Nunca É Tarde
Nunca é Tarde...
Capítulo 1
Natalie Moore resmungou consigo mesma pela terceira, quarta ou sei lá quantas vezes naquele dia. Isso por que ainda era só terça-feira e já estava de cabeça quente e estressada. Havia chegado atrasada para trabalhar e para sua sorte seu chefe não notou sua presença, mas os demais colegas já fizeram cara feia por isso. Seria dedurada a qualquer hora e torceu para que isso não acontecesse.
No dia anterior ela ficará até tarde conversando com sua melhor amiga que estava para se casar naquele fim de semana, e como toda noiva desesperada – Tess estava estressada, ansiosa e nervosa com os preparativos – e não pode negar que isso lhe atingia muito.
O que já era difícil, afinal ela era uma das madrinhas do casamento e ajudava no que podia a seu alcance, e claro. Ela era uma mulher muito ocupada, trabalhava quase doze horas por dia – o que era um saco – mas infelizmente tinha que manter suas contas em dia, não era um emprego dos sonhos, mas era melhor que nada.
Já fazia cinco anos em que entrará numa emissora de TV e pegará o jeito nas coisas por ali. Era para ser apenas um emprego temporário para ganhar experiência e meio que se tornou algo importante na sua vida. Havia se formado em publicidade propaganda, a intenção era terminar a faculdade e entrar numa empresa grande onde podia mostrar o seu talento – Não que ali não conseguia mostrar – mas sempre queria mais.
Não podia reclamar, conseguirá entrar naquela emissora com a ajuda de um amigo, e por fim acabou que ficando por todo esse tempo. Estava feliz por estar fazendo o seu trabalho perfeitamente com a ajuda de mais alguns colegas, é claro.
Já se passava das duas da tarde e precisava ir ao banheiro, mas a reunião não acabava nunca, e seu chefe ficava a olhando como se soubesse do seu atraso, para disfarçar o embaraço acabou que sorrindo para a pessoa que fazia seu mundo girar – pelo menos ela achava que sim – mas sua amiga Tess dizia que não, que aquele cara não era o seu mundo nem em outro planeta.
Leonardo Granger era o novo âncora do canal 34 e desde que entrará na emissora tivera uma queda por aquele homem, ele tinha um ar intelectual, jovem com seus trinta anos, bonito, alto e loiro. Léo tinha acabado de conseguir seu cargo tão desejado, há quase dois anos fazendo o roteiro e agora estava como principal.
E foi nesse dois anos atrás em que ambos estavam juntos. Léo era o namorado perfeito que ela desejará em sua vida. Ainda não moravam juntos, mas passavam a maior parte juntos no trabalho, depois saiam para jantar e faziam sexo no apartamento dele. Ele era reservado, e mesmo tentando dar dicas de poderem morar juntos ele vinha com outros assuntos que estava cedo para dar o próximo passo, antes da promoção dele que era ser o âncora do jornal e agora que ele conseguirá o sonho desejado, esperava que ele um dia a levasse ao altar.
Sonhara com isso a sua vida toda e esperava casar -se um dia. Mas pelo jeito que as coisas andavam, isso não iria acontecer. Convidará Léo para ir ao casamento de sua melhor amiga no fim de semana e até agora não obterá resposta do sim e talvez fosse por isso que estivesse tão estressada naquela semana.
Umedeceu os lábios nervosa, Léo simplesmente deu um sorriso de volta e se focou no falatório do chefe. Enquanto ela se ajeitou na cadeira horrível e suspirou totalmente desanimada, só se deu conta que estava de cara amarrada quando começou a enrolar o cabelo nas pontas do dedo – mania feia de tic tic nervoso – Tess odiava quando ela fazia isso, para sua sorte ela não estava ali.
- Ei... – Cindy Ramirez a cutucou com o cotovelo e fez cara de brava.
- Ah... o que foi? – Ela indagou num cochicho.
- Melhora essa cara.
- Ok.
Natalie se ajeitou novamente na cadeira horrível, e sorriu sem saber por que fizera aquilo, sentiu um arrepiou subir por sua nuca – o que também não entendeu – até notar que seu chefe estava atrás de si.
- Você está bem srta. Moore?
Ela hesitou antes de responder toda constrangida.
- Ah... sim, senhor.
- Não parece muito animada para participar da reunião, srta. Moore.
- Me desculpe, senhor. – ela disse e acrescentou logo em seguida. – Só tive um pequeno devaneio.
Ele forçou um sorriso. Seu chefe podia ser chato e egoísta, mas sabia que por todo aquele ar arrogante existia alguém que se importa com as pessoas.
- Quer compartilhar o seu pequeno... devaneio com o pessoal, srta. Moore?
Natalie olhou em volta toda nervosa, e por fim respondeu.
- Ah... não senhor.
- Então, pare de pensar e preste atenção na reunião. Aposto que não quer ir para o RH.
Ela fez careta de desgosto e mais nervosa ainda negou com a cabeça.
- Não, senhor.
