capítulo 20

Tinha um olhar triste desde o dia em que havia partido do seu mundo surreal de fim de semana. Depois de ter voltado, percebeu que sua vida real era mesmo uma merda e mais triste do que aqueles filmes de drama que passara a assistir tentando esquecer seus dias de maravilhas. Sentia um vazio dentro dela e queria acabar com aquilo tudo.

Depois de ter se afastado de Ben na festa, voltará ao quarto e se trancou por lá, chorou enquanto arrumava suas coisas. Ele havia vindo atrás, batera na porta e falava algumas coisas, porém, fez questão de não escutar nenhuma palavra até que finalmente gritou da porta pedindo para que ele parasse de falar e naquele mesmo instante o silêncio veio e acabou desmoronando.

Alan apareceu em seguida e pediu para que ele a levasse ao aeroporto naquele mesmo dia e claro que seu amigo surtou um pouco mas acabou cedendo por entender o que se passava com ela.

Era uma hora da manhã quando conseguiu sair dali sem que ninguém a visse. A festa já tinha acabado e Benjamin não estava na sua vista. Por fim, acabou que dormindo no aeroporto já que seu voo só sairia às oito horas. Quando chegará em Seattle e viu que havia ligações perdidas de um número desconhecido e presumiu que fosse de Benjamin e mesmo assim não deu a mínima. Iria se desligar e fingir que aquele fim de semana não havia acontecido.

Ao chegar em casa a primeira coisa que fez foi buscar o seu gato na vizinha, e ele foi seu consolo naquele dia e para os próximos que viriam. Tess ligou para ela na parte da tarde para saber em como ela estava e acabou dizendo que estava ótima sabendo que não, e Tess acabou que contando que passou seu contato há Benjamin.

- Eu sinto muito, amiga.

- Não tem problema. Eu supero rápido... – pelo menos ela achou  que iria superar.

- Peço desculpas por tudo. Eu tentei empurra-lo para você e achei que ele era o cara certo. – Tess disse. – Não fique brava comigo, por isso.

- Ok. Vá curti a sua lua de mel, Tess. – falou e desligou o celular sem se despedir.

Aquela confissão de sua melhor amiga foi a pior de todas, por mais que já tenha entendido o recado desde o começo ainda estava demorando para processar. E antes de ir se deitar Alan ligou  e teve que mentir novamente, mas infelizmente Alan foi um ótimo amigo e acabou conversando com ela até que suas energias se esgotassem.

No dia seguinte acordou com Travis miando pedindo comida. Cambaleou até a cozinha e serviu o café da manhã para o gato e notou que ele estava mais gordinho do que o normal.

- Acho que seremos só nos dois agora, Travis. – suspirou desanimada. – Espero não engordar que nem você.

Revirou os olhos e foi para o banheiro tomar banho. Terminando de se arrumou, estava atrasada. Saiu de lá correndo, e praticamente ignorou o seu celular tocar no meio do caminho até o estúdio.

Tinha que se focar no seu trabalho agora. E quando chegou lá algumas pessoas sorriam para ela, e perguntava como tinha sido o casamento. E meio que acabou contando que tinha sido maravilhoso – tirando o fato do seu envolvimento com um desconhecido – mas ninguém precisava saber disso.

Tentou evitar Leo naquele dia e infelizmente não foi possível, pareceu que ele estava mesmo afim de se encontrar com ela, pois todo lugar que estava ele surgia do nada. Isso era um saco, seu celular tocou diversas vezes e ignorou todas as chamadas, até que sentou em sua mesa e resolveu dar uma olhada nas mensagens que também ela havia ignorado.

Algumas era de Alan querendo saber em como ela estava e respondeu há ele dizendo que estava muito bem e que não precisava se preocupar que ela não iria cometer nenhum suicídio.

Foi ai que viu uma mensagem de voz de um número desconhecido. Ficou alguns minutos com o olhar fixo e o dedo parado no ar pensando se realmente queria ouvir – sabia que podia ser Ben – mas tinha medo de ouvir e acabar desmoronando.

Ia apertar para ouvir quando a porta abriu e Leo entrou, meio que bufou desanimada.

