Benjamin andou e não respondeu deixando a toda sem graça – e claro que gostaria de saber o que ele pensava – Mas é claro que ele não iria lhe dizer o que o fazia ser diferente dos outros homens.
Ele fez um gesto para entrar num restaurante e por incrível que pareça não teve nem um pouco de vergonha por entrar num lugar daquele do jeito que estavam vestidos, nem um pouco apropriados para almoçar naquele tipo de restaurante. É foi batata, lá estavam ambos sendo observados pelas pessoas que estavam presentes por ali. Odiava não estar vestida decentemente para os lugares certos.
Natalie deu uma puxada na camiseta dele e fez uma cara nada agradável, sussurrou.
- Ei, estamos inapropriados para almoçar aqui.
Benjamin olhou-a da cabeça aos pés.
- Você se importa demais para essas coisas. – disse já se sentando numa mesa. – Eu não estou vendo nada de errado nas minhas roupas e muito menos nas suas.
- Mas as pessoas estão olhando.
- Que bom. Pelo menos nós causa alguma coisa. – ele falou em deboche pegando o cardápio. – Quer parar de se importa com que as pessoas acham.
Natalie suspirou nervosa. Léo havia deixado a pensar que as pessoas se importavam muito umas com as outras, só que não era assim que funcionava. Em toda a sua vida nunca havia se importando com o tamanho da sua conta se podia ou não entrar em um lugar daquele. Não era um restaurante chic, mas também não estavam bem arrumados. Ela parecia que tinha saído de uma academia e ele parecia que tinha ido ao um rodeio.
Casal esquisito demais para entrar num restaurante daquele. Mas não iria sair dali agora, pois o cheiro da comida já entrará em suas narinas fazendo sua barriga roncar de fome.
Ela pegou o cardápio e o garçom se aproximou anotando o pedido de Benjamin e acabou que escolhendo o seu em seguida, minutos depois o garçom lhe trouxe bebidas que Benjamin escolheu.
- Você faz o que na emissora mesmo?
- Fico na parte de publicidade e propaganda.
- Hum... Não me parece ser uma pessoa criativa.
Ela revirou os olhos.
- Sou muito boa no que faço.
- Seu namorado trabalha com você?
- Ex-namorado. E sim, ele trabalha na emissora. – Ela respondeu. – Ele agora é o âncora do jornal.
- Não assisto jornal.
- Foi o que imaginei.
Ele sorriu malicioso.
- Você tem uma mania feia de tirar conclusões precipitadas das pessoas. – ele disse, e o garçom apareceu com os pratos. – Precisa conhecer mais as pessoas, antes de julga-las.
- Eu conheço todos os tipos de pessoas. – comentou. – Trabalho com vários tipos e pode apostar nem todos são legais.
- Bem observadora você, hein.
- E você, o que faz na vinícola?
- Eu cuido da parte administrativa junto com a minha irmã.
- Uma parte importante.
- Sim.
- Você tem só uma irmã?
- Não. Meu irmão mais velho mora aqui no centro com a esposa.
- Legal. Eu tenho uma irmã que está na faculdade, quase não conversamos. – Ela contou. – Ela meio que gosta de viver o mundo dela.
- Entendi.
- Tess é melhor que ela como irmã. – tagarelou. – Quando conheci Tess tínhamos uns dez anos, e nunca mais nos separamos. Fizemos faculdades juntas, aí ela conheceu o Rob... acabei que conhecendo o Léo e ficamos um pouco distante, mas nunca deixamos de nos falarmos. – contou toda boba. – Aí quando ela me contou que estava noiva quase surtei... Por que ela conseguiu ficar noiva primeiro que eu.
- Vai me dizer que queria ficar noivas juntas?
- E qual é o problema?
Ele sorriu balançando a cabeça, inconformado.
- Nada. Não se acha o amor da sua vida do nada e muito menos ficar noiva juntas. – ele ironizou. – Só se vê isso em filmes.
- Isso quase aconteceu.
- Quase. Mas não aconteceu. – zombou dela. – Seu ex terminou e você ficou sozinha novamente.
- Foi eu que terminei.
- Então ainda há uma chance... Se você voltar para ele.
Natalie fez careta e negou.
- Não há mais chance entre nós.
- Por quê? Ele te traiu?
- Não. E isso não é da sua conta.
- Ok.
Sem mais assunto, ela terminou de comer e na hora de pagar a conta Benjamin fez questão de pagar, mas ela não deixou e acabaram que discutindo no restaurante, por fim acabou que cedendo e ele pagou.
Estavam indo a caminho de onde estava a picape quando passaram em frente à uma loja de roupas quando viu um lindo vestido na vitrine e se apaixonou.