- Ótimo. Isso serve para todos... nada de devaneio em minha reunião.
Ela suspirou e passou a prestar atenção na reunião que acabou dez minutos depois. Assim que estava levantando da cadeira, Cindy a fuzilou.
- Anda muito distraída, Natalie. Vai acabar perdendo o emprego por isso.
- Sinto muito.
- Foco, Natalie. – Cindy a alertou e se afastou.
Natalie assentiu e a observou. Não tinha uma reunião em que ela participava que não dava uma mancada, tentava evitar isso para não ter problema, mas era difícil evitar o inevitável.
Ao sair da sala de reunião, andou em passos largos para que ninguém viesse de encontro há ela pela mancada da reunião. Estava alcançado a sua sala quando o seu amigo Alan apareceu todo alegre.
- O que foi que aconteceu com você, garota?
Ela suspirou e sentou em sua cadeira. Sua sala era pequena, só tinha uma mesa com um computador, telefone e papéis que constantemente tentava tirar, mas parecia que procriava todo dia, uma prateleira com algumas coisas e alguns quadros em que ela fazia questão de manter, pois adorava em olhar para cada um. Tess lhe dava aquele mimos, pois sabia que gostava de coisas geek.
- Eu não sei exatamente... Eu estava pensando no casamento.
- Aí sério?
- Sim. A Tess está preocupada, a cerimonialista não está conseguindo fazer o que ela pediu.
Alan sentou na cadeira em frente à mesa e a encarou. Odiava quando ele fazia aquela cara de desgosto. Ele era tão charmoso, sempre bem arrumado, alto, moreno, olhos verdes e musculoso. Só não conseguia entender por que homens como ele ainda se encontravam solteiros.
- Entendo que queira ajuda-la, mas o seu trabalho vem em primeiro. – Ele disse. – Você está se dando bem aqui...
- Eu sei.
- Tem o Leo.
- Eu sei.
- Tem a mim.
Ela sorriu.
- Eu sei.
- Então, tenha mais foco. O chefe liberou você por quatro dias e isso é bom.
- Pior que estou com medo dele mudar de ideia.
- Bobagem. A Tess já escolheu o vestido das madrinhas?
- Sim. Não curti muito a cor, mas não posso reclamar é o sonho dela.
Ele sorriu. Alan tinha um belo sorriso, só se incomodava com o aparelho que usava, era bem estranho para uma pessoa naquela idade ainda usar aparelhos.
- Você vai ficar linda no vestido.
- Você acha? – Ela perguntou levantando e indo até a prateleira onde deixará alguns bilhetes.
- Claro. Não sei por que não acredita quando falo que você é linda. – Ele falou fazendo corar. – Sou seu amigo, Nati.
- Eu sei. Eu não seria nada sem você, Alan.
- Não gosto de competir com a Tess.
Natalie o encarou sorrindo em deboche e o abraçou de um jeito estranho.
- Você e a Tess são tudo para mim.
Ele sorriu fazendo a se sentir boba. Foram interrompidos com uma batida na porta, era Cindy. Ambos se afastaram, mas Cindy não perdeu tempo em olhar para ambos suspeitando de alguma coisa.
- Interrompi alguma coisa?
- Não, de maneira nenhuma. – Ela respondeu. – Aconteceu alguma coisa?
- Não. Mas vim contar a novidade, vamos conseguir uma entrevista exclusiva com a... Callie Space.
- Se está brincando? – Alan indagou chocado ajeitando a roupa, como se a famosa estivesse ali.
- Nossa! Isso é incrível! – Ela tentou não ser irônica.
- Sim.
Natalie sabia que estavam a meses tentando convencer a tal Callie Space lhe fazerem uma entrevista no programa em que Cindy literalmente fazia parte, ela era tipo a redatora do programa. E aquela mulher não era nada legal – Não sei por que o interesse naquela famosa – tudo nela lhe irritava, sempre que a via na televisão, era grossa e egoísta com as pessoas ao redor – as vezes torcia para estar errada – mas nada a iria fazê-la mudar de ideia.
- E quando vai ser essa entrevista exclusiva?
- Semana que vem. Ela está viajando... – Cindy contou revirando os olhos. – Uma mulher muito ocupada.
Grande coisa, eu também era ocupada e não era tão importante assim, pensou com ela.
- Imagino. Bem, já que contou a novidade... preciso voltar ao trabalho.
- Está expulsando a gente?
Ela fez um bico e assentiu, dizendo.
- Foco gente. Preciso me focar no trabalho.
Ambos se entreolharam e sorriam concordando. E não demorou muito para que ambos saíssem de sua pequena sala. Maldita sala minúscula, ainda bem que não ficava tanto tempo por ali.
Aproveitou o tempo livre e ligou para Tess para saber sobre o andamento do casamento.
- E aí, como está amiga? – Ela indagou assim que sentou na sua cadeira e inclinou colocando os pés em cima da mesa.
Ela adorava fazer aquilo, mas era uma pena que se Léo entrasse naquele momento já iria olhar torto para ela.
