Natalie ficou ali parada por um tempo até se dar conta que estava realmente bancando a idiota. Quem iria querer casar com um cara que tratava sua namorada daquele jeito. Léo era estranho, mas não podia julga-lo, ele tivera uma infância horrível, um pai que era viciado em drogas, uma mãe que sonhava com uma carreira de cantora, mas que acabou antes mesmo de começar e ele crescerá tentando ser alguém que seus pais nunca foram, que por fim conseguiu alcançar seus sonhos.
Ao contrário dela que tivera seus pais sempre por perto. Tivera uma ótima infância, uma adolescência para lá de chata e uma vida adulta feliz, quer dizer não era tão feliz assim. Mas tinha uma ótima vida, um apartamento bacana que agora dividia com Alan, depois que Tess saiu teve que arrumar alguém e Alan resolveu se instalar lá só por alguns dias e meio que acabou ficando por lá.
Não podia reclamar, ele ajudava muito com o aluguel e as despesas, só não gostava muito quando ele levava mulheres para lá e passava noites em claro ouvindo os barulhos horríveis que as mulheres produziam por lá. Como era reservada a isso, ia sempre para o apartamento de Léo. Diversas vezes queria dar o troco em Alan por isso, mas Léo nunca quis fazer sexo em seu quarto, pois dizia que não gostava de fazer isso quando se tinha um cara do lado.
Ah era uma desculpa atrás de outra. Aquilo a deixava estressada e irritada demais.
Suspirou e voltou a onde estava sentada, e pós a trabalhar. Por fim, acabou que terminando algumas coisas antes de ir até aonde seu namorado estava gravando. Ficou ali paradinha observando tudo, ele realmente era bom no que fazia, e ficava feliz por saber que seu namorado era alguém que conseguia alcançar seus objetivos e torcia para fazer o mesmo.
- Oi.
Natalie olhou para o lado e viu Layla Rodrigues uma mulher encantadora que estava sempre tentando conquistar Léo, era mais pelo dinheiro do que pelo jeito dele – isso por que Léo não era tão bem sucedido – por enquanto. Mas não tinha medo dela, afinal Layla tinha um jeito que muitos não teriam coragem de chegar perto dela, estava sempre falando sozinha ou até mesmo chegava a ser estranha que todo mundo dizia que ela era uma bruxa.
Ria consigo mesma quando diziam aquilo, mas olhando bem para ela agora, podia sim, dizer que ela podia ser realmente uma bruxa. Mas não seria sensato julgar as pessoas sem ao menos conhecê-las.
- Oi.
Layla forçou um sorriso.
- Quem diria, ele ali... sendo o âncora principal do jornal.
- Ele batalhou para isso.
- Tem certeza disso.
Natalie encarou-a.
- O que quer dizer com isso?
- Acho que você não conhece muito bem o seu... namorado.
Ela franziu o cenho, confusa. Como ela sabia sobre ambos?
- Nós não...
- Ah não venha dizer que não sabemos sobre vocês dois. – Ela sorriu cruzando os braços acima dos seios. – Todo mundo sabe, só disfarçam.
- Nós não...
- Não menti para si mesma, Natalie. – Ela falou. – Sei o que acontece por tudo aqui, até mesmo o que vocês dizem de mim.
- Eu não falo que você é uma bruxa.
Layla sorriu em deboche.
- E se eu disser que sou.
- Você é? – perguntou sem querer, e a viu dar de ombros. – Desculpa, não quis ser...
- Tudo bem. Mas só pra te avisar, aquele homem não é o amor da sua vida.
Natalie a encarou e riu.
- Além de bruxa agora virou vidente.
- Só estou dizendo o que sinto. – Ela argumentou. – Não desperdice sua vida nisso. Tem um mundo lá fora que você deva conhecer...
- Eu não vou jogar tudo o que conquistei só porque você está sentindo isso... – Ela disse. – Sabe de uma coisa, eu sinto que você está com... inveja.
Layla balançou a cabeça.
- Tenho pena de você, sabia. – comentou, olhou para Léo e disse antes de se afastar. – Espero que você aproveite bem o casamento da sua amiga.
Natalie abaixou os ombros, só se deu conta que estava surpresa quando balbuciou alguma coisa que nem ela mesmo soube dizer. Estava chocada em como ela sabia que iria ao casamento de sua melhor amiga.
Aí merda! Ela era mesmo uma bruxa.
Coçou a cabeleira e sentiu todo o seu ser arrepiar-se. Teria que tomar um banho de sal grosso para espantar aquele agouro todo. Aproveitou que estava ali escondida, voltou para a sua sala e ligou para a sua amiga. Precisava conversar com alguém, alguém com uma voz familiar que a acalmava sempre.
