Capítulo 13 • Alessandro Pivani

A chuva intensa cai sobre a Itália, visível pelas janelas do meu escritório em casa. É como se tudo ao meu redor percebesse meu estado emocional e se ajustasse a ele. Mesmo na calada da madrugada, ainda não consegui fechar os olhos e descansar.

O céu parece despejar sua fúria sobre a Terra, refletindo a tempestade que se agita dentro de mim, uma verdadeira sinfonia caótica entre o tumulto externo e o que sinto por dentro. Há muitos anos não me sentia tão irritado ao perceber quão imprevisível é a vida. Estruturei o mundo à minha volta para que tudo atendesse aos meus desejos e necessidades, mas desde a morte de Mia, parece que perdi completamente o controle.

Após o falecimento dos meus pais, eu mantive total domínio sobre tudo que ocorria ao meu redor, mas um único erro, um passo fora do caminho com a descoberta de um traidor, fez todo o meu equilíbrio desmoronar.

Eu já estava suficientemente estressado por não conseguir descobrir quem é o infeliz que tem nos traído. Logo depois, a morte de Mia aconteceu, mas agora o que me tira a tranquilidade é a jovem que minha filha deixou como uma espécie de legado. Alguém com quem eu não estou preparado para lidar. Não consigo entender como permiti conscientemente que alguém entrasse na minha vida e a virasse de cabeça para baixo da forma como essa garota tem feito nos últimos dias.

Desde a sua chegada em San Luca, tudo mudou. Meus pensamentos, as minhas prioridades e até mesmo a forma como percebo os perigos que a cercam. Ela despertou algo dentro de mim que estava adormecido, algo que sempre tentei controlar, mas que agora parece ter escapado do meu alcance.

Vittoria é uma jovem forte e determinada, apesar dos inúmeros desafios que a vida lhe impôs. Desde muito cedo, ela teve que lutar sozinha para sobreviver, o que moldou seu caráter aguerrido e coragem para enfrentar problemas e lutar pelo que acredita.

Ou seja, é uma questão que eu normalmente manteria bem afastada da minha vida.

Acho que é exatamente isso que a torna tão sedutora para mim. Sim, uso a palavra sedutora porque não sou do tipo que evita problemas. Estou habituado a enfrentá-los, e toda essa confusão que Vittoria provoca em mim se transforma em um grande dilema. Desde aquele momento na escada, quando nossos olhares se cruzaram e meus dedos tocaram sua pele suave, a conexão entre nós se tornou inegável. Tenho lutado contra o que sinto por dentro.

A atração que sinto por Vittoria é forte demais para ser ignorada. Não posso negar meu desejo de estar próximo dela, de tocá-la, beijá-la e tê-la em meus braços. Nunca fui alguém de reprimir meus instintos, por isso esta não seria a primeira vez que agiria guiado pelos meus desejos físicos.

No início, pensei que era apenas um impulso protetor, algo relacionado à minha filha. Mas desde o momento em que a toquei, mesmo sem querer, percebi que não tem nada a ver com Mia; é sobre ela... sobre Vittoria.

Apesar de ser bem mais nova do que eu, ela é uma mulher extremamente atraente. Não deveria sentir isso, mas confesso que a desejo ao meu lado, mesmo ciente dos perigos envolvidos. Sou bom em perceber o que as pessoas precisam e noto que cada parte dela anseia por coisas que eu jamais poderia oferecer: uma vida tranquila, um amor romântico e, principalmente, uma família.

Minha existência é arriscada demais. Tenho muitos inimigos e segredos obscuros que poderiam colocá-la em perigo; portanto, após tudo que vivenciou, a última coisa que ela precisa é se envolver no meu mundo sombrio e perigoso. Ela merece algo muito melhor do que posso proporcionar mantendo-a comigo.

Contudo, a cada dia que passa sob o mesmo teto que Vittoria, torna-se mais complicado resistir à tentação que sinto por ela. Mesmo com nossos encontros sendo escassos, os momentos juntos são sempre intensos e repletos de desejo. Nossos olhares prolongados falam mais do que qualquer palavra poderia transmitir.

Embora eu perceba o que ela tenta esconder a todo custo, é claro o quanto ela também é afetada por mim. Agora, enquanto vejo a chuva caindo forte contra o vidro da janela, não consigo parar de pensar em Vittoria. Seus olhos são tímidos, mas demonstram determinação; sua respiração fica um pouco ofegante quando estou próximo, e há uma força interior nela. Tudo isso me atrai de uma forma que nunca experimentei antes.

Preciso ser sincero comigo mesmo. Estou me deixando levar pelo desejo por Vittoria, e isso é extremamente frustrante, especialmente porque não consigo controlar. Se fosse qualquer outra mulher, já teria a colocado em meus lençóis e a esquecido no instante seguinte. O problema é que sinto que não devo agir assim com essa garota.