- Oi.

- O que você quer, Leo?

- Só queria saber se você está bem?

- Eu estou muito bem.

Ele balançou a cabeça.

- Escuta, eu sei que você não me quer por aqui... mas eu queria pedir desculpa por tudo. – ele disse envergonhado. – Não fique com raiva de mim e espero que encontre alguém que mereça você mais do que eu.

- Ah... obrigada.

- Então, podemos ser amigos? – ele estendeu a mão e sem saber o que estava fazendo aceitou. – Fico feliz por isso.

- Não me faça arrepender disso.

Leo sorriu e saiu dali. E novamente sozinha olhou para o celular e apertou o botão para escutar a mensagem.

“ Oi, eu sei que você deve estar brava comigo e está me ignorando de todas as maneiras. Mas por favor atenda o maldito telefone.”

Tinha mais outra.

“ Natalie, por favor não me ignore.”

“ Natalie, eu sei que não quer falar comigo. Mas precisamos conversar, você saiu sem me dar a chance de resolvermos alguma coisa. Me liga.”

Natalie engoliu em seco e seu coração havia disparado de uma tal maneira que seria capaz de sair saltando dali. O que estava acontecendo com ela?

Por que fugir de alguém que realmente estava interessado nela, alguém que a amava de verdade, que insistentemente  mandava mensagens e ligava desesperado para poder resolverem os problemas juntos.

Sem pensar juntou suas coisas e saiu dali. Não iria conseguir trabalhar daquele jeito sem parar de pensar em Benjamin. Estava alcançando a saída quando deu de cara com Layla que a olhou torto.

- Oi. Soube que o casamento foi maravilhoso?

- Sim.

Layla a encarou.

- Você está bem?

- Sim.

- Como foi seu fim de semana?

Natalie suspirou e acabou que contando.

- Quer saber, você deveria desfazer aquela magia do fim de semana. Meu amigo Alan acabou ficando apaixonado por lá e eu estou sozinha.

- Achei que estivesse feliz.

- Eu não estou feliz. – ela apontou para seu próprio rosto. – Eu pareço feliz, Layla? Não, eu não estou feliz... eu quero apagar tudo o que aconteceu naquele lugar...

- Sinto muito.

- E não deveria. Desfaz essa bruxaria sua...

- Não posso. É seu destino, ele vai voltar Natalie. Seus olhos azuis vai voltar.

Natalie franziu o cenho.

- Você... é bruxa mesmo?

- Não. Eu só leio cartas... herdei da família. – Layla contou. – Léo não foi feito para você, o amor da sua vida está  exatamente no lugar certo agora. – Layla sorriu e disse antes de se afastar.  – Não estrague as coisas, Natalie.

Natalie ficou ali parada por alguns minutos sem entender nada. Como ela se atreveu em ler cartas sobre sua vida sem sua autorização. Bufando, saiu dali o mais rápido possível. Chegou em seu apartamento e já foi recebida com miados, pegou Travis no colo, enquanto o acariciava.

- Oi meu amor. Está com fome? – ela perguntou colocando o no chão  e indo até o pote dele. – Acho que vou lhe fazer companhia nisso, Travis.

Assim que colocou a ração para o gato, foi até a geladeira e pegou o pote de doce que provavelmente a colher já estava ali, para sua sorte Alan não estava ali para criticar.

Comeu umas quatros colheres do doce de abóbora, enquanto mexia no celular. Alan estava se tornando um amigo irritante, mandava várias mensagens querendo saber sobre tudo e só então viu que tinha fotos dele com Anna e não pode deixar de sorrir.

Respondeu as mensagens há ele e mandou uma foto de Travis que agora estava com a barriga para cima e achou fofo, que sorriu.

Suspirou cansada, guardou o pote de doce e foi para o banheiro, decidiu tomar banho e praticamente demorou mais do que de costume. Como estava sozinha agora, saiu toda nua do banheiro indo para o seu quarto, se vestiu com roupas confortáveis e deitou na sua cama para assistir tv, não demorou muito para Travis deitar na sua cabeça e ali ficaram até pegar no sono.

