Capítulo 9: A Joia Caríssima
(Liam)
A noite estava apenas começando, e eu já podia sentir o peso da pressão que Dante me impunha. O leilão estava em pleno andamento, e eu me via cercado de pessoas, todas ricas, poderosas, mas, ao mesmo tempo, vazias. As conversas soavam como murmúrios distantes enquanto eu tentava me manter o mais invisível possível. A pressão para ser perfeito, para ser a peça decorativa que Dante tanto queria exibir, aumentava a cada momento.
Foi quando as mulheres entraram. Elas eram deslumbrantes, com seus vestidos de seda que brilhavam sob as luzes douradas da mansão. Elas se aproximaram de Dante, sorrindo como predadoras, e suas palavras eram doces como mel, mas com um tom sutilmente insincero. Eu podia ver a intenção delas, o desejo incontrolável de chamar a atenção de Dante, de ser a próxima mulher em sua vida.
Uma delas se aproximou de Dante com um sorriso encantador, os olhos brilhando com uma combinação de desejo e ambição. Ela se pôs ao lado dele, tocando suavemente seu braço, com a confiança de quem sabia que podia ter qualquer coisa que quisesse.
— Dante, querido, você está deslumbrante esta noite. — Ela disse, sua voz suave e sensual, enquanto o olhava com olhos que me pareciam nada menos que possessivos. — Eu soube que você estava participando deste leilão, mas eu não sabia que você viria sozinho.
Dante, no entanto, nem olhou para ela. Ele estava completamente alheio ao flerte da mulher. Seus olhos estavam fixos em mim. Eu podia sentir seu olhar pesado em minha pele, como se ele não conseguisse se concentrar em mais nada. A mulher fez uma pausa, desconcertada pela falta de resposta, mas continuou tentando, como se fosse uma questão de tempo até que ele se voltasse para ela.
— Acho que todos nós sabemos que você não precisa de mais nada, Dante. Você já tem tudo o que precisa aqui, não é? — Ela continuou, com uma risada doce, insinuante, mas sem conseguir tirar Dante do seu foco.
Eu engoli em seco, meu estômago apertado. Era surreal como Dante parecia não se importar com as mulheres ao redor dele. Elas eram bonitas, encantadoras, inteligentes, mas, para Dante, nada disso parecia ter valor. Eu não sabia se sentia raiva ou desespero, mas uma coisa era certa: ele estava completamente absorvido por mim. Eu era a única coisa que parecia ter algum significado para ele naquele momento.
Mas o que mais me desconcertava não era o fato de Dante me ignorar tão completamente em favor dessas mulheres. Não. O que mais me incomodava era como ele era implacável, como ele estava determinado a me marcar para todo o sempre. Ele havia me comprado, me colocado em sua vida, e eu não podia escapar. Não importava quem tentava desviar sua atenção. Dante tinha apenas olhos para mim.
Foi quando o leilão continuou e os lotes seguintes começaram a ser exibidos. O momento de maior tensão foi quando uma joia rara foi colocada na mesa, uma peça deslumbrante, com diamantes e rubis incrivelmente valiosos. Ela brilhou sob a luz, e eu percebi o olhar possessivo de Dante se intensificar.
— Este item... — O leiloeiro anunciou, sua voz cheia de excitação. — Uma joia única, uma peça que poucas pessoas no mundo podem comprar. Quem tiver o privilégio de possuir isso, terá algo que ninguém mais possui.
Eu sabia que ele iria comprá-la. Ele sempre gostava de me mostrar, de exibir o quão grande seu poder era, e uma joia tão preciosa era mais uma maneira de me marcar. Ele queria que todos soubessem que eu pertencia a ele, até nas coisas mais simples.
O leilão seguiu com um movimento quase mecânico de Dante, levantando sua mão para dar o lance, sem hesitar. A sala ficou em silêncio enquanto o valor subia rapidamente. As mulheres ao redor, as pessoas tentando se aproximar de Dante, tudo se desvanecia. Ele não pensava em mais ninguém, apenas em mim. Ele queria me dar aquilo, algo que não fosse apenas mais um bem material. Ele queria me mostrar quem estava no controle. O quanto eu estava em suas mãos.