Praguejou baixinho ao ouvir a porcaria cair na caixa postal. Estava entrando em transe novamente. Precisava ir para casa, aquela mulherzinha estava jogando a sua bruxaria para cima dela.
Natalie suspirou, pegou suas coisas e saiu dali. Quando alcançou o seu carro ficou ali por um tempo parada até se dar conta que estava deixando se levar para uma conversa besta, uma imaginação sua em pensar que existia bruxaria. Quantas séries e filmes já assistirá e nunca acreditará naquela bobagem.
Mas como ela sabia que iria ao casamento, não contará há ninguém além de Alan e seu chefe, e seu amigo não iria sair contando para todo mundo e seu namoro com Léo era tão discreto que seu chefe nem percebeu que acabou dando um cargo ótimo a Léo.
Droga! Estava num mundo estranho e sombrio e nunca se deu conta.
Entrou no seu carro e dirigiu até a sua casa com toda pressa do mundo. Assim que chegou, seu gato alaranjado veio ao seu encontro e não deixou de dar o carinho que ele precisava, até mesmo ela precisava distrair a cabeça em alguma coisa.
- Olá, Travis... seu gato lindo da mamãe... – Ela disse pegando o bicho no colo e acariciou-o no pescoço, pois sabia que ele adorava aquilo. – A mamãe está doida, sabia.
Natalie colocou o sobre o balcão e foi até o pote dele para ver se não estava sem comida, e tinha só alguns grãos e decidiu repor. Travis adorava comida fresca o tempo todo.
Assim que deu comida ao seu bichinho de estimação que Alan odiava mais que a vida, só por que uma vez Travis fez suas necessidades no quarto dele, ensinará Travis em ser um bichinho correto, mas quando ele não ia muito com a cara de algum indevido ele tinha essas mania de marcar território. Com a Tess era diferente, ele a tratava muito bem e sempre que podia dormia com sua amiga, apesar de Tess sempre trancar o quarto, mas Travis achava um jeito de entrar lá só para receber o carinho.
Natalie lavou as mãos e olhou em volta. Era um apartamento pequeno, mas aconchegante. Tinha dois quartos apenas, uma sala grande que tinha dois sofás, uma estante repleta de livros que ela e Tess vinha juntando juntas por todo esses anos, um aparador com algumas fotos de ambas e havia um tapete cor de rosa bem no meio da sala, Alan odiava aquele tapete também e até aparecerá com outro para fazer a troca, mas ela não deixará pois fazia a lembrar da amiga.
Depois vinha a cozinha pequena, com armário embutido, fogão ao lado da pia e uma geladeira com vários recados na porta. Ela tinha mania de deixar vários recados espalhados pela casa para não ter problema em esquecer de suas coisas. Alan também odiava aquilo e mesmo assim não ia embora. Ela era realmente uma mulher maluca, com seus transtornos mais esquisitos e nem por isso seus amigos deixavam de gostar dela.
Eram quase seis horas da tarde, resolveu ir tomar um banho, logo Alan chegaria e iria querer tomar o seu banho de quase uma hora. Achava um absurdo um homem passar todo esse tempo dentro de um banheiro. Estava quase achando que Alan era gay, mas aí lembrava das mulheres bonitas que ele trazia e deixava esse pensamento de lado. Tess dizia que ele era bissexual, mas também não acreditava nisso do seu amigo.
Entrou no pequeno banheiro levando sua toalha e suas peças íntimas, aproveitou que estava sozinha e colocou o seu celular para tocar, enquanto tomava banho. Adorava cantar embaixo do chuveiro, quando era criança sonhava que iria ser uma cantora, mas quando chegou no ensino médio e teve que fazer uma apresentação na escola ela meio que decidiu que não tinha vocação para isso.
Aquela apresentação foi um fracasso, seus amigos caçoaram dela por uns dois anos dizendo que ela cantava que nem a Britney Spears quando estava bêbada. Poxa, ela só tinha errado a letra no final e nada mais. Qual é o cantor que errara a própria letra um dia?
Deixando aquela bobagem toda desligou o chuveiro, se enrolou na toalha e continuou a cantar. Tocava no seu spotify “ Cheap Thrills” da Sia, adorava aquela música, era tão contagiante e sempre que escutava lembrava do filme A escolha perfeita que gostava de assistir ao lado da sua amiga.
