18

Eu passei os dias seguintes entre a névoa da febre e os pesadelos que me assombravam. Meu corpo parecia ter se rendido à dor, à marca que Dante me deixou. A febre alta me consumia, me fazendo oscilar entre os momentos de consciência e os devaneios delirantes. Eu me sentia fraco, sem forças para lutar contra o que me acontecia, contra o que estava sendo feito comigo.

A solidão no meu quarto foi o único companheiro constante. Dante não apareceu. Ele apenas deixou que eu ficasse ali, quieto, imerso no meu sofrimento. E, de alguma forma, isso me machucava mais do que qualquer outra coisa. Sabia que ele estava lá, perto, mas também sabia que ele me observava de longe, de uma maneira possessiva e fria.

Quando finalmente a febre começou a ceder e eu acordei, o mundo ao meu redor parecia diferente, mais claro, mas ao mesmo tempo mais pesado. O medo ainda me acompanhava, como uma sombra, mas a sensação de alívio por não estar mais febril era inegável. Eu me sentei na cama, ainda com o corpo dolorido, e tentei entender o que acontecia ao meu redor.

Foi quando eu soube. Jonas havia sido transferido para outro lugar. Não foi uma informação que Dante me deu diretamente, mas sim uma conversa que ouvi do pessoal da casa. Ele estava em segurança, pelo menos por enquanto. Não havia sido machucado. Não por Dante, pelo menos. Meu coração deu um pequeno salto de alívio, embora a situação ainda fosse sombria.

Eu não sabia onde ele estava, mas a ideia de que ele não estava em perigo imediato me deu um pouco de esperança. Mesmo que fosse uma esperança tênue, em um mundo tão controlado por Dante. Eu me perguntei por quanto tempo essa segurança duraria, e se algum dia eu teria a chance de ver Jonas novamente.

Eu estava sentado na cama, ainda tentando processar o que acabara de descobrir sobre Jonas, quando a porta do meu quarto se abriu com um estalo baixo. Dante entrou, sua presença preenchendo o ambiente de imediato, mesmo sem dizer uma palavra. O olhar dele foi direto até mim, e algo na intensidade de seu olhar fez meu estômago apertar.

"Deixe-me ver sua marca", ele disse, a voz grave e séria, quase como uma ordem disfarçada de pedido.

Eu engoli em seco, o pânico crescendo dentro de mim. A ideia de permitir que Dante se aproximasse mais ainda de mim, tocando a marca em minha nuca, era algo que eu não estava disposto a fazer. A dor física daquela lembrança ainda estava fresca, e o peso daquilo tudo me sufocava. Eu fechei os olhos por um instante, tentando controlar a respiração, e quando os abri novamente, minha voz saiu baixa, mas firme.

"Não."

Dante ficou parado por um momento, os olhos escuros fixos em mim, como se estivesse medindo minhas palavras, tentando compreender a razão por trás da minha recusa. A tensão no ar parecia densa, quase palpável. Ele respirou fundo, os músculos de seu rosto contraindo-se de maneira quase imperceptível. Então, com um suspiro que parecia carregado de frustração, ele aceitou minha resposta, embora seu semblante não fosse de raiva, mas algo mais parecido com... culpa.

"Eu não queria que fosse assim, Liam", ele murmurou, sua voz agora mais suave, como se fosse uma confissão. "Mas você tem que entender que... não havia outra maneira."

Eu não sabia como reagir a isso. Suas palavras não me davam consolo, mas de alguma forma, ele parecia sincero. A culpa no olhar dele, em contraste com o seu comportamento de sempre tão controlador e implacável, me fez questionar se, talvez, havia algo mais por trás de suas ações. Algo que eu ainda não conseguia compreender.

"Eu sei o que você pensa", ele continuou, os olhos desviando por um momento, como se ele mesmo estivesse tentando organizar os pensamentos. "Mas você também precisa entender... Eu só queria que você fosse meu."

Aquelas palavras caíram no ambiente como uma sentença, e o peso delas parecia muito mais forte que qualquer gesto físico que ele tivesse feito até então. Eu permaneci em silêncio, ainda sem saber o que pensar ou como me sentir.

Eu estava sozinho no quarto, o silêncio pesado ao meu redor, como se a própria casa tivesse se fechado sobre mim. A luz suave que entrava pela janela parecia incômoda, como se o mundo do lado de fora fosse algo distante e inatingível. A única coisa real ali era a dor pulsando na minha nuca, onde a marca de Dante ainda ardia, quente e intensa. Cada movimento que eu fazia parecia trazer à tona o calor daquela mordida, e o peso daquilo tudo me consumia por dentro.

Eu levei a mão até a nuca, os dedos tocando a área marcada. A dor que antes me fez chorar agora estava se transformando em um tipo de peso, algo que eu não podia simplesmente ignorar. Eu era dele. A marca não era apenas física, mas era também um lembrete constante do que eu não podia escapar. Algo que me fazia sentir preso, não só à ele, mas a esse mundo que ele representava. Eu não sabia mais o que era real, o que eu podia controlar e o que havia sido roubado de mim.

Fechei os olhos por um momento, tentando afastar o turbilhão de pensamentos que me invadiam. Eu queria odiar Dante. Queria odiar aquela marca e o que ela significava. Mas, no fundo, uma parte de mim ainda se perguntava... se ele realmente me queria apenas como propriedade ou se havia algo mais por trás disso tudo. A dúvida me corroía, mas eu não conseguia encontrar uma resposta.

A marca na minha nuca parecia pulsar com vida própria, e eu me senti tão perdido quanto no momento em que Dante me mordera, como se o passado e o futuro estivessem colidindo em uma única dor. Eu sabia que nada seria mais como antes. E a cada segundo que passava, a marca se tornava mais parte de mim do que eu jamais imaginaria.

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Comments

Tania Nunes

Tania Nunes

sinceramente, tomando raiva de Lian, Dante demorou até de mais pra marcar, tá na hora de Dante parar de mostrar que gosta de Lian,pra ver se ele se sintoniza.

2025-01-15

0

Clesiane Paulino

Clesiane Paulino

tá ficando chato Liam😮‍💨😮‍💨😮‍💨

2025-01-30

0

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