Ao entrar na sala de jantar, sou surpreendida por uma cena horrível. Dois homens armados invadiram o apartamento. Mia e Antonietta estão caídas no chão, cobertas de sangue.
– NÃOOOOO! – Grito enquanto corro em direção a elas e me jogo entre as duas.
– Quem é essa mulher? – Rosna um dos homens, o mais alto, tomado pela raiva, mas não consigo ver seus rostos porque estão usando balaclavas – O chefe disse que só a velha e a garota estariam aqui. Que absurdo!
– Quem é você? – Pergunta o outro homem, que é um pouco mais baixo, puxando meu cabelo para me colocar de pé. As lágrimas escorrem incessantemente pelo meu rosto.
– Sou empregada da casa – Respondo entre soluços – Por que vocês fizeram isso com elas? – Pergunto em um sussurro.
– Cale a boca, sua desgraçada! – Ele ordena e me dá um tapa no rosto – Vamos matá-la também? – O cara que me segura pelos cabelos pergunta para o outro.
– Fomos contratados apenas para eliminar a velha e a garota – A voz do grandão deixa claro seu desconforto – Essa vadia é só um empecilho, mas não faz parte do plano do chefe.
Através da conversa deles, percebo que provavelmente são assassinos de aluguel.
– Então vamos deixá-la viva? – O que me segura sacode minha cabeça, apertando ainda mais meus cabelos.
– Sim, mas antes vamos dar uma pequena lição nela, para que entenda que não deve se meter onde não é chamada.
Olho os copos espalhados pelo chão e não sei se ainda estão vivas, já que Mia apresenta algumas perfurações no peito e no estômago, enquanto Antonietta foi atingida no rosto e em outras partes do corpo. Choro intensamente pelo destino delas, que eram pessoas boas e não mereciam acabar assim.
– Por favor, não me mate – imploro, mesmo sem saber qual será o rumo da minha vida a partir de agora.
Os dois homens que imagino serem assassinos de aluguel me observam, e percebo que estão determinados a me causar ainda mais dor do que já experimentei nesta noite. O homem grande me arranca das mãos do outro e me lança ao chão; caio entre os corpos das duas mulheres, agora confirmando sua morte pelos olhos abertos e sem vida. Não consigo me defender quando eles avançam em minha direção.
Sinto meu corpo reclamar a cada golpe que recebo e tento lidar com a dor como fazia quando era agredida pelo meu pai na infância, mas o que estou enfrentando agora é incomensuravelmente pior do que tudo que já suportei. A impressão é de que os homens vão me espancar até que eu esteja morta também. Minha visão começa a se embaçar por causa da dor. Eles riem de maneira sádica enquanto continuam a me atingir com socos e chutes. Meu corpo permanece vulnerável, estendido no chão, e não consigo nem mesmo reagir.
– Não era para você estar aqui, sua vadia! – grita o homem mais forte enquanto acerta um soco em meu estômago – O idiota do chefe nos pagou muito menos do que pedimos para dar fim às duas, e é só por isso que você vai continuar viva.
– Mas não seria melhor matá-la também? – questiona o homem mais baixo – Poderemos cobrar pelo serviço depois. De qualquer forma, a culpa foi dele por não ter nos avisado sobre mais alguém no apartamento! É melhor não deixar nada pendente.
– Depois que o serviço estiver feito, é certo que ele não vai nos pagar mesmo – O homem alto explica, cheio de raiva – Vamos deixá-la viva. Ligamos para ele logo em seguida. Se ele nos pagar o valor total que pedimos pelas duas, além da morte dessa aqui, nós a caçamos e acabamos com ela também. Se realmente é empregada como disse, o próprio Alessandro vai se livrar dela por não ter defendido a filha dele – Eles elaboram um plano para minha morte como se eu não estivesse ali perto ouvindo tudo – Quem nos contratou garantiu que não teria mais ninguém no apartamento e afirmou que os seguranças ficam sempre fora. A falha foi dele, não nossa. A surra que demos na vagabunda foi uma gentileza. Deveríamos tê-la deixado ir embora, já que não estava no acordo.
– Acho muito arriscado deixá-la viva – O outro homem insiste, tentando convencer o maior a me matar. Por um momento, penso que talvez morrer seja mesmo a melhor saída para mim.
