Alan a encarou com ar de que havia percebido alguma coisa assim que Benjamin se afastou. Não vira nada demais, além de um homem que estava tentando manter distância dela, já que ela fez questão de assusta-lo tentando levá-lo para cama.
Tinha sido uma completa idiota em ter feito aquilo, mas dizer que se arrependia. Não! Ela não se arrependia nenhum pouco, pois agora ela sabia o que ele sentia em relação a ela.
Seu corpo todo parecia estremecer. Os batimentos aceleram em questão de segundos. A pele arrepia por um mínimo contato. Os olhos brilham frequentemente. O sorriso não sai da face. Quando tudo isso acontece, pode ser um sinal de que a paixão chegou mostrando sua eficácia no peito daqueles que sentem. E tudo isso, ela sentia quando pensava em Benjamin.
- Não faz essa cara, Alan. – ela pediu quando o barman lhe entregou a bebida.
- Mas eu não disse nada.
- Eu sei o que você está pensando só pela sua cara.
Alan sorriu e bebeu um gole da bebida.
- Vai, conta ai. Está superando o termino de namoro com esse cara?
- Não. Não está rolando nada entre gente. – ela contou se afastando para o barman não escutar, já que estavam falando do patrão dele. – A Tess que fica inventando algumas coisas para a gente acabar saindo junto.
- A Tess virou cupido agora? – ele riu sarcástico.
- Ah ela nos fez ir atrás do bolo de casamento dela, passei o dia todo com ele na estrada, ai chego aqui e fico sem quarto, aposto que foi ela que colocou aquele gambá na minha cama.
Alan riu achando engraçado.
- Ela não iria fazer isso.
- Ela não gostava do Léo.
- Eu também não e nem por isso fico te empurrando para os meus amigos.
- Nossa! Está difícil de ter uma conversa com você e a Tess. – resmungou. – Eu não estou magoada. E não preciso afogar minhas mágoas em outra pessoa.
- Ele me parece ser uma pessoa legal.
Natalie bufou.
- Alan... logo você.
- Natalie, eu só estou dizendo o que vi. – ele bebeu mais um gole da bebida. – Quer saber chega de besteira e vamos curtir o dia.
- Assim que se fala.
Natalie terminou de beber aquela bebida e já foi pedindo outra, ambos sentaram numa mesinha e passaram a conversar, os pais de Tess vieram cumprimenta-los e depois se afastaram deixando os sozinhos. Alan contou como foi a entrevista e gostou de saber que ele iria conseguir o emprego.
A noite surgiu e estavam ainda na mesa bebendo sabe lá quantas taças de vinho e drinks que ela já ingeriu, mas ainda aguentava mais algumas. Tess apareceu com Rob e foi recebida com alguns aplausos, aproveitou aquela ocasião e foi ao banheiro, precisava ir urgente para o banheiro. Quase esbarrou numa mulher, pediu desculpas mesmo assim e foi ao banheiro mas chegando lá estava ocupado, deu uma olhada para ver se não tinha ninguém vendo e entrou no masculino, não iria conseguir segurar e muito menos chegar no banheiro da casa.
Tinha que ser ali mesmo. Natalie limpou às pressas em volta da privada, abaixou a calça e a calcinha e sentou na privada aliviada. Estava toda tonta e com certeza a bebida já corria por suas veias. Fez careta por estar totalmente doida, passou as mãos no cabelo e só então a porta abriu.
- Ai meu Deus! – ela gritou.
Era Benjamin, para o seu alívio – pelo menos por um momento – toda atrapalhada se limpou e estava lavando as mãos quando o ouviu.
- O que você está fazendo ai?
- Eu... precisava... usar o banheiro. – ela abriu a porta e se envergonhou ao vê-lo.
- Esse banheiro é masculino.
- Eu sei. Mas o outro estava ocupado.
- Hum... e por que não trancou a porta?
- Esqueci.
- Sei.
- Ei, não pega no meu pé não. – esbravejou sem tirar os olhos de cima dele.
- Poderia ter sido qualquer um homem aqui.
- E por que, você e diferente?
Ele hesitou.
- Está bêbada?
- Nem um pouco.
- Ótimo.
Ele entrou no banheiro, suspirou antes de se afastar e para variar foi até o bar onde pediu uma bebida e seu estômago roncou de fome, precisava comer. Agora tocava até uma música no ar para descontrair os casais e os solteiros, assim que sua bebida ficou pronta, agradeceu e sorriu ao ver Alan conversando com uma moça.
- Perdeu o amigo.
Natalie fez careta ao se virar e ver Benjamin ao seu lado.
- Deixei ele curti as mulheres.
- Ainda bem que não vai precisar ouvir hoje. – ele zombou ao lembrar do que havia dito do amigo.
- Estou no quarto principal da casa. – ela sorriu. – Melhor que o sofá.
