capítulo 14

Natalie teve que piscar os olhos várias vezes para saber que não estava sonhando. Há uns dias atrás aquilo era tudo o que desejará para aquele fim de semana, um acompanhante para o casamento e acabará que ficando sozinha nisso, além dos amigos – o que não era grande  coisa  - e olha só.

Léo estava ali, sabe lá Deus o que fazia por ali. Totalmente confusa, ficou paralisada vendo o se aproximar. Mas que droga! O que ele fazia ali?

- Surpresa!

Ela fez cara de quem não quer nada, para ser sincera estava fazendo cara feia e ele percebeu isso, pois tirou os óculos escuro.

- Pelo jeito não curtiu.

- O que está fazendo aqui, Léo?

Léo hesitou.

- Achei que me quisesse no casamento.

- Eu queria... até você me dizer aquilo.

- Eu sinto muito.

Natalie balançou a cabeça e olhou em volta para ver se seus dois amigos ainda estavam ali, e infelizmente estavam observando tudo.

- Acho que não seria bom você... ficar aqui.

- Qual é o problema? Isso não é um vinhedo?

- Sim.

- Se eu pagar para ficar aqui, ninguém pode me expulsar.

Pior que o desgranhento tinha razão, pensou com ela.

- Ok. Será que podemos conversar em um lugar... sem chamar atenção.

- Claro.

Ele sorriu mostrando os dentes brancos e perfeitos, teve uma imensa vontade de quebrar a cara do infeliz, mas simplesmente deu o seu melhor sorriso.

 

Colocando a prancheta no escritório assim que terminou algumas coisas, agora tinha que mexer em alguns documentos antes de pedir para sua irmã passar nas planilhas, pois essa parte era com ela.

Estava indo sentar em frente ao computador quando a porta abriu e sua irmã apareceu toda sorridente.

- Oi.

- Eu vou precisar ir embora mais cedo. – ela disse fechando a porta e ficando ali parada. – Mamãe quer que eu faça algo no cabelo dela pra hoje à noite.

- Ah tá.

- Nossa só isso. Não vai achar ruim?

- Não. Eu preciso fazer algumas coisas antes de ir para casa e tomar um banho.

Anna fez um bico concordando e se aproximou da mesa.

- É, aquela moça que você andou conversando é sua parceira... no casamento?

- Por quê?

- Sei lá. O Alan me contou que achou estranho ela aceitar você como parceiro... já que ela tem um namorado.

Benjamin a encarou.

- É só um casamento, Anna.

- Está havendo alguma coisa entre você e ela?

- Está havendo alguma coisa entre você e o... Alan?

- Não.

- Ele me pareceu bem interessado em você.

- Eu sei.

- Anna...

- Eu sei. E não se preocupe... já sou bem grandinha.

Ele forçou um sorriso.

- Ok.

Anna foi até a porta e saiu deixando o sozinho na sala pequena. Tudo que queria para aquele fim de semana era sossego, e era exatamente o contrário que estava tendo, o que lhe incomodava bastante era o fato de ter acabado se envolvendo com alguém que acabara de ser magoada pelo ex namorado. Estava sendo o junta  caquinhos  - o que odiava – ele sempre tinha um imã para atrair aquele tipo de mulher. De todas as mulheres que apareciam por ali, eram mulheres que já tiveram suas decepções amorosas e ele só se aproveitava da situação frágeis delas e conseguia sempre algo.

Sua irmã dizia que ele seria o alvo qualquer dia. Iria aparecer uma mulher que não cederia tão fácil e muito menos o levaria a sério pelo simples fato dele ser quem era. Não era um homem de fazer jus a sua solteirice por uma mulher. Adorava viver seus dias  de sossego e mesmo que um dia teria que perder o seu sossego, saberia quando uma mulher tocasse o profundamente.

E naquele fim de semana era para ser como um dia qualquer, porém, sabia que não estava indo tão bem quanto imaginava. Natalie era uma mulher que ele realmente não teria a menor atração e que não se envolveria jamais, infelizmente estava acontecendo tudo ao contrário. Havia algo nela que o fazia ficar fascinado, era cheia de carisma mesmo sendo mau humorada às vezes, e um sorriso tão bonito que o deixava desconfortável.

