Natalie resmungou assim que acordou no dia seguinte, se espreguiçou e lembrou da noite passada. Ela estivera bêbada a ponto de ter se entregado a um homem que conhecera em apenas dois dias. Ela nunca havia feito isso na vida, fazer sexo pelo calor do momento.
Fez careta ao lembrar dos beijos e carícias que trocará com Benjamin na adega e sentiu se uma idiota por ter feito isso. Mas não podia controlar o seu corpo e sua mente. Quando a paixão é tão forte e verdadeira, que o seu corpo não consegue esconder os sinais dessa paixão quente e apaixonante.
Haviam feito sexo na adega e tinha sido tão natural e maravilhoso, estava ciente de tudo o que fez e no momento não quis saber se isso seria constrangedor no dia seguinte, só que agora avaliando tudo, se deu conta que não conseguiria olhar para Benjamin da mesma maneira que o desejará na noite anterior. Ambos estavam alterados, depois do sexo rápido e excitante, ela simplesmente subiu para o quarto onde se trancou e chorou por algumas horas até adormecer.
Bancara a idiota no dia anterior e estava extremamente envergonhada por ter feito isso com Benjamin. Havia se entregado há ele e depois puff sairá de lá como uma garotinha arrependida.
Natalie se mexeu na cama e sentiu o cheiro maravilhoso de Benjamin impregnado no lençol e travesseiro. Aquele cheiro a deixava tonta e boba, seu corpo todo tremia e desejava mais por ele. O que estava acontecendo com ela, afinal?
Loucura, há uma semana ela tivera um namorado e agora estava se engraçando com um homem que não tinha intenção de levar aquilo a sério nem que ela quisesse.
Olhou para o lado e viu que estava sozinha naquela imensa cama, um quarto simples e não era rústica como a casa. As paredes eram cinzas, havia um closet pequeno do lado do banheiro, uma escrivaninha com um notebook, o carpete no quarto todo e a cama king com lençóis brancos e cinza e as cortinas brancas na janela que dava para o terraço.
Bufou zangada por ter que dormir naquela cama sozinha, se tivesse sido mais racional na noite anterior teria conseguido levá-lo para dormir ali, mas não. Escapou antes mesmo de Benjamin dizer alguma coisa, se sentia uma imbecil e nem sabia se conseguiria olhar para ele novamente.
Jogando o edredom para o lado, levantou-se e foi para o banheiro, tomou banho rápido e ao se enrolar na toalha colocou o celular para tocar, enquanto tentava se arrumar cantava ao som de Miley Cyrus “ Party in the U.S.A “ , precisava manter sua cabeça no lugar e cantar a fazia se sentir melhor. Ao terminar a maquiagem simples, já estava cantando a quarta música que tocava na sua playlist no spotify quando ouviu um barulho vindo do quarto, e pensou dar uma olhada para ver se era Benjamin, e lembrou que não conseguiria olhar para ele – mesmo sabendo que não tinha como escapar – e infelizmente não queria isso agora cedo.
Então, ficou ali parada olhando para sua imagem no espelho. Covarde! Era isso que estava vendo no espelho, uma mulher fraca e covarde.
Quando suspirou aliviada por ouvir um bater na porta, sinal que estava sozinha e ia abrir a porta quando ouviu a voz dele do outro lado.
- Natalie. Você está ai?
Natalie hesitou.
- Sim.
- Ah... desculpa, eu não queria te interromper. Mas preciso do meu quarto.
- Eu já vou sair. Me dê dez minutos.
- Ok.
Ela olhou novamente para o espelho e respirou fundo antes de sair. Benjamin não estava mais ali no quarto, o que foi melhor para ela. Se vestiu o mais rápido possível e deu uma ajeitada na cama, pois seria falta de educação em dormir ali e não deixar arrumada.
Ao sair do quarto tremeu e se sentiu aliviada por não ter ninguém, desceu as escadas e encontrou com Tess fazendo o café.
- Bom dia!
- Bom dia. Quer uma ajuda?
- Claro. Você saiu cedo ontem da festa? – Tess perguntou colocando o café pronto na bancada.
- Bebi demais e resolvi ir deitar antes que acabasse no sofá da sala. – mentiu indo fazer ovos mexidos. – cadê o Alan?
- Sabe lá Deus, ontem ele encheu a cara e certeza se engraçou com uma mulher. – Tess contou quando Rob entrou. – Estamos falando do Alan.
Rob sorriu.
- Eu vi ele ontem saindo do coquetel cedo. E você dona Natalie saiu cedo? Aprontou alguma coisa?
- Não. Só fui para cama cedo.
