Capítulo 13

Benjamin sem pensar duas vezes saiu dali com passos decididos, sentiu seu rosto pegar fogo. Tinha sido uma babaca acusando o daquele jeito na frente de todo mundo.

Como podia ser tão hipócrita e egoísta com um homem que só a tratou bem até agora, mesmo com algumas desavenças ele tinha sido bom.

Mordeu os lábios toda confusa e olhou para os seus amigos que estavam todos a olhando.

- Isso foi tenso. – Alan comentou.

- Na...

- Eu sei. Eu fui uma idiota. – disse pegando o saco de gelo e sentando.

- Eu nem acredito que você teve essa coragem. – Tess falou.

- Eu devo pedir desculpas?

Ela fez careta quando os três assentiram.

- Vou ter que dormi no sofá.

- Pode trocar de lugar comigo. – Alan deu a ideia.

- Como eu sou idiota.

Tess sentou-se do seu lado e disse.

- Eu não sei o que rolou entre vocês dois... mas espero que você resolva logo antes que ele acabe lhe expulsando daqui.

- Ele faria isso?

- Eu não sei. Não conheço o temperamento desse cara. – Tess olhou para o noivo, como se procurasse resposta.

- Ah... eu nunca o vi bravo.

- Estou totalmente fodida.

Tess e Rob pediram licença dizendo que tinham que terminar as coisas do casamento, deixando a sozinha com o Alan que acabou sentando ao seu lado.

- Ainda vamos dar uma volta?

- Só se você quiser.

- Eu quero. Eu preciso me focar em outra coisa.

- Tem que deixar de ser chata.

- Eu não sou chata. Sou? – indagou tirando o gelo da testa e fez careta.

- Um pouco.

- Preciso melhorar em muitas coisas. – resmungou meio que mais para si mesma do que para o seu amigo.

Ficaram ali por alguns minutos, até que se recompôs antes de ambos saírem dali e ir até a entrada a procura da tal de Anna. Quando a viu, lembrou de imediato dela, no dia anterior quando estava da sacada do quarto de Benjamin a viu conversando com ele, pareciam ser bem próximos, afinal sentira um pouco de ciúmes ao vê-lo dando um beijo na testa dela.

Assim que Alan conseguiu conversar com ela sobre o tour que aconteceria em dez minutos, notou que seu amigo estava bem interessado nela.

Natalie deu uma olhada em volta, não sabia se procurava por alguma coisa ou por alguém. Mas ai viu que um homem a olhava, tentou disfarçar olhando para Alan que ainda estava de papo com a Anna.

Colocou a mão em sua testa e sentiu um calombo pequeno e desejou que aquilo fosse embora até o dia seguinte. Talvez fosse isso que o homem estava olhando. Uma vergonha sem tamanho, não iria querer ninguém a vendo daquele jeito. No entanto, viu que o sujeito iria fazer um tour no mesmo grupo que ela e Alan.

Assim que o tour começou, ficou surpresa por ver que iam dar uma volta pela plantação, é por isso só tinha que ter no mínimo dez pessoas por visitação a cada uma hora e meia. Alan fez questão de se sentar no primeiro banco de trás só para ficar mais próximo da Anna e isso a deixou bem incomodada.

Para sua sorte não demoraram muito para chegarem até a plantação e ficou admirada só de ver pelo vidro da van. No caminho Anna contou um pouco sobre a história da família Mancini e ficou fascinada por tudo, ao descerem enquanto caminhavam até uma parte do vinhedo ela parou e voltou a falar sobre a produção.

 Tudo começa, claro, com as uvas: o vinho é feito com uvas diferentes daquelas que encontramos nos mercados. A uva para a produção da bebida costuma ser menor, mais doce e ter a casca mais grossa. Na maioria das vinícolas, as uvas são colhidas manualmente, com a ajuda de uma tesoura especial. Na colheita automatizada, as máquinas passam por cima das videiras, que são chacoalhadas e caem num reservatório.

Depois as uvas vão para um galpão onde a bebida é processada. Elas passam por uma máquina onde são esmagadas: os cabos são separados do mosto (mistura de polpa, sementes e casca) e o suco começa a fermentar. As leveduras (micro-organismos que fazem a fermentação) presentes nas uvas entram em contato com o açúcar do suco da uva e o transformam em álcool.  Para produzir o vinho tinto, o processo de fermentação é feito com a casca das uvas; para produzir o branco, as uvas são prensadas e suco é separado da casca antes da fermentação.

O processo de fermentação libera também o gás carbônico, que faz o mosto ir para a superfície e se acumular lá. Para que a cor fique homogênea, o líquido que fica embaixo do reservatório é bombeado para cima, e isso se chama remontagem, que é interrompida após 4 dias, e o mosto é isolado do líquido.

