Era quase quatro horas da tarde quando ambos resolveram que não deveriam mais ficar trancados dentro daquele quarto. Estavam tomando banho quando ela reparou que ele tinha um corte grande no abdômen definido.
- Onde conseguiu isso?
- Nada demais.
- Entrou numa briga?
- Não.
- Então porque não pode me contar o que houve?
Ele pigarreou.
- Não gosto de falar disso. – ele contou. – E por que a borboleta?
- Eu gosto de borboletas.
- Então não tem nenhum significado nisso?
- Não. Simplesmente gosto de borboletas. Elas são bonitas, delicadas e livres. – ela contou, sorriu e acrescentou. – Não vai mesmo me dizer sobre o corte?
Ele apenas olhou-a e desligou o chuveiro, saindo do box se enrolou na toalha. Sabia que podia ser algo que trazia lembranças ruins e ela estava forçando a barra ali, mas queria tanto saber mais sobre Benjamin.
- Desculpa... não quer conta eu entendo. – ela por fim disse se enrolando na toalha e ficando de frente a ele. – Não me deve satisfação.
Ele franziu o cenho, confuso.
- Lembra quando contei que odiava ficar na adega que meu pai construiu?
- Sim.
Impossível seria esquecer, haviam feito sexo pela primeira vez naquele lugar, pensou com ela.
- Quando descobri que meu pai estava traindo minha mãe eu confrontei-o bem lá e ele... acabou que tentando calar a minha boca. – ele suspirou desanimado. – Era para ter sido mais racional, mas acabei perdendo a cabeça.
- Está dizendo que você matou ele?
- Não.
- O que aconteceu?
- Eu bati nele até sangrar e cair, meu irmão apareceu e me fez parar... eu ia matar ele. – contou sério. – Depois disso eu não olhei mais para ele, tinha ódio que me consumia todos os dias... minha mãe nunca soube por que dei aquela surra.
- Tem remorso por isso?
- Não. Ele merecia e muito mais, meu irmão pediu para mim não se intrometer. Até que resolvi deixar, um mês depois eu o vi com outra mulher e perdi a cabeça novamente. – suspirou. – Mas dessa vez ele estava armado com um canivete e me acertou...
- Sinto muito.
- Eu merecia. Não deveria ter se intrometido, depois disso a casa caiu para todos os lados. Meu pai tinha uma dívida alta, o marido da minha irmã a deixou, meu irmão se casou e foi embora, enquanto eu passava por algumas cirurgias.
Natalie passou a mão no braço dele em conforto e viu no olhar dele que precisava daquela confiança.
- Não deve ter sido fácil para todos vocês.
- Não, até ele finalmente morrer e nos deixar em paz. - ele sorriu, pelo menos pareceu um sorriso. – Não sou um cara que você deveria se envolver.
- Acho que é tarde para isso. – abraçou o pelo cintura. –Esqueci isso, vamos só aproveitar... – o beijou. – Não tem nada melhor do que isso.
Ele assentiu concordando. Depois daquela conversa foram para o quarto se arrumarem. Claro que ele terminou bem antes que ela, afinal ela tinha cabelo e maquiagem para fazer.
Sorriu ao vê-lo diferente, todo elegante com a roupa social. Terno, calça e o colete preto, a camisa branca e a gravata em tom vinho.
- Uau! Assim fica difícil em resistir. – ela brincou levantando e se aproximou dele. – Ai, essa cor de gravata.
- Seu vestido é dessa cor?
- Sim. Tess sonhou com essa cor, e por isso escolheu para o dia do casamento dela.
- Sério?
- A família dela acredita que sonhos são a realização de uma nova vida. – ela disse enquanto ajeitava a gravata dele. – Então, quando ela sonha e aparecem algumas coisas, ela acha que possa ser algo bom.
- Ela sonhou com essa cor e simplesmente disse que seria do casamento dela. – sorriu torto. - Coisa estranha de ser.
- A Tess é uma pessoa estranha. – sorriu. – Pronto, está perfeito!
- E você não vai terminar de se arrumar?
- Claro que vou... só me dê umas meia hora.
Ele balançou a cabeça, incrédulo.
- Ok, eu vou descer... seja rápida. – disse indo até a porta. – Daqui a pouco eu volto.
Natalie sorriu assim que ele saiu do quarto. Estava mesmo se sentindo satisfeita por tê-lo tão próximo de si, e pensar que nunca encontraria alguém que realmente gostasse dela do jeito que era.
