A tensão estava insuportável. Damien me olhava como se soubesse exatamente o que eu estava pensando, como se eu fosse uma peça de xadrez em seu jogo. A batalha interna dentro de mim era feroz — deveria eu entregar o filhote, sacrificar tudo para ganhar tempo, ou lutar até o fim?
Eu sabia que não tinha escolha. A fuga era a única chance que tínhamos.
Damien sorriu, esperando que eu cedesse. Seus olhos dourados brilhavam com uma intensidade perigosa, e sua postura, como a de um predador, me fazia querer dar um passo atrás. Mas não podia. Não agora.
Eu respirei fundo e dei um passo à frente, os músculos tensos, tentando aparentar confiança. Olhei para Ronan, que estava a alguns metros de distância, os olhos fixos em mim, a expressão cheia de dúvida, mas também de esperança. Ele sabia que não seria fácil. Mas também sabia que eu não o deixaria sozinho.
— Aqui está o filhote — disse, tentando manter minha voz firme, mas um calafrio percorreu minha espinha. A mentira estava nos meus lábios, mas não no coração. — Ele é seu, Damien.
O general olhou para o filhote, os olhos brilhando de ganância. Ele deu um passo à frente, a mão estendida, e um sorriso satisfeito se formou em seu rosto.
Eu dei um pequeno passo para trás, mantendo o filhote seguro em meu peito. Quando Damien avançou, seus olhos fixos na criança indefesa, foi o momento que eu estava esperando.
Em um movimento rápido e calculado, joguei o filhote para Ronan, que, com agilidade, o pegou no ar. Eu não hesitei. O filhote estava seguro com ele agora, e eu sabia que, enquanto ele estivesse com Ronan, estaria protegido.
Damien reagiu rapidamente, seus olhos se arregalando ao perceber que havia sido enganado, mas já era tarde demais. Eu tinha um plano, e não iria falhar.
Eu senti o lobo dentro de mim, aquele ser selvagem, pronto para tomar o controle. Mas não era simples. Eu havia ficado tanto tempo longe dele, sufocando o instinto que crescia dentro de mim, que agora ele estava fora de sintonia com minha forma humana. Minhas garras começaram a aparecer nas pontas dos dedos, e uma onda de dor me atingiu como uma maré, fazendo-me cambalear.
— Você não vai escapar, Kaela! — gritou Damien, avançando para Ronan, que já começava a correr, o filhote em seus braços. Eu vi o general partir em sua direção com velocidade assustadora, mais rápido do que qualquer ser humano poderia ser. Ele estava determinado a capturar o filhote, e ele sabia que, se o tivesse, o controle sobre tudo seria dele.
Mas algo dentro de mim estava despertando. Eu precisava agir.
A dor da transformação era excruciante. Eu sentia meus ossos se alongando e se ajustando, minha pele queimando enquanto tentava me adaptar à forma do lobo. Eu queria gritar, mas o controle estava se esvaindo. Meus sentidos se aguçavam, e o cheiro de Damien — agressivo, furioso — estava agora misturado com o cheiro de Ronan e do filhote.
Eu consegui, finalmente. O lobo, com toda a sua ferocidade, tomou forma, e com isso, veio a força que eu precisava. Mas eu não estava totalmente no controle. O instinto animal tomou conta de mim, e, com uma força descomunal, corri em direção a Damien.
O general havia dado apenas alguns passos, a fúria crescendo em seu olhar, quando eu o alcancei. Sem nem mesmo pensar, eu saltei sobre ele, meus dentes afiados cortando o ar, e com um golpe de minha pata, o arremessei contra uma árvore próxima. O impacto foi tão forte que os galhos se quebraram, e ele caiu ao chão, completamente desorientado.
Damien ficou ali, atordoado, por um momento que pareceu uma eternidade. Ele olhou para mim, seu corpo transformado, uma raiva visível queimando em seus olhos dourados. Ele não estava esperando essa resistência. Não estava esperando que eu fosse tão forte, tão selvagem.
Ele tentou se levantar, mas a ferocidade do meu lobo não lhe deu chance. Eu me posicionei sobre ele, minhas garras pressionando contra o chão enquanto eu o mantinha no lugar. Damien tentou reagir, rosnando e se debatendo, mas não havia como ele superar a força de um lobo em plena transformação.
Eu olhei para Ronan à distância. Ele estava correndo, se distanciando o mais rápido que podia, com o filhote seguro em seus braços. Eu não sabia para onde estavam indo, mas confiava em Ronan para levar o filhote a um lugar seguro. O general estava fora do meu alcance agora, e meu trabalho era mantê-lo afastado.
Damien, agora completamente em sua forma de lobo, olhou para mim com uma mistura de surpresa e desprezo. Ele tentou se levantar novamente, mas eu o mantive preso, uma pressão invisível nos meus dentes e garras.
— Você vai se arrepender disso — ele rosnou, tentando se soltar, mas a dor da queda e da perda do filhote ainda o deixava atordoado. Ele não contava com minha força nem com minha determinação.
Eu não disse nada. Em vez disso, aumentei a pressão com minhas garras, lembrando-lhe que ele não estava no controle. O medo, que ele tentava esconder sob sua confiança arrogante, agora estava estampado em seu rosto.
