Parece estar morta.
Ela pode ouvir aquela voz de criança, um menino, para ser mais exato. Mas alguma coisa há fazia com que não conseguia abrir os olhos, seu corpo estava todo dolorido como se um trem tivesse passado por cima, foi então que ao abrir um olho sua cabeça latejou, e sentiu sede – provavelmente estava de ressaca – uma péssima hora por ter ficado daquele jeito justo quando sua amiga estava para se casar.
Aí meu Deus Tess! Ela lembrou claramente aonde estava, lembrou do dia seguinte em que chegará numa vinícola maravilhosa e bebera demais da conta na noite passada e meio que acabou indo para o quarto com o álcool lá em cima e no meio da noite acabará indo até a cozinha beber um gole de água quando acabou sentando no sofá para admirar as estrelas que era um espetáculo de se admirar ali e adormecera no sofá.
Aí droga! Estava mesmo dormindo num sofá no seu primeiro dia naquele lugar.
- Ela parece um... zumbi.
- Eu não estou morta. – Ela resmungou para o garoto que se afastou.
Natalie abriu os olhos e ao tentar ficar sentada, escorregou para o chão, batendo a mão na mesinha de vidro que ficava no centro do sofá de couro marrom – seu corpo estava quente e suado – tudo por causa do sofá.
- Aí merda!
- Ela disse palavrão. – o garoto falou de novo.
- Aí, como você é chato garoto. – Ela resmungou, tentando disfarçar a dor que sentia na mão, para só então ver que Benjamin estava ali a olhando.
- Bom dia, pelo jeito dormiu bem.
- Você nem imagina. – resmungou mal humorada e tentou levantar, mas aí se deu conta que estava usando seu baby doll de oncinha, para sua sorte era de short e blusinha. – Aí...
- Deixa eu ver sua mão. – Ele pediu ao se aproximar, foi então que notou que estava sendo observada, não só pelo par de olhos azuis mas pelo garoto que sorria. – Não sei como conseguiu dormir aqui.
Benjamin pegou em sua mão e sentiu aquele calafrio por todo o seu corpo, algo eletrizante e nunca imaginou sentir aquilo com apenas um toque sutil. Para disfarçar o seu constrangimento, puxou sua mão de volta e ajeitou o cabelo que provavelmente estava todo bagunçado.
- Eu estou bem, obrigada.
- É só colocar um gelo. – Ele disse e se virou indo até a cozinha, onde o garoto o seguiu. – Tem aspirina no armário do banheiro se quiser.
Natalie assentiu e nem soube por que fez isso. A única coisa que fiz foi admirar aquele homem ali na cozinha. Ele estava tão lindo naquele dia, como no dia anterior usando calça jeans surrada e camiseta preta bem velha e só então olhou para o garoto, que parecia ter uns dez anos, cabelo loiro e olhos azuis, sem querer viu semelhanças em ambos.
Oh meu Deus, ele tinha um filho. Mas onde estava a mulher?
- Quer que eu busque as aspirinas para você? – o garoto perguntou todo sorridente.
- Ah... seria ótimo.
Não teve nem tempo de dizer mais alguma coisa, o garoto saiu correndo e ao olhar para Benjamin, notou que sorria e suspirou quando seus olhares se encontraram.
- Seu filho parece ser bem gentil, ao contrário de você.
- Você acha?
- Sim. Aonde está a mãe dele?
Benjamin hesitou, ele abriu a boca para responder, mas foi interrompido pelo garoto que retornou.
- Minha mãe está em casa.
Natalie sorriu quando ele lhe entregou uma cartela com comprimido.
- Obrigada.
- De nada. Você é convidada da noiva?
- Sim.
- Legal. Minha mãe ia adorar te conhecer, ela gostou muito da sua amiga.
Natalie ficou sem graça e tentou forçar um sorriso, quando Benjamin apenas sorria em deboche, e colocava o café na mesa.
- Eu vou adorar conhecê-la. Quer uma ajuda aí?
