O ambiente estava abafado e pesado, as cortinas de veludo vermelho tremulando suavemente com o vento fraco que passava pela janela. O castelo era luxuoso, mas o cheiro de intriga e traição pairava no ar, como um perfume doce e venenoso. Eu estava sentada diante do espelho, com uma mulher ajudando a ajustar o vestido que me deram. O tecido era macio e dourado, caindo elegantemente sobre meu corpo, mas eu não podia me deixar enganar pela beleza do que eu estava vestindo. Não era apenas um vestido. Era uma armadilha.
Enquanto a mulher dava os últimos retoques, minha mente estava em qualquer outro lugar, menos naquele castelo. Eu sentia a presença de Damien se aproximando antes mesmo de ouvi-lo. Ele tinha esse poder de invadir o espaço ao redor, de fazer sua presença ser sentida, mesmo quando ainda estava longe.
Quando ele entrou na sala, eu já sabia que seria uma provocação atrás da outra. A maneira como ele olhava para mim não era a de um aliado, mas de um predador, e eu era a presa que ele queria manter sob controle. Ele parou na porta, um sorriso de canto surgindo em seu rosto, como se soubesse exatamente o que estava fazendo.
Enquanto isso, a mulher sai do quarto, e nos deixa a sós.
— Então — ele começou, sua voz baixa e calculista — o que acha do vestido?
Eu não precisei me virar para saber que ele estava me avaliando de cima a baixo, como se eu fosse um brinquedo que ele pudesse pegar a qualquer momento. Mas, mesmo assim, não consegui evitar a sensação de que ele me queria de uma forma diferente, algo mais primitivo.
— É um vestido, Damien — eu disse, tentando esconder minha irritação. Mas a verdade era que, por dentro, eu estava desconfortável. Não só pelo vestido, mas pela forma como ele me fazia sentir.
Ele deu um passo à frente, seus olhos fixos em mim, e me senti como se estivesse sendo observada, estudada. Ele parecia querer me devorar com o olhar. Então, com um sorriso ainda mais provocador, ele disse:
— Não, Kaela. Não é só um vestido. É o vestido.
Ele deu uma pausa, como se estivesse se divertindo com o momento, e se aproximou um pouco mais. A tensão entre nós se intensificou com cada segundo que passava. Eu podia sentir o calor da sua presença, tão perto de mim que o ar parecia se tornar mais denso.
— E eu tenho que dizer — ele continuou, o sorriso se ampliando, como se ele estivesse se divertindo com o efeito que causava em mim. — Este vestido... Ele me faz pensar em... como seria melhor fazer o filhote logo, mais cedo do que eu imaginava.
Minha respiração falhou por um segundo. Filhote? Eu sabia muito bem o que ele estava insinuando. Eu me virei rapidamente, não consegui mais suportar a forma como ele estava brincando com a situação. Sem pensar, sem hesitar, eu o empurrei contra a parede mais próxima. O impacto fez a vibração percorrer os dois corpos, e eu o segurei pelo ombro, com força. Meu peito subia e descia, a raiva borbulhando dentro de mim.
— Você está insuportável — eu sibilou entre os dentes, a raiva clareando minha visão.
Damien olhou para mim, surpreendido por um momento, mas logo o sorriso em seu rosto apareceu novamente. Ele não parecia se importar nem um pouco com o que estava acontecendo. Ele estava... excitado. De alguma forma, essa era a verdade. Ele gostava disso. Ele gostava de me ver perder o controle.
— Ah, Kaela — ele disse com um tom sarcástico, sua voz suave como seda, mas cheia de veneno. — Eu adorei ver esse fogo nos seus olhos. Seu lobo... Ah, ele fica tão bonito quando você está assim, tão... intensa.
Eu podia sentir o cheiro dele — de lobo, de perigo, de algo mais que eu não sabia nomear. E, ainda assim, eu estava tentando me manter em controle, tentando não ceder ao impulso que ameaçava me dominar.
— Não toque mais em mim assim — eu disse, minha voz mais baixa, mas cheia de ameaça.
Damien não se moveu, não se afastou. Ele apenas se encostou na parede, com a arrogância de quem sabe que estava no controle, como sempre.
— E quem vai me impedir? — ele murmurou, seu tom cheio de confiança, quase como se estivesse desafiando meu limite.
Eu balancei a cabeça, a raiva misturada com uma sensação que eu me recusava a aceitar. O que ele dizia... a forma como ele me tocava... tudo isso fazia meu corpo reagir de maneira que eu não queria admitir. Mas eu não iria ceder a isso. Não. Ele não ia me dominar, não dessa maneira.
Eu o empurrei novamente, desta vez com mais força, afastando-me dele com um passo firme, mas algo ainda estava no ar — algo entre nós dois que estava ficando cada vez mais impossível de ignorar.
Damien permaneceu ali, imóvel, os olhos fixos em mim com uma intensidade que fazia meu coração acelerar e a raiva fervilhar nas minhas veias. Havia algo nos olhos dele, um brilho sutil, quase provocador, que me fazia questionar até onde ele estava disposto a ir.
— Você sabe, Kaela — ele começou, sua voz quase suave demais, mas com uma tensão palpável — se eu quisesse, poderia revidar com toda a força de um Lycan. E você sabe disso. Eu poderia facilmente subjugar você, amarrá-la de forma que você nunca pensaria em me desafiar novamente. Mas isso... isso não é o que eu quero.
Eu o olhei com desprezo, tentando me manter firme, tentando controlar a tempestade que se formava dentro de mim. Ele continuou, sem dar espaço para que eu respondesse, com um sorriso que era tudo menos gentil.