Terminou de arrumar em menos de meia hora, estava se olhando no espelho quando alguém bateu na porta e pensou ser Benjamin, mas era Alan todo elegante de terno.
- Aconteceu alguma coisa?
- Não. Você deveria vim morar comigo?
- Alan... o que você tem?
- Eu preciso de você do meu lado, Nati.
Natalie arqueou as sobrancelhas.
- Tem alguma coisa acontecendo?
- Eu não posso vir morar aqui nessa cidade sem alguém. E pelo jeito você está envolvida com o sr. Mancini do mesmo jeito que eu pela irmã dele.
- Alan...
- Sei que não é isso que você esperava, mas não podemos ir embora. Estamos envolvidos, Natalie.
- E acha que não sei disso.
- Vamos ficar então.
- Alan... eu não posso. Meu trabalho, o chefe me mata se eu não voltar amanhã.
Alan suspirou assentindo.
- Eu sei. Eu vou matar a Layla por isso.
- O que tem ela? – indagou por ele lembrar da bruxa que não era bruxa.
- Ela disse para mim que eu encontraria o amor da minha vida numa viagem. E ela tem razão.
- Você acredita nisso?
- Eu nem sei no que acreditar. Mas ela estava certa sobre isso.
- Alan, não deveria acreditar nisso. Quando foi que bruxas sabem sobre destino. – ela se apavorou. – É você que traça seu destino.
- Eu sei. O que eu digo para a Anna?
- O que você senti por ela?
- Eu não sei, nunca senti isso na minha vida. Ela faz o meu dia melhor.
Natalie sorriu.
- Está apaixonado. Isso é tão fofo.
- Quer parar. Não é engraçado.
- Desculpa... mas fico feliz por você. – ela disse abraçando-o, foi quando a porta do quarto abriu e Benjamin apareceu deixando o clima estranho.
- Ah eu interrompi alguma coisa? – ele indagou olhando para Alan.
- Não. Eu já estava de saída... – Alan falou se afastando e saindo do quarto.
- Estou pronta!
- Aconteceu alguma coisa?
- Está falando do Alan?
Ele assentiu com a cabeça.
- Sim.
- Nada demais. Ele está nervoso e preocupado.
- Hum... e você?
- O que tem eu?
- Não está nervosa?
Ela sorriu colocando o braço em volta do dele, e disse.
- Tenho um ótimo parceiro para não me deixar nervosa.
- Ótimo.
Ao saírem do quarto encontraram com Rob andando para lá e para cá todo nervoso e pelo jeito ele ficou aliviado e ao mesmo tempo surpreso por vê ambos de braços dados.
- Rob, você esta bem?
- Sim. Já chegou todo mundo... e estou nervoso.
- Relaxa. É normal ficar nervoso no casamento. – ela disse se soltando de Benjamin, acrescentou. – Quer descer e beber uma dose de tequila?
Rob franziu o cenho, confuso.
- Quer que eu me case bêbado?
- Não. É só para você relaxar... pelo menos comigo resolve.
- Acho melhor a gente descer. – Benjamin entrou na conversa. – E você entra para vê como Tess está, enquanto eu relaxo o amigo.
Natalie hesitou.
- Ok.
Natalie esperou que ambos se afastassem antes de bater na porta do quarto onde Tess estava, e a mãe dela que atendeu apenas ficando com a cabeça de fora , acabou que sorrindo ao vê-la.
- Pensei que era Rob. – a mãe de Tess falou abrindo a porta mais, deixando a entrar. – A Tess está quase pronta.
- Ótimo.
Natalie entrou e viu Tess terminando de colocar o vestido, sorriu ao ver a amiga tão perfeita.
- Na... você está incrível!
- Obrigada. Mas você está... perfeita. – disse andando até a amiga. – O Rob está nervoso, e Ben foi tentar acalma-lo.
- Ai o que eu seria sem você, amiga. – Tess sorriu e a abraçou. – Eu estou mega nervosa.
- Acho que todo mundo está. – sorriu. – Só não desista agora.
- Eu não vou desistir.
- Ótimo. Está pronta?
-Sim.
- Certo. Então eu vou descer com a sua mãe e anunciar que já vamos começar e Sra. Blatter fica aqui que daremos o recado para que Tess desça.
