Capítulo 12 • Vittoria Fainello

Mais uma vez, a dor e o medo me cercam. Eu sei que Alessandro não pretende me fazer mal, mas, ao mesmo tempo, temo que ele pense em me devolver aos meus pais. Espero que tudo o que compartilhei com ele o impeça de tomar essa atitude e que ao menos me permita ir para outro lugar.

A combinação da dor pela perda de Mia e Antonietta com as memórias da minha infância gerou um verdadeiro turbilhão emocional dentro de mim.

Entendo que precisava ser honesta com o pai de Mia, mas todas aquelas recordações ligadas à perda das únicas pessoas que se importavam comigo me desestabilizaram profundamente.

Pode ser que eu não tenha percebido meu luto nos primeiros dias para realmente vivenciá-lo, mas depois daquela conversa, tudo se tornou palpável. Apesar do medo me dominar, a única coisa capaz de aliviar minha agonia é a lembrança de Alessandro, do toque dele na minha pele, do olhar firme sobre os meus; e essas eram as memórias que eu mais queria afastar de mim.

Na realidade, eu deveria deixá-las de lado, mas isso simplesmente não acontece.

Desde que Mia e Antonietta se foram, sinto que uma parte de mim desapareceu. Não tenho ânimo para nada. Meus dias se tornaram uma rotina de acordar, tomar banho, me jogar na cama e pedir a Deus que o dia termine logo. A única pessoa que tenho encontrado é Raquel. Ela vem frequentemente ao quarto onde estou hospedada na casa de Alessandro, tentando me alimentar nem que seja um pouco.

A verdade é que não sinto fome ou vontade de fazer qualquer coisa além de chorar.

– Sente-se, Vittoria. – Ele indica a cadeira em frente à sua mesa e ocupa seu lugar atrás dela.

As pilhas de papéis organizadas demonstram claramente que ele tem estado ocupado neste escritório nos últimos dias.

– Você me contou, há alguns dias, que estava morando com Mia há mais de um ano – Ele retoma o assunto que discutimos anteriormente. Alessandro vai direto ao que interessa, sem enrolação, fazendo-me lembrar da minha amiga e da dor que sinto por não a ter mais ao meu lado.

Percebo que, pela primeira vez, Alessandro expressa em palavras que, como eu suspeitava, ele não sabia da minha presença no apartamento da filha, pelo menos não como residente.

– Sim, foi isso que eu disse – admito e inclino a cabeça, sem saber se devo acrescentar algo mais.

– Pode explicar novamente por que, quando e como isso aconteceu? – solicita ele, revelando um leve tom de desconfiança na voz. É como se Alessandro tivesse gravado as palavras da nossa conversa inicial e agora quisesse confirmá-las, testando para ver se eu conseguiria me perder nas explicações ou em algum detalhe.

Alessandro continua a desconfiar de mim.

No entanto, ao contrário do que imaginei antes, não sinto que estou sendo julgada por ter passado tanto tempo escondida na casa que ele mantinha cheia de luxos e ainda receber um salário por isso. Mais uma vez, relato toda a história, desde o momento em que encontrei Mia após minha demissão até a proposta que ela me apresentou.

– Então Mia te ofereceu o apartamento para você morar com ela e ainda te arranjou um emprego? – pergunta ele com a voz firme e os olhos fixos em mim.

– Isso – afirmo antes de prosseguir – Mia me persuadiu a trabalhar para ela como uma espécie de acompanhante e me deixou ficar em sua casa até que eu encontrasse outro lugar para morar, mas o tempo foi passando e, bem, ela nunca me deixou ir embora, nem mesmo quando consegui uma vaga em uma pensão. – Sorrio ao lembrar da minha amiga e de como ela tinha o talento de me convencer a fazer exatamente o que desejava – Mia sempre achava defeito nos lugares que eu conseguia para morar. Para ela, todos eram distantes, pequenos ou perigosos demais para eu viver sozinha. – Notei um quase sorriso aparecer no rosto de Alessandro ao perceber a menina incrível que ele criou – Ela dizia que seu apartamento era grande o suficiente para eu ficar com ela e fazia questão de frisar que eu não incomodava em nada. Também mencionava que estar por perto tornava meu trabalho com ela mais fácil.

– Minha filha tinha um jeito persuasivo quando queria – A admiração por ela é clara nas suas palavras e na expressão do seu rosto.

