Capítulo 10 • Vittoria Fainello

Minhas mãos estão úmidas de nervosismo enquanto desço as escadas de uma casa que se assemelha a uma mansão.

Nesta manhã, finalmente tive a ousadia de sair do meu quarto e caminhei até encontrar uma mulher limpando o corredor. Ela me olhou com surpresa, como se eu não tivesse permissão para estar ali, e logo correu para chamar uma senhora que agora sei ser Raquel, a governanta da residência. Foi com ela que conversei.

Após muitos dias confinada ao quarto, comecei a me sentir como uma prisioneira, então decidi arriscar um pouco e tentar entender por que o pai de Mia me mantém refém nesta casa.

Raquel foi bastante cortês. Ela me conduziu até a cozinha e preparou uma xícara de chá acompanhada de um pedaço de bolo, embora, assim como os demais que encontrei até agora, não tenha respondido às perguntas que fiz.

Sem ter outra opção, pedi que ela informasse a Alessandro, assim que chegasse em casa, que eu precisava conversar com ele por alguns minutos.

Preciso admitir que não esperava uma resposta tão rápida do pai de Mia, e muito menos que ele me convidaria para jantar. Na verdade, o termo "convidar" pode não ser o mais adequado, pois pela forma como Raquel falou, parece que seu patrão determinou que eu me juntasse a ele nesta noite.

Posso ouvir cada um dos meus passos reverberando no corredor vazio enquanto sigo em direção à escada. Quando saí do quarto mais cedo, encontrei apenas a faxineira organizando os ambientes. Na cozinha, havia duas mulheres além de Raquel; assim, percebi que são poucas as pessoas que circulam aqui diariamente.

Desde que despertei após o ataque, não sou capaz de ouvir qualquer som ou movimento ao meu redor. É como se as paredes isolassem o ambiente, protegendo-o não apenas das ameaças externas, mas também de quaisquer incômodos. A presença de outras pessoas parece desagradar o proprietário da casa.

Ao entrar na sala de jantar, avisto Alessandro sentado na cabeceira da mesa, sendo servido por uma das poucas funcionárias que encontrei mais cedo. Meus pés ficam paralisados assim que adentro o espaço. Nossos olhares se encontram e sinto um frio na barriga. Pela primeira vez, consigo observá-lo com mais atenção.

Alessandro deve medir pelo menos 1,90m. Mesmo coberto pela camisa social branca, seu corpo aparenta ser musculoso e bem definido. Seus olhos estão fixos nos meus e percebo que são de um azul profundo e hipnotizante. A barba bem aparada em seu rosto angular ressalta ainda mais sua aparência imponente.

– Sente-se, Vittoria – Ele aponta para a cadeira arrumada na outra extremidade da mesa. Caminho até lá lentamente, devido ao peso da bota em minha perna. A empregada enche os copos à minha frente com vinho e água. Logo depois, Alessandro e eu ficamos a sós.

Embora estivessem sentados a certa distância, percebo uma energia intensa entre nós, e quase sinto um arrepio ao pensar em pedir para conversar com ele pessoalmente. De repente, me vem à mente que Raquel poderia ter um telefone, permitindo-me fazer contato.

Inclino a cabeça e respiro fundo, dando-me um momento para me acalmar enquanto coloco o guardanapo de pano sobre as pernas. Sinto uma pontada de nostalgia ao lembrar que foi Mia quem me ensinou algumas normas de etiqueta, e sou grata por isso em meu interior. Em outros tempos, eu não teria ideia de como agir na presença de um homem como seu pai.

– Soube que você gostaria de conversar comigo, Vittoria – Ele quebra o silêncio e leva a taça de vinho aos lábios carnudos.

– Eu gostaria de saber quando poderei ir embora, senhor – falo com uma voz débil.

– Pensei que já tivesse respondido a essa pergunta naquele dia em seu quarto – responde ele com sua voz áspera.

– O senhor respondeu, mas não compreendi bem o que queria dizer sobre permanecer nesta casa pelo tempo que o senhor desejar.

– O que não ficou claro, Vittoria? O que eu disse é exatamente isso: você ficará na minha casa até eu decidir que é hora de ir.

– Por que quer me manter aqui?

– Essa é a questão, Vittoria – Ele coloca a taça na mesa e me observa intensamente – Na verdade, eu não quero mantê-la aqui, mas sinto que preciso.