No dia seguinte acordou com o seu celular tocando, quase o derrubou ao tentar atender. Era Léo querendo saber se ela não queria almoçar com ele mais tarde. Mas nem café ela tinha tomado ainda, e ele já estava pensando em almoço.

Acabou que aceitando e ao desligar o celular olhou para Travis que já estava em seus pés olhando com aqueles olhinhos maravilhosos.

- Bom dia, Travis. Dormiu bem? Por que eu estou só o pó. – fez careta. – Eu sou uma iludida que vive com um gato.

Ele miou fechando os olhinhos e abrindo de novo. Aquilo sempre a deixava boba e pegou o no colo, beijou o fazendo o miar mais. Quando chegou na cozinha colocou o no chão e lhe deu comida antes de colocar o café na cafeteira e ir para o banheiro tomar um banho.

Levou meia hora para se arrumar e tomou um café antes de sair de casa. Estava chegando na frente do prédio quando deu de cara com Alan. O que ele fazia ali?

Sorriu quando ambos se entreolharam e quando se viu já estava pulando nos braços dele toda feliz.

- Estava com saudade? – ele disse.

- Sim. É horrível morar sozinha... o Travis não é muito de conversar.

Alan riu.

- Eu só vim pedir minha demissão. – ele contou. – Eu consegui o emprego.

- Ah eu fico feliz que você está caminhando pelo lado certo. E a Anna?

Ele sorriu todo apaixonado.

- Ela está ótima. Estamos namorando... Ben me aceitou sem problema nenhum.

- Ele está bem?

Alan fez careta.

- Ele ligou para você?

- Sim, mas não atendi.

- Por quê?

- Estive ocupada.

- Comendo doce e conversando com o seu gato. – Alan tirou onda com a cara dela.

- Eu quis dizer trabalhando.

- Sei.

- Você já vai lá para a emissora? Posso lhe dar carona?

- Ah não. Eu vou tomar banho e depois eu vou até lá.

- Ok.

Se despediram e ela prosseguiu até o seu carro, não demorou muito para chegar ao seu trabalho. Conseguiu chegar em seu escritório sem ninguém fazer perguntas idiotas. Como sempre jogou sua bolsa numa poltrona e sentou em sua cadeira, colocando os pés para cima mexeu no seu celular, enquanto ligava o computador.

Acabou que vendo a sua foto ao lado de Benjamin que haviam tirado no dia do casamento e sorriu toda boba, ia começar a chorar ao lembrar dos momentos que haviam passado juntos e se controlou para não fazer isso no trabalho onde qualquer um poderia entrar e vê-la naquele estado decadente.

Dentre todos, foi Benjamin que me mostrou que um coração jamais pode viver sem o carinho da pessoa amada, que a paixão arde no peito e alimenta o nosso desejo de estar junto daqueles que nos fazem bem e que não existe um mundo melhor sem ele ao meu lado.

Nunca ninguém provocou sentimentos e sensações tão intensas como ele provoca em mim. Em toda a minha vida não tinha visto algo parecido. Fui completamente tomada por esse amor e por tudo o que te envolve.

O passado já não me importa mais, foi uma época de ensinamentos e graças a isso eu te encontrei. Benjamin é o meu presente, meu dia a dia, minhas razões de acreditar em um futuro melhor, pois o futuro pertence a nós e não há nada que me faça desistir de tudo isso que construí.

Decidida em fazer alguma coisa, deixou o celular de lado e começou a trabalhar. Precisava resolver aquela questão o mais rápido, se ele estava querendo conversar e ajeitar as coisas, teria que ser mulher e encarar aquilo de uma vez por todas. Se Layla tinha razão sobre as cartas, ela teria que fazer alguma coisa.

Era quase dez horas da manhã quando Alan apareceu por ali e para tristeza de muita gente Alan fez um sucesso em tanto por ali, estavam todos se despedindo do seu amigo e sorriu toda boba quando alguém se aproximou.

- Quem diria que ele sairia daqui, hein. – Léo comentou.

- Eu fico feliz por ele.

- Vai almoçar comigo?

Ela hesitou.

- Claro.