– Sim, era verdade! – concordo, agora esboçando um leve sorriso, porque é bom relembrar alguém que teve tanta importância na minha vida – Mas não se preocupe, senhor, vou procurar outro lugar para ficar. Só preciso de um tempo. Um mês talvez, pois preciso buscar minhas economias no apartamento.

– Você não tinha uma conta bancária?

– Eu não posso... – ela baixa a cabeça, envergonhado – Eu estava em situação irregular no país e, quando deixei a Itália, mal havia completado minha adolescência. Por isso, Mia sempre me pagou em dinheiro vivo. Se o senhor puder enviar alguém para verificar o valor, eu informo onde está. O senhor me dá uma parte. Não precisa devolver tudo, porque o que Mia dizia ser meu salário era um absurdo, mas ela nunca aceitou reduzir.

– O que ela combinou com você é seu, Vittoria.

– Obrigada, senhor Alessandro – corrijo antes que ele tenha a chance de fazê-lo – Então, se o senhor puder me entregar o dinheiro, posso ir embora hoje mesmo.

– Eu não estou fazendo suas malas nem te colocando para fora da minha casa, garota – ele diz enquanto me olha nos olhos. De algum modo, isso me faz sentir ao mesmo tempo segura e intimidada – Você ficou no apartamento da Mia por um ano inteiro sem que eu soubesse, então tenho certeza de que não vai ser um problema se você ficar mais um pouco aqui, pelo menos até estar completamente recuperada.

– Obrigada. Eu realmente não sei como agradecer – Surpresa, meus olhos se abrem e se enchem de lágrimas; desta vez, porém, não é por tristeza, mas apenas por gratidão – Há um contrato com o dinheiro lá. A Mia fez questão de eu assinar mesmo sem registro. Nele está especificado quanto ela me pagava. O senhor pode verificar que todo o dinheiro que eu tenho veio do pagamento dela.

– Você guardou todo o pagamento?

– A Mia nunca me deixou pagar nada – respondo um pouco envergonhada. Sinto como se tivesse abusado da generosidade da sua filha – Nem mesmo pelas roupas, mas eu não quero nada disso. Pode doar para quem o senhor quiser. De qualquer forma, eu não terei onde usar as roupas caras que ela comprou. Vou acabar vendendo tudo.

– Essas coisas são suas, Vittoria. Use como desejar. As roupas já estão aqui, assim como o contrato e o seu dinheiro – fico surpresa com o que ele diz. No fundo, percebo que Alessandro está apenas me testando para ver se estou sendo sincera – Tudo está no quarto ao lado do que você está usando. Sinta-se à vontade para utilizar.

– Então eu posso ir embora agora, Alessandro? – questiono, mas meu coração aperta ao saber que nunca mais o verei. Ele é a última lembrança da minha amiga.

– Não, Vittoria, você não pode ir embora. Por enquanto, vai ficar aqui – engulo em seco, sem entender – Como mencionei antes, ficará sob meus cuidados até sua total recuperação e depois veremos como as coisas vão se desenrolar para você.

– Obrigada, Alessandro – digo com a voz embargada de gratidão.

Ele irá cuidar do meu processo de recuperação até que eu possa voltar a trabalhar. Além disso, me fornecerá as roupas e o dinheiro que Mia costumava me dar. De certa forma, não estarei tão desprotegida quanto antes. Quem sabe consigo tirar o visto e retornar aos Estados Unidos de maneira legal. Assim será mais fácil conseguir um emprego melhor.

– Não precisa me agradecer, Vittoria. Estou fazendo isso por minha filha. Se ela valorizou seus serviços e roupas, estou aqui para atender a essa vontade. Tudo será como Mia queria – Alessandro explica e, embora eu saiba que sua intenção não era ser rude, suas palavras ainda me deixaram com a sensação de ser um peso que ele terá que carregar na memória da filha.

– Obrigada, Alessandro – repito mesmo ciente de que ele acabou de refutar isso. Um nó se forma em minha garganta – Embora você esteja agindo por Mia, eu realmente preciso te agradecer, mas prometo que assim que estiver recuperada, procurarei outro lugar para ficar. Irei embora o mais rápido possível, não se preocupe, pois não quero te incomodar além do necessário – Tento transmitir calma, já que ele não tem obrigação nenhuma comigo e sequer me conhecia antes de toda essa tragédia.

A verdade é que se Alessandro quisesse, poderia me colocar na rua agora mesmo, sem nada nas mãos, já que estou na casa dele. Sou uma intrusa, uma hóspede indesejada que ele não queria ter. Ele parece perceber meu desconforto quando aperta os punhos sobre a mesa.

