A noite estava carregada de tensão, a lua alta no céu observando como nós, silenciosos como sombras, deixávamos a aldeia para trás. Eu estava acostumada a fugir, mas nunca dessa forma. Nunca com alguém tão perto. Ronan havia me acompanhado em cada passo, sua presença ao meu lado uma constante, como se sua calma fosse a única coisa que poderia me manter inteira.
Mas, naquele momento, a sensação de que algo estava prestes a nos alcançar me apertava o peito. E não demorou muito para que minhas suposições se tornassem realidade.
O som de passos ecoou nas árvores ao longe, abafado, mas distinto. Alguém estava nos seguindo. Ronan se virou para mim, e eu vi no brilho dos seus olhos o mesmo pressentimento que eu sentia. Ele segurou meu braço com firmeza, e antes que eu pudesse protestar, colocou um dedo sobre os lábios, sinalizando para que eu ficasse em silêncio.
Tínhamos que nos esconder.
Caminhamos rapidamente por entre as árvores, afastando-nos da trilha principal. Cada passo era dado com precisão, como se o simples ato de respirar pudesse nos entregar. Eu percebi que, por mais que tentássemos escapar, algo ou alguém estava sempre um passo à frente.
E então, ele apareceu.
O cheiro de terra úmida e sangue foi o primeiro a nos alcançar, e eu sabia que não era bom. O som das folhas sendo esmagadas sob botas pesadas cortou a quietude da noite, e uma sombra se projetou à frente. Um homem alto, imponente, com os olhos brilhando em um tom dourado ameaçador, que refletia a luz da lua.
Damien, o alfa general. O caçador implacável do Lycan King. Eu já tinha ouvido histórias sobre ele.
Eu tentei não tremer, mas não consegui. Havia algo naquele homem, algo selvagem, que me fazia sentir como se eu fosse a presa e ele, o predador. O seu olhar percorreu a floresta em busca de qualquer sinal, até que seus olhos se fixaram em nós.
— E então… a ômega fugitiva. Não posso dizer que não estava esperando por isso. — Sua voz era baixa, carregada de uma autoridade que me fez engolir em seco. Ele parecia saber exatamente o que procurar.
Ronan se colocou à minha frente imediatamente, com um movimento que demonstrava a tensão em seus músculos. Ele sabia o que estava em jogo. Sabia que a única chance de sobrevivermos seria se mantivéssemos a calma.
— Não temos nada para você, senhor — Ronan respondeu, a voz firme, mas com uma lâmina de nervosismo.
O general sorriu, mas o sorriso era mais uma ameaça do que qualquer outra coisa. Ele se aproximou com uma calma quase desconcertante, seus olhos nunca deixando os nossos. Ele olhou diretamente para mim, e eu podia ver o jogo de gato e rato em seus olhos. Ele estava esperando algo, e eu sabia o que era.
— Ah, claro que tem, Ronan. Sempre há algo. — O general se aproximou mais, seus passos pesados ressoando na terra. — E eu sempre sei onde encontrar o que procuro.
Eu senti um calafrio percorrer minha espinha quando Damien se aproximou. Mas o pior estava por vir.
O cheiro. O cheiro de algo… pequeno, mas profundamente familiar. Ele franziu o cenho, sua testa se enrugando, e então se virou para mim, seus olhos agora afiados, como um predador que percebeu a presa.
— O que é isso? — Damien sussurrou, aproximando-se mais, seu nariz dilatando enquanto ele aspirava o ar. “Algo… diferente. Algo que eu não posso ignorar.”
Eu congelei. Ele havia sentido.
Os olhos de Damien se fixaram em minha costas, onde o filhote estava escondido, enrolado em um pano, dormindo tranquilamente, ignorante do perigo que o cercava. Eu tentei esconder meu movimento, mas não foi rápido o suficiente.
Ele sorriu, um sorriso largo e satisfeito, que não era nada amigável.
— Eu sabia que algo estava errado. — Ele olhou para Ronan e depois voltou a me encarar, seus olhos brilhando com um prazer sombrio. — Então, a ômega fugitiva tem o que estava procurando.
Não precisei dizer uma palavra. Ele sabia.
— Onde está o filhote? — A voz dele era agora pura ameaça. — Não me faça perguntar de novo.
Eu apertei a mão contra a faca na minha cintura, mas sabia que não conseguiria enfrentar o general ali. Não com Ronan ao meu lado. Eu tinha que ser inteligente. Eu tinha que ser rápida.
— Não vou entregá-lo. — A minha voz foi mais firme do que eu esperava, mas não foi o suficiente para abalar Damien. Ele parecia se divertir com isso.
— Não vai? — Ele deu um passo mais perto, e o ar entre nós parecia ficar cada vez mais espesso. — Você realmente acha que pode me desafiar, ômega? Eu sou o alfa general, e o Lycan King me deu uma ordem.
Eu não sabia o que ele queria do filhote. Mas, por algum motivo, eu sentia que ele não estava apenas atrás de um bebê perdido. Havia algo mais. Algo que o filhote representava. Algo que o Lycan King queria, e por isso eles estavam me caçando.
Ronan deu um passo à frente, mas eu levantei uma mão para detê-lo. Ele me olhou com uma expressão preocupada, mas confiou em mim, permanecendo parado.
— Não vou entregá-lo — repeti, mais firme desta vez. — Não importa o que você faça.
Damien parecia divertir-se com minha resistência, mas ele não parecia disposto a ceder. Ele estudou meu rosto por um momento, antes de seu sorriso desaparecer, e ele deu um passo atrás.
— Vamos ver o quanto você resistirá. — Ele fez uma pausa e então, com um sorriso gelado, disse: — O filhote tem mais valor do que você imagina, Kaela. E se você não me entregar, posso prometer que o seu futuro será bem mais doloroso do que você pode suportar.
...DAMIEN...
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Atualizado até capítulo 52
Comments
Claudia Claudia
autora adorei que vc colocou foto representando os personagens 🤗🤗
2025-03-20
4
Marsane
Ainda não consegui entender quem é o protagonista aqui…
2024-12-15
0
Valdercina Rodrigues
Não deixa ele tirar o filhote dela
2025-03-07
0