- Não quis causar ontem?
Ela sorriu zombeteira.
- Deixei para hoje.
- Espertinha você, hein.
Natalie riu, mas foi de desespero e meio que acabou de rir quando Benjamin entrou, engoliu em seco e tentou evitar contato visual com ele por um momento, o que levou apenas segundos.
Ele parecia tão natural, como se nada tivesse acontecido. Qual era o problema com ela, afinal? Não fizera nada demais, além de um sexo casual com um desconhecido, não tinha o que temer.
- Bom dia.
- Bom dia. – ela respondeu ele sem tirar os olhos da frigideira onde mexia os ovos.
- Ah eu preciso falar com você, em particular. – ele disse, mas viu que não era com ela e sim com o Rob.
- Ah não me de noticias ruins. – Rob resmungou.
- Se for sobre os gastos dê a metade para o meu pai. – Tess falou sentando e se servindo de panqueca. – Amiga, você esta fazendo ovos mexidos ou é omelete?
Natalie revirou os olhos e ao se virar, Benjamim estava olhando para ela, envergonhada abaixou a cabeça e colocou os ovos em seus pratos e no da amiga.
- Eu também quero. – Rob pediu.
Acabou que servindo o futuro marido da amiga e ia servir Benjamin, quando ele fez um gesto que não. Colocou o resto no seu prato e sentou se servindo de outra coisas só para manter sua mente em alguma coisa que não fosse no homem de olhos azuis.
- Não acha melhor discutir isso com ele então?
- Que isso. Eu a Tess andou juntando dinheiro para isso... mas meu sogro se ofereceu em ajudar também. – Rob comentou. – Passou do nosso orçamento?
- Ainda não.
- Então, vamos conversa quando passar. – Rob.
- Ok.
- Não vai tomar café? – Tess perguntou vendo que ele ia sair.
- Não. Eu tenho algumas coisas para resolver. – ele forçou um sorriso. – Mas fiquem a vontade.
Assim que ele se afastou os dois pares de olhos caíram sobre ela. Constrangida, comeu calada como se não tivesse feito nada.
- O quê foi? Fiz alguma coisa errada?
- Me diga você?
Natalie olhou para a amiga.
- Eu não fiz nada.
- Eu podia jurar que aconteceu alguma coisa. – Tess insistiu.
- O que está insinuando?
- Dormiu com ele?
- Rob. Até você?
Rob deu de ombros.
- Ele está estranho... igual a você.
- Eu estou normal... apenas de ressaca. Vai vê ele esta de ressaca.
- Você dormiu no quarto dele.
- Sozinha.
- Quem garante isso? – Rob.
- Vocês não confiam em mim? – ela falou inconformada. – Eu sou uma mulher decente, não dou para qualquer um.
Aquilo soou tão estranho, que até estava acreditando na sua própria mentira.
- Eu não ia achar ruim... ele é melhor que o Léo.
Rob balançou a cabeça concordando com a noiva.
- Eu sabia... vocês dois parem de empurrar ele para mim.
- Mas não estamos.
- Você está fazendo o serviço sozinha.
Natalie levantou-se deixando o café da manhã de lado e fez pose de mulher determinada.
- Vocês são os piores amigos.
- Na...
- Tem sorte de eu ser a madrinha... – ela disse toda séria, precisava agir naturalmente. – Acho que vou dar uma volta...
- É isso ai garota, aproveita o bonitão.
Natalie não deu atenção ao que a amiga disse antes de se afastar, eles estavam rindo da cara dela naquele momento. Tentará disfarçar todo o seu nervosismo, mas falhara.
Todas as vezes que Benjamin se aproxima, meu corpo reage a ele, meus olhos passam a ter um brilho mais bonito. Meu nariz quer sentir seu cheiro ainda mais próximo, minhas mãos suam e tremem de nervoso. Mas não deixo de querer o seu corpo colado com o meu. Quando o conheci, eu abri minha mente para entender o que estava acontecendo. Meu corpo passou a ter desejos que eu jamais imaginei, comecei a fantasiar um mundo em que ele estava do meu lado.
Sei muito bem que cada um de nós tem seu par perdido por aí. Eu ando precisando encontrar o meu como nunca antes precisei. Sinto necessidade de te ter e de ser beijada por Benjamin. Só de pensar nos seus beijos, eu sinto o meu corpo se acender. É como se ele fosse o fósforo e eu o pavio... Basta um encostar no outro para o pavio acender.
Natalie fechou os olhos e suspirou antes de afastar os seus pensamentos idiotas. Precisava procurar Alan para poderem se distraiam um com o outro.
