Assim que fechou a porta do seu quarto, suspirou aliviado por ter conseguido se controlar para não acabar fazendo coisas que se arrependeria mais para frente com certeza. Sentir um beijo dela, foi mais que suficiente – não, não foi suficiente - e sabia disso. Vera desejo nos olhos dela, sentirá o corpo dela pedindo por mais e acabou que sendo um covarde por não continuar.
Mas sabia que seria errado fazer isso. Ela era apenas uma hóspede e logo iria embora, não podia afogar sua frustação num romance de quatro dias. O que aconteceria depois que ela fosse embora? Ainda continuaria a sentir vontade de tê-la em seus braços e aquilo seria impossível de acontecer, moravam a quilômetros de distância e tinham vidas totalmente diferentes.
Em um décimo de segundo nossa mente já é capaz de processar uma primeira impressão de alguém. Quando eu a vi bastou esse décimo para perceber que Natalie tinha o sorriso mais bonito e o olhar mais encantador, bastou essa fração de segundo para que o meu coração palpitasse.
Não tenho a menor ideia do que estou fazendo. Não sei se vale a pena expor meus sentimentos. Mas de algo tenho certeza: de fato, vale a pena senti-los.
Desceu a escada, viu Tess conversando com Rob e o tal de Alan e com passos firmes apenas fez um aceno com a cabeça e saiu dali. Precisava manter sua cabeça apenas numa coisa, no seu trabalho.
Caminhou pela calçada até chegar na parte da frente, àquela hora já não havia mais visitas – o que era bom – poderia ter acesso mais fácil e assim que entrou deu de cara com a sua irmã Anna. Ela era quatro anos mais nova que ele, jovem, bonita com seus cabelos loiros que caiam até a cintura, olhos azuis como os dele e magra, como se nunca tivesse tido um filho.
- Oi, estava te procurando. – ela disse.
- Estava ocupado. O que foi?
- Uma mulher ligou aqui querendo falar com você sobre um tal de bolo. – ela contou. – Não me diz que você vai pagar o bolo de casamento do seu amigo?
- Eu não. Só fiz uma negociação com ela.
- Acho bom. Já estamos dando o local para a festa de graça... eu recusei uma grana alta que um casal queria se casar nesse fim de semana.
- Anna... menos. – ele disse pegando a prancheta da mão dela e indo em direção ao salão, mas parou para anotar.
- Não vou deixar de fazer o meu trabalho só por que você está tentando ser amigável com seu amigo.
- Está dizendo que não estou sendo profissional?
- Desde ontem você não para aqui. Eu estou fazendo tudo sozinha... Quer prestar atenção em mim. – ela esbravejou ao olhar na mesma direção que ele.
Não soube disfarçar e meio que acabou olhando para a janela do seu quarto e viu Natalie vestida olhando para a paisagem.
- Quem é ela?
- A madrinha da noiva.
- Hum, e você não perdeu tempo.
Benjamin hesitou.
- Não estamos tendo nada se quer saber... – comentou.
- Sei. E o que ela está fazendo no seu quarto?
- Um gambá apareceu de novo no quarto de hóspede onde ela estava, ofereci o meu quarto para ela ficar... apenas isso.
Anna sorriu.
- Ah que fofo. Vai pedir ela em casamento também?
- Por que tanto sarcasmo? – ele a encarou. – Está com ciúmes de uma mulher bonita aparecer e me envolver com ela.
- Você sempre se envolve com uma rapariga.
Benjamin sorriu zombeteiro.
- Vai, desembucha. O que o Elliot quer dessa vez?
Ele sabia que quando sua irmã ficava um pouco alterada e estressada era por que o ex marido não parava de perturbá-la querendo alguma coisa.
- Ele pediu para Tyler passar as férias com ele.
- Idai.
- Idai, que ele vai para Nova York.
Benjamin assentiu.
- Deixa o garoto ir. É bom viajar um pouco, sair daqui e viver coisas diferentes.
-Você seria um péssimo pai, sabia.
- Por que? Só por que dei um conselho de deixar o garoto viajar. – ele deu de ombros. – Anna, Tyler nunca saiu daqui desde que nasceu. Deixa o pai dele cuidar disso pelo menos uma vez na vida.
- Você não entendi.
- Dá um tempo para você mesmo. – ele sorriu. – Deixa ele viajar, e você aproveita isso para sair um pouco. Vá curti um pouco... fazer sexo de vez em quando para relaxar.
- Ben!
Ela lhe deu um soco no braço fazendo o rir, quando se deu conta ambos riam e deu um beijo na testa dela.
- Se sabe que te amo, e quero vê-la feliz.
- Quem é você, Benjamim Mancini? – ela perguntou abraçando-o. – Eu desejo o mesmo para você.
- Eu sei.
Ela tomou lhe a prancheta.
- Já assinou tudo, preciso ir conferir algumas coisas na galeria.
- Ok. Você já separou as caixas de bebidas que serão servidas no domingo?
- Sim, senhor.
- Ótimo.
- Ah já ia esquecendo. – ela falou antes que ele se afastasse e tirou uma folha da prancheta lhe entregando. – É o orçamento do seu amigo. Tirei apenas o local da lista... se tiver alguma coisa errada eu faço um novo.
- Obrigado.
Benjamin viu sua irmã se afastar para dar uma olhada no papel, e coçou a barba antes de começar a andar e entrar no salão. Não havia muitos padrinhos ali, e como iria haver mais um aperitivo há noite entre eles, aproveitou que o local estava vazio e foi até o balcão dar uma olhada se estava tudo certo com os rapazes do bar, depois parou ao lembrar do recado da sua irmã sobre a confeiteira e pegou o celular para retorna a ligação. A mulher atendeu no segundo toque e para sua sorte não era para cancelar o bolo e sim para dizer que ela estaria indo depois do almoço pra fazer a montagem do bolo no local, pois não tinha certeza se o bolo chegaria inteiro por causa da distância.
Acabou que concordando e desligou o celular quando seu olhar parou em Natalie, lá estava ela toda sorridente ao lado do amigo. Nunca se imaginou querendo quebrar a cara do sujeito na porrada como gostaria naquele momento.
Manteve o controle e se afastou para manter seus olhos longe dela antes que cometesse alguma coisa errada e não queria isso. Se aproximou do balcão e deu uma olhada no orçamento do seu amigo e sua irmã tinha razão, não podia mais dar moleza ao amigo. Ele dará o local da festa como presente de casamento e o resto eles teriam que arca, incluindo as bebidas. Estava tão entretido no papel que não percebeu que Natalie havia se aproximado com o amigo, ambos riam de algum coisa, tentou não prestar atenção, o que foi difícil.
- E ai, cara. Quer beber com a gente? – Alan falou com ele.
Benjamim fez uma cara de desgosto e negou.
- Valeu. Mas vou deixar para mais tarde.
- Ok. Olha, esse lugar é incrível... será que amanhã podemos dar uma olhada na plantação?
- Claro. É só você procurar por uma moça chamada Anna. – ele forçou um sorriso. – Ela vai mostrar pra vocês...
- Valeu cara.
Benjamin assentiu, pegou o papel em cima do balcão e mesmo que tentasse não olhar para Natalie, não resistiu e olhou para ela por alguns segundos.
- Aproveitem o fim de semana. – e se afastou deixando ambos para trás.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 20
Comments
Suely Albuquerque
qual seu problema Bem
2024-12-05
0