– Eu não quis te ofender, Vittoria. Como mencionei, você pode ficar até se recuperar. Quando estiver pronta, levará o que lhe pertence. Apenas quero deixar claro que a vontade de Mia será respeitada.

– Eu compreendi. Você não me ofendeu, Alessandro – tento esclarecer meu ponto, mesmo não sendo totalmente sincera – Continuo agradecida a você, mas realmente não precisa se preocupar comigo. Em breve estarei recuperada e poderei ir embora – digo enquanto me levanto – Se era só isso, vou voltar para o quarto agora.

– Vittoria – Alessandro resmunga, seus olhos estreitos revelando irritação – Como já mencionei antes, você não deve sair sem a minha autorização, então pare de agir como uma garota mimada. Meu intuito é te ajudar, menina – ele afirma, erguendo-se também, enquanto suas mãos se apoiam na mesa, quase me desafiando a confrontá-lo e a negar que estou agindo como uma criança incompreendida e chorona.

– Não, senhor Alessandro – eu coloco as minhas mãos sobre a mesa em um gesto semelhante ao dele, tentando falar com firmeza e torcendo para que ele abandone essa ideia de que sou frágil para entender de uma vez por todas que sou uma mulher capaz de me defender quando necessário. Fiz isso no passado e farei quantas vezes for preciso – Você não deseja realmente me ajudar, apenas quer honrar a memória da sua filha, e eu não gosto de me sentir como um peso nas costas de ninguém.

– Você está se confundindo... – ele inicia, mas eu o interrompo.

– Estou completamente ciente do que estou dizendo – respondo, encarando-o firmemente nos olhos azuis intensos. Nossos corpos estão mais próximos agora devido à posição – A razão pela qual aceitei morar com a Mia foi porque sua filha realmente queria a minha presença. Ela se importava de verdade comigo. De qualquer forma, agradeço pelo tempo que você está me oferecendo para que eu possa me recuperar e encontrar um novo lugar para viver. Eu realmente preciso desse tempo, mas não será algo definitivo. Não precisa se preocupar.

E assim me viro e caminho em direção à saída.

– Espere aí, garota – antes que eu consiga sequer tocar a maçaneta, como se estivesse vivendo um déjà vu, sinto sua mão grossa e calejada agarrar meu cotovelo, me perguntando como ele chegou até mim tão rapidamente. Sem querer, viro meu corpo na sua direção.

– O que... – Meu corpo colide com o dele e as palavras ficam presas nos lábios enquanto minhas mãos se apoiam no peito forte de Alessandro, procurando estabilidade.

Minha respiração fica acelerada porque, querendo ou não, lembro das vezes nos últimos dias em que o desejei como homem, e não com o respeito que deveria ter pelo pai da minha melhor amiga. Além de ser o pai de Mia, Alessandro é intenso demais. Ele possui uma postura austera que deixa claro que eu deveria ficar o mais longe possível dele.

– Não torça minhas palavras, garota – ele responde com firmeza. O calor da sua respiração toca meu rosto.

Meus olhos se fixam nos dele, que me examina de cima a baixo. Preciso levantar o pescoço para manter seu olhar devido à nossa diferença de altura.

– Eu não torci nada, apenas observei um fato – replico o mais firme que consigo, mesmo ciente de que minha voz sai hesitante.

– Claro que você está torcendo e interpretando tudo errado. Só entenda que eu não sabia que havia outra moradora no apartamento da minha filha, então você é uma total surpresa para mim, e eu detesto ser surpreendido – esclarece ele. Sua voz se torna mais profunda a cada palavra, e ele não afasta nossos corpos, permanecendo colados. Nossas respirações se entrelaçam na proximidade, e posso sentir o cheiro do café vindo da sua boca – Fique o tempo que precisar, Vittoria. Até encontrar outro lugar para ficar ou decidir voltar aos Estados Unidos, faça como julgar melhor.

Ele finalmente se afasta de mim, e solto um suspiro de alívio. Aceno com a cabeça, concordando, mas não consigo fazer minha voz funcionar. Poucos momentos depois, murmuro um ‘tchau’ antes de sair do escritório e subir as escadas, apressando-me para me trancar no quarto.