Apesar de saber que não devo tocá-la, a atração entre nós é intensa demais, e não sei por quanto tempo conseguirei resistir. Acendo um cigarro e inspiro a fumaça profundamente. Depois, exalo lentamente pelos lábios, permitindo que a fumaça densa me envolva enquanto perco-me em meus pensamentos.

Avalio as alternativas que tenho: aproximar Vittoria ou, definitivamente, distanciá-la. Talvez a segunda opção seja a mais sensata. Sei que posso protegê-la do mundo obscuro em que estou inserido; no entanto, entendo que se a mantiver ao meu lado, não conseguiria salvá-la de mim mesmo.

No final das contas, pode ser que eu seja o maior risco para ela.

Meu celular vibra na mesa e me arranca dos meus pensamentos. Olho para a tela e vejo que é Diego. Atendo à chamada, surpreso com a ligação nesse horário. É comum dormirmos pouco; apenas o necessário para recarregar as energias.

– Diego? – pergunto, soltando a fumaça do cigarro.

– Alessandro, temos um problema. Acabei de receber notícias de que nosso adversário está em movimento. Parece que estão tentando descobrir onde Vittoria está nos Estados Unidos. Alguém pode estar a monitorando para verificar se ela morreu junto com Mia e Antonietta ou se conseguiu sobreviver, sendo capturada por nós.

Mordo a mandíbula ao perceber o que já suspeitava. Vittoria está em risco. Não posso permitir que nada aconteça com ela. Isso é algo que devo à minha filha e a mim mesmo. Já perdi pessoas demais e não vou deixar que nada de ruim atinja a garota.

– Enquanto ela estiver sob meus cuidados, estará segura” - digo, olhando para o horizonte escuro e nebuloso da madrugada.

– Sei disso, mas preciso entender até quando você pretende mantê-la com você. Como você mencionou dias atrás, a garota quase já se recuperou das lesões. Você vai deixá-la sozinha? Precisa que eu peça a Enrico para elaborar um plano de segurança?

– Por enquanto, me responsabilizo pela menina. Depois decidirei como proceder.

– Certo. Se precisar de algo, me avise.

Finalizo a ligação e dirijo meu olhar para a chuva, que não para de cair lá fora. Ainda não tomei uma decisão sobre o que fazer, mas uma coisa é certa: enquanto estiver sob minha proteção, nada de ruim lhe acontecerá.

Enquanto a chuva continua a bater incessantemente na janela à minha frente, as preocupações que me assombram parecem não ter fim; no entanto, após algum tempo, percebo que meus olhos são atraídos para um ponto específico do jardim. Então, estreito os olhos com o intuito de confirmar se aquele pequeno vulto encolhido no chão sob a tempestade é realmente Vittoria.

Ela deve ter deixado a casa há pouco tempo. À distância, parece ainda mais exposta e frágil. Permaneço parado enquanto a observo sob a chuva. Está sentada, com os joelhos flexionados, o corpo pequeno inclinando-se para a frente e a cabeça descansando entre eles, provavelmente tentando proteger minimamente o rosto das gotas grossas que atingem sua pele. Vejo-a quase como uma figura mágica em meio à tempestade.

Pego um pequeno binóculo na estante e analiso meticulosamente essa imagem quase etérea. Nota-se que Vittoria está descalça; seus cabelos estão colados ao rosto e sua roupa, que parece ser uma camisola fina, está completamente molhada e grudada à pele. Ela se mantém imóvel, como se desejasse se misturar à tempestade ao seu redor, provavelmente tentando afogar seus pensamentos.

A cena dela, tão isolada sob a chuva intensa, me deixa profundamente afetado. Sinto meus pés grudados no chão, relutando em correr para onde ela se encontra. Continuo observando-a à distância, com um binóculo, através da janela coberta pela água que escorre, por mais de vinte minutos. Cada gota que desliza pelo vidro parece levar consigo um fragmento das minhas certezas e derrubar as barreiras que construí para evitar sentimentos indesejados. Gradualmente, percebo que Vittoria está rompendo essas defesas com sua presença, sua fragilidade e sua força; cada uma de suas ações revela uma determinação inata.

– Levante-se desse chão, garota teimosa – murmuro como se ela pudesse me ouvir de longe.

Ela permanece sentada ali, desafiando o mundo ao seu redor e a mim a permanecer parado. Vittoria aparenta não se importar com a chuva que a atinge e continua imóvel desde que a avistei. É como se quisesse afogar não apenas as lágrimas, mas também a dor e os fantasmas que a perseguem.

Após algum tempo, eu, do outro lado da janela, protegido do frio e da chuva, acabo cedendo à luta interna que travo comigo mesmo, pois não consigo mais ignorar o desejo de ir até onde ela está. Deixo meu escritório e saio de casa, ainda sem uma ideia clara sobre o que vou dizer ou como me comportar a partir daí. Sinto apenas uma necessidade intensa de retirá-la daquele lugar, de protegê-la de qualquer ameaça, até mesmo das que estão além do meu controle, como a chuva que escorre por sua pele.