- Ele é péssimo na cozinha. – o garoto falou pegando suco. – Minha mãe diz que quem morar com ele vai acabar tendo um treco, a não ser que saiba cozinhar.
- Sua mãe é chata e intrometida.
Natalie sorriu.
- Foi por isso que não deu certo o casamento.
Ambos se entre olharam e notou que havia dito alguma coisa errada, o garoto riu, enquanto Benjamin sorria.
- Disse alguma coisa errada?
- Ele não é meu pai.
Natalie fez careta e encarou Benjamin que sorriu malicioso e ao mesmo tempo zombeteiro. Certo, novamente ele a fazia pagar mico e isto estava começando a ficar sério, teria que parar de bancar a idiota.
Ia dizer alguma coisa mas Tess e Rob entraram na cozinha, ambos sorridentes e descansados, ao contrário dela que estava com dores no corpo.
- Bom dia, acordou cedo amiga.
- Sim.
- Quer que eu faça panquecas, Ben. – Tess se ofereceu já indo pegar as coisas dentro do armário. – Amiga me ajuda, sei que você faz coisas maravilhosas na cozinha.
Ela hesitou.
- Claro. Mas acho melhor eu subir e trocar de roupa.
- Ok, eu te espero.
Natalie tentou disfarçar todo o seu constrangimento, já que pares de olhares pregavam sobre ela assim que deu uma afastada na cozinha. Sabia que não estava muito apresentável com aquele baby doll provocante deixando quase todo seu corpo à mostra, até mesmo sua tatuagem de borboleta que tinha na cintura.
Assim que chegou no quarto, correu para o banheiro e tomou um banho muito rápido, vestiu uma calça legging preta, blusa de manga caída rose e tênis, deixou o cabelo solto e desceu.
Ajudou sua amiga assim que entrou na cozinha, ficou toda nervosa ao ver que estava sendo observada e aproveitou para conversar com sua amiga.
- Como anda os preparativos?
- Ah que bom que perguntou, vou precisar que me ajude com algumas coisas. – Tess falou colocando a última panqueca feita no prato. – O Ben também vai ajudar né.
Ele ergueu a cabeça ao ouvir seu nome e ficou ali sem saber do que se tratava o assunto.
- Eu? Por quê?
Tess fez bico e quase meio que deu uma risadinha, pois sabia que a amiga quando fazia aqueles bico alguma coisa não ia bem.
- Você é padrinho, tem que ajudar com o casamento.
- Já estou fazendo muita coisa, não acha?
- Agradeço de coração por ter nos fornecido sua casa... que a propósito é muito agradável. – Ela sentou-se ao lado do futuro marido. – Quero tudo perfeito.
- Ah, a gente a ajuda com certeza. – Ela respondeu no lugar dele. – Nós vamos adorar em ajudar no que precisar.
Observou que ele fixou o olhar nela que a deixou toda nervosa, novamente aquela coisa veio por todo o seu corpo – como ele fazia isso – iria se perguntar toda vez que sentisse aqueles arrepios.
O olhar dele era hipnótico - sei lá – estava começando a achar que estava ficando doida. Nem mesmo Léo fazia isso como estava com ele.
- Obrigada, amiga. E o Alan vai chegar quando?
- Ele vai a uma entrevista hoje, está todo feliz por finalmente conseguir aquela entrevista. – Natalie contou. – Mas acredito que vá chegar aqui lá de noite.
- Aí que bom. Fico feliz por ele. – Tess disse. – Mas se ele conseguir o emprego você vai...ficar sozinha.
Natalie deu de ombros.
- Eu me viro.
- Você pode mudar para cá. – Rob entrou na conversa. – Assim você pode ficar ao lado do Alan.
Natalie hesitou e riu balançando cabeça, incrédula.
- Quer saber, prefiro ficar só. – Ela se conteve para não rir ao lembrar do amigo. – Eu amo o Alan, mas escutar quase todos os dias “ Ohh Alan você é incrível “ “ Alan, faz assim... isso, aí mesmo “ – Ela fez uma voz de mulher de filme pornô. – Acho que é melhor me ajeitar sozinha.