Insistiu em entrar para dar uma olhadinha, enquanto ele insistiu em ficar lá fora. Sem se importa com ele, entrou na loja e estava experimentando o vestido e quando saiu para dar uma olhadinha ele estava ali dentro e se envergonhou quando os olhos azuis percorreram o seu corpo todo.
- Ficou perfeito! – a vendedora disse sorrindo.
- Ah obrigada. Vou levar. – ela disse e se virou para entrar no trocador.
Seu coração estava acelerado novamente. Não imaginava que ele entraria na loja e a visse daquele jeito. Só iria ficar com o vestido, por que não tinha muitos para usar em algumas ocasiões, como no jantar de amanhã que Rob havia programado para os padrinhos, pois nem todos tinham chegado. Assim que trocou de roupa, saiu da cabine com o vestido na mão e Benjamin estava olhando em volta, sorriu ao vê-la.
- Já podemos ir?
- Claro. Só vou acertar isso... – Ela foi até a vendedora que fez todo o processo da compra e passou o seu cartão antes de pegar o vestido já embrulhado, agradeceu a vendedora e saíram da loja. – Achei que ia esperar do lado de fora.
- Resolvi entrar.
- Aposto que estava fugindo de alguém.
- De quem eu fugiria?
- Sei lá, de alguma ex namorada.
- Eu não tive namoradas nesses últimos anos.
Natalie parou no meio da calçada e o encarou, surpresa.
- Pera aí... quer dizer que não sai com ninguém? Tipo nem... anda praticando?
- Eu ando ocupado ultimamente.
- Sério? Deve ter algum tempo livre, sei lá... – ainda inconformada. – Ah quanto tempo não faz sexo?
- Isso não é da sua conta. – Ele respondeu começando a andar e ela teve que correr para acompanha-lo.
- Ah Ben não precisa se envergonhar, entendo que seus negócios são importantes, mas um tempinho para namorar não faz mal a ninguém.
- Nossa você é insuportável.
- E você é um chato que não sabe ter uma conversa amigável.
- Olha quem fala a pessoa que trabalha numa mentira e quer viver um conto de fadas.
- Nossa como você é idiota.
Ele parou bruscamente fazendo a se esbarrar nele e a encarou sério.
- Já parou para pensar que nem tudo gira ao seu redor. Você se importa tanto com que as pessoas vão pensar que esqueci de viver a sua vida. – ele esbravejou. – Eu não tenho relacionamentos a sério por esse motivo, não há mulheres que saibam nem quem são elas de verdade.
Natalie engoliu em seco e nada disse. Ele simplesmente se virou e começou a andar novamente em direção ao carro. Ao entrarem no carro, decidiu que não deveria dizer mais nada. Ele não tinha um bom senso de humor e muito menos gostava de ter uma conversa amigável. Quando pensava que estavam indo bem, alguma coisa os faziam voltar à estaca zero.
O que é que faz a gente se apaixonar por alguém? É o jeito. A gente se apaixona pelo jeito da pessoa. Não é porque ele cita Camões, não é porque ele tem olhos azuis: é o jeito dele de te dizer versos em voz alta como se ele mesmo os tivesse escrito pra nós. É o jeito dele de piscar demorado seus lindos olhos, como se estivesse em câmera lenta. O jeito de caminhar. O jeito de usar a camisa pra fora das calças. O jeito de passar a mão no cabelo. O jeito de suspirar no final das frases. O jeito de beijar. O jeito de sorrir... Ah, nunca se sabe ao certo o que nos faz se apaixonar.
Podem falar que é mimimi, o que for, mas meu coração está doendo e muito de saudade, uma dor que não passa, uma dor que só passaria com um abraço forte das pessoas que gosto, lamentável certas coisas acontecerem, mas a vida é feita de escolhas, cada um faz a sua e ela estava totalmente insatisfeita com a escolha que fizera, mas foi melhor assim.
Era melhor sentir o coração quebrar agora, do que depois. Léo nunca tivera intenção de levar o relacionamento a sério com ela, e ficar lamentando por isso não era saudável. Tinha que seguir em frente mesmo sabendo que teria que enfrentar caras como Benjamin Mancini.
É difícil tentar pôr palavras para fora de si quando nem você mesmo sabe o que dizer, expressar ou falar. Tem dias que não sabemos o que sentimos. É simplesmente uma mistura de coisas, memórias, fatos e acontecimentos. Às vezes a única coisa que queremos é não sentir. Muitas vezes, essa é a melhor saída. Os pensamentos nos deixam loucos.