- Como conseguiu dormi naquele sofá?
- Nem eu sei.
- Eu sei. É horrível. – ele disse, pegando a bebida que pediu. – Então, amanhã vocês vão mesmo fazer um tour por aqui?
- Sim. Se a Tess não me afastar daqui de novo.
Ele sorriu.
- Ela está atrasando o meu serviço.
- Ela está atrapalhando eu me divertir.
Ambos se entreolharam e riram juntos.
- Achei que não quisesse falar comigo depois daquilo...
- Sinceramente não tem como lhe evitar. – ele falou com um sorriso torto. – Não há motivos para não falar contigo.
- Isso quer dizer que... vai esquecer aquilo?
Benjamin franziu o cenho, com pouco caso.
- Não.
- Ótimo eu também não. – ela sorriu e bebeu um gole do drink. – Por que não me fala um pouco de você.
- Não tem muito o que falar de mim.
Ela bufou.
- Sempre tem. Você disse que mora aqui desde sempre... onde estão seus pais?
- Meu pai já morreu há uns seis anos, minha mãe mora com a minha irmã num chalé há uns cinco minutos daqui. – ele contou. – Cresci rodeado disso, fiz faculdade e voltei para ajudar o meu pai nos negócios, pois ele estava doente. Meu irmão mais velho não queria isso.
- E você queria?
Benjamin hesitou.
- Sim. Eu adoro esse lugar mais do que a mim mesmo. – bebeu mais um gole. – Meu pai alugava isso aqui para as pessoas passarem férias, mas ele faleceu e acabei que mudando um pouco.
- Tipo?
- Fizemos um lugar para que as pessoas visitassem o local, a direito a bebidas e comes, para eventos particulares.
- Ficou melhor assim.
- Você acha?
- Sim. Pelo menos o que eu vi vem bastante gente.
- Minha irmã não gosta muito não.
- Por quê?
Ele sorriu malicioso.
- Agora eu sei como você conquista as mulheres. – ela disse.
- Do que você está falando?
- Elas vem aos casamentos e você vem com esse papinho todo. Como não pensei nisso antes. – ela sorriu toda boba. – Ganha dinheiro com os eventos e ainda arruma alguém.
- Eu não tenho tempo para sair.
- Espertinho você. – ela deu uma piscada. – Já pensou em tirar a barba?
- Não gosto.
- É pra esconder? – ela perguntou apontando para o corte e viu que ele ficou sem graça. – Nasceu com isso?
- Sim. Eu não tenho vergonha disso, só para você saber.
- Acho sexy.
Benjamin riu em deboche.
- Sexy foi ver você enrolada naquela toalha.
- Para. Você me deixou cair só para ver o que não deveria.
- Não foi bem assim.
- Ah não? Então qual era a intenção?
Ele hesitou.
- Nenhuma.
- Mentira. Você é o pior mentiroso que já vi. – ela riu fazendo com que algumas pessoas olhassem. – Acho que chega de bebida...
- Quer dar uma volta? – ele lhe convidou.
- Ah... claro.
Natalie sem saber o que realmente estava fazendo, decidiu que precisava mesmo sair da sua zona de conforto. Cansada de agir perfeitamente, pois foi isso que andou fazendo nesse dois últimos anos, tinha sido uma boa pessoa, uma namorada perfeita e o que ganhará com isso. Um belo não do seu ex namorado, viverá ao lado de uma pessoa que pensou que seria seu futuro marido e estava cansada de bancar a idiota.
Havia passado aquele dia ao lado de Benjamin e já sentirá que fazia anos que se conheciam, ele era um cara com uma vida simples, um homem bem sucedido e gostava disso. Apesar de não querer levar nada a sério com ninguém, mas havia algo mais ali entre ambos, não era apenas uma atração, tinha uma conexão a mais – que nem mesmo ela sabia o que era – e estava gostando de vivenciar aquela conexão.
Toda sorridente seguiu Benjamin, notou alguns olhares sobre ambos e meio que ignorou isso. Tess estava tão entretida nos loves com o seu futuro marido e Alan estava de paquera com uma moça, nenhum dos dois sentiria a sua falta.
- Aonde vamos?
- Uma surpresa.
Benjamin deu um sorriso e andou em direção a parte da casa principal, entraram juntos e ao passarem pela sala foi então que reparou que estavam indo em direção a uma porta que imaginou que seria um banheiro.
- Eu não quero ir ao banheiro.
- Não é um banheiro. – ele abriu a porta com a chave que tirou do bolso.
- Isso é um calabouço?
Ele riu negando.
- Não. Meu pequeno paraíso. – ele respondeu acendendo a luz e viu a escada.
- O que tem ai?
- Vem... eu te mostro. – ele estendeu a mão para ela que aceitou, desceram de mãos dadas e ao alcançarem o final da escada ela pode ver claramente do que se tratava.
