Podia sentir os olhares das pessoas sobre ambos naquele momento. E era óbvio que todos estavam doídos para saber se ela estava mesmo dando em cima do dono do local, afinal os convidados de Tess eram que nem carniceiros à procura de carne fresca para sair falando.
- Eu não tenho motivos para chamar atenção. – disse, por fim. – Não quero problemas para essa noite.
- Se continuar a beber assim vai acabar arrumando problemas.
- É mesmo? Posso garantir que não vou lhe dar trabalho.
- Já deu trabalho suficiente. – ele comentou e bebeu um gole da bebida.
Ela deu um sorriso forçado.
- Não se preocupe, segunda você não vai me ver nunca mais.
- Será mesmo? – ele deu um aceno em direção a Alan que sorria que nem um apaixonado.
- Merda!
Benjamin sorriu.
- Por que não acaba logo com isso. Dá um soco nele, assim ele para de agir que nem um idiota. – Resmungou entre os dentes.
- Está com ciúmes?
- Não. O Alan é só um amigo... pode me dar outra, por favor. – ela pediu ao barman. – Só não diga que não avisei.
- Minha irmã sabe se cuidar.
- As mulheres acham que sabe se cuidar, mas lá no fundo a gente é uma idiota por acreditar que os homens vão ser tudo o que elas querem... o que na verdade são só um bando de machistas com seus egos enormes.
- Sinceramente, vou fingir que não entendi nada do que disse.
Natalie revirou os olhos e bebeu a tequila num gole só.
- Vocês nunca escutam o que queremos.
- E o que você quer?
Ela o encarou e viu um brilho no olhar dele, suas pernas estavam bambas e suas mãos suavam. Se ela realmente respondesse o que queria, será que ele seria capaz de realizar isso?
- Eu quero muitas coisas.
- Especifique.
Ela hesitou.
- Eu queria... – ela foi interrompida por uma mulher que se aproximou.
- Ben, querido. Vim saber se vai se sentar com a gente na mesa? – a mulher perguntou, olhou-a em seguida e sorriu. – Oi, você deve ser a melhor amiga da noiva.
- Sim.
A mulher sorriu e olhou para Benjamin.
- Eu sou Nádia, mãe do Benjamin e da Anna.
- Ah, prazer em conhecê-la... Nádia. Eu sou Natalie.
- Prazer é todo meu. – a mãe dele disse, acrescentou. – Ah quer se sentar com a gente à mesa.
- Ah, não seria...
- Bobagem, vejo que você se deu bem com o meu filho... daqui a pouco vão servir o jantar. – ela sorriu e se dirigiu ao filho. – Vou espera-lo na mesa, querido.
- Ok.
Finalmente sozinhos, Natalie encarou-o por alguns segundos e ia pedir outra bebida quando ele fez um gesto para o barman.
- É melhor a gente ir para a mesa.
- Eu ia beber só mais uma.
- Quer ficar louca?
- Eu quero esquecer o idiota do meu ex.
Benjamin assentiu e disse quase num sussurro.
- Eu não sei o que aconteceu entre vocês. Mas será que vale a pena beber dessa maneira por causa dele?
Natalie perdida no olhar, acabou não respondendo. Afinal, ele tinha toda razão.
- Não desperdice sua vida por ele. – Benjamin falou e se afastou.
Ele tinha toda razão, não valia a pena estragar a sua vida por aquele idiota. Era jovem e bonita, com uma carreira muito boa e com amigos que se importavam pelo seu bem. Ela poderia continuar com sua vida normalmente sem ter alguém ao seu lado. Quantas mulheres viviam sozinhas e muito bem.
Suspirou, e foi até a mesa. Ao se aproximar Alan foi bem engraçadinho com ela fazendo os demais sorrirem, sem dar muita atenção sentou ao lado de Benjamin. Não demorou muito para o jantar ser servido, e achou ótimo eles terem feito em mesas separadas. Mas não havia muitas mesas, apenas umas quatros mesas estavam sendo servidas, afinal só estavam os padrinhos e os pais dos noivos.
Ali naquela mesa mesmo só estava ela, Benjamin, a irmã e a mãe dele, Alan e Tyler. Olhando agora, até parecia que eram uma família reunida, mas infelizmente não era.
- Então, você não me respondeu. – Benjamin sussurrou vendo que os demais estavam conversando sobre outras coisas.