Natalie suspirou tentando se acalmar e desceu ao lado da mãe de Tess, ao chegar no final da escada viu que todos os padrinhos estavam ali. Benjamin estava ao lado do noivo que parecia que ia ter um colapso.
- Esta tudo certo. Rob, pode ficar tranquilo que a Tess não vai desistir.
- É mesmo?
- Sim. Agora vou lá anunciar que a cerimônia vai começar e acabar com isso tudo.
Quinze minutos depois de ter anunciado, e ajeitado todo mundo para que entrassem sem problema nenhum, percebeu que Benjamin estava bebendo, e se aproximou dele.
- O que você está fazendo?
- Esperando isso tudo começar. – sorriu zombeteiro. – Já podemos ir?
- Claro.
Natalie balançou a cabeça e se virou para ir até o seu posto, esperando seu parceiro, quando Benjamin apareceu ao seu lado se ajeitando, ambos seriam os primeiros padrinhos a entrar depois do noivo entrar com a mãe, e o pai dele entrar com a mãe de Tess, para em seguida ambos entrarem. Estava tremendo quando viu que seriam os próximos.
- Relaxa...
- Eu estou bem.
Ele sorriu assentindo e olhou para frente se arrumando, disse quase em um sussurro.
- Esqueci de dizer, que a propósito você está linda.
Natalie olhou o por alguns segundos pronta para agradecer, até que a cerimonialista fez um gesto para que ambos andassem, praticamente ela foi puxada por Benjamin, pois sentiu que suas pernas estavam imobilizadas pela tensão ou nervosismo.
Teve que sorrir ao alcançarem o tapete, pode ver os conhecidos do casal, e sem querer deu um aceno para Alan que lhe mandou um beijo no ar, aquilo a deixava toda estranha, mas a deixava feliz por saber que sua amizade com Alan não iria interferir em nada. Continuou a andar toda sorridente, e os fotógrafos não deixaram de tirar fotos de todos que entravam, ao chegar no final ambos se separaram e acabou que sorrindo para Benjamin assim que cada um estava no seu posto.
Os demais padrinhos foram entrando, quando finalmente a música que tocava agora parou e alguns segundos a música que Tess escolherá começara a tocar e teve que se controlar para não chorar, era I'm Yours do Jason Mars E seria impossível não se emocionar ao ver sua amiga ir ao encontro do seu amado no altar.
Tess estava incrível ao lado do pai e parecia feliz, o que esperava que a felicidade dela durasse para sempre.
A cerimônia durou em torno de uma hora, e não via a hora de poder ficar ao lado de Benjamin que parecia bem entretido no que o juiz dizia sobre o casamento a dois. Impaciente, pós a mexer no buquê que carregava e suspirou aliviada quando finalmente acabou com os noivos dizendo o finalmente sim um ao outro e se beijaram para selarem o amor que havia entre ambos, o casal seguiu o caminho, e finalmente se encontrou com Benjamin novamente, andaram de mãos dadas atrás dos noivos e foram os primeiros a parabenizar o casal.
Natalie abraçou a amiga e depois Rob, para em seguida se afastar indo até onde pode respirar tranquilamente, Benjamin se aproximou e parecia sério.
- Achei que não ia acabar.
- Eu também. Odeio as pessoas olhando para mim.
- Por isso ficou olhando para o juiz?
- Você não parava de olhar para mim, tive que me focar em outra coisa. – respondeu sem graça.
- Eu só queria agradecer.
- Sobre o quê?
- Por dizer que estou linda.
Ele sorriu.
- Eu ia dizer...
- Minha querida... – foram interrompidos por Alan e Anna, seu amigo a abraçou dando um beijo em seu rosto. – Eu sei que a Tess me mataria agora se ela ouvisse que você está maravilhosa... não que ela não esteja, pois é a noiva mais linda que já vi. – Alan sorriu. – Aquele Léo não sabe o que perdeu.
Natalie tentou sorrir ao ver que Benjamin estava desconfortável com aquela conversa. Com certeza ele não gostava de ouvir o nome do seu ex saindo da boca do seu melhor amigo.
- Obrigada pela sinceridade, Alan.
- Vamos nos sentarmos juntos?
- Claro.
- Ótimo! – Alan sorriu e se afastou ao lado de Anna.
- Pelo jeito é sério. – comentou sem tirar os olhos do casal que se afastava. – Nunca o vi tão feliz.
- Acha mesmo que vai dar certo isso.
- Pelo menos ambos vão poder se ver. – ela contou. – Ele me convidou para vir morar com ele.