Os três ficaram boquiabertos, mas foi Benjamin que foi o primeiro a rir disfarçado. Claro que não era legal falar do seu amigo daquele jeito, mas era a verdade. Já estava de saco cheio de ouvir isso, seu amigo tinha uma vida ativa melhor que ela.
- É bom saber que o nosso Alan tem uma vida bem ativa.
- Melhor que a minha. – Ela resmungou chateada, mas se envergonhou ao ver que Benjamin fixou o olhar nela, para disfarçar tomou um gole do café.
- Aquele seu namorado...
- Ex... ex namorado, Rob. – Ela corrigiu o futuro marido da amiga. – Me livrei dele antes de acabar ficando louca.
- Mas você queria casar com ele.
- Não queria não.
Tess a encarou.
- Sei.
- Nem vou discutir isso com você. – Ela disse com desdém. – Sou livre para fazer o que quiser, vou começar a fazer igual ao Alan... cada dia um. – Ela falou fazendo caras e bocas. – Não. Acho melhor eu sossegar e sair quando tiver vontade... Uma mulher sensata faz isso, né.
Tess olhou para cada um e assentiu. Mas não disse absolutamente nada e achou melhor assim, não deveria ter falado da sua vida daquele jeito ainda mais na frente de pessoas desconhecidas.
Benjamin passou a mão no cabelo de seu sobrinho, enquanto ambos iam andando um do lado do outro até onde sua picape estava. Olhou para trás para ver se não tinha algum sinal da amiga de sua convidada antes de entrar na picape. Tinha sido amigável em oferecer o lugar de seu sustento e sua casa para o seu amigo. Quando Rob ligou dizendo que estava noivo, ficou feliz por ele, e no momento em que Rob lhe pediu para ser um dos seus padrinhos ficou surpreso e não pôde deixar de recusar.
Quando se conheceram tinha dezessete por incrível que pareça ambos tinham a mesma idade, os pais de Rob apareciam ali todos os anos para passar as férias de duas semanas, já que na época seus pais costumavam alugar os dois chalés, mas aí quando o seu pai faleceu e nenhum dos seus dois irmãos não quiseram seguir com os negócios da família, ele resolveu assumir sem problema nenhum, já que gostava do lugar mais do que seus pais.
Ele teve que parar de alugar os dois chalés, pois sua irmã ficou com um para morar com o filho, após a separação com o marido e sua mãe meio que acabou indo ficar com ela, já que sua irmã precisava de alguém para olhar seu filho e seu irmão mais velho decidiu em se casar e foi morar no centro de San Francisco com a esposa e por enquanto não tinha filhos e ele continuava solteiro cuidando de tudo ali, não tinha muito tempo para sair, a maior parte do seu tempo era se focar ali. Cuidar dos negócios, mexer na parte administrativa da colheita de uvas e da fabricação dos vinhos não era nada fácil, e meio que ficava feliz por estar focado em alguma coisa que não fosse mulheres que constantemente apareciam por ali nos casamentos e que acabava conquistando uma só para não se sentir um cara tão solitário.
Sua mãe dizia que ele tinha que parar um pouco de trabalhar e viver um pouco, nem sempre o trabalho era importante, porém, infelizmente naquele momento era mais importante. Tinha acabado de reformar a casa onde crescerá que sua mãe fez questão de deixá-lo ficar e como estava tudo do jeito que imaginara tinha que repor tudo.
Ao invés de alugar os chalés para o povo passar as férias, resolverá alugar para eventos, casamentos, formaturas e aniversários. Tinha feito um ótimo salão e o chalé que sobrará reformara para que seus inquilinos pudessem ficar à vontade. E na entrada da vinícola se pode ver um tipo de galeria para receber pessoas de fora que visitavam as vinícolas, lá se podia conhecer a história do vinho, apreciar e saborear cada vinho produzido ali.
E estava feliz por finalmente conseguir o que havia planejado nesses anos e não podia perder o foco só por que a amiga de sua convidada estava o deixando perder todo o seu auto controle. De todas as mulheres que já apareceram e se envolverá nunca mexeram com os seus sentidos como aquela estava fazendo.