- Podíamos ir agora?

- Ah claro. Eu só preciso pegar a minha bolsa e deixar essas coisas lá na minha sala. – mostrou a pasta que carregava. – Eu já volto.

Natalie se afastou indo para o seu escritório, não demorou muito para voltar e encontrou com Léo no estacionamento conversando com alguém e viu que era Layla.

- Oi.

- Oi, vocês...

- Ah não se preocupe. A gente só estava conversando sobre trabalho. – Layla contou. – Fico feliz que Alan conseguiu o que  queria.

Natalie sorriu concordando.

- Bem eu já vou indo... bom almoço para vocês.

- Não quer vir com a gente? – ela convidou e pelo jeito Layla sorriu aceitando.

Os três foram num restaurante ali perto mesmo, acabou que conhecendo Layla um pouco mais. Ela vinha de uma família de ciganos e por isso ela podia ler cartas – ainda não tinha experiência suficiente – mas já  conseguirá acertar em algumas coisas e meio que acabou perguntando se ela podia ler a dela algum dia, por fim Léo ficou sem graça.

- Ah eu faria isso... mas não acha que precisa resolver o seu problema.

- Está se referindo ao meu envolvimento... – ela gaguejou ao ver Léo ficar carrancudo. – Quero dizer, o cara que você disse...

- Ele vai voltar, acredite.

- Você se envolveu com aquele cara? O dono do vinhedo? – Léo disparou.

Ela ficou toda envergonhada, mas respondeu.

- E qual é o problema? Eu não traí você Leo, fui totalmente fiel nesses dois anos.

- Mas se envolveu com ele.

- Eu não devo satisfação há você. – comentou pegando sua bolsa para poder sair dali. – Acho melhor eu ir.

- Nati.

Ela ignorou o saindo do restaurante, e como era perto podia voltar a pé. Andou em passos largos, não deveria ter agido daquele jeito, mas ele não tinha o direito de questionar o que ela tinha feito no fim de semana. Estava alcançando o estúdio quando Léo e Layla conseguiu chegar antes dela.

- Não quero conversar, Léo.

- Nati, peço desculpas.

- Pelo o quê? Por ter pedido a sua amiga ler cartas sobre como seria sua vida e a minha juntas ou por ter sido uma vadia e dormido com um desconhecido nesse fim de semana.

Ele a olhou com cara de nojo.

- Não precisa ter pena de mim. Eu fui uma idiota por ter acreditado que você seria meu par perfeito mas...

- Eu amo você, Nati. Não queria que você pensasse que não te amo.

Natalie franziu o cenho, confusa.

- Léo... eu já disse que a Natalie não é... – Layla interferiu.

- Dane-se as cartas.

- Léo...

Léo se aproximou mais dela e toda confusa com aquilo, deu um passo para trás e ele insistiu em sua direção.

- Nati... sinto muito pelo que disse naquele dia. – ele sorriu e sussurrou. – Eu amo você, não me importa o que as cartas dizem...

- Léo...

Foi então que foi pega de surpresa. Léo a beijou, e pode perceber naquele exato momento que não sentiu absolutamente nada e não significou nada há ela. Do mesmo jeito que começou, se afastou enojada e notou que Léo olhava para sua frente como se estivesse vendo um fantasma.

Natalie se virou e tudo desabou sobre si. Benjamin estava ali observando tudo, e parecia não ter gostado do que viu – e claro que também não gostará – afinal fora pega de surpresa.

- Ben...

- Agora entendo por que não atendeu meus telefonemas. – ele disse sério. – Estava ocupada demais com o seu ex.

Ela balançou a cabeça.

- Não. Você não entendeu...

- Tudo bem... não me deve satisfação. – ele virou-se para se afastar.

- Ben... por favor. – ela chamou o e viu que ambos presenciava a cena. – Como pode fazer isso, Léo?

- Eu não... o vi.

- Deixa de ser um idiota. – fez careta e correu atrás do homem que ela deveria ter escutado antes. – Ben... por favor... escuta.

Estava ofegante e justo naquele dia estava de salto alto. Mas conseguiu alcançá-lo, ele já estava chegando na esquina quando parou e se virou para encara-la.