Uma curiosidade sobre a fermentação: ela pode ser feita em tanques de aço ou madeira. Vinhos feitos em tanque da aço têm sabor mais frutado; quando a fermentação é feita em madeira, o vinho ganha sabores amadeirados. Cada detalhe da fermentação é importante, pois dela depende a qualidade do vinho. Por isso, temperatura, oxigenação, contato com o ar e outros fatores devem ser bem analisados.

Depois da remontagem, um registro na parte de baixo do reservatório é aberto, e a bebida é liberado. Antes de ser engarrafada, a bebida passa por filtragens para ficar com a aparência límpida.

Natalie ficou fascinada em saber sobre o processo todo e sorriu boba ao pensar se não seria interessante em fazer uma reportagem sobre isso. Alan podia fazer isso um dia quando fosse um âncora da cidade, ia dizer alguma coisa a ele mas Alan estava admirando a beleza da Anna.

Estavam indo experimentar a uva que estava sendo colhida e fez careta em ver que não estava muito afim. E decidiu em ficar ali próxima da van, quando uma caminhonete parou e reconheceu Benjamin assim que ele desceu do carro.

Tentou desviar seus olhos para longe dele quando viu que não deu certo, ele se aproximou e foi logo dizendo.

- Eu paguei para fazer a tour.

- Eu não perguntei nada. – ele respondeu.

- Mas vai que pensou.

Ele balançou a cabeça, incrédulo.

- Por que não está com a turma?

- Não estou afim de experimentar a uva. – respondeu, foi ai que lembrou que ele era dono do local. – Na verdade, estou cansada... esse calor é de matar.

- Sei. Como está a sua cabeça?

- Sem nenhum problema neurológico.

- Engraçadinha.

- Sou é?

- Não.

Natalie hesitou.

- Ah antes que você vá, quero pedir desculpas pelo que falei. – ela mordeu os lábios. – Estava... com vergonha.

Benjamin inspirou e para não manter contato com ela, olhou para onde a turma estava, em seguida a encarou.

- Não é uma boa hora para falar disso.

- Eu não... eu nunca fiz isso na minha vida. – ela disse toda nervosa, que começou a gesticular os braços. – Não, tinha intenção... mas meu corpo...

- Tudo bem. Não precisa se explicar. – ele a interrompeu. – Só não é uma boa hora para falar disso.

Natalie suspirou e assentiu.

- Ok.

Benjamin forçou um sorriso e ao olhar para turma que vinha na direção de ambos, ele se afastou indo até Anna. Alan veio até ela, e sem tirar os olhos de cima dele teve vontade de correr para os braços dele e implorar para beija-la.

Ao ver que eles sorriam um para o outro deduziu que tinham alguma coisa. A vontade de ir lá e dizer a ela que podia ficar com o seu amigo Alan que não acharia ruim, mas mexer com Benjamin, não.

Quem ela pensava que era, afinal?

Conhecerá o cara a três dias e ela deve conhecê-lo a anos. Se tivessem interessados um no outros já estariam juntos. Deu uma desviada de olhar para o seu amigo que não tirava os olhos de cima da Anna, acabou que o cutucando.

- Ei, está ficando muito na cara.

- Você acha?

- Sim. Pelo amor de Deus, Alan. Se controle homem. – ela resmungou e não percebeu que o cara que estivera olhando para ela mais cedo a estava encarando, tentou forçar um sorriso. – Desculpa... estava falando com ele.

O cara assentiu sorrindo.

- Tudo bem. Vocês estão passeando pela região?

- Ah... sim. Meu irmão aqui adora uma aventura, apesar de eu adorar também esse tipo de... coisa.

- Legal. Sou Gael Martins, estou a trabalho. – ele disse coçando a testa. – Estou tentando falar com o dono daqui a meses.

- Já tentou falar por telefone? – ela fez um Telefone com as mãos próxima a orelha.

- Sim. Mas ele não atende.

- É um homem ocupado. – ela respondeu olhando para Alan que franziu o cenho confuso.

- Você o conhece?

- Ah... não. Mas eu ia adorar em conhecê-lo também.

- Então, estamos prontos. – Anna interferiu dizendo para todos. – Agora, vamos ao que interessa... beber um pouco.

Natalie observou todos subirem na van, Alan foi o primeiro e meio que fez cara feia e só se deu conta que estava sendo observada, forçou um sorriso e ele se aproximou.

- Se ficar ai vai acabar ficando para trás.

- Eu pego carona.

Ele deu uma risadinha.

- Só daqui há uns quarenta minutos.

- É sério?

- É sim.

Natalie fez cara de deboche e disse.

- Acho que vou indo. Eu paguei por isso... então eu mereço beber... seus vinhos.

- Juízo.

Ela sorriu, enquanto se afastava andando de ré.

- Aonde compra isso? – ela deu uma risadinha e deu um aceno para ele que retribuiu com um sorriso.

Anna a olhou seria quando estava entrando na van. Sentiu seu rosto queimar de vergonha, por ter sido pega conversando com o chefe dela. Mau sentou e Alan balançou a cabeça sem dizer nada.

- O quê?

- Nada.