Era uma adega repleta de vinhos. Um lugar pequeno, rústico como a casa, o piso era feito de pedra envernizada, a estante em L cheio de variados vinhos, e do lado direito havia um balcão pequeno com um suporte com taças e uma mesa feita de barril e tinha duas poltronas de couro marrom, era um ambiente maravilhoso para poder espairecer as ideias.
- Uau!
- Meu pai construiu isso aqui antes de falecer, vinhamos aqui só para beber enquanto conversávamos... – ele contou com um sorriso como se as lembranças viessem juntos. – Minha mãe ficava brava quando ele ficava muito tempo aqui... ocupado demais para dar atenção a mulher e filhos.
- Sinto muito.
- Bem que eu queria sentir. Às vezes penso que ele ainda está aqui... – ele contou ficando em frente à ela. – Por isso mantenho a porta trancada.
- Não gosta daqui?
- É a única parte da casa que me deixa... sufocado.
- Então porque não faz outra coisa?
- Não quero estragar o cantinho dele.
Natalie se aproximou sem tirar os olhos de cima dele e tocou em seu braço, como um conforto.
- Entendo perfeitamente como se senti. - disse não tão confiante. – É um vazio que precisa ser preenchido.
- Quando eu olho para você me faz lembrar dele.
- Ai, não sou homem.
Ele riu.
- Eu sei. Mas é o seu jeito que me faz lembrar... ele era carismático e tinha uma mania feia de tirar conclusões precipitadas.
- Mentira!
Benjamin sorriu e acariciou o seu rosto com as costas da mão e sentiu seu corpo se acender ansiosa por um toque dele por todo o seu corpo.
- Quer dançar? – ela sugeriu para mantê-lo distraído.
- Aqui?
- E qual é o problema? – indagou pegando na mão dele, fazendo com que ele engolisse em seco.
- When your legs don't work like they used to before
And I can't sweep you off of your feet... – ela começou a cantar.
- Está cantando?
- É só para descontrair... lá lá...
Ele riu sem deixar de dançar. Sabia que não cantava muito bem, mas era só para deixá-la confortável, já que ambos estavam muito próximos e cantar Thinking out loud de Ed Sheeran a deixava sempre relaxada.
Quando ele a fez rodopiar riram juntos quando seus corpos se juntaram novamente. Estava tão feliz por aquele pequeno momento que nem lembrava de seu ex namorado.
A paixão cresce na mesma medida que a rejeição, mas isso sempre foi assim. Foi sempre assim e sempre doeu. É um incômodo. É uma dor. E como dói! Quando saio todas as manhãs para observar o dia e, eventualmente, me apaixonar de novo. Não esperava que aquela paixão arrebatadora tomasse meu coração. Acho tudo isso muito engraçado e dou risadas despretensiosas. Mas aos poucos vou tomando consciência que já não posso controlar esse sentimento e aos poucos o riso cessa. O silêncio é assustador. A paixão intimida. Sinto medo. Volto a sorrir. A paixão vence e me silencia.
Um sentimento muito forte toma conta de você. De repente, você só consegue pensar nos olhos e no sorriso encantador daquela pessoa.
Natalie percebeu que ele parará com a dança, se entreolharam e simplesmente do nada, foi puxada por uma força magnética e o beijou perdendo toda a razão.
No início o beijo foi suave e carinhoso, e do modo que ela se entregava, ele a estreitava mais e mais para o próximo passo, mas não estava preparada para o próximo passo, porém, sabia que o desejava e queria-o para si naquele momento maravilhoso que estava apreciando e vivendo.
- Ben...
- Natalie...
- Isso é tão...bom. – deu um meio sorriso e o beijou novamente.
Quando se deu conta estava se entregando de corpo e alma aquele homem. Não dá para esconder que o corpo revela bem mais do que gostaríamos. São as expressões do desejo em nosso rosto. São as mãos trêmulas pela presença do outro. É um rosto ruborizado devido à proximidade. É um calor difícil de entender. Não dá mais para negar o que sinto por Benjamin. Não consigo mais esconder os sentimentos que habitam em meu coração. O corpo é o primeiro a revelar tudo o que não queremos que seja revelado. Os olhos entregam uma sinceridade que nós não queríamos. Os pés nos guiam por caminhos que não queremos. O coração acelera e faz até a nossa fala nos entregar.
Já não dá mais para esconder que o meu corpo te deseja. Não dá mais para fingir que não há nada entre nós. Meu corpo me entrega com diversos sinais o quanto que eu te quero.
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Atualizado até capítulo 20
Comments
CRISTIANE AZEVEDO
As palavras que você usa para escrever são tão... não sei explicar. Eu só sei que me prende a leitura. Parabéns autora. Parabéns pela história e por sua escrita.
2024-12-15
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