Estava sendo difícil em ficar sozinha, sem uma companhia feminina no apartamento. Alan era um ótimo amigo, mais não era a mesma coisa. Secou o cabelo com o secador que deixava ali e sem deixar de cantar continuou, até se empolgou dançando. Assim que terminou, guardou o secador e saiu do banheiro dançando com o celular na mão e só parou no caminho quando viu que não estava sozinha no apartamento.
Natalie engoliu em seco quando notou que estava sendo observada por seu amigo que segurava um copo com alguma bebida.
Alan sorriu.
- Veio embora cedo?
- Sim.
- Tenho uma novidade. Consegui uma entrevista em San Francisco... naquela emissora que contei que estava tentando faz tempo.
- Serio? Não acredito. – ela gritou eufórica e pulou que nem criança esquecendo que estava de toalha, ajeitou a toalha que quase deslizou e se aproximou do amigo. – Meus parabéns, Alan.
Alan hesitou antes de receber o seu abraço, ela quase enlouqueceu só de sentir o aroma do perfume dele em suas narinas.
- Obrigado.
- Mas me diga como você conseguiu?
Natalie se afastou e ajeitou novamente a toalha que insistia em cair. Observou o amigo encher outro copo com bebida e com certeza estava feliz por saber que ele também estava conseguindo o que desejara, entrara naquela emissora só para ganhar conhecimento e agora que estava se saindo bem, conseguira uma entrevista na tão desejada emissora que ficava em San Francisco.
Ai droga! Ate seu amigo iria deixá-la. Iria acabar ficando sozinha, precisava convencer Leo em vir morar com ela, não conseguiria sobreviver sozinha.
- Mandei alguns currículos e me encontrei com uma pessoa que disse que poderia conseguir uma entrevista.
- Isso é ótimo.
- Vamos comemorar hoje à noite. O que acha?
- Seria ótimo... ah não, Leo marcou um jantar para hoje. – ela contou ao lembrar. – Podemos comemorar agora.
Alan fez cara de desagradável e assentiu meio que decepcionado.
- Sem problema, podemos comemorar depois do seu jantar. – ele falou olhando para a sua toalha e achou aquilo estranho. – Você não vai... se arrumar?
- Claro. Mas posso beber um gole... disso. – ela sorriu e bebeu a bebida, acabou que fazendo careta ao sentir o uísque descer pela garganta. – Ok, isso vai me deixar tão louca quanto me deixou no noivado de Tess.
Alan riu. Com certeza ele lembrava daquilo, o noivado de sua amiga tinha sido na casa do pais dela, e enchera tanto a cara que nem lembrara de como chegara em casa. Mas lembrava de ter vomitado dentro da piscina fazendo com que os que estavam lá saíssem.
Naquele dia Leo fora embora largando-a toda chapada – é claro que não se orgulhava disso – mas estivera tão feliz pela amiga que resolvera se embriagar, mas não imaginara que ficaria tão ruim assim.
- Você é um show, Nati.
- Nem tanto.
- Não deixe aquele idiota lhe magoar.
- Eu não vou...
Natalie sorriu em deboche e sem tirar os olhos do amigo se afastou dançando, até alcançar a porta do seu quarto. Se encostou na porta e suspirou toda sem graça. Achou estranha a atitude do amigo, ele nunca a olhara com outros olhos e isso era realmente esquisito.
Dando de ombros, foi até o seu guarda-roupa e procurou algo que fosse sexy. E quase tirou toda roupa que havia ali, Leo já a vira com quase todas as roupas e não teve outra escolha se não usar o seu segundo vestido que usava nos jantares.
Era em helanca na cor bordô, com alças, decote transpassado, busto duplo, recorte na cintura, saia assimétrica com transpasse frontal. Se sentia sexy dentro daquele vestido, e para sua sorte tinha seios grandes para preenchê-lo.
Assim que ficou pronta, pegou sua bolsa e saiu do quarto. Já era sete e meia, logo Leo chegaria, ele era sempre pontual. Alan estava ali na sala bebendo e sorriu quando a viu.
- Uau! Está uma gata.
Ela sorriu sem graça.
- Até parece que nunca me viu com esse vestido. – ela caçoou se aproximando do balcão onde estava a bebida e aproveitou para beber um gole antes que seu namorado chegasse. – Ele disse que tem algo para me contar.
- Ele sempre tem algo para te contar.
- Mas me pareceu estranho.
- Está com medo dele lhe pedir em casamento?
Natalie forçou um sorriso.
- Se sabe que sonho em me casar um dia.
- Eu sei.
Ela ia dizer alguma coisa quando foram interrompidos pela campainha. Toda feliz, se despediu do amigo com beijinhos no ar e abriu a porta. E lá estava seu namorado, lindo e bem sucedido jornalista de televisão.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 20
Comments