Natalie fez pouco caso. Não iria discutir com Alan quem estava sendo babaca naquela história, ele estava agindo errado e ela também estava. Mas pelo menos entre ela e Benjamin já havia rolado alguma coisa. Estava no meio do caminho quando sentiu uma mão em seu ombro, ao olhar para trás era uma moça loira.

- Você conhece aquele homem?

- Ah... não.

- Ah, achei ele um gato. Se você o conhecesse eu ia pedir para me apresentar há ele. – ela falou toda boba, como uma adolescente.

Natalie hesitou.

- Quer um conselho?

- Sim.

- Não fica correndo atrás de homens. Eles gostam de caçar... e não seja fácil.

A moça loira a encarou por alguns segundos e concordou voltando para dar uma olhada na paisagem pela janela. Se ajeitou no banco e fixou o olhar na tal de Anna. Uma pena não poder observar muito, já haviam chegado.

Assim que desceram foram encaminhados para dentro da galeria, tinha petisco e vinhos variados para experimentar e adorou isso. Aproveitou para dar uma olhada em alguns quadros que estavam nas paredes e viu que Alan estava novamente falando com a Anna, revirou os olhos e deu uma olhada numa garrafa quando sentiu alguém aparecer do seu lado, e para sua sorte não era o cara doido com nome ridículo.

Era Benjamin.

- Está gostando do... vinho?

- Sim.

- Vai beber muito?

Ela fez careta.

- Vou deixar para de noite. – sorriu, mas viu que ele não curtiu muito a brincadeira. – Acho que vou...

- Seu amigo parece bem à vontade.

- Ah, desde cedo ele está de olho na Anna. – ela falou desanimada. – Estou sempre sendo deixada pra trás.

Ele sorriu.

-  Quer um conselho? – ele indagou e meio que acabou assentindo. - Deveria aproveitar o resto do dia. Fiquei sabendo que os padrinhos vão jogar algum tipo de coisa lá no jardim.

- Ai odeio jogos. Sempre perco nessas coisas. – ela respondeu. – Você vai lá jogar?

- Não. Estou trabalhando, tenho até às cinco para colocar tudo em ordem... ah enquanto você estava visitando a plantação a mulher do bolo veio terminar o bolo aqui. – ele contou ao dar uma olhada na prancheta, e reparou que ele era canhoto. – Vai lá dar uma olhada.

- Ela está aonde?

- Na minha cozinha.

Ela sorriu.

- Ok. Vou só terminar de experimentar isso... não posso desperdiçar.

- Isso mesmo. E Natalie...

- Sim.

- Diz ao seu amigo que vou ficar de olho nele. – avisou, mas não entendeu nada, acrescentou. – A Anna é minha irmã.

Ai cacete! Como ela não pensara naquilo antes, agora que ele falando notou realmente a semelhança  entre ambos.

- Ah... eu aviso ele.

Assim que o viu sorrir e se afastar olhou para Alan que literalmente não estava sendo nem um pouco discreto. Conversava com Anna como se fossem amigos, e ela pelo jeito estava gostando de se entrosar com ele. Acabou que tomando o resto do seu vinho e foi até o amigo para chamá-lo para almoçar que já era onze e meia e sua barriga estava roncando.

Para sorte é que havia um restaurante ali e podemos comer sossegados. Não estava querendo interromper as coisas de Tess, já tinha problema demais para resolver e ainda tinha o bolo do casamento que ela precisava ir dar uma olhada.

- O que você achou da Anna?

Natalie fez um bico que seu amigo já até suspirou desanimado, pois a conhecia quando fazia aquilo.

- Já vi que não gostou.

- Alan... eu, não quero desanimar você. Mas me diga uma coisa, vai ser só sexo?

Ele franziu o cenho.

- Eu não sei. Você escutou alguma coisa sobre ela?

- Sim.

- Então me conta. Seria mais fácil, por que se eu vir morar aqui e...

- Alan... ela é irmã do Benjamin. – por fim contou.

Alan a encarou.

- É sério?

- Sim. Ele disse que vai ficar de olho em você.

- É você disse o quê?

- Nada. Estamos no terreno deles... não podemos ficar agindo como dois babacas querendo uma aventura.

Alan a encarou por um segundo e riu.

- Eu não me preocupo... posso estar vindo morar para cá e não teremos problemas em se envolver. – ele disse todo confiante. – Agora você Nati, deveria tomar mais cuidado.

- Ah só você pode se envolver com alguém?

- Eu não me apaixono fácil.

Natalie hesitou e riu.

- Ah claro. Desculpa ai homem de coração de pedra.

O assunto acabou e acabaram que falando sobre a visitação enquanto saboreavam a sobremesa que nem perceberam que já era quase uma hora da tarde. Estavam saindo do restaurante quando viu Tess entrando, parecia preocupada com alguma coisa.

- Tess... precisa de alguma coisa?

- Eu? Não!

- Então por que está nervosa e com essa cara?

- É... acho melhor você ir ver com os seus próprios olhos.

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