- Eu estou bem... Mas o meu casamento não anda tão bem assim.
- Ah, Tess gostaria de estar aí... Mas o meu chefe só vai me liberar quinta-feira.
- Ainda bem, estou quase matando a minha cerimonialista. Ela está me deixando louca.
Natalie revirou os olhos.
- Ela tem sorte por eu não estar aí. – Ela disse. – Eu ia arrancar os olhos dela... não, pera aí. Eu ia esfolar ela viva.
Tentou ser mais convincente do mundo, mesmo sabendo que Tess não iria dar ouvido para nenhuma palavra sua, pois a conhecia muito e não iria fazer nada disso se estivesse por lá.
- Sei, você não mata nem uma mosca.
- Você me conhece, hein.
- Sou sua melhor amiga desde que tínhamos dez anos. – Tess falou. – Conheço tudo em você, Na.
Tess era a única que a chamava assim, além dos seus pais – é claro. Nem Léo a chamava daquele jeito, pois até achava melhor pelo menos não teria problemas futuros.
- Ok. Você venceu, eu só precisava saber do meu parceiro.
- O Léo não vem?
- Ele não respondeu o meu convite.
- Sério?
- É... Mas ele não é padrinho, é apenas um convidado.
Tess suspirou.
- Vai vir sozinha?
- Eu vou convencê-lo a ir ao casamento.
- Já disse para você que não gosto desse cara.
- Já sim.
- Ele é cínico... E se acha melhor do que todo mundo. – Tess comentou, quase se afundou na cadeira ao ouvir aquilo. – Só para constar, ele nem chega ao pés do Jared Padalecki loiro.
Natalie quis rir pelo comentário da amiga. Ela era apaixonada por aquele ator e desde que conhecerá Léo, achará semelhanças do ator nele, tirando o cabelo loiro e desde então não parou mais de dizer que ela tinha um Jared só para ela, e quando ele ouviu aquele comentário vindo da amiga começou a se achar mais ainda.
- Eu até concordo que ele não parece com o Jared, mas ele não é cínico.
- Você sofre de visão de ótica minha amiga. Ele não é tudo isso que você acha não. – Tess falou. – Mas, nosso coração é bobo e entendo isso.
Ela sorriu.
- Obrigada.
- E não vou negar que ele é bonito. De todos os seus namorados ele é o mais bonito.
- Ah sério?
- Sim. Amiga eu preciso desligar... tenho que terminar um serviço aqui... beijos.
Natalie se despediu da amiga e ao colocar o celular na mesa, uma batida na porta a assustou, e meio que acabou sorrindo quando viu a cabeça do seu namorado meio que para dentro.
- Oi.
- Oi. Não tem uma gravação para fazer?
- Sim. Mas eu tinha que conversar com você. – Ele disse entrando na sua pequena sala. – Não está ocupada, está?
Ela negou com a cabeça.
- Não.
- Sei que detesta falar sobre a gente aqui no serviço, então... queria te convidar para um jantar.
Natalie franziu cenho. Era ele que não gostava de falar sobre o relacionamento ali, nem todo mundo sabia sobre ambos, eram cautelosos em relação a isso – Léo odiava intimidades fora do limite – e ela odiava ter limites na intimidade. Nunca entendia sobre o que ele queria dizer que o que acontece entre um casal não podia ser exposto para as pessoas.
Hello! Ninguém mantinha relacionamentos escondido se não tivesse alguma coisa aí. As vezes se perguntava se ele tinha outra ou era gay como Alan dizia quase todo santo dia. Mas ele era bom fazendo sexo que até dúvida da sua insanidade.
Ela levantou-se sorrindo e foi até ele. Léo estava tão bonito, usando camisa azul com o colarinho aberto, blazer preto e calça social da mesma cor e o cabelo todo arrumadinho que agora estava curto. Olhando agora para Léo, quase concordou com Alan de que ele fosse gay.
Ohh não! Léo não era gay, era bom demais pra isso.
- Eu vou adorar em ir jantar hoje à noite.
- Ótimo. Marquei hora naquele restaurante que você gosta.
Ela bateu palmas que nem criança, quando ganhava o seu melhor presente, mas parou ao ver que Léo fazia careta. Ok, ela agia que nem criança as vezes e isso não agradava ninguém, nem mesmo seus pais.
- Eu vou adorar.
Léo sorriu e ia fazer menção de sair, mas ela não iria deixar que isso acontecesse. Tinha que saber se ele iria ao casamento com ela.
- Léo... antes que você saia. Você não me respondeu se vai ao casamento comigo?
Ele se voltou encarando-a.
- Hoje à noite a gente fala sobre isso.
- Ok.
- Essa é minha garota. – Ele disse e saiu o mais rápido possível.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 20
Comments
Rita de cassia Batista da silva
iniciando a leitura quarta-feira 04/12/2024 10:40hs .
Espero por boas surpresas e ótima leitura!
2024-12-04
0
Wilma Marques Machado
Iniciando a leitura 05/12/24
2024-12-04
0