10

capítulo 10

Eu olhei para a joia em minha mão, refletindo a luz suave da sala. O brilho do diamante parecia representar a confusão em minha mente, a dúvida crescente que se formava. O que ele queria de mim? O que eu realmente queria dele?

Ele se aproximou, e sua voz suave cortou o silêncio, como se soubesse da tempestade que se formava dentro de mim.

— Você gosta dela? — Dante perguntou, um sorriso leve nos lábios, mas seus olhos estavam sérios, esperando pela minha resposta.

Eu hesitei. Era estranho, esse momento de vulnerabilidade entre nós dois. Eu sabia o que ele queria ouvir, sabia o que ele esperava de mim. Mas algo dentro de mim, algo pequeno, insistia para que eu fosse honesto, mesmo que isso significasse abrir a porta para mais confusão.

— Eu… não sei. — Minha voz saiu fraca, mais suave do que eu gostaria. — Não sei o que eu sinto.

Dante não respondeu de imediato, apenas observou-me por um longo tempo. Eu podia ver o conflito em seus olhos também, como se ele estivesse lutando com algo dentro de si. E, por um momento, algo se quebrou entre nós. Não era apenas o alfa dominador que queria sua presa. Era alguém, talvez, tentando fazer sentido de suas próprias emoções.

— Você vai aprender a gostar, Liam. — Sua voz estava mais baixa agora, carregada com uma sinceridade inesperada. — Vai ver que isso não é só sobre o que você acha que é.

Eu o encarei, sentindo o calor em minhas bochechas. O que ele queria dizer com isso? Mas, antes que eu pudesse questioná-lo mais, ele afastou-se ligeiramente, voltando sua atenção para o leilão. Eu fiquei ali, parado, com a joia ainda na minha mão, perdida em pensamentos sobre o que Dante realmente sentia.

E, de alguma forma, naquele momento, eu comecei a acreditar que, talvez, Dante realmente tivesse algo mais por mim do que a mera obsessão. Algo que eu não estava pronto para enfrentar, mas que estava ali, entre nós dois, como uma linha tênue entre o amor e a posse.

A atmosfera no leilão era carregada de uma tensão inconfundível. Eu ainda estava processando tudo o que acontecera, as palavras de Dante, a joia que ele comprara para mim, e o fato de que, de alguma forma, ele parecia estar tentando me convencer de algo que eu não sabia como entender. O peso da sua atenção era como um fardo e, ao mesmo tempo, uma promessa silenciosa. Mas, no meio disso, uma presença começou a se infiltrar em meu campo de visão.

Rael.

Ele apareceu como uma sombra ameaçadora, uma figura alta e imponente, envolta em um terno escuro que só realçava sua aura ameaçadora. O cheiro dele, uma mistura de tabaco e algo inebriante, chegou até mim antes mesmo de ele se aproximar. Meu estômago se revirou, e uma onda de desconforto percorreu minha espinha. O mal-estar que senti foi instantâneo, como uma resposta visceral que não consegui controlar.

Rael era um alfa, e sua presença dominadora era quase palpável. Ele não precisava dizer uma palavra para chamar a atenção de todos ao redor, e, mesmo entre tantos homens poderosos e influentes, sua energia parecia se destacar. Ele era de uma das famílias mafiosas rivais de Dante, uma das mais perigosas, e sua reputação o precedia. Eu sabia que ele era um homem que não hesitaria em usar sua força para conseguir o que quisesse.

Seus olhos me encontraram a distância, e o sorriso que se formou em seus lábios não foi nada amigável. Havia uma fome neles, uma predatória, que fez meu coração disparar, e a repulsa que eu já sentia por ele só aumentou. Eu podia sentir a pressão de sua presença, como se o ar ao meu redor ficasse mais denso, mais difícil de respirar.

Eu tentei me afastar, mas ele já estava se aproximando, com passos lentos, calculados, e sem pressa de me alcançar. O que me inquietava mais não era apenas sua aproximação, mas o olhar que ele lançava a Dante. Algo frio e desdenhoso, como se estivesse avaliando seu rival, e eu não sabia se aquilo me assustava mais do que o fato de que, ao se aproximar de mim, Rael parecia ver algo que eu queria desesperadamente esconder.

Dante, que até então estava no centro da sala, observando o leilão com um interesse calculado, de repente pareceu perceber a mudança na atmosfera. Eu o vi em meu campo de visão, seus olhos fixos em Rael, e uma tensão silenciosa se instalou entre eles. Dante não moveu um músculo, mas sua presença, de alguma forma, se tornou ainda mais ameaçadora, como se ele estivesse se preparando para confrontar Rael, embora ainda não houvesse um movimento claro.

Rael chegou até mim, e sua voz baixa, mas cheia de autoridade, cortou o silêncio.

— Liam, não é? — Ele disse meu nome com um tom quase possessivo, como se já me tivesse possuído de alguma forma. — O ômega de Dante…

Eu o encarei, tentando manter a compostura, mas minha aversão era visível. Eu não queria estar ali, não queria ouvir suas palavras, mas ele continuou, como se se divertisse com meu desconforto.

— Ouvi muito sobre você. — Rael deu um passo à frente, fazendo meu estômago se revirar ainda mais. — Não sou de me meter nos assuntos de Dante, mas é curioso, você… tem algo que o mantém tão… interessado.

Eu queria recuar, sair dali o mais rápido possível, mas minhas pernas pareciam pesadas, como se a própria sala estivesse me aprisionando. Tudo o que eu conseguia fazer era olhar para Dante, esperando que ele intervisse, mas, ao invés disso, Dante apenas permaneceu em silêncio, os olhos fixos em Rael e sua postura rígida. Ele não se movia, mas seu olhar, tão carregado de ameaça, fazia o ar se aquecer ao nosso redor.

Rael deu uma risada baixa, quase como um desafio, e se inclinou ligeiramente para mais perto de mim. Seus olhos percorriam meu rosto de uma maneira desconfortável, como se ele estivesse me analisando, buscando algo. Eu queria virar a cabeça, escapar de seu toque invisível, mas estava paralisado.

— Dante tem muito o que aprender, não é? — Rael continuou, sua voz mais baixa agora, quase um sussurro. — Ele acha que pode manter um ômega como um troféu, mas nenhum alfa de verdade faz isso. Eu, por exemplo, nunca precisaria exibir um ômega como esse. Eu teria o controle total.

Cada palavra que ele dizia parecia me afetar mais, como uma lâmina afiada cortando minha calma. Rael estava tentando me desestabilizar, me fazer sentir fraco, e eu não sabia como reagir. O que ele queria com tudo isso?

Por fim, Dante se moveu, não com pressa, mas com uma calma que parecia ameaçadora. Ele se aproximou lentamente, e eu sabia que o confronto estava prestes a acontecer. Rael olhou para ele, e a tensão entre os dois se intensificou. O que aconteceria agora? Eu não sabia, mas estava claro que Rael não tinha a intenção de sair dali sem deixar uma marca, nem que fosse no orgulho de Dante.

Eu não sabia como me sentir, mas uma coisa era certa: Rael e Dante estavam prestes a disputar mais do que apenas o controle sobre mim. Algo maior estava em jogo, e, de alguma forma, eu era a peça central desse jogo.

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Comments

Clesiane Paulino

Clesiane Paulino

Dante não deveria deixar você sozinho em um lugar onde só tem gente perigosa😮‍💨😮‍💨😮‍💨😮‍💨

2025-01-30

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