A cidade estava em silêncio, uma tranquilidade falsa, como se a terra respirasse esperando o que estava prestes a acontecer. Eu sentia o cheiro dele no ar, como se fosse uma marca indelével no vento. O perfume de seu fôlego pesado e a tensão que emanava de cada passo. Damien estava por perto.
Perto demais.
O coração batia rápido em meu peito, não pela necessidade de fugir, mas pela excitação de finalmente enfrentá-lo. Ele, o general caçador, que por tanto tempo acreditou que poderia me capturar. Ele estava prestes a descobrir que eu não era apenas uma presa.
Os passos dele eram pesados, confiantes, mas ele não sabia que estava caindo em minha teia. Eu estava no centro da cidade, mas o caos daquelas ruas sujas e escuras fazia tudo parecer um labirinto. Eu conhecia cada canto, cada viela, e ele, grande e imponente, parecia um estranho em um mundo de sombras e segredos.
Ouvi a sua aproximação antes de vê-lo. Era como uma pulsação, um aviso, uma chamada da carne. Meu lobo acordava com o cheiro de Damien, e isso não era algo que poderia ser ignorado. Não por mim. Não por ele.
A esquina, a rua deserta. Ali. Eu virei a esquina com um sorriso provocante nos lábios, sentindo a presença dele atrás de mim.
— Está perdido, general? — Minha voz soou leve, quase como uma brincadeira. Eu sabia que ele me odiava por isso. Mas eu não conseguia evitar. O prazer de vê-lo tão tenso e determinado.
Eu o vi parar. Ele se aproximou com fúria, os olhos dourados brilhando como se a raiva tivesse encoberto qualquer outra coisa. Mas eu sabia que havia mais do que isso. Eu podia sentir a luta interna nele. A dor que ele carregava. Ele queria me capturar, mas algo dentro dele parecia hesitar.
Mas eu não hesitei.
Com um movimento suave, dei as costas e comecei a correr, não em uma fuga, mas na direção de algo que ele não podia ver. Ele me seguiu imediatamente, o som de seus passos ecoando nas ruas estreitas, reverberando nas paredes sujas da cidade. Eu me sentia como um predador brincando com a sua presa, guiando-o para um lugar onde ele não podia mais escapar.
Eu passava por becos e mercados, atravessando locais que Damien certamente desconhecia. O vento no meu rosto, o peso da adrenalina em cada curva. Eu sabia que ele estava ficando mais impaciente. Ele queria me pegar. Ele sempre quis. Mas quanto mais ele me seguia, mais difícil parecia. As ruas ficavam mais apertadas, as sombras mais profundas, até que estávamos em um território que ele jamais imaginaria explorar.
Eu parei de repente.
Não por medo. Mas porque sabia que ele estava perto. Eu podia ouvi-lo. Sentir o chão tremer sob seus pés pesados. Eu virei em um último beco estreito, e foi ali que o guiei para a armadilha.
O estalo das cordas, o som do laço sendo puxado. O momento da captura era perfeito. Damien não teve tempo de reagir. Ele estava preso, os braços esticados sobre sua cabeça, seus pés suspensos. Sua respiração era forte, entrecortada, mas ele não conseguia se mover. Eu o havia pegado, da mesma forma que ele sempre tentou me pegar. A ironia estava ali, na ponta de minha língua.
Eu me aproximei dele com passos lentos, quase como se estivesse saboreando a vitória. A lâmina brilhava em minhas mãos, refletindo a luz fraca da rua. Eu podia sentir a tensão de seu corpo, a raiva que ele tentava esconder, mas não havia como negar. Ele estava no meu controle agora.
— Chegou o momento, general — eu disse, com um sorriso cruel nos lábios. Eu o observava, seus olhos dourados estavam fixos em mim. A raiva ainda queimava ali, mas havia algo mais. Algo que eu não conseguia decifrar.
Quando a faca tocou sua pele, algo mudou.
Eu olhei para ele, para os olhos dourados que pareciam gritar de dor, mas também de algo mais. Algo que me fez hesitar. Meu lobo dentro de mim começou a urrar, algo instintivo, algo que não podia ser negado. Uma sensação que eu não compreendia.
Eu parei.
A faca caiu de minhas mãos, sem que eu pudesse controlá-la. O ar parecia pesado entre nós, como se a própria lua estivesse observando, como se o destino estivesse jogando suas cartas. Damien estava ali, mais do que apenas um inimigo. Ele não era apenas o general que caçava, não era apenas o monstro que havia me perseguido. Ele era… outra coisa. Algo mais profundo.
Eu olhei para ele, e a resposta veio de algum lugar dentro de mim, do fundo da minha alma. Ele era meu companheiro. O laço foi-se formado.
Meu lobo sabia disso.
Não era Ronan. Não era Kellan. Era Damien.
A revelação me atingiu como um golpe. Era tarde demais. O que quer que fosse esse laço, não podia mais ser negado.
Damien era meu par destinado.
Maldito seja!
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Atualizado até capítulo 52
Comments
Gilva Vanelli
Com certeza uma história diferente! Estou gostando muito 😍
2025-03-11
3
Fátima Ramos
Damien Está destinado a ser rei é ela a rainha e começar uma nova era
2025-03-24
0
Claudia Claudia
xiiiiiii agora vai ser babado ele vai optar por ela ou vai rejeitar 👀🤔🤔🤔
2025-03-20
0