Capítulo 5: Jogo de Olhares
A luz da manhã entra pela janela, mas não há calor nela. Não para mim. O silêncio na casa é quase ensurdecedor, pesado, como uma sombra que não se dissipa. Eu me levanto, os pés frios tocando o piso de mármore da suíte. O dia se arrasta, a expectativa de mais uma tortura silenciosa que me aguarda.
Eu sabia que hoje seria diferente. Hoje, o jantar com a família De Luca aconteceria. Depois de tudo o que aconteceu ontem, não havia escapatória.
Me visto com a roupa formal que Dante escolheu para mim: uma camisa branca de gola alta e um terno escuro, bem ajustado ao corpo. Não é que eu quisesse parecer bem para eles — eu queria ser invisível. Mas eles sempre viam tudo. Sempre.
Quando saí do quarto, minha mãe estava lá, esperando com um sorriso que mal tocava seus olhos. Ela se aproximou, arrumou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha e murmurou, quase sem fôlego:
— Você vai dar o seu melhor, Liam. Eles estão esperando por você.
Eu queria dizer algo. Queria gritar que tudo isso era errado, que minha vida não deveria ser uma troca de favores entre famílias, que eu não deveria estar lá, prestes a ser devorado pelo predador que Dante representava. Mas as palavras não saíam. Eu já sabia que nada disso faria diferença.
Quando entrei na sala de jantar, a tensão no ar foi palpável. Dante já estava lá, sentado à cabeceira da mesa, com sua postura firme e dominadora. Ele me observava enquanto eu me aproximava, como se estivesse em uma caçada silenciosa. Seus olhos estavam fixos em mim, predatórios, atentos aos menores detalhes. Cada movimento meu era analisado, como se ele procurasse falhas, procurando sinais de resistência.
Ao redor da mesa, os De Luca estavam reunidos. O pai de Dante, o chefe da família, estava sentado à direita de Dante. Ele me ignorou completamente, seus olhos permanecendo fixos em Dante o tempo todo, como se eu fosse uma peça de mobiliário e não uma pessoa.
O olhar dele estava frio, calculista, como se a minha presença fosse irrelevante para ele. Ele falava com Dante com uma autoridade que me fazia encolher, como se qualquer palavra minha fosse uma interrupção.
Dante, por outro lado, parecia se deliciar com a dinâmica. Ele não se importava com a frieza do pai. O que me incomodava mais era a maneira como ele me olhava enquanto falava com o pai. Era como se eu fosse uma conquista sua, uma posse. Ele se sentia no direito de me exibir, de me marcar, como se estivesse me colocando na frente de todos para que eu soubesse exatamente o que ele tinha feito de mim.
Na ponta da mesa, o pai ômega de Dante permanecia em silêncio, como sempre. Seu olhar era mais suave, mas a maneira como se mantinha tão quieto, tão distante, me incomodava. Como se ele soubesse que nada podia fazer, como se estivesse completamente impotente diante da autoridade de Dante e do resto da família.
Eu me sentei na cadeira à esquerda de Dante, tentando ignorar os olhares penetrantes de todos à mesa. Minha mão tremia ligeiramente enquanto pegava a taça de água, e a pressão de estar ali, sob os olhos de todos, era quase insuportável.
— Liam, você está muito quieto — Dante disse de repente, sua voz calma, mas carregada de um tom que me fez tremer por dentro.
Meus olhos encontraram os dele, e eu soube que ele estava esperando que eu dissesse algo. Ele queria que eu falasse, que eu dissesse algo para que ele pudesse tomar controle da conversa, me desarmar com suas palavras afiadas.
Respirei fundo, tentando manter a compostura.
— Eu estou apenas... pensando — disse eu, a voz tensa.
Dante sorriu, mas não de maneira amigável. Era mais uma expressão de satisfação, como se ele soubesse o que isso significava. Ele sabia que eu estava fraco, que ele havia vencido.
— Pensando sobre o quê? Sobre a sua nova vida? — ele perguntou, a voz carregada de sarcasmo.
Eu queria gritar. Queria dizer que ele estava destruindo minha vida, que ele havia me forçado a isso, mas tudo o que eu consegui fazer foi engolir as palavras, esconder minha raiva, enquanto a pressão de estar ali se tornava ainda mais intensa.
O pai de Dante, sem desviar os olhos de Dante, falou então, sua voz profunda e controlada:
— Espero que você esteja aproveitando bem o seu casamento, Liam. Eu sei que há muito para aprender em uma família como a nossa.
Eu olhei para ele, mas não disse nada. Sua indiferença só reforçou a minha sensação de desamparo. Estava claro que eu não tinha espaço naquele lugar, que minha presença era apenas uma formalidade, uma necessidade para satisfazer Dante e a sua família.
O jantar continuou, mas cada minuto que passava parecia uma eternidade. Dante, no entanto, estava satisfeito. Ele estava feliz de me ter ali, de me exibir diante de sua família como sua propriedade. Seu olhar nunca saía de mim, e sempre que nossos olhares se cruzavam, ele sorria de forma predatória.
A cada palavra de seu pai, a cada olhar, a cada movimento, Dante me deixava mais claro que minha resistência era inútil. Eu estava jogando um jogo que não podia vencer.
E no fundo, eu sabia que ele gostava disso. Sabia que Dante estava se divertindo com minha dor.
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Comments
Clesiane Paulino
ta difícil né Liam 😥
2025-01-30
0
Eloa Maiane
não sei ser fico animada ou irritada
2025-03-15
1