— Eu quero que você se entregue a mim, Kaela. Quero que faça isso por vontade própria. Não porque sou mais forte ou mais poderoso, mas porque você quer. Porque, no fundo, você sabe que isso é o que você precisa.
Eu ri, mas não foi uma risada genuína. Era mais uma forma de me defender, de tentar diminuir o peso das palavras que ele acabara de lançar sobre mim.
— Vai se foder, Damien. — A raiva estava estampada no meu rosto, e eu a deixei transbordar, querendo que ele soubesse o quanto eu o desprezava naquele momento. — Não vou me entregar a você, não importa o que diga.
Ele não se moveu, não se afastou, apenas manteve o olhar fixo no meu, como se estivesse observando cada nuance da minha expressão. Sua presença era implacável, e por mais que eu quisesse negar, ele estava certo. Ele sabia o que estava fazendo. A tensão entre nós não era apenas física, era psicológica também. Ele estava jogando um jogo que eu não sabia como jogar.
— Você pode brigar quanto quiser, Kaela. — Ele disse, dessa vez com um tom mais suave, quase com uma ponta de compaixão, como se estivesse tentando me compreender. — Eu sei que você tem essa fachada de força, essa dureza. Mas no fundo, no fundo... você é apenas uma criança incompreendida, não é? Uma criança que nunca recebeu o que precisava, o que merecia.
Ele deu um passo mais próximo, e eu senti meu coração bater mais rápido, uma sensação estranha se formando no meu peito.
— E eu quero que o laço que temos, esse que você não pode negar, faça você se sentir amada, Kaela. De uma forma que ninguém nunca fez antes. Eu quero que você sinta que não está sozinha. Que você pode... confiar em mim.
Cada palavra dele parecia um golpe certeiro, atingindo algo dentro de mim que eu nunca quis admitir. Ele estava certo? Eu era uma criança incompreendida? Nunca recebera amor? Cada uma dessas palavras parecia um reflexo das feridas que eu carregava dentro de mim, feridas que eu tentei esconder por tanto tempo. Mas a verdade era que ele sabia como me fazer duvidar de mim mesma.
Eu me afastei dele, dando um passo para trás, meu corpo tenso, a garganta apertada. Não podia deixar que ele vencesse dessa maneira. Não podia deixar que ele encontrasse a chave para minhas fraquezas.
— Não... — Eu respirei fundo, tentando recobrar o controle. — Não vou cair nesse jogo. Eu não preciso de você, nem do seu laço. Não vou deixar que você me domine dessa maneira, Damien. Não sou uma criança que precisa de piedade.
Damien não parecia surpreso. Na verdade, ele sorriu, como se soubesse que minha resistência era só mais uma parte do jogo, uma parte que ele já havia aceitado. Ele se aproximou mais uma vez, e dessa vez, algo em seu olhar era mais... suave. Quase como se, de alguma forma, ele realmente se importasse.
— Eu sei que você não quer admitir isso, Kaela. Mas o que você sente por mim... não é desprezo. Não é apenas raiva. Eu vejo o que está dentro de você. E, no fundo, você sabe que não pode lutar contra o que estamos destinados a ser.
Eu olhei para ele, com os dentes cerrados, mas algo dentro de mim vacilou. Eu não queria admitir, mas a verdade estava lá, tão perto, tão inegável. A conexão que existia entre nós não era algo que eu pudesse simplesmente ignorar. O lobo dentro de mim já sentia o que ele estava dizendo.
— Você pode tentar negar isso o quanto quiser, Kaela — ele murmurou, sua voz quase um sussurro. — Mas não vai mudar o fato de que estamos ligados. E, no final das contas, você sabe que vai se entregar a mim.
Damien se aproximou de mim de novo, mais uma vez desafiando o espaço entre nós. Eu poderia sentir a eletricidade no ar, uma tensão crescente, carregada de algo que eu não queria entender, mas que não conseguia ignorar. Ele não disse uma palavra, mas seus olhos falaram tudo. E antes que eu pudesse reagir, ele se inclinou, seus lábios encontrando os meus com uma força que não me deu tempo de recuar.
O beijo foi… demorado. Um pouco mais longo do que eu gostaria de admitir. Eu lutei contra ele no início, tentando manter minha resistência, mas, como sempre, ele sabia exatamente como me quebrar. Sua língua deslizava sobre a minha com uma possessividade silenciosa que me fazia sentir como se ele tivesse o direito de me ter, de me consumir de dentro para fora. Ele sabia que eu odiava, mas também sabia que meu corpo reagia, meu lobo respondia.
Eu sabia que não devia. Eu sabia que deveria empurrá-lo para longe, que esse não era o momento, que ele não era alguém em quem eu deveria confiar. Mas, por um breve momento, eu me entreguei, me deixando levar pela força daquele beijo, como se ele tivesse o poder de apagar todas as minhas dúvidas, todas as minhas reservas.
Quando finalmente ele se afastou, seus olhos estavam brilhando com a mesma arrogância de sempre. Ele sorriu, um sorriso que não era de triunfo, mas de algo mais, algo que eu não conseguia identificar.
— Então… — ele sussurrou, ainda tão próximo, sua voz rouca. — Você pode descer para o jantar. Vai ser apresentada à corte. Prepare-se. Eles precisam ver você.
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Atualizado até capítulo 52
Comments
Mhay Pedroso
autora só não deixe ela ceder a ele tão fácil,,esse capítulo só fez parecer que ele vai usar o laços de companheiro para fazer ela a ceder suas vontades.
2025-03-14
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Claudia Santos
um homem desse, já tinha até esquecido que era o inimigo, porém faria ele de gato e sapato,ops lobo.😅😅
2024-12-11
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Adriana Martins da Silva
era prá ter foto dele e dela
2025-02-05
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