No meio do caminho, ela decidiu comer o seu outro cupcakes e não fez questão nenhuma em se lambuzar toda, até que comeu tudo e lambeu os dedos que estralaram conforme lambia, ficou constrangida quando viu que ele sorria zombeteiro por estar fazendo aquilo.
- Pode falar que isso é nojento, não me importo nem um pouco.
- Eu não ia dizer nada. – sorriu ao olha-la. – Esqueceu de lamber o nariz.
Natalie ficou vermelha que nem pimentão, ao limpar o nariz só sentiu a picape sacolejar e Ben praguejou parando o carro no acostamento, sem entender nada. Viu o descer do carro e pelo retrovisor observou-o xingar e passar aos mãos no cabelo.
- Aconteceu alguma coisa? – ela indagou saindo de dentro da picape e só de olhar o pneu já entendeu tudo. – Que merda hein.
Ele arqueou as sobrancelhas, surpreso.
- Eu vou... trocar. – ele falou abrindo a porta traseira e subiu para pegar ferramentas.
- Vai demorar muito?
- Está com pressa? – ele indagou tirando a camisa xadrez e ficando apenas de camiseta.
Só esperava que ele não tirasse a camiseta também, não iria aguentar olhar para os bíceps e o tórax daquele homem sem imaginar coisas proibidas, e com certeza ele tinha um corpo maravilhoso, podia sentir isso.
- Não. Eu tenho o dia todo para ficar aqui com você. – ela falou mexendo no celular. – Não tem área por aqui.
- Ao invés de ficar no celular deveria me ajudar.
- Eu não sei trocar pneu.
- Era só o que me faltava. – ele resmungou descendo da picape com uma caixa de ferramenta e depois o estepe. – Pode pelo menos passar a ferramenta, ou vai estragar as suas unhas.
Ela olhou para as suas unhas bem feitas e assentiu.
- Não posso estragar as minhas unhas o casamento é depois de amanhã. A não ser que você pague para fazer minhas unhas depois.
- Não mereço isso não. – ele resmungou e olhou em volta. – Por que não vai dar uma volta... assim eu troco sem ter que ouvir a sua voz.
Ela sorriu, suspirou e olhou em volta. Não tinha nada ali perto, nem mesmo uma lanchonete. Estavam parados num lugar deserto, apenas montanhas e estradas que davam para os vinícolas próximas.
- Podíamos pedir ajuda em outras vinícolas. Você deve conhecer alguns donos ne?
- Provavelmente. Mas não precisamos de ajuda. – ele falou tentando levantar o pneu traseiro com o macaco. – Mas bem que você poderia ajudar.
- Fazendo o que? – ela se aproximou e notou que conforme ele fazia força as veias saltavam e pode ver os braços bem definidos por cima da camiseta que agora estava começando a molhar por causa do suor.
Natalie imaginou eles dois ali se beijando loucamente, ela passando suas pequenas mãos naqueles braços, enquanto seus lábios desciam para o peito másculo e sentir o gosto salgado da pele dele, ouvi-lo gemer de prazer e poder...
Meus Deus! O que estava pensando? Isso não podia acontecer, Natalie. Pare já com isso, pensamentos inapropriados numa hora errada.
Balançou a cabeça para afastar os pensamentos de prazer, e simplesmente fechou os olhos e abriu novamente. La estava ele olhando para ela sem entender nada.
- Você está bem?
- Sim. Por que não estaria?
- Você disse para tirar a camiseta.
Natalie se envergonhou. Será que havia dito alguma coisa sem perceber?
- Eu disse?
- Costuma ter devaneios? Ou só anda sonhando acordada?
Ela bufou negando.
- Eu não faço isso.
- Entendi. Então posso tirar a camiseta?
- Não! Quero dizer... não tem problema. Já vi... muito dessas coisas. – gaguejou e teve que se virar para que ele não notasse que estava totalmente envergonhada.
Abriu a porta do carro a procura de alguma coisa, talvez uma garrafa de água e a única coisa que encontrou foi alguns papéis e camisinhas no porta luva, umedeceu os lábios e suspirou colocando tudo no lugar sem que ele percebesse mas foi tarde demais.
O que ele fazia atrás dela?
- Encontrou alguma coisa?
- Não. E você terminou de trocar o pneu?
- Não. Só tirei o pneu ruim.
- Quer se... afastar. – ela pediu dando uma empurrada nele e mantendo uma distância razoável entre ambos. – Quero testosterona longe de mim.
- Qual é o seu problema? – ele perguntou e se afastou voltando para onde estava antes, acrescentou. – Uns quinze minutos e a gente já vai sua doida.
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Atualizado até capítulo 20
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