- Ben... o que você acabou de ver, não é o que deve estar pensando.

- É mesmo? Estranho, me pareceu que você retribuiu.

- Não. Eu não retribui...

- Tanto faz. Já foi o suficiente para saber o que realmente você senti. – ele disse. – Quando você foi embora, eu liguei para você um monte de vezes e você ignorou todas. Achei que chegaríamos num acordo, mas você decidiu tomar a decisão sozinha. – esbravejou. – Ai decido por todos os assuntos em seu devido lugar, mas vejo que não adianta levar isso a diante.

- Eu ouvi suas mensagens.

- Mas não respondeu nenhuma delas.

- Desculpa.

- Isso não é o bastante.

- Eu sei. Eu só queria ter um tempo sozinha, pensar em tudo. – ela meio que gaguejou nervosa. – Não pense que não te quero, eu quero. Mas fiquei chateada por você ter dito que não viria para cá.

- E eu estou aqui.

- Eu fico feliz em te ver. – deu um passo na direção dele que praticamente recuou. – Ben...

- Acho que você deveria pensar mais. – ele olhou para os lados e acrescentou. – Se tivesse escutado todas as mensagens que lhe mandei saberia por que eu vim até aqui.

- Mas eu escutei.

- Não. Eu mandei uma hoje, mas você estava ocupada demais com o seu ex. – ele disse sério. – Eu já vou indo, Natalie.

- Ben...

Natalie ficou ali paralisada vendo o se afastar. Não foi assim que imaginou seu reencontro com ele e se sentia uma completa idiota. Lágrimas começaram a cair e a raiva que havia dentro dela aumentou, com vontade de gritar – mas estava na rua e não podia fazer nada.

Toda nervosa voltou para a emissora, e correu para o seu escritório, estava a ponto de procurar pela mensagem no celular quando a porta abriu e Alan entrou.

- Nati, aconteceu alguma coisa?

- Aquele desgraçado... – ela resmungou tentando mexer no celular, e seus dedos tremiam. – Eu vou matar ele.

- De quem você está falando?

- Do Léo. O Benjamin estava aqui...

- É eu sei. Mas por que está brava?

Natalie encarou o amigo.

- Você trouxe o Benjamin até aqui?

- Sim. Na verdade só passei o endereço há ele. Mas que bom que ele te encontrou... espera, porque não esta com ele?

- O idiota do Léo  me beijou bem na hora que Benjamin apareceu. – ela contou e fez careta igual a Alan. – Eu vou matar aquele desgraçado.

- E o Benjamin... ele foi embora?

- Ele não quis me escutar. Disse que eu deveria pensar mais sobre o que realmente quero.

- E o que você quer?

- Eu não sei.

Alan bufou.

- Natalie... o Léo está lhe deixando doida. Para de pensar demais e vá atrás do que você quer. Deixar a felicidade de lado por causa daquele idiota.

Ela olhou para o amigo com cara de cachorro sem dono e milhões de coisas estavam fervilhando na sua cabeça. Sabia que sentia algo por Benjamin e sim, ela gostaria de continuar sentindo isso por um bom tempo.

- Você sabe se ele veio de avião?

- Provavelmente.

Ela suspirou e pegou a bolsa.

- Liga para ele e saiba onde ele está agora. Vou tentar chegar no aeroporto.

- Ok.

Alan saiu da sala e ela tentou juntar suas coisas, não sabia se ficava até o seu horário de trabalho ou se fugia dali para ir atrás de Benjamin. Mas acreditava que daria tempo suficiente para chegar lá e encontra-lo.

Enquanto guardava suas coisas Alan voltou dizendo que Benjamin estava realmente voltando para San Francisco e precisava ir atrás antes que fosse tarde.

Saiu da emissora voando, quase foi barrada por Layla e meio que acabou fechando a cara e entrou no carro. Cantou até pneu e não iria desistir agora, iria seguir em frente. Era a única chance que tinha, agora ou nunca.

Enquanto dirigia resolveu procurar pela mensagem e foi então que colocou no viva voz e a escutou a voz de Benjamin.