Benjamin arqueou as sobrancelhas, surpreso.
- E você vai?
- Não sei. Ele acha que não consegui morar sozinho.
- E você consegui morar sozinha?
- Eu tenho o Travis. – ela lembrou do gato. – Melhor companhia.
Benjamin sorriu.
- Pelo menos você não vai escutar seu amigo.
- É.
A comida foi servida logo em seguida e ambos tiveram que irem procurar um lugar para ficarem, sentaram na mesma mesa que a turma da noite anterior e acabou ficando toda sem graça por ver que estavam sendo observados constantemente pela mãe dele que tentou de todas as maneiras em trata-la muito bem.
Uma hora depois foi anunciado que teria a dança dos noivos e acabou que ficando agitada e bebendo mais do que deveria, fizeram uma roda na pista esperando o casal começar a dançar quando sentiu uma mão em suas costas.
- Vai dançar comigo?
Ela sorriu maliciosa ao ouvir a voz de Benjamin.
- Eu dançarina a noite toda com você.
- Fico lisonjeada por ouvir isso.
Ela ia dizer mais alguma coisa quando a música começou a tocar e sorriu ao observar o casal de amigos dançando. Aquele dia finalmente havia chegado e ficava imensamente feliz pelos dois. Assim que ambos terminaram a dança, foram todos convidados a entrarem na pista.
- Então, vai ficar ai emocionada ou vai dançar comigo? – Benjamin a convidou estendendo a mão.
Natalie hesitou e sorriu aceitando o convite segurando na mão dele. Mas a música acabou e começava uma mais agitada e teve que fazer careta.
- Essa é agitada.
- Achei que gostasse de dançar.
- E eu gosto.
Ele deu uma piscada, enquanto afrouxava a gravata para ficar à vontade e sussurrou.
- Vamos se divertir.
Sorriu e acabou que aproveitando aquele último dia ali. Dançaram várias vezes e beberam bastante até ouvirem os murmúrios do pessoal, o que na verdade foram mais das mulheres. Estavam se divertindo como se não houvesse o amanhã ou de quem eram, até mesmo Alan e Anna estavam fazendo o mesmo.
Tess e Rob vieram ao encontro dos quatros que estavam pegando bebida e parecia toda contente.
- Vocês estão mesmo se divertindo.
- Temos que aproveitar. – ela disse cutucando Alan que assentiu concordando.
- Ótimo.
Assim que o casal se afastou pegaram suas bebidas e desatou a gravata dele por completo sem se importar e sorriu.
- Agora está mais à vontade. – ela disse e olhou para Alan. – Ei, o que acha de dançar comigo.
- Será um prazer. – Alan sorriu e pegou em sua mão. A banda tocava uma música agitada.
Era um rock bem bacana com baladinha junto, ambos estavam dançando chamando a atenção de todo mundo e cantavam juntos com a banda como doidos. Sem se importarem com os olhares se divertiram como se fosse o último dia – o que realmente era o último dia de ambos ali naquele lugar.
Lembrou de Benjamin e não conteve em olhar para ele e retribuiu o que ele deu balançando a cabeça e não resistiu em ir até ele sem deixar de dançar.
- Só me observando.
- Você dança bem.
- Mentira! – ela disse e riu. – Vamos, vem dançar comigo.
Ele hesitou.
- Não sei dançar essas músicas.
- É só balançar o corpo, fingi que está fazendo sexo.
Anna fingiu uma engasgada para que lembrasse que estava ali do lado, deixando Benjamin todo constrangido. Ele bebeu um gole da bebida e olhou em volta fingindo não ter escutado aquilo.
- Acho melhor eu dar uma volta.
- Sério? Vai ignorar o que falei?
Ele a encarou.
- Preciso dar uma volta. – ele disse colocando o copo no balcão.
- Vou com você.
- Não.
Ele fez menção de se afastar e a encarou vendo que ia atrás dele.
- Natalie eu vou ao banheiro.
- Achei que fosse dar uma volta.
- Eu vou... depois. – respondeu e se virou indo mesmo ao banheiro.
Suspirou desanimada e voltou para o lado de Anna que ficou lhe observando disfarçadamente enquanto pedia outra bebida.
- O que vai ser depois que tudo isso acabar?
- Não sei do que está falando.
- Estão se envolvendo demais. Meu irmão não se envolve desse jeito, por que ele sabe que nunca dá certo de isso seguir a diante.