– Oh, meu Deus – sozinha, entro em desespero ao tentar lidar com o turbilhão de emoções e me jogo na cama – Me perdoe, amiga. Pelo amor de Deus, me perdoe – digo à Mia como se ela pudesse ouvir minhas palavras – Eu não queria que meu corpo reagisse à presença do seu pai. Eu sei que não deveria sentir isso, mas é impossível. Ele é tão... forte, intenso e atraente que simplesmente não consigo controlar meus desejos.

Sinto que tudo o que guardei por tanto tempo está prestes a vir à tona, como uma avalanche que ameaça me engolir. Coloco um travesseiro sobre a cabeça e tento afastar os pensamentos sobre seu toque, seu perfume amadeirado e sua voz profunda e imponente, mas não consigo. Por isso, tiro a bota ortopédica do pé e vou até o banheiro; ligo o chuveiro e tomo um banho gelado, na esperança de que a dica que li em alguns romances funcione na prática.

O desejo proibido é como um rastro de pólvora esperando por uma simples faísca para consumir tudo ao redor. Parece que aquele breve encontro com Alessandro acendeu uma chama dentro de mim. Agora, só me resta correr para longe enquanto ainda há tempo, ou acabarei explodindo com tudo o que me resta e estarei perdida.

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Comments

Solange Coutinho

Solange Coutinho

Eitaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa os dois estão lascados kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk um desejando o outro

2025-03-14

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Capítulos
1 Introdução
2 Prólogo • Alessandro Pivani
3 Capítulo 01 • Alessandro Pivani
4 Capítulo 02 • Vittoria Fainello
5 Capítulo 03 • Mia Pivani
6 Capítulo 04 • Vittoria Fainello
7 Capítulo 05 • Vittoria Fainello
8 Capítulo 06 • Alessandro Pivani
9 Capítulo 07 • Alessandro Pivani
10 Capítulo 08 • Vittoria Fainello
11 Capítulo 09 • Alessandro Pivani
12 Capítulo 10 • Vittoria Fainello
13 Capítulo 11 • Alessandro Pivani
14 Capítulo 12 • Vittoria Fainello
15 Capítulo 13 • Alessandro Pivani
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17 Capítulo 15 • Alessandro Pivani
18 Capítulo 16 • Vittoria Fainello
19 Capítulo 17 • Vittoria Fainello
20 Capítulo 18 • Alessandro Pivani
21 Capítulo 19 • Vittoria Fainello
22 Capítulo 20 • Alessandro Pivani
23 Capítulo 21 • Alessandro Pivani
24 Capítulo 22 • Alessandro Pivani
25 Capítulo 23 • Vittoria Fainello
26 Capítulo 24 • Vittoria Fainello
27 Capítulo 25 • Vittoria Fainello / Alessandro Pivani
28 Capítulo 26 • Vittoria Fainello
29 Capítulo 27 • Alessandro Pivani
30 Capítulo 28 • Vittoria Fainello
31 Capítulo 29 • Vittoria Fainello
32 Capítulo 30 • Vittoria Fainello
33 Capítulo 31 • Alessandro Pivani
34 Capítulo 32 • Vittoria Fainello
35 Capítulo 33 • Alessandro Pivani
36 Capítulo 34 • Vittoria Fainello
37 Capítulo 35 • Alessandro Pivani
38 Capítulo 36 • Vittoria Fainello
39 Capítulo 37 • Alessandro Pivani
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41 Capítulo 39 • Alessandro Pivani
42 Capítulo 40 • Vittoria Fainello
43 Capítulo 41 • Vittoria Fainello
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46 Capítulo 44 • Vittoria Fainello
47 Capítulo 45 • Vittoria Fainello
48 Capítulo 46 • Alessandro Pivani
49 Capítulo 47 • Alessandro Pivani
50 Capítulo 48 • Vittoria Fainello
51 Epílogo • Alessandro Pivani
52 Agradecimentos • Fernanda T.
Capítulos

Atualizado até capítulo 52

1
Introdução
2
Prólogo • Alessandro Pivani
3
Capítulo 01 • Alessandro Pivani
4
Capítulo 02 • Vittoria Fainello
5
Capítulo 03 • Mia Pivani
6
Capítulo 04 • Vittoria Fainello
7
Capítulo 05 • Vittoria Fainello
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Capítulo 06 • Alessandro Pivani
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Capítulo 43 • Alessandro Pivani
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Capítulo 44 • Vittoria Fainello
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Capítulo 45 • Vittoria Fainello
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Capítulo 46 • Alessandro Pivani
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Capítulo 48 • Vittoria Fainello
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Epílogo • Alessandro Pivani
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Agradecimentos • Fernanda T.

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