Eu não disse nada. Em vez disso, aumentei a pressão com minhas garras, lembrando-lhe que ele não estava no controle. O medo, que ele tentava esconder sob sua confiança arrogante, agora estava estampado em seu rosto. Mas o que eu não sabia era o quão forte ele ainda era, mesmo sendo arremessado contra a árvore. Ele estava respirando pesado, mas seus instintos eram aguçados, e seu lobo, um predador imbatível, estava sedento por revanche.
Damien rosnou, uma ameaça profunda que reverberou pelo ar, e, em um movimento rápido, ele empurrou minhas garras para o lado, ganhando terreno. Ele se levantou com agilidade surpreendente para alguém que parecia ter sido derrubado com força suficiente para quebrar ossos. Seu corpo se curvava com uma agilidade primitiva, e o lobo que ele era tinha uma força inumana.
Ele deu um passo à frente, o sorriso arrogante voltando a seu rosto, agora distorcido por um ódio crescente. Eu senti a força do meu lobo vacilar, minhas patas trêmulas. Eu estava mais fraca, minhas forças estavam se esvaindo. Eu havia sido longe demais afastada da natureza, longe demais do meu próprio lobo, e isso se mostrava agora, quando mais precisávamos lutar.
Ele me atacou primeiro.
Com um grito feroz, Damien lançou-se contra mim, seus dentes afiados se projetando para o meu pescoço. Eu me movi instintivamente, rolando para o lado, mas não fui rápida o suficiente. Ele me atingiu com sua pata, cortando profundamente meu flanco. A dor explodiu em meu corpo, e o sangue quente se misturou com o cheiro de terra e folhas amassadas.
Eu lutei, me esforçando para me manter de pé, mas cada movimento estava ficando mais pesado, mais difícil. Meu lobo estava fraco, mais vulnerável do que eu queria admitir. Damien sabia disso, e ele estava aproveitando cada segundo da minha fraqueza.
Ele girou e tentou me pegar pela perna, os dentes rasgando a carne. Eu gritei de dor, mas não ia me deixar ser derrotada tão facilmente. Com um grito de raiva, fiz o que me restava de força: eu usei a sagacidade. Meus olhos procuraram por uma oportunidade, e a vi — um pequeno espaço entre os arbustos à esquerda, uma brecha, uma possível rota de fuga.
Eu sabia que não podia mais lutar fisicamente. Meu lobo não aguentaria. Mas eu ainda tinha o que o general não possuía: astúcia.
Em um movimento rápido, usei o pouco de força que me restava para me desvencilhar de sua garra. Meus dentes rosnaram enquanto eu me arrastei para trás, rolando pela terra com a agilidade de um animal selvagem que já sabia que o campo de batalha não era mais seu. Damien não esperava isso. Ele hesitou, confuso por um momento, antes de tentar me seguir.
Mas não dessa vez.
Com um último esforço, impulsionei-me para frente e me atirei em direção ao buraco entre os arbustos. Ouvi Damien gritar, sua voz cheia de fúria, mas já estava fora do seu alcance. Meus olhos se ajustaram rapidamente à escuridão da vegetação espessa, e eu me esgueirei, minha respiração ofegante e meu corpo queimando de dor.
Eu sabia que ele viria atrás de mim, mas a vantagem estava do meu lado agora. Damien podia ser mais forte, mas ele não era mais rápido. E sua confiança excessiva não o havia preparado para a astúcia de uma ômega desesperada.
Meus pés se moviam com rapidez, a dor no flanco pulsando a cada passo, mas eu me mantinha focada. Cada fibra do meu corpo gritava por descanso, por ajuda, mas não havia tempo. Eu só podia contar com minha velocidade agora, e minha habilidade de desaparecer nas sombras da floresta.
Eu ouvi os passos de Damien atrás de mim, mais pesados, mais rápidos. Ele me seguia, feroz, mas eu estava mais esperta. Mais uma vez, usei a vegetação a meu favor. Virei à esquerda, então à direita, me escondendo entre as árvores e arbustos, tentando criar distância.
Ouvi um rugido, um grito de frustração e raiva, mas não parei. Não olhei para trás.
Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade, os sons dos passos pesados começaram a desaparecer. Damien havia perdido o rastro. A árvore à minha frente parecia uma pequena vitória. Eu parei, me encostando contra o tronco, ofegante, a dor no meu flanco me consumindo, mas a adrenalina me impedindo de ceder.
Ele não me pegaria. Não agora.
Eu sabia que havia sido tola em tentar enfrentá-lo diretamente, mas também sabia que havia sobrevivido a uma batalha. E minha fuga, astuta e desesperada, era a minha maior vitória até agora. Damien não era mais uma ameaça imediata, mas eu sabia que não ficaria por muito tempo em segurança. O Lycan King ainda estava lá fora. E minha luta estava longe de terminar.
Eu ouvi os passos de Ronan se aproximando, mas antes que ele pudesse chamar meu nome, eu segurei a mão levantada, pedindo silêncio.
— Estamos seguros por enquanto — murmurei, meu lobo tentando se acalmar. — Mas não por muito tempo.
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Atualizado até capítulo 52
Comments
Elenita Ferreira
Qual será a importância do filhote???🤔🤔
2025-03-11
0
Gretchen Silva
tomara que ela mate todos e proteja o filhote
2024-12-14
1
Lena Lima Lima
Será que o lican king é o companheiro dela?
2024-11-27
3