Mandou mensagem para ele, enquanto andava pelo jardim. Era quase oito horas da manhã e alguns padrinhos de Tess e Rob estavam por ali dando uma volta. Um lugar daquele, era mais do que maravilhoso para passar os fins de semana e odiaria em ter que aproveitar o resto que lhe faltava.
Bufou por ver que Alan não lhe respondia. Aproveitou que estava sozinha e foi até o salão, os dois barman do dia anterior estavam ali arrumando as coisas e resolveu se aproximar.
- Bom dia. É a que horas começa a servir aqui?
O rapaz moreno a encarou e respondeu.
- As dez.
- Sério?
- Sim. Ah não ser que o sr. Mancini deu autorização para lhe servi.
Ela revirou os olhos.
- Eu sou convidada da noiva. Acho que não vai haver problema se me der um golinho de...
- Não senhora.
Natalie foi interrompida, e ao se virar se deparou com Benjamin serio demais, ela tentou sorrir mas não deu.
- Você não acabou de tomar café? – ele indagou cruzando os braços sobre o peito.
- Sim.
- Não acha muito cedo para ficar tomando bebida alcoólica?
- Eu só queria...
- Desculpa, Srta. Moore. Mas o horário é a partir das dez horas.
- Mas eu sou convidada da noiva.
- Ninguém tem privilégios aqui. – ele disse com desdém antes de se afastar acrescentou. – E deixe meus funcionários trabalharem.
Natalie ficou ali paralisada vendo o se afastar. Então era assim que queria jogar sr. Mancini, veremos quem será o melhor.
Empinou o nariz e resolveu que deveria se acalmar, foi até um lugar calmo e distante para olhar todo o local. Suspirou desanimada, era para ela estar acompanhada naqueles quatro dias e isso a estava deixando louca, completamente solitária.
Cruzou os braços e sentiu lágrimas caírem sobre seu rosto. Tentou conter o choro silencioso, mas não há nada que pudesse fazer. Tinha terminado um relacionamento de dois anos e agora estava se envolvendo com um homem que não estava nem um pouco interessado de levar algo a sério e não sabia o que mais lhe magoava, se era por causa do seu ex ou pelo o seu caso atual.
Infelizmente não podia fugir, estava comprometida com o casamento da amiga e não deixaria Tess na mão.
- Eu tento entender como uma mulher incrível como você consegue ser tão ingênua.
Natalie enxugou as lágrimas antes de se virar e encarar o amigo. Alan a conhecia muito bem e estava mesmo agindo como uma garota ingênua.
- Estou com saudade do Travis.
- Natalie Moore você não me engana. – Alan se aproximou sem tirar os olhos dela. – Quando disse que deveria viver mais, não quis dizer que deveria se entregar para o primeiro homem que vê na frente.
- Eu não fiz isso.
- Hum, não foi o que escutei.
- Você conversou com a Tess?
- Não. Mas ouvi algumas pessoas comentando que está dando em cima do sr. Mancini.
- Eles nem me conhece.
- Diz isso a Tess e ao Rob.
- Não devo satisfação a ninguém.
Alan sorriu.
- Eu gosto de você quando fala assim, mas me dá medo às vezes. Não sei se está chateada ou zangada.
- Você pensa como eles?
Alan hesitou.
- Ah... sinceramente, se fosse eu que estivesse na sua situação. – disse, balançando a cabeça. – Eu ia sair por ai transando sem se preocupar com a minha reputação.
- Você já faz isso, Alan.
- Não faço não.
- Toda semana você aparece com garotas diferentes.
Ele sorriu todo sem graça.
- Isso te incomoda?
- Às vezes, algumas são tão escandalosas. – ela fez careta ao lembrar. – Tenho inveja de você por ser tão ativo.
- Não mandei você escolher um idiota que não gosta de transar.
- Alan!
Natalie deu tapa no braço dele, fazendo o rir. Em uma fração de segundos Alan a encarou por um momento e de repente só sentiu os braços fortes dele a pegando no colo e colocando sobre os ombros.
- Alan... me solta. Eu sei andar...
- Vamos dar motivos para o povo comentar bastante. Você vai ser uma bela vadia nesse fim de semana.
- Ah não! Eu não quero ser uma vadia, Alan.
- Agora vai. Vamos ver se o sr. Mancini acha ruim se eu mexer com a garota dele. – disse lhe dando um tapa na sua nadega.
Natalie riu.
- Eu não sou a garota dele.
- Não transou com ele ontem?
- Alan!
