Tenho estado trancada neste quarto por dias. A sensação de aperto tem crescido cada vez mais. Não saio daqui nem durante o dia. Faço as refeições aqui e, depois, me encolho na cama, mergulhando em desespero e autopiedade.
Nos últimos dois dias, a chuva forte que continua a bater nas janelas, acompanhada de raios e trovões, parece refletir o tumulto dentro de mim. Vou até a parede de vidro e olho para a escuridão da noite. O jantar que Raquel trouxe permanece intocado na mesa ao lado da cama. Acho que emagreci nos últimos dias porque não tenho vontade de fazer nada, nem mesmo de comer.
Um novo raio ilumina o céu e, dessa vez, consigo ver o jardim com o clarão. Tudo ao redor da casa está encharcado, inundado pela água que cai sem parar há dias. Sinto uma atração pela chuva, pelo jardim e principalmente pelo caos lá fora.
Talvez eu precise de algo que me faça reagir, um choque de realidade. Quem sabe eu precise sentir algo além da dor, algo que me tire desse abismo que parece interminável.
Caminho devagar e abro a porta do quarto. Não vejo nenhum segurança nos corredores; no começo, era comum encontrá-los por ali, como se estivessem me observando. Talvez tenham percebido que não há como eu fugir dessa fortaleza.
Fecho a porta atrás de mim sem fazer barulho, desço as escadas e não encontro ninguém pelo caminho, pois todos devem estar em seus quartos. Quando abro a pesada porta de madeira, ela range sob meus dedos. O vento frio faz meus pelos se arrepiarem.
– Para onde você vai, garota? – Um segurança aparece na minha frente, bloqueando meu caminho.
– Quero apenas dar uma volta.
– Nessa chuva? – Ele levanta a sobrancelha, curioso.
– Sim, eu gosto da chuva – respondo, me justificando mesmo sabendo que não preciso explicar nada a ele.
– Acho que o chefe não vai gostar dessa sua ideia – Ele tenta me convencer a mudar de ideia.
– Não lembro de ele ter dito que sou prisioneira aqui – retruco com firmeza – A Raquel comentou que ele mandou deixarem eu passear pelo jardim, se eu quisesse.
– Ele falou isso, mas não na chuva. E você nunca saiu do quarto de qualquer jeito.
– Mas agora quero sair – afirmo com determinação – Você pode me observar, se quiser, mas não vou me afastar muito da casa. Só vou sentar no jardim – Ao suavizar o tom de voz, ele finalmente dá um passo para o lado, permitindo que eu siga em frente.
As primeiras gotas frias que caem sobre mim quase me fazem voltar para o conforto do meu quarto aquecido, mas continuo em frente. Olho ao redor e não encontro um lugar mais seco para me acomodar, então decido ficar no meio do jardim para dividir minhas dores e incertezas.
Arrumo a camisola e me sento sobre ela. Logo sinto todo o meu corpo tremendo de frio, mas deixo algumas lágrimas escorrerem e rezo a Deus para que sejam as últimas. Peço que, em algum lugar no céu, Mia e Antonietta estejam olhando por mim e me ajudem a seguir ou venham me buscar para ir com elas.
Não consigo entender como Deus pôde me abandonar tão facilmente, como Ele teve coragem de me dar a vida apenas para que eu sofresse sem qualquer ajuda ou compaixão.
Mantenho os joelhos pressionados contra o peito e a cabeça abaixada enquanto sou consumido por milhões de pensamentos; passado e presente se entrelaçam, trazendo uma onda de sensações negativas para mim.
Não sei quanto tempo se passa até que deixo de sentir as gotas pesadas de chuva na minha cabeça. Apesar de ainda ouvir o barulho e a água escorrendo pelas minhas pernas, sinto que a chuva parou, mas isso muda quando escuto uma voz forte se sobrepor a mim.
– Levante-se desse chão, garota teimosa.
Olho para cima e pisco várias vezes para ter certeza de que o homem acima de mim é real. Eu até pensei que algum dos seguranças fosse vir me tirar daqui depois de um tempo, mas nunca imaginei que o próprio Alessandro aparecesse.
Senti meu corpo tremer ao ouvir sua voz forte e autoritária. O observei em silêncio por alguns instantes, mas foi o suficiente para sentir todo o meu corpo tremendo de frio e com outras sensações que tenho tentado afastar.
Estendi minha mão e logo senti sua palma quente tocar a minha. Estava com frio, claro. Meu corpo inteiro tremia e até meus dentes batiam uns contra os outros, fazendo barulho. A sensação do seu toque, tão confortante e quente, foi tão inesperada que eu quase soltei um suspiro.