Um dos seguranças que estava de plantão corre atrás de mim para me entregar um guarda-chuva. O vento forte me envolve. Ouço um dos meus outros colegas me chamando à distância, mas não paro para dar atenção; sigo caminhando sob a chuva constante em direção a Vittoria.

A água molha meus pés e pernas, encharcando tudo ao seu redor. O guarda-chuva balança com o vento, lutando contra a tempestade. Enquanto avanço com passos decididos, um raio rasga a escuridão, iluminando a noite. Logo em seguida, o estrondo de um trovão ecoa intensamente, mas continuo meu caminho sem me deixar abalar pelo que acontece ao meu redor. A única coisa que realmente importa é tirá-la daquela situação o mais rápido possível.

– Levante-se, Vittoria. Venha comigo – minha voz soa firme enquanto paro ao seu lado e a protejo com o guarda-chuva, evitando que a chuva continue a tocar sua pele.

Vittoria leva um tempo para levantar a cabeça e me olhar, parecendo surpresa com minha presença. Seus olhos, repletos de emoções confusas, se encontram com os meus. Ela hesita por um instante, como se estivesse incerta sobre a minha realidade ou uma ilusão e talvez ponderando se deveria aceitar minha ajuda; no entanto, após alguns momentos de silêncio, finalmente estende sua mão gelada e trêmula em minha direção. Ela firma a mão na minha, que ainda estava estendida.

Com cautela, ajudo-a a se erguer e, após entregar o guarda-chuva a ela, envolvo-a com meus braços, levantando-a do chão com um empurrão firme, já que provavelmente levaríamos mais tempo do que o desejado caso ela fosse embora caminhando ao meu lado, considerando que sua perna machucada ainda a limita.

Ela treme intensamente contra meu peito, e seus olhos erráticos ocasionalmente encontram os meus. Em silêncio, sigo com ela em direção à casa, deixando para trás a chuva e as incertezas. Assim que atravessamos a pesada porta de madeira, volto a fixar meus olhos nela.

Vittoria está molhada e vulnerável, mas é minha responsabilidade cuidar dela. Sinto um aperto no peito e ali tomo uma decisão crucial: vou torná-la minha. E não apenas como uma promessa em relação à jovem que minha filha deixou para trás. Não, se ela desejar, farei de Vittoria a minha esposa. Ela só sairá quando estiver segura e se assim quiser.

Na verdade, Vittoria exerce sobre mim o mesmo efeito da tempestade que ainda rugem do lado de fora. Ela derrubou tudo que encontrou pelo caminho e, sem precisar dizer uma palavra, desestabilizou minhas incertezas. A atração entre nós é inegável e irresistível, e não hei de escapar mais disso.

Ela me observa com surpresa ao perceber que passo diretamente pela porta do seu quarto e entro no meu com ela. Ao fechar a porta atrás de nós, decido que o que quer que aconteça daqui em diante não terá volta. Nossas escolhas serão como flechas certeiras atingindo um alvo; uma vez feitas, não há como reverter.

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Comments

Solange Coutinho

Solange Coutinho

Eitaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa Lasqueiraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa Aiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiai Uiuiuiuiuiuiuiuiuiuiuiuiuiuiuiuuiuiuiuiuiuiuiui kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

2025-03-15

1

Fátima Silveira

Fátima Silveira

top esse mafioso decidido sem frescura /Drool//Drool//Drool//Drool/

2025-03-31

1

Marcia Regina

Marcia Regina

hurruuuuu ela derreteu o coração dele

2024-11-24

2

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Capítulos
1 Introdução
2 Prólogo • Alessandro Pivani
3 Capítulo 01 • Alessandro Pivani
4 Capítulo 02 • Vittoria Fainello
5 Capítulo 03 • Mia Pivani
6 Capítulo 04 • Vittoria Fainello
7 Capítulo 05 • Vittoria Fainello
8 Capítulo 06 • Alessandro Pivani
9 Capítulo 07 • Alessandro Pivani
10 Capítulo 08 • Vittoria Fainello
11 Capítulo 09 • Alessandro Pivani
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27 Capítulo 25 • Vittoria Fainello / Alessandro Pivani
28 Capítulo 26 • Vittoria Fainello
29 Capítulo 27 • Alessandro Pivani
30 Capítulo 28 • Vittoria Fainello
31 Capítulo 29 • Vittoria Fainello
32 Capítulo 30 • Vittoria Fainello
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34 Capítulo 32 • Vittoria Fainello
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43 Capítulo 41 • Vittoria Fainello
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46 Capítulo 44 • Vittoria Fainello
47 Capítulo 45 • Vittoria Fainello
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49 Capítulo 47 • Alessandro Pivani
50 Capítulo 48 • Vittoria Fainello
51 Epílogo • Alessandro Pivani
52 Agradecimentos • Fernanda T.
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Atualizado até capítulo 52

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Introdução
2
Prólogo • Alessandro Pivani
3
Capítulo 01 • Alessandro Pivani
4
Capítulo 02 • Vittoria Fainello
5
Capítulo 03 • Mia Pivani
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