Ela assentiu e terminou de comer o mais rápido possível, já era quase duas e meia da tarde, e nem sequer ainda havia chegado ao seu destino. Assim que terminou foi até o caixa para pagar a conta quando o rapaz falou que a conta já estava paga.
Fez careta e olhou para Benjamin encostado no carro falando ao celular novamente. Quem era aquele homem, afinal?
Por fim, apenas sorriu sem graça e agradeceu ao rapaz, andou até o carro com os braços cruzados e ficou ali escutando, até ele se dar conta e desligar. Pode ouvir ele falando de negócios e parecia alguém familiar.
- Vamos?
- Sim. E não precisava pagar a minha conta.
Ele deu um pequeno sorriso.
- Eu não paguei sua conta.
- Sério? Aquele rapaz disse que minha conta estava paga.
- É que ele me conhece, e geralmente eu não pago por comer aqui.
Ela arqueou as sobrancelhas, surpresa.
- Quem é você, afinal?
- Ninguém.
- Desde quando um ninguém come em lugares e não paga a conta? – Ela disse indo até a porta do passageiro, já que ele fez questão de entrar deixando a no vácuo. – Você é dono daqui?
- Não.
Ele ligou o carro e manobrou o carro voltando para a estrada, ligou o rádio novamente deixando o som do rock fluir ali dentro – O que a incomodou bastante – Não era muito fã de músicas barulhentas.
Quinze minutos se passaram e o assunto ainda a incomodava. Não conseguia entender como aquilo era possível, um homem desconhecido ter algum poder sendo daquele jeito. Tinha quase certeza que ele era dono daquele lugar.
Mas poxa, bem que ele podia ser sincero em dizer isso há ela. Não seria nada demais, afinal iria passar quatro dias juntos para um casamento.
Ia dizer alguma coisa quando ele entrou por uma estrada rural, e como a picape era daquelas antigas sacolejou um pouco mais do que deveria e o rastro de poeira sendo deixada para trás a incomodou bastante.
Não via a hora de chegar e poder tomar o banho, ali fazia um calor intenso e não estava acostumada com aquele tempo.
- Aonde vamos?
- Você já me perguntou isso.
- Mas não respondeu nenhuma vez.
Ele suspirou.
- Estamos indo a uma vinícola.
- Aí sério?
- Sim. Sua amiga não te falou nada sobre isso.
- Ela comentou algo... Mas não... deixa para lá. – Ela tentou mudar de assunto, não devia satisfação há ele. – Ufa, já que chegaremos, né?
Ele apenas balançou a cabeça, e não falou nada até fazer algumas curvas na estrada e finalmente entrar por um portão que estava aberto, parecia ser um lugar agradável. Não conseguiu ler o que estava escrito na entrada, mas notou que a estrada era feita de paralelepípedo até chegarem numa fonte que ficava bem no meio de um casarão.
Teve que se controlar para não pirar, o lugar era magnífico. Havia flores para todo lado deixando o lugar mais elegante, ele parou o carro numa sombra foi então que Tess surgiu na porta e desceu correndo para recebe-la. Não pode evitar e saiu do carro toda empolgada e ambas se abraçaram como a muito tempo não faziam isso.
Tess estava linda como sempre, com sua pele mais morena, magra, cabelo preto solto, e seus olhos cor de mel e os lábios sempre com algum batom e vestia um vestido florido simples.
- Nem acredito que cheguei. – Ela disse eufórica.
- Aí amiga... o que você fez no seu...cabelo? – Tess indagou ao olhar para ela.
Toda feliz balançou a cabeça, respondeu.
- Mudei o visual.
- Adorei o corte. Está linda como sempre.
- Obrigada. Você ganhou um bronzeado, hein.
Tess sorriu e olhou para Benjamin que observava ambas.
- Obrigada, Ben.
- De nada.
- Vamos entrar, vou mostrar o seu quarto. – Tess a chamou sem soltar do seu braço.
- Claro mas... – Ela se dirigiu ao Benjamin. – Pode levar a minha mala para dentro, por favor.
- Eu não sou motorista e muito menos mensageiro. – Ele disse grosseiro tirando suas malas de dentro da carroceria. – Foi muito bom te conhecer, Srta. Moore.
Ele simplesmente deu um aceno e entrou no carro, sem se importar com as pessoas que agora olhavam para a cena. Natalie fez careta e toda constrangida, olhou para sua amiga que tentava disfarçar para não rir e acabou que bufando.
- Não acredito que ele deixou minhas coisas aqui.
- Sem problema. Eu te ajudo. – Tess foi até a mala que estava jogada no chão e meio que riu. – O que você fez para ele ficar assim?
- Nada.
- Sei. Te conheço, Na.
- Eu juro que não fiz nada. Ele que é grosseiro. Como Rob pode ser amigo dele?
Tess balançou a cabeça.
- O Ben é um cara legal.