- Nossa você sabe demais para quem não sabe de nada.
- Eu não quero que ele se magoe. – Anna insistiu.
- Ótimo. Eu também não quero me magoar.
Natalie deu uma olhada firme e seria demais para o seu próprio gosto.
- E não magoe meu amigo.
- Não se preocupe que isso não vai acontecer.
Ela sorriu.
- Então para de encher o saco. – bebeu o resto da bebida e foi para onde Tess estava, pois precisava se afastar um pouco daquele povo. Sabia que estava agindo tudo por impulso, mas sabia que lá no fundo ela estava com medo de tudo isso que viveu até ali acabaria no dia seguinte e queria manter aqueles momentos ao lado de Benjamin na memória.
Coisas inesperadas acontecem algumas vezes na vida, então ela muda mais do que de repente. Tudo o que antes era problema, hoje é visto sob uma nova perspectiva. Desde que Benjamin entrou em minha vida, as minhas circunstâncias são as mesmas, mas eu sou todo novo. Tudo mudou para melhor.
Benjamin é diferente... ele é totalmente diferente de tudo que já vivi, me faz perder a linha e com a mesma facilidade me acalma, nunca sei o que esperar dele. E esse ciúmes as vezes me enlouquece. Mas ai explode e pronto passou, na mesma hora já tá tudo bem. Benjamin é paciente e nunca guarda raiva por mais de 2 minutos. Ele é cínico e descarado as vezes, quase todo o tempo alias, mas não é maldoso. É carinhoso e ao contrário de mim, nada orgulhoso. É teimoso e quando cisma com algo, não tem quem o faça mudar de ideia. É inteligente e tem a língua super afiada. E eu que já perdi tanto nessa vida, me peguei querendo ganhar, ganhar tudo dele, mas principalmente o seu coração.
E hoje posso dizer com toda a certeza do mundo que ele é a melhor coisa que podia acontecer na minha vida, meu anjo, meu amigo, meu amor, escolhido de Deus, homem da minha vida, o qual valeu apena esperar, o qual viveria, faria tudo de novo sem pensar, o meu porto seguro, o meu ponto de paz, tudo que faltava para dar formas e cores na minha vida, tudo o que eu precisava pra ser feliz, Benjamin, é o meu sonho que se tornou realidade, dono do sorriso mais lindo e do olhar mais encantador, que com seu jeito carinhoso, me conquistou... e hoje, se tiver ele do meu lado, não preciso de mais nada.
Ao se dar conta de tudo isso veio em sua mente louca e confusa, desviou de sua amiga que sorria toda feliz ao lado do marido e andou até o jardim, havia algumas pessoas ali conversando enquanto bebiam.
Inspirou toda desanimada. Depois do que Anna disse ficou pensando toda frustrada por ter feito a escolha errada de se envolver com alguém que saberia que não iria ver mais.
Pode sentir seu coração desmoronar quando partisse no dia seguinte e aquilo estava lhe sufocando imensamente, uma tortura sem fim.
- Tudo bem ai?
Natalie se virou e o viu tão calmo com as mãos no bolso da calça.
- Não estou bêbada.
- Que bom.
Ela forçou um sorriso.
- Acho melhor voltar... – disse e toda sem graça tentou passar ao lado dele, mas Benjamin a segurou. – Ben...
- Está mesmo bem?
Natalie engoliu em seco e assentiu.
- Sim.
- Ei... eu estou aqui. Quer conversar?
- Sobre o quê?
- Sei lá. O que está pensando?
- Esse é o problema. Eu não sei o que está acontecendo... comigo. – ela disse apavorada. – Eu vou embora amanhã.
Benjamin assentiu e a abraçou num abraço carinhoso e confortável.
- Sabe, também andei pensando sobre isso.
- Sério?
- Sim.
Ambos se entreolharam, totalmente confusos.
- Ben, eu adorei passar um fim de semana inteiro contigo. No início eu tive medo, acho que estava projetando minhas limitações na sua pessoa. Mas você não era nada daquilo. – ela disse nervosa. - Você é gentil e doce... E cada gesto seu me surpreende. Sei lá, acho que ninguém nunca fez nada de bom por mim a vida toda, nada parecido com o que você conseguiu em quatro dias. Meio abrupto, reconheço. Você me faz viver fora da minha linha e é isso que eu gosto em você. Dá medo, mas é um medo gostoso de ter.