– A nossa profissão já é arriscada por si só. Ela vai ficar viva – Responde ele, decidido – De qualquer forma, duvido que ela vá falar com alguém. Não é mesmo, gatinha? – O grandalhão dá dois tapas no meu rosto como se quisesse confirmar minha apatia diante deles; então eu aceno com a cabeça lentamente.
Sinto o sabor metálico do sangue na boca quando as lágrimas se misturam à dor. Meu rosto está tão inchado que mal consigo enxergar pelo olho esquerdo.
– Por favor, não me matem... – consigo murmurar entre os soluços, mas minhas palavras soam como um convite para mais agressão – Eu não contarei a ninguém – digo numa última tentativa de salvar minha vida. Minha voz sai com dificuldade e sei que o que acabo de dizer é uma grande mentira, pois se tiver a chance, é claro que pretendo contar ao pai de Mia o que aconteceu no apartamento naquela noite.
Eles continuam a me atingir com socos e chutes, agora demonstrando uma pressa em ir embora. Minha mente oscila entre a dor insuportável e a beira da inconsciência. Cada segundo se arrasta como se fosse uma eternidade até que, finalmente, a dor e a escuridão me envolvem e me arrastam consigo.
Quando volto a mim, não sei quanto tempo passou, mas minha cabeça pulsa de dor e meu corpo parece um peso morto jogado no chão, entre as duas mulheres que foram minha salvação no último ano.
A sala está em silêncio. Meu coração acelera de medo ao olhar ao redor. Mia e Antonietta permanecem no chão ao meu lado, imóveis como estavam quando me joguei entre elas enquanto fugia da cozinha. A tristeza e o choque tomam conta de mim ao perceber que realmente não conseguiram resistir aos ferimentos.
A dor física é intensa, mas a dor emocional se revela ainda mais profunda. Minha amiga faleceu. A mulher que me tratou como se eu fosse sua própria filha também partiu. Sinto-me desprotegida tanto física quanto emocionalmente. As lágrimas escorrem pelo meu rosto enquanto tento compreender o que ocorreu.
A voz de Mia ressoa em minha mente, relembrando-me da promessa que fiz a ela. Eu preciso lutar pela minha vida, não só por mim, mas também por elas.
Tremendo de medo e sofrimento, recordo mais uma vez do celular de segurança que ela escondeu. Uma das minhas pernas parece estar quebrada e, portanto, não consigo ficar em pé; mas com muito esforço e dor, arrasto meu corpo até o quarto de Mia, lembrando das suas instruções sobre onde encontrar o aparelho celular escondido.
Debaixo da minha cama, entre o segundo e o terceiro estrado de madeira, tem um esconderijo. Dentro dele, há um celular de segurança. Ligue-o e procure pelo único número que está na agenda. Peça ajuda e diga que fui eu quem te deu o celular. Alguém virá para te ajudar.
A voz de Mia ressoou como um mantra. Com as mãos tremendo, tento mover a cama para alcançar o local indicado, mas isso exige mais tempo e esforço do que eu esperava. Mesmo conhecendo bem a localização, aquele é de fato um esconderijo complicado de ser descoberto, principalmente considerando minha condição física.
– Me prometa que se algo acontecer, você fará isso, Vittoria. Salve-se!
Minha mente já está confusa, incapaz de discernir o que é real ou não enquanto finalmente seguro o celular. Como ela falou, o aparelho está desligado. Assim que a tela inicial surge, procuro na agenda e, como Mia me informou, há apenas um número registrado. Pressiono o botão verde para fazer a chamada. No primeiro toque, uma voz profunda ecoa do outro lado da linha.
– Mia? Minha filha? – reconheço ser o pai dela – – Você está bem? O que aconteceu, filha?
– Não sou a Mia – murmuro com dificuldade – Sou Vittoria. Fomos atacadas – minha voz sai fraca enquanto tento transmitir rapidamente o que preciso dizer, atropelando as palavras, pois sinto que a escuridão logo irá me dominar novamente. – Por favor, senhor, me ajude!
Não consigo mais entender ou reagir aos gritos do homem na linha. Deixo-me levar pela dor e pela escuridão. Quem sabe minha amiga não venha me buscar e me leve com ela para o paraíso?
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Atualizado até capítulo 52
Comments
Solange Coutinho
Poxa que tristeza para o psi dela que ffez de tudo para protegê-la e no final a perdeu
2025-03-13
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Danyela Wynner
espero que não esteja morta
2025-03-19
0
jeovana❤
que maldade matar a mia muito injustiça isso
2025-02-24
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