Assim que consegui me levantar, ele me entregou o guarda-chuva. Achei que iria andar na chuva enquanto me protegia com ele, mas fiquei surpresa quando ele me levantou nos braços e me segurou contra seu peito forte.
Meu corpo está encharcado, por isso logo percebi que a camisa dele estava molhada. Mesmo assim, ele não parece se importar em estar sendo molhado por mim. Alessandro parece decidido, e eu quero entender o motivo.
Quando chegamos à porta da casa, um homem a abre para nós e pega o guarda-chuva da minha mão. Achei que agora Alessandro me colocaria no chão, mas ele sobe as escadas comigo no colo. Estou tentando entender o que aconteceu nos últimos minutos quando ele ignora o quarto onde eu estava e me leva direto para o dele.
Fico pensando se ele vai me trancar sob sua proteção por ter saído na chuva.
Tentei dizer algo, mas as palavras não saem. Apenas consigo ouvir meus dentes rangendo de frio quando ele finalmente me coloca em pé em um banheiro enorme todo feito de mármore negro.
– Tire a roupa, Vittoria – pede ele ao seguir em direção do box, onde liga o chuveiro e ajusta a temperatura até que vemos uma leve cortina de fumaça sair com a água – Não ouviu, la mia ragazza? – Alessandro me encara novamente quando percebe que eu não me movi um centímetro sequer – Eu disse para tirar a roupa.
– Mas, senhor, eu... – Tento falar, porém ele me interrompe.
– Se você mesma não tirar, eu tirarei por você, Vittoria. A escolha é sua. – Engulo em seco enquanto ele me olha ao desabotoar a própria camisa, afastando-a do corpo.
Em seguida, Alessandro tira os sapatos sem desviar o olhar de mim. Meu olhar acaba descendo por seu corpo tonificado e se fixa em seu abdômen bem definido. Meus seios se arrepiam ainda mais, apesar de já estarem rígidos por causa do frio.
Com as mãos tremendo, pego a barra da camisola que está completamente suja de terra e a levanto. Alessandro tira a calça e, usando apenas uma cueca boxer, se ajoelha na minha frente para tirar a bota ortopédica do meu pé.
– Vou te dar um banho e te livrar do frio, la mia ragazza – Alessandro diz e, mais uma vez, me ergue em seus braços. Sem saber o que devo dizer ou fazer, apenas me deixo conduzir para debaixo do chuveiro quente – Quando terminarmos o banho, vou chamar um médico para te ver.
– Eu estou... es... estou – gaguejo, ainda tremendo de frio quando Alessandro apoia meus pés no chão mais uma vez – Estou bem – Finalmente consigo completar a frase curta.
– Vamos nos certificar disso depois que você for examinada melhor – diz ele em um tom de voz mais baixo, mas sem me dar espaço para qualquer questionamento.
A água quente começa a agir na minha pele, e logo sinto o frio se afastando do meu corpo. Aos poucos, a temperatura vai voltando ao normal, mas minha respiração ainda falha quando percebo o toque firme de Alessandro em mim, enquanto suas mãos cobertas de espuma do sabonete deslizavam.
Estou com os olhos fechados e não consigo conter o gemido que escapa quando seus dedos começam a deslizar pelas minhas costas, subindo da calcinha até meu pescoço e depois seguindo pelos meus braços até as mãos, apenas para voltar traçando o caminho pela parte interna do meu braço.
Sinto seus dedos habilidosos explorarem cada centímetro do meu corpo, limpando cuidadosamente cada parte. Alessandro me dá banho em silêncio, e eu apenas me deixo cuidar por ele. Não há uma conotação sexual no seu cuidado, mas meu corpo responde à sua proximidade e aos seus toques com um desejo maior do que deveria.
Depois de um tempo, Alessandro me vira para ele e fixa os olhos nos meus. Suas íris estão mais brilhantes do que o habitual. Logo, percebo que ele engole em seco ao mover lentamente seus olhos azuis pelo meu pescoço, parando quando chega aos meus seios. Ele não pronuncia uma palavra enquanto desliza a mão pelo meu braço até chegar ao meu pescoço, onde aperta levemente.
– Posso continuar, Vittoria? – Pergunta ele com a voz rouca, e eu aceno afirmativamente com a cabeça – Fala, Vittoria. Eu quero ouvir a sua voz.
– Continue, por favor... Alessandro – Digo com a voz entrecortada, mas mantendo meus olhos presos ao seu.