“ Natalie, eu sei que não quer falar comigo. Mas precisamos conversar, você saiu sem me dar a chance de resolvermos alguma coisa – ele suspirou e prosseguiu. – Então, diz que você me ama, diz que você me quer da maneira como eu quero você, diz que é comigo que você quer passar o resto da sua vida, que é comigo que você quer ficar em casa assistindo um filme romântico no lugar de ir para a balada com os amigos, diz que você me quer como eu te quero também, diz que você trocaria qualquer coisa para ficarmos juntos, diz que é comigo que você quer casar, que é comigo que você quer construir uma família linda, que é comigo que você quer ficar na alegria e na tristeza, na saúde ou na doença até que a morte nos separe, que é a mim que você quer amar até a eternidade... eu sei que é loucura, mas... espero que tenha escutado isso.”

Natalie suspirou e não conseguiu conter as lágrimas. Como pode ser tão idiota em deixar aquilo passar? Ela diria sim para tudo sem pensar duas vezes. Aquele fim de semana tinha sido a melhor coisa que acontecerá em sua vida.

Pisou no acelerador, queria chegar o mais rápido  que podia no aeroporto. Estava faltando algumas quadras e ligou para ele, mas não atendeu e meio que mandou mensagem de voz.

- Ben... eu sinto muito por tudo. Mas não me deixe, eu fui uma burra em pensar que não daria certo entre nós. – ela deu uma risadinha de nervosa e acrescentou. – E quero dizer que não importa a distância, eu quero ficar com você. E o fim de semana foi mais do que maravilhoso para mim e quero continuar a fazer isso sempre com você ao meu lado, por que eu te amo. Eu te amo mais do que jamais amei alguém.

Desligou o celular e dirigiu com o coração acelerado, assim que chegou no aeroporto parou o carro em qualquer lugar e correu para dentro que nem uma louca, havia muitas pessoas e andavam para lá e para cá.

Como ela acharia um homem no meio daquela movimentação toda? Impossível, essa seria a palavra exata. Mas não iria desistir.

Caminhou olhando em volta sem deixar de prestar atenção  nos homens. Então lembrou que ele estava vestido com calça jeans, camiseta vermelha e fez careta. Havia tantos homens daquele jeito.

- Droga!!

Natalie mais uma vez andou e decidiu em ir até o balcão para comprar uma passagem, talvez ele já estivesse lá dentro. Assim que comprou, entrou e olhou em volta a procura dele, foi ai que sorriu ao vê-lo sentado segurando o celular na mão.

Respirou fundo e andou em passos firmes e decidida em encarar aquilo de uma vez por tudo. Ao se aproximar ele levantou a cabeça e a viu, por um segundo pensou que ele iria ignora-la, mas acabou que levantando e continuou com a cara fechada.

- Ben...

- O que faz aqui? – ele indagou quando ela se aproximou ficando de frente a ele.

- Eu pensei sobre tudo. Eu pensei que amava o Léo, mas aquilo que eu sentia por ele não é a mesma coisa do que sinto por você. Tentei abaixar a guarda por que não queria me machucar novamente, mas você veio e me mostrou que posso ser quem eu sou por dentro. E tudo o que aconteceu nesse fim de semana foi maravilhoso e eu quero continuar com... você.

- Eu sei.

- Sabe?

- Diferente de você, eu escuto as mensagens que me mandam.

Ela sorriu.

- Eu escutei a sua. Eu diria tudo sim sem hesitar. – ela contou. – Por favor... não embarque nesse vôo sem que a gente possa resolver.

- Achei que já estivesse resolvido. – ele sorriu.

Natalie sem pensar duas vezes pulou se agarrando no pescoço dele e meio que sussurrou.

- Posso te beijar?

- Quando você quiser.

 

Epílogo

 

Um ano depois...

 

Era quase três da tarde de sábado e estava praticamente exausta. Organizar um casamento era muito cansativo e nunca mais iria fazer isso – pelo menos era o que sempre dizia – mas não cansava nunca de dizer sim as pessoas.