- Não sei aonde. – resmungou mas sua amiga não disse nada.
Seguiu a amiga que por sinal não foi pela entrada de onde ela viera, estavam indo em direção a esquerda um caminho de pedras o que lhe dificultou para carregar suas malas que acabou dando um chute para elas voltarem a andar e pode ouvir sua amiga rindo.
Tinha algumas pessoas olhando e ficou pensando se eram os convidados do casamento ou se eram pessoas visitando o local. Tess contou que os padrinhos do casamento iriam ficar num chalé, mas como ela era a sua melhor amiga iria ficar na casa principal onde ela estava com o Rob.
Só de ouvir já a deixou toda contente, pelo menos não teria que ficar ao lado dos outros padrinhos – Não que eles não fossem importantes – mas nada melhor do que ter um tratamento melhor que os demais.
Natalie olhou a bela casa a frente e ficou admirada com a beleza da casa, um espetáculo – para sua sorte não era muito longe – e ela pode andar sossegada sem a mala dar problema até lá. Tinha um estilo rústico por fora, parecia ter uns dois andares e grande, por sinal.
Com grandes janelas em madeira, casa rústica pode ser perfeita para uma casa como aquele lugar. O Projeto foi utilizadas pedras cinzas para a elaboração da chaminé criando um belo contraste com a cor escolhida para as paredes externas e os detalhes da varanda em madeira maciça.
Tess abriu a porta da frente e já se encantou novamente com a sala enorme, era tudo muito rústico, sofá retrátil em couro marrom, mesinha de centro, tapete, uma lareira de tijolos em brancos, e a cozinha ao lado, toda simples mas bem planejada e só então reparou a adega pequena num canto com vários vinhos.
- Nossa, Tess. Que lugar lindo! – Ela elogiou olhando em volta.
- Você não viu nada. Imagine o quarto que eu escolhi para você. – Tess falou quando chegou na escada, que era feita de tocos de madeiras muito bem envernizada. – Se não vai querer ir embora.
- Estou vendo mesmo.
Assim que subiram as escadas, foram até o final do corredor e Tess contou que estava no quarto ao lado com Rob e o outro de frente ao dela era do dono, para sua sorte todos os quartos eram suítes e não tinha problema em dividir banheiro.
Ao entrar no quarto quase caiu toda maravilhada com a beleza, a cama era enorme, um closet pequeno, havia uma TV, penteadeira muito fofa e a grande sacada que não perdeu tempo em dar uma olhada, e acabou que vendo o carro do grosseiro que lhe trouxe.
Virou -se para dentro e correu pulando em cima da cama que nem uma criança.
- Aí que delícia. Férias de quatro dias.
- É tudo muito lindo aqui.
- Agora entendo por que quis casar num lugar como esse. – Ela disse sentando.
- Ah o amigo do Rob que foi gentil em deixar o casamento acontecer aqui. – Tess contou. – Ele disse que casamentos é o que mais acontece por aqui.
- Quero um amigo desse.
Tess sorriu.
- Quer saber, vou te apresentar há ele.
- Aí que máximo, vou agradecer a ele pela hospitalidade.
- Mas primeiro você vai tomar um banho e se arrumar, está havendo um chá da tarde ali no salão. – Tess avisou-a indo até a porta. – Te vejo daqui a pouco.
Natalie levantou-se toda eufórica e correu para pegar suas coisas na mala e ir até o banheiro. Deu uma olhada na banheira e ficou pensando se entrava ou não, acabou que se decidindo para deixar para uma hora que não estivesse com pressa. Tomou um banho de dez minutos, secou o cabelo e modelou depois, colocou um vestido verde simples floral sem mangas e calçou uma sandália de salto baixo branca. Se maquiou um pouco e desceu.
Fez careta ao ver que não estava sozinha, o grosseiro estava ali mexendo na cozinha, ao chegar no último degrau ele a notou e parou o que fazia.
- Pelo jeito você também conseguiu um lugar especial na casa.
- Ah festa é lá fora, sabia?
- E o que você está fazendo aqui?
- Sou um convidado especial como você diz. – E deu um sorriso malicioso. – Deveria ir, tomar chá deve ser a sua cara.
Natalie deu de ombros e disse antes de se afastar.
- Grosso.
- Obrigado.
Ela suspirou e saiu de dentro da casa deixando o para trás.
Sem saber para onde ia, seguiu o caminho de pedras para o lado direito e foi assim que chegou até um pátio onde pode ver que estava havendo mesmo um chá da tarde.
Viu os pais de Tess e os abraçou toda feliz, depois os pais de Rob e quando viu Rob correu, pulou que nem uma menina e o abraçou.
- Nati.
- Uau! Rob você está... lindo. – Ela falou. – Adorei o lugar.
- Ótimo. A Tess estava preocupada com você não gostar... já que não curti lugares de campos.
Ela fez careta.
