheia de compreensão. — Você tem que fazer o que for melhor para você, Liam. Eu sei que não posso exigir nada de você. Mas... se precisar de alguém para conversar, estarei sempre por aqui.

Aquelas palavras me tocaram de uma maneira que eu não estava esperando. Eu sabia que, no fundo, Jonas sabia o que eu estava sentindo, sabia o que eu estava passando. Mas ele nunca tentou me pressionar, nunca tentou me forçar a nada. Ele sempre foi paciente, sempre foi gentil. E, naquele momento, eu queria mais do que qualquer coisa que as coisas fossem diferentes. Que eu pudesse estar com ele, sem medo, sem as amarras de Dante sobre minha vida.

Eu olhei para ele, sentindo uma necessidade quase desesperada de expressar o quanto ele significava para mim, de dizer que não queria que aquilo acabasse. Mas, antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, algo me fez parar.

Eu ouvi um som vindo da porta. Eu sabia exatamente o que era antes mesmo de olhar. Meus olhos se levantaram, e, ao ver a figura imponente na entrada, meu coração deu um salto. Dante estava ali, parado na porta, com seus olhos fixos em nós. Ele estava apenas observando, sem dizer uma palavra, mas a tensão no ar era palpável. O simples fato de ele estar ali, naquele momento, me fez sentir como se uma lâmina afiada tivesse sido colocada entre Jonas e eu.

Jonas também percebeu a presença de Dante, e por um momento, ele congelou. Eu pude ver a tensão em seus ombros, como se ele soubesse o que estava prestes a acontecer. A última coisa que eu queria era que Dante visse qualquer fraqueza minha, qualquer sinal de que eu estivesse envolvido com Jonas de alguma forma. Eu sabia o que ele faria com isso.

Dante não se moveu, seus olhos ainda fixos em nós dois. Eu podia sentir o olhar dele me penetrando, avaliando cada movimento meu. Ele não disse nada de imediato, mas a sensação de estar sendo observado com tanta intensidade me fez perder a respiração por um momento.

— Eu vejo que você está se divertindo, Liam — Dante finalmente falou, sua voz profunda e controlada, mas com uma ameaça implícita em cada palavra. Ele não se aproximou, ainda permanecendo na porta, mas o modo como ele se posicionava tornava claro que ele estava no controle da situação. — Parece que você não consegue ficar longe de lugares como esse.

Jonas ficou em silêncio ao meu lado, claramente desconfortável com a situação. Eu me levantei lentamente, sem saber o que dizer, tentando manter a calma diante do olhar penetrante de Dante.

— Eu... eu estava apenas lendo — tentei dizer, mas minha voz soou fraca, sem convicção. Dante não parecia acreditar em nada do que eu dizia, e eu sabia que ele não ia deixar isso passar tão facilmente.

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, Dante se aproximou, seus passos pesados ecoando pelo chão. Ele olhou para Jonas com um sorriso frio, quase desdenhoso.

— Não deveria estar aqui — ele disse, dirigindo-se a Jonas, que imediatamente ficou em pé, parecendo ainda mais nervoso. — E Liam... você já sabe o que esperar, não sabe?

Eu sabia que ele estava falando sobre o que aconteceria se ele percebesse que eu estava desobedecendo. Mas, no fundo, eu sabia que ele estava mais enfurecido pela ideia de que eu havia passado tanto tempo com Jonas, em um lugar onde ele não tinha controle.

A tensão no ar estava prestes a explodir, e eu sabia que seria melhor se eu saísse dali antes que Dante fizesse algo para me punir. Mas, antes de eu conseguir reagir, a mão dele se estendeu, pegando firmemente meu braço.

— Vamos — ele disse, com a mesma autoridade que sempre usava.

Olhei para Jonas, sentindo um aperto no coração. Ele não disse nada, apenas me olhou com uma tristeza silenciosa, como se soubesse que eu não poderia continuar ali. Eu sabia que não seria o último momento em que estaríamos juntos, mas naquele instante, parecia que a liberdade que eu tinha encontrado na biblioteca estava sendo arrancada de mim, mais uma vez.

Dante me puxou para fora da biblioteca, e eu não pude evitar o pensamento que se formava em minha mente: talvez eu nunca mais conseguiria ser livre.

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Clesiane Paulino

Clesiane Paulino

🙄🙄🙄🙄🙄

2025-01-30

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