Quando o martelo finalmente bateu e o leiloeiro anunciou que Dante tinha vencido, ele me olhou com um sorriso que era quase malévolo.
— Para você, Liam. — Ele disse em um tom baixo, sua voz cheia de significado. — Porque você merece.
Eu não sabia se sentia raiva ou algo mais. Eu não sabia mais como reagir. Ele me comprou, me deu uma joia, como se fosse um prêmio. Mas, ao mesmo tempo, isso só fazia eu me sentir mais preso. Mais imóvel na sua teia de controle.
Ele virou-se para as mulheres ao redor dele, sem mais nem menos, e com a mesma frieza com que as ignorou, ele se afastou delas. Elas não podiam competir com a posse que ele tinha sobre mim, e nenhuma delas sequer tinha chance.
E, por mais que eu quisesse resistir, a verdade era simples: a joia que Dante comprara era mais do que um presente. Era um símbolo. Eu era seu troféu, sua prova de conquista. E naquele momento, eu sabia que, mesmo que eu tentasse fugir, ele sempre teria algo mais para me prender. Algo mais para me marcar como sua.
Enquanto a joia descansava em minha mão, um peso inexplicável se formou em meu peito. Dante observava a peça com um olhar satisfeito, mas o olhar em seus olhos não era o de um homem que apenas colecionava bens materiais ou exibia seu poder. Havia algo mais ali. Algo que eu não conseguia compreender completamente. O brilho de possessividade não era apenas sobre marcar território, sobre exibir o que ele possuía. Não, havia um calor ali, algo que se assemelhava mais a… afeição? Amor?
Eu engoli em seco, desconcertado com o pensamento. Era quase um dilema, uma luta interna que não conseguia vencer. Dante me olhou com aquele sorriso arrogante, como se soubesse exatamente o que estava se passando em minha mente, e isso só fazia meu coração acelerar. Ele tinha uma maneira de me fazer sentir como se eu fosse o centro do seu universo, como se tudo o que ele fizesse fosse por mim, não por uma necessidade de controle, mas por algo mais profundo, mais… humano.
Era difícil aceitar, ainda mais considerando tudo o que ele me fizera passar. Ele me comprou. Me forçou a um casamento. Me manteve trancado em sua mansão, sob seu olhar constante, esperando que eu me rendesse a ele de alguma forma. E, no entanto, em momentos como este, quando me entregava a ele sem realmente querer, quando ele me dava presentes caros e me mostrava um lado mais gentil, mais atento, eu começava a questionar se ele era realmente apenas obcecado por mim.
Será que havia algo mais? Será que ele realmente… me amava?
A pergunta pairava no ar, e eu me sentia impotente para afastá-la. Meu orgulho e meu medo lutavam contra a ideia de que Dante pudesse ser mais do que um simples predador. Porque, se isso fosse verdade, então eu estava em algo muito mais profundo do que apenas uma relação de controle. Eu seria… amado? Ou seria mais uma peça do jogo que ele jogava comigo?
Dante percebeu o silêncio, e sua expressão mudou para algo mais suave, mais vigilante. Ele não falava muito, mas os olhos dele nunca me deixavam, como se ele pudesse ver direto em minha alma. Eu queria afastar esse pensamento, queria me convencer de que ele não passava de um homem perigoso e manipulador, mas a maneira como ele me tratava, a maneira como sua atenção nunca saía de mim, me fazia questionar tudo o que eu acreditava saber sobre ele.
Talvez, no fundo, fosse o que ele dizia ser. Talvez, no fundo, ele quisesse mais do que apenas me controlar. Talvez ele realmente quisesse que eu fosse dele, não por necessidade, mas porque me desejava de uma forma que eu nunca imaginei ser possível. Algo que ia além da obsessão. Algo que, se fosse amor, era distorcido e sombrio, mas ainda assim… amor.
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Comments
Clesiane Paulino
até eu tô sufocada com os seus pensamentos Liam 😥
2025-01-30
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