- Por que está interessado em saber?
- Fiquei curioso.
Ela olhou com quem não quer nada, respondeu.
- Tenta descobrir.
- E eu ganho alguma coisa com isso? – ele perguntou malicioso.
Natalie ia responder, mas viu que a mãe dele estava os observando como se quisesse saber o que os dois conversavam e acabou deixando o assunto no ar. E por incrível que pareça acabou entrando na conversa dos demais.
A sobremesa foi servida depois de meia hora e saboreou em comer a torta holandesa que repetiu duas vezes fazendo com que Alan novamente tirasse onda com a sua cara.
- Vai acabar não entrando no vestido amanhã se continuar a comer assim.
- Haha... fica tranquilo que vou ficar perfeita no vestido amanhã. – ela disse em deboche. – E vê se para de ficar me atazando.
Alan sorriu.
- Vocês moram juntos? – Nádia perguntou.
- Sim.
- Sim, mas logo ele vai sair da minha cola. – Natalie fez careta, fazendo com que Alan sorrisse mais ainda. – Ninguém me aguenta por tanto tempo.
- Por quê? – Anna indagou curiosa.
Natalie hesitou e respondeu.
- Ah, eu estava apenas brincando. É que nós temos nossas desavenças às vezes como qualquer casal de... amigos. – ela bebeu um gole do vinho para disfarçar os olhares para cima dela.
- É a primeira vez que vejo um casal de amigos morar juntos sem se envolverem. – Nádia comentou.
- Ninguém acredita nisso, mas é possível. – Alan falou. – Somos como irmãos, mas não vou negar que já tentei conquistá-la.
Natalie sorriu.
- Alan...
- Não estou mentindo. Só vi que não dava certo, porque ela tem uns gostos estranhos para tudo.
- Alan...
- É mesmo? Que coisas estranhas você gosta? – Benjamin dessa vez.
- Eu não... ele está zoando. – ela resmungou e pediu. – Quer parar com isso.
- Ela gosta de comer doces durante a noite e a colher vive no pote de doce.
- Isso não é estranho.
- É nojento.
- E aquela mania de sempre escutar música no banheiro enquanto toma banho.
- Qualquer um faz isso, Alan.
- Ela gosta de trabalhar com as pernas para cima.
- Me sinto bem com isso.
- Ela cola milhões de papéis pela casa para lembrar o que tem que ser feito.
- Eu esqueço de algumas coisas, e daí.
- O ex namorado dela não ia ao nosso apartamento porque não gostava de me ver.
- Mas o Léo te vê no trabalho, não faz sentido.
- Faria sentido se ele não banca-se o idiota.
- Todo homem é um idiota.
- Isso eu tenho que concordar. – Anna falou.
Natalie sorriu vitoriosa.
- Isso não é justo. – Benjamin entrou na conversa. – Só por que vocês tiveram problemas com os homens que tem que crucificar os outros.
- Agora você falou a minha língua, cara. – Alan.
- Não vai dizer que nunca magoou uma mulher. – Natalie se dirigiu à ele. – Por que você Alan já deve ter magoado umas pares delas.
- Ah... não me lembro. – Alan balbuciou se encolhendo ao ver o olhar severo de Anna.
- Mas é claro que não lembra, por que vocês tem uma mania feia de descartá-las sem saber o que elas pensam. – esbravejou Natalie zangada.
- Não é culpa nossa se o seu namorado não te quis. – Benjamin disse.
- Ben... – Nádia dessa vez.
Natalie fuzilou-o por alguns segundos, para só então beber todo o seu vinho e levantar- se com a única dignidade que lhe restava.
Aquele fim de semana poderia ter passado mais rápido do que deveria, mas ao invés disso estava lento e tortuoso. Seu coração estava aos pedaços, havia se magoado por um cara que pensou ter amado um dia e a única coisa que lhe incomodava era o fato de estar se entregando a uma pessoa que mal conhecia.
Seu coração palpitava, suas mãos suavam toda vez que ficavam próximas um do outro – era loucura, eu sei – e nunca tinha sentido isso antes por ninguém, nem mesmo com Léo. E agora ele tinha acertado o seu ego, dizendo coisas que faziam sentido. E não sabia o que faria dali em diante.