Evitar ela seria a melhor maneira, mesmo sabendo que ambos seriam um par do outro no casamento, isso o deixaria desconfortável.
O caminho para até o chalé de sua irmã ficava um pouco distante dali, e o único jeito rápido era ir dirigindo. Tyler costumava aparecer do nada em sua casa só para fugir das obrigações que com certeza sua mãe colocava para fazer. Como sua irmã trabalhava ajudando o na vinícola, passava a maior parte do tempo fora de casa, e na noite anterior sua irmã havia feito todas as coisas para receber os convidados, enquanto ele pegava a estrada em busca da amiga de Tess e meio que Tyler ficou por ali na festa e dormiu em sua casa, mas como era sexta- feira e como teria que ajudar com algumas coisas ali para o casamento estava levando o de volta antes que ficasse de castigo.
Ele olhou para o vinhedo e deu uma buzinada para o seu encarregado que cuidava de tudo ali na plantação e seguiu em frente ao receber um aceno e continuou na estrada, assim que fez uma pequena curva já pode ver a pequena casa no meio dos arbustos e flores que sua mãe cuidava muito bem, parou o carro e Tyler desceu correndo ao ver sua mãe aparecer na varanda.
Sorriu para sua mãe, mesmo com a idade que estava, continuava linda como sempre. Magra, cabelos loiros que sempre ficavam presos num coque, e vestia calça jeans, blusa de bolinha sem mangas e sandália.
- Oi, querido. – Ela o saudou abrindo os braços pronto para lhe dar um abraço e um beijo no rosto. – Tyler andou lhe dando trabalho.
Benjamin sorriu.
- Até que não. Mas sei que a Anna vai dar um castigo há ele se ela o vê-lo por lá. – contou entrando para dentro.
- Ele tem sorte por ter você por perto, Ben. Anna nem sabe que ele dormiu fora, andei mentindo para sua mãe, Tyler. – Ela falou e se dirigiu ao garoto que se encolheu.
- Me desculpa, vovó.
- Só vai sair dessa casa no domingo para ir ao casamento. – Ela o avisou e depois se dirigiu há ele. – Como está indo a organização?
- Está bem. O Rob vai fazer um jantar amanhã para os padrinhos. Se quiser ir está convidada... ele vai adorar receber a senhora.
- Deve estar muito bonito, aquele rapaz.
Ben franziu o cenho. Já fazia um tempo em que sua mãe não via Rob, ela não saia muito de casa. Apenas saia quando necessário e desde que Rob havia chegado ali com a noiva ainda não tivera tempo de levá-la até a sua casa para mostrar aos convidados.
- Precisa conhecer a noiva dele.
Sua mãe sorriu assentindo, mas foi Tyler que falou.
- Vovó, o tio Ben ficou encantado com a amiga da noiva.
- É mesmo?
- Ele está falando demais. – Ben fuzilou o garoto. – Eu não quero problemas.
- Ah querido deveria aproveitar. – sua mãe falou. – Ela é bonita?
- É sim. Um corpão e tem uma tatuagem bem aqui... – o garoto respondeu mostrando o local onde a borboleta de Natalie ficava. – Ela só é meio doidinha.
Ele e sua mãe riu.
- Por quê?
- Ela bebeu demais ontem e dormiu no sofá. – Ben respondeu antes do garoto. – Isso não quer dizer que ela seja doida.
- Ela é sim. Antes da gente vir para cá, vi ela dançando no corredor. Toda bonita mas canta e dança mal.
Ben balançou a cabeça sorrindo, enquanto sua mãe riu da ousadia do garoto falar daquele jeito da sua hóspede.
- Deu até vontade de conhecê-la. – sua mãe falou. – Avisa o Rob que agradeço o convite e estarei lá amanhã.
- Ok. Eu já vou indo, tenho muitas coisas para fazer.
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Atualizado até capítulo 20
Comments
Marneide Wanderley
Estou amando. ..
2024-12-05
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