E o mais incrível é que ela realmente era uma mulher que precisava de algo mais, pode sentir isso quando haviam se beijado, ela parecia ansiosa e desejando ser amada. E pensar que o que teriam seriam apenas um sexo casual. Aquele momento em que tiveram na adega ainda o estava deixando com problema de raciocínio. Ainda podia sentir o gosto dela, queria poder continuar o que haviam começado, queria senti-la novamente para saber se era isso mesmo que estava começando a sentir por ela.

Suspirou desanimado por pensar que isso seria difícil de acontecer novamente. Ela sentia vergonha por ter feito aquilo, ele era um desconhecido e ela estava vulnerável naquele momento, e a única coisa que ele pensou foi aproveitar da situação para apagar o seu ego masculino.

Benjamin levantou-se deixando tudo para resolver depois. Precisava manter sua mente tranquila para mexer com coisas de trabalho. Já era duas e pouco da tarde, precisava  ver como estava indo a organização do jantar do amigo.

Saindo da sala foi direto para casa e viu que a confeiteira estava terminando o serviço, conversou com ela sobre o vinho para ela e ficou satisfeito por saber que ela gostou de tudo por ali. Foi então que ouviu gritos vindo do lado de fora, saiu as pressas e meio que parou ao lado de Tess, o amigo e a Alan que estavam parados observando a cena de Natalie com um cara que parecia constrangido.

- O que está acontecendo?

Tess olhou o, parecia satisfeita com a situação.

- O que você acha?

- É o ex dela. – Alan respondeu com um sorriso. – Isso, acaba com ele, garota.

- O que ele faz aqui?

- Ah veio atrás dela. Tentando consertar o que não adianta consertar. – Tess contou. – Idiota!

- Não acha que... deveriam ir lá?

Os três olharam para ele como se deveria deixar quieto. O assunto ali não era bom, mas também não podia deixar outras pessoas ver aquela situação. Seus clientes não precisava ver um fim de relacionamento num lugar daquele.

- Fique à vontade.

- Ela precisa dar uma surra nele. – Alan disse.

- Escuta, esse lugar é meu lar e meu negócio. Daqui a pouco eu vou perder tudo isso por causa de uma maluca que não para de gritar.

- Eu não vou lá. Eu vou acabar dando uma surra nele. – Tess.

- Idem.

Benjamin olhou para o amigo que recuou. A que ótimo, ele teria que ir lá para apalpar uma briga que não tinha nada ver. Respirou fundo e acabou que tomando a pior decisão que já fizera na vida, caminhou até ambos, mas logo se arrependeu pois o cara olhou o com cara de desgosto.

- Olha só, agora estamos chamando atenção. – ouviu o dizer.

- Eu não tô nem ai.

- Desculpa interromper isso. Mas será que da para discutirem um pouco mais baixo ou saem daqui.

Natalie ia abrir a boca para dizer algo, mas o cara olhou o com desdém dizendo.

- Quem é você?

- Eu sou o dono desse lugar que você provavelmente entrou sem ser convidado. – disse serio.

- Estou aqui com a minha...

- Eu não sou sua namorada, Leo. – Natalie interrompeu olhando para ele num pedido de ajuda. - Acho melhor você ir embora.

- Mas nem terminamos de conversar.

- Não temos o que conversar. Eu deixei claro que não vou voltar. – ela falou. – Não complique as coisas, Leo.

O tal de Leo a encarou por alguns segundos até disparar.

- Você já está com outro.

- Não.

- Ficamos dois anos juntos e assim que vai ser, me traindo. – ele disse. – Nunca imaginei que você seria esse tipo de mulher Natalie.

- Como é que é? – ela ia avançar para cima do ex, e em fração de segundos a segurou, mas ela insistia em querer dar um socos que realmente merecia. – Seu filho de uma...

- Ei. Calma ai... Natalie. – ele disse a segurando pelos braços fazendo a olhar em seus olhos. – Escuta, não faça isso.

- Eu não sou uma vadia.

- Eu sei.

Natalie ficou envergonhada, pode ver isso em seu rosto. E ficou impressionado por saber o tipo de ex namorado ela tivera. Como um cara de jornal podia ser tão escroto?

Respirou fundo e se virou para o sujeito e disse.