- Tenho problema com os mosquitos. – ela contou e sorriu ao ver os dois ficarem abraçados. – Aí, vocês são tão lindos juntos.
Um garçom passou e não pode deixar de pegar uma taça de vinho, estava morrendo de sede e ao beber um gole foi então que reparou que o grosseiro estava ali do lado. Era o único ali que não estava muito apresentável para um chá da tarde.
Ia ignorar ele até Tess falar com ele, e mesmo assim se fez de sonsa.
- Ben, peço desculpas pela minha amiga. Ela queria lhe agradecer pela hospitalidade da casa. – Tess sorriu e se dirigiu há ela. – Na, como não pude lhe apresentar formalmente. Este é o Benjamin Mancini o dono da vinícola e daquela bela casa.
Ela pensou que seu mundo ia desmoronar. Tratará mal a única pessoa que era dono daquele lugar todo. Não sabia aonde enfiava a cara agora por ter sido uma idiota.
- Ah... – ficou muda e apenas fez um gesto com a mão. – Acho que vou ao banheiro, com licença.
Natalie forçou um sorriso e se afastou antes mesmo de sua amiga ou aquele cara lhe dizer alguma coisa. Estava passada e envergonhada por ter sido tão estúpida. Como que ela podia ser tão burra, mas sua amiga era culpada por isso. Ao invés de lhe avisar logo que aquele homem era o dono do lugar, deixou a achar que ele era apenas um pessoa como ela.
Andou pelo salão e só notou que já estava indo pegar a próxima taça de vinho. Precisava beber para esquecer de tudo aquilo, tentaria se redimir com ele por ter sido tão grossa quanto ele, mas naquele momento ela só queria beber algumas taças de vinho – e que vinho maravilhoso – será que o vinho produzido ali? Se fosse, Deus é pai. Ficaria bêbada logo, logo.
Natalie sorriu para alguns conhecidos pelo salão e finalmente alcançou o lado de fora do salão. Não era muito grande, mas dava para receber umas cinquenta pessoas ali dentro e como o ar estava quente, resolveu que deveria tomar um ar puro. Do lado de fora tinha umas quatro pessoas conversando, acabou que indo para um canto e encostou na grade de madeira e bebeu um gole do vinho, e viu que tinha algo escrito na taça e sorriu ao ver o nome Mancini.
- Espero que não esteja pensando que a taça vá se encher sozinha.
Ela deu um suspiro ao ouvir a voz da única pessoa que não estava afim de conversar, não naquele momento.
- Anda assistindo muito Harry Potter. – ela debochou, em seguida acrescentou. - Por que é tão inconveniente?
- E por que é tão orgulhosa?
Natalie fez cara de deboche, por fim sorriu.
- Acho que você está falando de si mesmo.
- Não me conhece para sair me julgando.
- Ah é você pode me julgar? – deu uma risada nervosa. Ele não tirava os olhos de cima dela e isso era tão constrangedor. – Estou vendo que esses quatro dias vai ser terrivelmente inesquecível.
Ele sorriu, mas um sorriso bonito de ver os dentes perfeitos que tinha, que a deixava toda boba. Nem se lembrava qual fora a última vez em que se sentirá daquele jeito, talvez na adolescência.
- Eu não vou ficar no seu pé se quer saber. – Ele falou e bebeu um gole da bebida cor âmbar. – Você é convidada da noiva e não minha.
- Por que não me disse que era dono da vinícola?
- E que diferença ia fazer?
- Eu tratei você como um motorista particular. – bebeu um gole do vinho. – Isso é horrível.
- Não gostou do vinho?
- Não. Quero dizer, sim. É maravilhoso, mas eu quis dizer que foi horrível a maneira que te tratei. – Ela se embaralhou toda. – Eu amo aqueles dois como da minha família, e te tratar daquele jeito... foi errado.
- Não precisa me bajular.
- Eu não estou bajulando-o.
- Sei.
Natalie suspirou e olhou para o pessoal lá dentro, a noite estava se aproximando, e teve que concordar que ver o sol indo embora era lindo.
- Tess disse que já teve vários casamentos por aqui. É mesmo verdade?
- Sim.
- Uma bela renda extra. – Ela deu uma risadinha. – Desculpa.
- Meus pais sempre fizeram isso, não quis destruir uma tradição.
- Nossa, fazer casamentos é uma tradição. – Ela tentou não ser irônica. – Mas essa ideia é boa.
- Você não faz ideia... de como é estressante.
Ela hesitou e riu.
- Desculpa. Acho que é o vinho fazendo efeito. – Ela falou ao dar um passo para frente. – Acho que vou... Ao banheiro.
Natalie viu que precisava fugir, estava começando a tagarelar demais e era hora de cair fora, antes que falasse de coisas que não deveria.
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Atualizado até capítulo 20
Comments
Suely Albuquerque
tou gostando, gostaria que ela fosse mas mulher e menos insegura e sem atitude
2024-12-04
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