É como se ambos precisássemos confirmar que o que está acontecendo é real, não uma fantasia criada pela mente.
Alessandro desliza os dedos para baixo e solta um gemido rouco ao tocar meus seios. A água quente continua a cair sobre nós. Ele passa a mão espalmada por cada parte do meu corpo enquanto me lava. Sua presença forte e as expressões intensas em seu rosto deixam claro que ele não está apenas cuidando de mim.
Há desejo e paixão evidentes em seu olhar, assim como em cada toque que percorre minha pele. Isso me faz tremer, não mais devido ao frio. Cada toque lento, cada movimento cuidadoso me leva a um estado de desejo que nunca senti antes, mas que tento conter com todas as minhas forças.
Me pergunto se estou interpretando tudo errado. Minhas mãos se fecham em punhos, meus dedos tremem, não por causa da chuva, mas pelos seus toques. Vejo quando ele se ajoelha devagar, olha em meus olhos e silenciosamente pede permissão para tirar a última peça de roupa que ainda me cobre. Alessandro desliza a calcinha pelas minhas pernas e começa a ensaboar meu corpo, começando pelos pés. O sabonete líquido forma uma espuma densa com seu cheiro marcante, preenchendo todo o ambiente.
Sua mão sobe pelas minhas pernas e vai até minhas coxas, lavando-as com uma pressão controlada. A proximidade do meu corpo e a tensão entre nós me fazem querer mais. Não consigo resistir e me deixo levar por essas sensações que são novas para mim.
Pensamentos ousados invadem minha mente e, pela primeira vez, desejo me entregar a um homem. Sei que não posso esquecer quem Alessandro é e todas as incertezas da minha situação, mas meu corpo reage por si só, guiado pelos instintos naturais e pelas sensações que seus dedos estão provocando em minha pele.
Quando ele toca minha virilha e abre os lábios vaginais, lavando com pressão, preciso apoiar as mãos na parede para encontrar equilíbrio.
Alessandro finalmente se levanta do chão, segura meu rosto com duas mãos e se inclina para mim. Então, seus lábios tocam os meus. Abro a boca e permito que sua língua entre, dando início a um beijo intenso e apaixonado, como se estivéssemos esperando por esse contato há muito tempo.
Minha mente grita que isso não é certo, que eu deveria me opor, que não deveríamos estar nessa situação, mas meu corpo responde ao desejo e à atração que ele provoca em mim, por isso também deixo minhas mãos deslizarem pelos seus músculos firmes.
Os momentos seguintes são preenchidos por uma mistura de beijos e carícias, uma dança sedutora e proibida no banho. E mesmo que Alessandro ainda esteja de cueca, sinto sua ereção pressionando contra minha barriga quando nossos corpos se tocam; assim, não consigo evitar os gemidos e suspiros que saem dos meus lábios.
O que está acontecendo é muito arriscado, mas a luxúria e o desejo me levam a um lugar do qual não consigo voltar. Estou me entregando aos encantos proibidos daquele que deveria ser apenas meu guardião, não meu amante. Ficamos ali, juntos e sob a água quente, nos beijando e acariciando os corpos; por alguns momentos, isso se torna um refúgio temporário para minhas dores e incertezas.
Depois de um tempo em silêncio, com os olhos ainda ardendo de desejo, Alessandro me envolve em uma toalha e me leva para o quarto dele, onde me coloca na cama.
– Seque-se, Vittoria. Vou trazer algo para você vestir – diz ele com seu olhar ainda intenso de desejo, mas agora ele também reflete uma estranha mistura de emoções.
Instantes depois, ele volta usando uma calça de moletom cinza e me oferece uma das suas camisas. Sinto vergonha e desvio o olhar, pensando que talvez eu tenha interpretado tudo errado, que quem sabe Alessandro percebeu que isso não deveria ter acontecido entre nós e assim se arrependeu, enquanto eu ainda anseio por mais dos seus toques e beijos.
Escuto a chuva caindo lá fora, lembrando do frio de poucos minutos atrás, que agora contrasta com o calor que sinto dentro de mim. Não sei se estou me perdendo ou me encontrando, mas é evidente que a atração entre nós é tão clara quanto arriscada.
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Atualizado até capítulo 52
Comments
marlene cardoso dos santos
nossa achei que ia.chegar s um hotkkkkkk
2024-11-28
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Solange Coutinho
Aiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaisiaiaiaiaiaiaiai Uiuiuiuiuiuiuiuiuiuiuiuiuiuiuiuuiuiuiuiuiuiuiui
2025-03-16
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