Ele hesitou.
- Uau!
- Por favor, não me ache uma maluca. Eu sei que é muito cedo para isso... mas é o que sinto.
Benjamin sorriu e a beijou com toda paixão que existia entre ambos. Natalie começou a lhe cobrir a face com beijos tentadores que sabia que a excitariam. Percorreu todos os pontos sabidamente sensíveis, evitando a boca expectante.
Apreciou a forma como sua respiração se acelerou e como começava a corresponder a carícia de suas mãos, que descendo costas abaixo. Quando ela soltou um suspiro de incontrolável surpresa, ele, por fim, tomou-lhe a boca novamente. E ela se entregou ao beijo como uma mulher com febre de amor. Agarrou-se aos músculos sólidos do seu braço, enquanto ele acariciava-lhe os cabelos, o corpo, os seios voluptuosos.
- Ben...
- Vamos sair daqui. – ele sussurrou.
- As pessoas vão notar nossa ausência.
Ele balançou a cabeça e pegou em sua mão puxando-a em direção ao salão. Confusa com o que ele planejava, e com todo mundo olhando para ambos de mãos dadas, ele sorriu ao chegar na pista de dança e ficarem em frente ao outro.
- Te devo uma dança.
- Não me deve não.
Benjamin sorriu malicioso, sussurrou.
- É só para gente poder ficar juntos.
- Não podemos ir para um quarto?
- É tentador... mas não vamos deixar a festa tão cedo. – piscou e sorriu puxando-a para mais perto, já que estava começando a tocar uma música mais lenta. – Casais na pista.
Natalie olhou em volta e realmente só tinha casais na pista, sorriu e passou os braços em volta do pescoço dele.
- Assim é melhor ainda. – ela provocou-o sem se importar com nada e nem ninguém. – Vai me levar de volta ao aeroporto amanhã?
- A Tess não me pediu para fazer isso.
- Estranho. Agora ela nem se lembra mais que eu existo... tem um marido.
- Isso não tem nada ver.
- Eu sou uma mulher totalmente solitária que vai viver com um gato chamado Travis... que perdeu uma amiga. – ela disse fazendo careta. – Isso suou estranho.
- Com certeza.
Ambos riram e por um segundo, Natalie achou que o assunto tinha que ser evitado, não precisava falar com ele sobre isso justo ali onde ambos estavam se divertindo. Sem pensar duas vezes, beijou-o como se precisasse daquilo mais do que tudo. Era inevitável não pensar que isso realmente era exatamente do que estivera precisando esse tempo todo, viver intensamente, mostrar o seu lado eu para alguém diferente que compreendia muito mais do que ela mesma.
A música que tocava no fundo era um fator para o que estava acontecendo e mantém a cabeça firme para não acabar desmoronando por completo.
Quando o beijo acabou se entreolharam e sorriam um para o outro, foi ai que se deu conta que deveria escutar Alan uma vez na vida.
- Agora as pessoas vão comentar mais.
- Deixem eles falarem. – sussurrou ela. – Eu quero viver isso uma vez na vida.
- Você pode vir me visitar de vez em quando.
- E você pode fazer o mesmo. – ela disse vendo-o se encolher. - Ou vai dizer que não gosta de aviões.
- Não posso deixar os negócios na mão da Anna. – respondeu calmo. – Ela está envolvida com o seu amigo e não seria...
- E a gente não está envolvido?
Ele pigarreou.
- Natalie... é complicado. Não posso deixar meu trabalho, e a minha irmã não se dá conta disso sozinha.
- Entendi. – Natalie suspirou e se afastou um pouco, não queria ter que fazer isso, mas não podia deixar a história se repetir. – Eu acho melhor... eu ir.
- Natalie...
Ela se afastou passando pelas pessoas, pode ouvir a Tess e Alan lhe chamar, porém não deu a menor mínima. Não queria que ninguém a visse daquele jeito, pode sentir as lágrimas querendo sair, se controlou o máximo que pode para não fazer isso. Não precisava disso, precisava ser mais forte e racional.
Entregar o seu coração para um cara que também não queria nada sério, era demais para ela. Duas decepção tão recente era burrice demais.
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Atualizado até capítulo 20
Comments
Marneide Wanderley
Oxe, ele n se declara, por isso que ela está insegura.
2024-12-05
0
Suely Albuquerque
pior que ela tem razão. coitada 😕
2024-12-05
0