Ele riu sem parar de andar com ela no ombro, ao se aproximarem vários olhares vieram para cima de ambos. Alan sem se importar, a colocou no chão assim que se aproximaram do salão. Teve que ajeitar as suas roupas assim que colocou seus pés no chão, para sua sorte calçava um tênis, pois ficara preparada para a caminhada que ia fazer com Alan.
- Você não presta Alan.
- Me agradeça depois. – ele falou olhando para o relógio de pulso. – Sabe que horas começa o negócio?
- Às dez.
Ele fez careta.
- Bem, temos meia hora.
- Vamos fazer o que nessa meia hora?
- Se você não estivesse interessada no...
- Cala a boca, Alan. – ela pediu. – Não há nada entre a gente.
- Sei.
Ela bufou indo até o salão, precisava ir ao banheiro e esperava não estar ocupado como no dia anterior. Sem se dar conta deu de cara no vidro.
Merda! Havia esquecido de que aquela droga de salão era toda feita de vidro. Passou a mão na testa, enquanto Alan ria e ao mesmo tempo tentava ser prestativo.
- Alan... não foi engraçado.
- Como você não viu que esta fechado?
- Ah uma hora atrás estava aberto essa porcaria. – gemeu de dor.
Um dos barman apareceu abrindo a porta perguntando o que acontecerá. Pronto agora estava um monte de gente ali ao seu redor, pelo menos alguns padrinhos da Tess.
- Eu não vi a porta.
- A senhorita quer gelo? – o barman moreno perguntou.
- Quero. E seria bom uma tequila junto.
O rapaz moreno a deixou entrar no salão para se sentar, enquanto pegava o gelo.
- Nati.
- Ai Alan... – ela resmungou quando o amigo colocou o dedo no local. – Tira essa mão dai.
- Aconteceu alguma coisa? – Benjamin perguntou ao aparecer do nada.
- Não aconteceu nada.
- Ela bateu a testa na porta. – Alan respondeu educadamente.
Benjamin franziu o cenho, confuso.
- Como você... não...
- Aqui está o gelo. – o barman apareceu com uma sacola com gelo.
Natalie forçou um sorriso e agradeceu.
- Obrigada. Cadê a tequila?
- Ah... eu... – o barman gaguejou olhando para o chefe que apenas assentiu. – Ok.
Natalie colocou o gelo na testa e resmungou de cara feia. Estava se sentindo uma idiota. Nem ao menos tinha notado a porcaria da porta.
- Como você não viu a porta?
- A culpa é sua. Você mandou trancar a porcaria da porta. – ela esbravejou olhando para Benjamin.
- É sério isso? Você não enxerga a porta e eu que sou culpado.
- Ela estava aberta.
- O que esta acontecendo aqui? – Tess e Rob apareceram.
- Virei a atração agora.
- Ela bateu a testa da porta. – Alan contou.
- Alan... para de ficar espalhando. – resmungou brava.
- Você não viu a porta? – Rob dessa vez.
- Mais que saco! – ela esbravejou levantando. – Vocês são piores amigos...
Natalie foi até o balcão, colocou a sacola de gelo e bebeu a tequila que o rapaz lhe entregou num gole só. A bebida desceu queimando pela sua garganta e se sentiu com menos dor. Sem se importa estava indo até a saída, precisava sair dali e ficar sozinha, quando alcançou a porta deu de cara na porta de novo, mas dessa vez ela não chegou a bater a testa, apenas o corpo.
- Ah que droga!
- Na... você está bem? – Tess veio até ela.
- Não. Eu odeio esse... lugar. – resmungou ao ser puxada para se sentar de novo.
- Quer uma tequila? – Alan indagou.
- Alan...
Todos falaram juntos.
- Eu quero.
- Chega de tequila. – Benjamin falou.
- Eu sou adulta e preciso de uma bebida forte.
- Você acabou de acertar a testa duas vezes na porta.
- E qual é o problema.
- Você é o problema.
Natalie levantou-se furiosa e ao ficar de cara a cara com ele, apontou o dedo.
- A culpa é sua. Você mandou fechar aqui só para mim não beber. – Falou brava. – Está com raiva porque não te dei atenção.
- Nossa! É isso que você pensa sobre mim. – ele balançou a cabeça. – Quer saber pode beber o quanto quiser até se quebrar inteira e depois não esquece de pagar a conta.
Benjamin sem pensar duas vezes saiu dali com passos decididos, sentiu seu rosto pegar fogo. Tinha sido uma babaca acusando o daquele jeito na frente de todo mundo.
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Atualizado até capítulo 20
Comments
Suely Albuquerque
nem sei quem é mas babaca dos dois.
2024-12-05
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Regilene gomes
essa aí só saber beber
2024-12-05
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