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Capítulo 6: O Peso da Obediência

(Liam)

O dia seguinte ao jantar com a família De Luca começou cedo, mais cedo do que eu gostaria. O céu ainda estava escuro quando fui acordado por uma batida na porta, seguida pela entrada de um homem que eu já começava a temer. O pai ômega de Dante, sempre calmo, sempre reservado, entrou no quarto sem dizer uma palavra. Ele estava vestido de maneira simples, mas a postura dele não escondia a autoridade silenciosa que ele carregava.

Sem fazer cerimônias, ele me indicou com um gesto leve para seguir.

— Hoje, você precisa aprender sobre seus afazeres aqui na mansão. Eu vou te mostrar o que precisa ser feito.

Fui relutante, mas não havia escapatória. Dante e seus pais tinham seus próprios modos de controlar tudo ao redor deles, e, por mais que eu quisesse resistir, sabia que tudo o que eu poderia fazer era obedecer.

Saí do quarto e segui o pai ômega por um corredor longo e frio. Ele não disse nada durante todo o caminho, mas eu podia sentir o peso do silêncio. Cada passo era uma lembrança de que minha liberdade já não existia mais. Eu não tinha o luxo de escolher, e ele, com seu olhar sereno e sua calma inquietante, era a personificação de tudo o que Dante representava: controle absoluto.

Ao chegarmos na cozinha, ele me fez parar diante de um enorme balcão de mármore. Os funcionários da casa já estavam começando suas tarefas, e o ambiente era tenso. Todos sabiam do casamento, do novo status que eu agora tinha dentro dessa casa. Eu não era mais apenas Liam. Eu era a esposa de Dante, e essa simples frase já carregava um peso esmagador.

O pai ômega pegou uma bandeja de frutas e as colocou sobre a mesa, com a delicadeza de quem estava acostumado com gestos assim. Ele se virou para mim com um olhar que misturava paciência e impessoalidade.

— Aqui, você vai aprender a organizar e supervisionar os afazeres da mansão. Desde os alimentos até os cuidados pessoais de Dante, tudo precisa ser perfeito. Você entende, não é?

Eu assenti, mesmo com a sensação de que estava sendo esmagado sob a responsabilidade de algo tão simples, mas que, em sua complexidade, me fazia perceber o quanto eu estava preso nesse mundo. O que antes era uma casa agora parecia um labirinto de expectativas e regras.

Ele me indicou uma mesa onde havia vários papéis e livros de registros.

— Eu vou te mostrar como gerenciar a lista de compras e os agendamentos de Dante. Ele prefere tudo muito bem organizado, com um controle minucioso sobre cada detalhe. Nada pode sair do planejado. Você tem noção do que isso significa?

Eu franzi a testa, mas antes que eu pudesse responder, ele continuou com a mesma calma inabalável.

— Isso significa que você deve estar atenta a cada pormenor. Qualquer falha é inaceitável. Você é a esposa dele agora, Liam. E, por mais que você não queira, seu lugar aqui é para servir e agradar Dante. Não há outra opção.

Aquelas palavras me atingiram com força. Eu não era mais alguém com escolhas. Eu era uma peça, uma peça dentro de uma máquina que estava sendo cuidadosamente controlada.

Ele então pegou uma lista de agendamentos de Dante e me mostrou as horas específicas em que ele preferia certos tipos de refeições, atividades e até mesmo o horário em que gostava de estar sozinho. Eu não conseguia processar tudo. A pressão estava aumentando, mas ele falava como se fosse o mínimo que eu deveria fazer. Como se a minha resistência não fosse sequer digna de consideração.

A cada minuto que passava, a sensação de estar sendo consumido por tudo isso só aumentava. Eu estava sendo moldado por regras que não criei, e essa era a minha nova realidade.

— Agora, você vai acompanhar os funcionários durante as tarefas do dia. Tudo precisa estar perfeito para o jantar de hoje à noite. Lembre-se, Liam, Dante gosta de ver tudo em ordem, e você... você é a responsável por garantir isso.

Quando ele terminou de falar, me guiou até um pequeno escritório onde eu teria acesso a mais papéis e registros. Eu não queria olhar para aquilo, não queria me afundar ainda mais. Mas, ao olhar para o pai ômega de Dante, vi um olhar que não oferecia alternativas. Ele era apenas uma sombra silenciosa ao lado do que realmente importava. Dante.

Eu me sentia tão pequeno diante de tudo aquilo. Cada passo, cada movimento meu parecia já ter sido calculado. Eu estava ali para servir, para ser a esposa de Dante e, de alguma forma, ser uma extensão dele. A ideia me fazia querer fugir, mas não havia mais para onde correr.

Ele me entregou uma lista de tarefas e fez um movimento de despedida.

— Se precisar de alguma coisa, chame. Mas não se esqueça de que tudo aqui tem um propósito. A sua vida agora é isso, Liam. E você vai fazer o que for necessário para manter tudo em seu lugar.

Quando ele se retirou, fiquei ali, observando os papéis na mesa, me perguntando como era possível que minha vida tivesse chegado a esse ponto. Eu não tinha liberdade, não tinha escolha. Dante me tinha de todos os jeitos, e eu agora fazia parte do seu jogo, como um peão em um tabuleiro que nunca consegui controlar.

A casa ao redor de mim parecia mais escura a cada segundo. E, no fundo, eu sabia que minha resistência estava se esvaindo lentamente, que o destino que Dante me impusera não era algo que eu poderia mudar.

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Comments

Fran Silva

Fran Silva

vc casou pra c esposa ou escravo do lar da licença pobre do liam e pra fazer tudo

2024-12-30

0

Clesiane Paulino

Clesiane Paulino

Dante foi pra isso que você se casou com Liam... para fazer ele de escravo... cadê os empregados pra fazer essas coisas 😡😡😡😡

2025-01-30

1

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