Depois de ter se resolvido com Benjamin, ela não pensou duas vezes de abandonar tudo, pediu demissão na emissora e aceitou em trabalhar ao lado dele. Alan não gostou no começo, por que queria que ela fosse trabalhar com ele na emissora em San Francisco, mas sabia que não iria aguentar o tempo de ficar indo e voltando para o vinhedo todos os dias, afinal ela amava o lugar e não havia ninguém que a fizesse mudar de ideia.

Mudará o seu rumo em um piscar de olhos e estava amando isso. Deixar de ser uma publicitária para uma organizadora de casamento tinha sido bem desafiador. O importante era poder ficar ao lado do seu marido.

Haviam se casado há uns quatros meses – claro que foi rápido demais – mas por que esperar se era isso que queriam logo. Tinham feito uma cerimónia simples ali no vinhedo somente para os mais próximos, seus pais ficaram chocados com a notícia e finalmente sua irmã começou a ter mais contato com ela, o que era bom. Enfim, sua vida estava do jeito que queria, casada com um homem que a queria de verdade, um emprego que a mantinha ocupada e amigos que viviam por perto.

Natalie olhou para o local e suspirou como se dissesse “ Pronto, trabalho feito" e realmente tinha feito um ótimo trabalho.

Sorrindo com a prancheta na mão foi até o salão e se aproximou do balcão, os dois barmans viviam lhe servindo bebidas e Benjamin quase ficava louco com isso. Mas infelizmente não estava podendo beber nada com álcool.

- O que vai querer, sra. Mancini.

Ela sorriu toda boba ao lembrar que estava adorando ser chamada daquele jeito.

- Ah acho que vou de... suco de laranja. – respondeu. – Bem que poderia por um tiquinho de...

- Se vocês colocarem esse tiquinho ai na bebida dela, vão ser despedidos. – Benjamin apareceu todo sério fazendo a ficar de cara feia. – Se está maluca.

Os dois barman assentiram sem graça ao ver o patrão deles. Enquanto ela encarou o marido, surpresa.

- Não faz mal só um pouco, meu querido.

- Natalie...

Estar grávida era um saco. Só estava de três meses e desde que soube, agora tinha que ficar escutando todos dizerem que não podia comer aquilo, beber isso e era horrível. Deveria ter sido mais cautelosa e aproveitado o casamento mais – não que estivesse reclamando – mas era tão chato ser uma santa, mas também tinha seus privilégios, todos adoravam em lhe paparicar principalmente o seu marido, isso quando ele não aparecia nas horas erradas como naquele momento.

- Não vai nascer com cara de tequila.

- Eu sei.

- E muito menos bêbado.

- Eu espero que não nasça como você, impulsiva e doida. Mas... – ele sorriu. – Espero que herda sua beleza e inteligência.

Ela sorriu.

- Mas é claro que vai ser como eu.

- Toda convencida. Você já terminou tudo... por aqui? – ele olhou em volta.

- Já sim, sr. Mancini.

- Não vai descansar um pouco? – ele indagou assim que ela recebeu o suco.

- Claro. E você não deveria estar fazendo o... Alan não desistir.

- O amigo é seu. Minha irmã não vai pular para trás... mas deveria.

Natalie encarou-o.

- Por quê? Eu não pulei fora.

- Claro que não. Você literalmente pulou em cima de mim no aeroporto.

- O que você está querendo dizer?

- Que uma louca como você vai estar comigo sempre  ajudar esses dois se casarem logo. – ele sorriu em deboche.

- Hum... acho bom.

Benjamin se aproximou e a beijou.

- Não tem coisa melhor que isso.

- O que acha da gente dar uma descansada. – piscou para ele toda maliciosa e acabou que ambos deixando tudo de lado para viverem seus momentos loucos.

 

FIM

 

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Comments

Zete Campos

Zete Campos

amei do começo ao final parabéns autora pelo seu trabalho.

2025-01-08

1

CRISTIANE AZEVEDO

CRISTIANE AZEVEDO

Amei a história. Parabéns autora.

2024-12-15

0

Marneide Wanderley

Marneide Wanderley

Amei, pena que acabou, sniff sniff

2024-12-06

0

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