- Não sei quem é você, e não quero saber. Só peço por gentileza que saía da minha propriedade, por favor. – olhou- a e viu que ficara aliviada. – Meus clientes não precisa ver isso... aqui.

- Natalie...

Leo pediu ajuda há ela, e a única coisa que viu a fazendo foi um balanço de cabeça.

- Vai mesmo deixar isso acabar?

- Por favor... vá embora Léo. – ela pediu, olhou para ele e se afastou.

O tal de Léo balançou a cabeça, pegou suas coisas e saiu dali. Observou Natalie se aproximar dos amigos e receber um abraço da amiga. Pela primeira vez sentiu pena de uma mulher que não fosse sua mãe ou irmã. Era estranho, mas estava feliz por saber que ela estava segura ali.

 

Natalie entrou para dentro com a amiga do lado a confortando e se sentiu aliviada por saber que tinha pessoas que se importavam com o seu bem estar. Só não esperava ver Benjamin ter tido a coragem de expulsar Léo de sua propriedade sem ter que encostar um dedo nele.

Léo não gostava de chamar atenção, ainda mais quando se tratava da vida pessoal dele, que por sinal ela havia feito questão de armar um escândalo deixando o constrangido. Tivera sucesso em fazer aquilo, e mais ainda por Benjamin ter interferido na briga.

Agora mais calma e dentro da casa, sem os olhares para cima dela, sentiu se confortável. Tess e Alan ficou com ela ali sentados no sofá, enquanto Rob falava com a confeiteira.

- Pensei que tinham terminado. – Tess disse.

- E terminamos. Ele que foi ousado em vir aqui...

- Babaca.

- Como eu consegui arrumar um babaca desse?

Alan e Tess fizeram caretas.

- Normal. Sempre vai ter um babaca na nossa vida. – Tess.

- Não deveria ter levado nada a serio com ele. – Resmungou mais para si mesma. – Ele acabou com o meu dia.

- Ah acabou nada. Daqui a pouco nós vamos se arrumar para o jantar e iremos beber até cair naquela grama... – Alan falou.

- Sim. Iremos rir das coisas idiotas que tivemos... e amanhã será o grande dia. – Tess falou toda empolgada.

Natalie fez careta.

- Ai para, está parecendo aquelas adolescentes abobalhadas. – disse e riram, limpou o rosto onde as lágrimas haviam caído e suspirou. – Eu tenho os melhores amigos.

- Sim, com certeza.

De repente a porta abriu e Benjamin entrou ficando sem graça ao ver que todos olharam para ele. Com passos firmes, se aproximou e perguntou.

- Está tudo bem?

- Sim. Ele já foi embora?

- Sim.

- Obrigada.

- De nada.  

Ele simplesmente se afastou subindo para o andar de cima. Estava envergonhada por tudo, não era assim que pensou que seu fim de semana seria. Benjamin conhecerá seu ex namorado e só de lembrar do que havia acontecido entre ambos a deixava sem graça.

Por fim, passou o resto do dia ali com Alan, enquanto Tess resolvia as coisas para o jantar e do casamento no dia seguinte. Estava deitada no sofá quando Ben passou por ali, notou que ele tentou disfarçar para não olha-la, por fim deu apenas uma olhada rápida.

Alan sorriu e sussurrou assim que ficaram sozinhos.

- Não sei em quem ele está de olho se é em você ou em mim.

- Alan...

- Ue, eu dei em cima da irmã dele. E você transou com o cara.

- Quer falar mais baixo. – ela pediu. – Ninguém precisa saber disso. Eu nunca fiz isso na vida... eu levei quase duas semanas para dormir com o Léo.

Alan sorriu.

- Para você vê, levou duas semanas para ter relação e levou dois anos pra perceber o quanto ele é um idiota. – disse, acrescentou. – Esse ai, levou dois dias para uma transa. Quanto tempo vai levar para saber se ele é outro idiota?

- Alan!

- O quê?

- Ele não parece ser um idiota. – ela comentou, acrescentou. – Você é um idiota às vezes, e nem por isso te deixo de lado.

Ele sorriu.

- É por que você me ama.

Natalie olhou o com um sorriso, e pegou na mão dele e encostou a cabeça em seu ombro.

- É claro que te amo... meu irmão mais velho.

- Pode contar comigo sempre.

- Eu sei.

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