Andou sem caminho, saiu do salão que nem uma louca, sem pensar no que as pessoas diriam sobre estar saindo assim do jantar da própria amiga. Dane-se, pensou com ela. Ninguém se importava com ela mesmo, então se saísse do jantar também não faria falta.
- Natalie...
Ela estava alcançando o jardim próximo da casa quando ouviu alguém chamá-la, pela voz era Benjamin e foi então que ignorou-o e continuou a andar às pressas, abriu a porta da casa.
- Natalie... por favor... – ele insistiu. – Peço desculpas.
Natalie parou assim que alcançou a escada e virou-se bruscamente e o fuzilou, estava furiosa e tentou se controlar para não dizer algumas verdades.
- O que você quer? – cruzou os braços acima dos seios fazendo uma posição de mandona. – Se veio atrás de mim para dizer asneira pode dar meia volta e voltar para o jantar.
- Desculpa ter dito aquilo. – ele disse. – Não foi intencional.
- Ah, jura? Não foi o que pareceu.
- Já parou para pensar que está com raiva dele e está jogando a sua raiva em mim ou no seu amigo Alan. – ele comentou. – Eu entendo que está magoada... mas não desconte sua raiva na gente.
- O Alan é um galanteador de mão cheia, vai magoar a sua irmã. – ela disparou.
- Isso não é da minha conta. Minha irmã sabe muito bem onde está se metendo. – falou dando um passo em sua direção. – Será que seria muito pedir para conversar.
- Pensei que estivéssemos conversando.
- Estou me referindo sobre a gente. – ele deu mais um passo. – Passei a tarde toda tentando entender o que estava se passando na sua cabeça até o seu namorado aparecer e entender que não deveria me intrometer na sua vida, por que eu sabia que isso não iria dar certo. – ele falou sem tirar os olhos de cima dela. – Mas eu não consigo me manter longe de você.
Ela ficou sem graça e desconfortável ao ver que pensava a mesma coisa em relação há ele.
- O que aconteceu na noite passada, sei que se arrepende e seria mais fácil a gente...
- Eu não me arrependo. – ela o interrompeu. – Não me arrependo, se deixei que pensasse isso... me desculpa.
Ele deu um sorriso torto, parecia aliviado.
- Bom... pelo menos você pode ir embora sem arrependimentos e eu toco a minha vida tranquilamente.
- Uau! É sério?
- Não quero que pense que sou um idiota que não me importo com você. Eu me aproveitei da sua situação e não quero ter que fazer você ficar com raiva de mim.
- Você se aproveitou da minha situação?
- Você estava bem... maluquinha ontem.
- Mas eu estava consciente. – ela contou. – Eu poderia ter dito não.
- Então, por que não disse?
Natalie umedeceu os lábios.
- Eu queria ter certeza se não estava ficando louca.
- Sobre o quê?
- Sobre você.
Benjamin assentiu meio confuso.
- E você está louca?
- Não. Mas vou ficar... – ela disse e acrescentou. – Se eu lhe disser que fiquei feliz por você ter expulsado o Léo acreditaria em mim.
- Ah bem, não tive outra opção.
- Ele acha que eu o traí com você.
- E você traiu?
- Não. Eu não sou esse tipo de mulher. – ela contou. – Eu terminei com ele bem antes de vir para cá... se rolou algo entre a gente foi por que eu... queria sentir, queria saber se havia algum problema comigo.
- Entendi.
Ela fez careta deixando os ombros caírem.
- Eu sou um caso perdido não é?
- Isso é uma pergunta?
- Ben...
Ele deu um sorriso.
- Ninguém é um caso perdido, Natalie. Acredito que todo mundo esteja destinado para cada pessoa certa. – ele coçou a cabeça. – Tenha paciência.
- É sério que você acredita nisso? Em destino?
- Qual é o problema?
Ela sorriu.
- Por que está sozinho?
- Eu não sou sozinho.
- Estou me referindo a uma mulher que não seja sua mãe e irmã.
Benjamin balançou a cabeça.
- Já me disseram uma vez que sempre tem uma doida por ai que aceita ficar comigo.
Natalie hesitou e riu.
- Te entendo perfeitamente. – ela falou. – Quer beber um pouco?
- Pensei que estivesse indo deitar.
- Na verdade eu estava fugindo de você.
- E agora está querendo minha companhia.
- Eu perdi o Alan. – ela fez bico desanimada.
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Atualizado até capítulo 20
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