POV de Damien
A frustração ainda borbulhava dentro de mim enquanto me afastava da clareira. Kaela… Ela me enganou novamente. Como eu pude ser tão tolo? Subestimei-a de uma maneira que nenhum general deveria. O cheiro dela ainda estava no ar, como uma lembrança incômoda da minha falha. Mas, mais do que a raiva, havia algo mais. Algo que eu estava começando a sentir e que eu não queria admitir: uma… admiração. Algo em Kaela me desafiava, me provocava de uma maneira que nenhuma outra pessoa jamais fez. Ela não era como as outras ômegas, fracas, dóceis, que se curvavam à minha vontade. Não, Kaela não se curvava. Ela enfrentava a morte com um sorriso desafiador nos lábios e o brilho da luta nos olhos. Isso me impressionava. Me irritava.
Por que ela tinha que ser assim? Por que ela tinha que ser mais forte, mais obstinada, mais… intrigante do que qualquer um dos meus aliados? E Ronan, com sua lealdade cega, estava deixando-a fugir. Estava fazendo meu trabalho muito mais difícil do que deveria ser.
E, pior, eu não podia entender como uma simples ômega conseguia me tirar o foco do que realmente importava: o filhote. O filhote era a chave para o poder. Ele era a nossa conexão com a Deusa da Lua. Ele era o futuro dos Lycans. Não podia deixar Kaela, com sua audácia, desviar minha atenção. Mesmo que, no fundo, ela fosse mais do que uma simples inimiga. Algo sobre ela me atraía. Algo que eu não conseguia deixar de lado.
O Filhote.
Ele era o nosso único caminho para a restauração. O poder dele… Era imensurável. E, ao contrário do que o Rei acreditava, ele não era apenas um símbolo de poder. O sangue do filhote, a linhagem sagrada da Deusa da Lua, tinha o poder de alterar o equilíbrio entre os clãs. Ele podia ser a chave para reverter tudo o que se perdeu ao longo dos séculos.
Mas o rei, esse… “reinado” que ele havia construído, estava enfraquecendo. Ele não via isso. Ele só queria controlar, como sempre. Eu sabia o que ele queria do filhote. Mas ele não entendia a gravidade da situação. O verdadeiro poder estava nas mãos de quem soubesse como usar essa linhagem sagrada. O verdadeiro poder não estava no trono. Não estava no rei. Ele já estava apodrecendo.
O rei do Lycan estava à beira da decadência. Ele não era o verdadeiro líder que nosso povo precisava. Eu sabia disso. Todos no reino sabiam. Alguns, mais do que outros. Mas ninguém ousava falar. O rei estava cego, obcecado com sua própria glória. Ele achava que o filhote era a solução para tudo. E enquanto ele se perdia em suas crenças antiquadas, eu sabia que o verdadeiro futuro não estava no trono que ele ocupava. O verdadeiro futuro estava na linhagem esquecida da Deusa da Lua. E, se necessário, eu faria o que fosse preciso para garantir que essa linhagem fosse restaurada de maneira adequada.
A sala estava abafada pela tensão, iluminada apenas pelas velas que se moviam com a brisa fria que entrava pelas janelas. O Rei Lycan estava de costas para nós, como sempre, olhando para o horizonte, talvez imaginando que algo grandioso ainda estivesse esperando por ele. Mas ele estava enganado. Ele não conseguia ver a realidade. Ele só queria poder.
— Damien, como estão as buscas? — A voz do rei cortou o silêncio, profunda e imperiosa. Era como uma lâmina afiada, e eu sabia que ele não aceitava falhas. O peso de sua autoridade caía sobre os ombros de todos na sala, mas eu… Eu sabia o que realmente acontecia.
Fiquei em silêncio por um momento, segurando a frustração. Não podia deixar que ele percebesse o que estava se passando em minha mente. Eu era leal. Era isso que eu fazia. Mesmo que meu próprio coração não compartilhasse do mesmo fervor cego por esse trono que ele ocupava.
— Está indo bem, Majestade — menti, a voz tranquila, mas com uma tensão mal disfarçada. Não ia contar a ele sobre Kaela. Não ia mencionar o que realmente estava me incomodando. Não ia admitir que uma simples ômega estava me desafiando. E Ronan, com sua lealdade cega, me deixava cada vez mais emaranhado na busca sem sentido. Isso não ia sair da minha boca. O orgulho de um general não permite admitir falhas tão humilhantes.
O rei se virou lentamente, seus olhos dourados perfurando minha alma com uma intensidade que me fez lembrar do que realmente estava em jogo. O peso de sua presença era esmagador. Mas, ao olhar para ele, eu não vi um líder. Vi um homem velho, obsoleto. Vi alguém que não merecia ser chamado de rei. Ele estava perdendo o controle. O que ele não entendia era que o verdadeiro poder não estava mais em suas mãos. Ele estava enredado em suas próprias mentiras, acreditando que o filhote era a chave para o futuro. Mas ele não via que, na verdade, ele estava simplesmente segurando as rédeas de um império em queda.
— O filhote é a chave, Damien. Ele precisa ser encontrado. O que ele representa é mais importante do que qualquer um de nós.
Eu encarei o rei, sentindo uma pontada de desprezo. Ele não sabia. Ele não compreendia. Estava tão consumido por sua própria visão de poder que não percebia o que realmente estava acontecendo.
— Ele é o elo perdido entre os nossos mundos e a Deusa da Lua. O que está em jogo aqui não é apenas o poder, Damien. É o nosso futuro. O filhote é a chave para restaurar o império dos Lycans. O sangue dele… O poder dele, é imensurável.
Suas palavras se arrastaram pela sala, como se fossem verdadeiras. Mas eu sabia a verdade. O rei estava obcecado por um poder que não compreendia. Ele não sabia o que o filhote representava, nem o que significava para os Lycans. Ele estava tão cego pela necessidade de controle que não via o verdadeiro futuro. Não via o que estava diante dele.
Eu acenei, minha mente em guerra. O filhote era importante. Mas ele não seria o único a determinar nosso futuro. E o rei… Bem, ele já não era mais o futuro. O verdadeiro futuro dos Lycans seria determinado por aqueles que ousassem tomar o que era seu por direito.
— Enviarei reforços, Damien. Não falhe. — A ordem foi clara, e, com isso, ele fez um gesto, enviando dois oficiais apressados para cumprir suas ordens. Eu fiquei ali, em silêncio, ouvindo seus passos se afastarem. A missão não mudaria. O filhote seria capturado, mas, cada vez mais, algo dentro de mim se recusava a aceitar a visão antiquada do rei.
Eu era mais do que apenas um general. E, mais cedo ou mais tarde, o império dos Lycans estaria sob meu comando. A verdade era que o rei não merecia o poder que tinha. O verdadeiro líder, o verdadeiro herdeiro… Era eu.
Kaela, com sua força, com sua resistência, estava em meu caminho. Mas eu sabia que, no final, ela se curvaria. E, se precisasse, eu tomaria o trono que me pertencia.
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Atualizado até capítulo 52
Comments
Valdercina Rodrigues
A história tava tão bonita, agora começou a guerra, é colocado uma criança no meio, não gosto de violência envolvendo criança
2025-03-07
1
Suzana Rodrigues pires
damian é o verdadeiro rei
é ele tá se apaixonando pela kaela
2025-03-22
0
Claudia Claudia
espero que a criança fique bem e protegida
2025-03-20
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