– Por que isso? – indago, mordendo a língua em seguida, pois, na verdade, deveria expressar minha gratidão a ele por ter me cuidado nos últimos dias, em vez de questionar suas decisões. Entretanto, quando se trata da minha vida, acredito que tenho o direito de saber onde estou me metendo.

– Por razões que não lhe dizem respeito.

– Então eu sou uma prisioneira? – volto a perguntar enquanto olho ao redor. Deixo que meu rosto revele a indignação que sinto, porque quem ele pensa que é para me manter aqui contra a minha vontade? Nem meus pais conseguiram me manter refém. Não vou deixar que ele faça o mesmo.

– Você realmente não me conhece, menina. Se fosse minha prisioneira, não estaria em minha casa nem teria acesso a tantas vantagens como as que lhe ofereci – sinto um frio na espinha com a frieza de suas palavras – Como mencionei, você está aqui porque eu quero e ficará o tempo que eu considerar necessário, mas não se veja como uma prisioneira, Vittoria, pois não é assim que eu os trato – suas palavras têm um impacto forte por conta da verdade que contêm. Alessandro é do tipo de homem que mantém prisioneiros e algo me diz que ele não demonstra compaixão por nenhum deles.

– O senhor ainda desconfia de mim – digo, mas ele não responde, apenas me observa enquanto desliza os dedos suavemente pelo colarinho da camisa.

– Se eu desconfiasse de você, já teria escolhido outro caminho para sua vida, menina – afirma ele com determinação.

– Qual seria?

– Como já disse antes, minhas ações e meus motivos não são da sua conta.

– Já compreendi, senhor – digo, tentando demonstrar uma calma que não possuo, levantando-me – Acho que já obtive as respostas necessárias. Com licença. Vou me deitar. Tenha uma boa noite. Apoio o guardanapo sobre a mesa de madeira, mas antes que eu consiga dar um passo para o lado, ouço sua voz ainda mais profunda, me fazendo congelar.

– Sente-se! – É um comando, e não consigo entender por que motivo não consigo desobedecê-lo; acabo caindo sentada na cadeira acolchoada – Coma!

Em completo silêncio, me mexo desconfortavelmente na cadeira, sem saber como agir daqui em diante. Passo as mãos nervosamente pela saia do vestido que estou usando, tentando afastar essa inquietação estranha. Quero ficar e, ao mesmo tempo, sinto vontade de sair correndo. Estou imersa em uma variedade de emoções que nem mesmo consigo decifrar.

– Você não vai beber? – ele pergunta, apontando para a taça que está à minha frente após um breve silêncio.

– Obrigada, Alessandro – eu digo, ciente de que não deveria ingerir álcool enquanto tomo remédios, mas a presença dele me faz sentir que preciso de algo para relaxar.

– Pare de me chamar de senhor – Alessandro responde com um tom áspero.

– E como você quer que eu o chame, senhor? – a impertinência escapa da minha boca e ele afunila os olhos em minha direção.

– Pode me chamar de Alessandro. Isso é suficiente.

– Tudo bem, então. Obrigada, Alessandro.

Dou um pequeno gole na bebida. O objetivo é desestressar, não ficar embriagada.

– Me conte. Por que você fugiu para os Estados Unidos, Vittoria? – ele pergunta de forma tão direta que quase engasgo com o líquido e acabo tossindo algumas vezes.

– Como você descobriu isso? – questiono assim que consigo recuperar um pouco do controle.

– Fiz uma investigação sobre você – ele diz como se fosse algo trivial.

– Por quê?

– Porque eu quis e porque eu posso, agora me responda – Alessandro retorque, provocando um arrepio que percorre minha coluna.

Os olhos azuis penetrantes de Alessandro estão fixos em mim, como se ele tentasse desvendar os mistérios mais profundos da minha alma. Seu olhar é intenso, quase hipnotizante. Sinto-me encurralada sob sua análise.

Respiro fundo, buscando as palavras adequadas para responder à sua indagação. A verdade é que não tenho nada a esconder. Tanto ele quanto sua filha foram essenciais para mim; talvez seja melhor expor tudo de uma vez. Estou ciente de que Alessandro ainda tem dúvidas sobre meu envolvimento no atentado contra Mia e espero que essa conversa dissipe qualquer desconfiança e me permita ir embora.

– Eu fugi dos meus pais, Alessandro. Eles eram... eram pessoas terríveis. Meu pai me mantinha presa, me maltratava, e eu não aguentava mais. Então, em um dia qualquer, eu simplesmente fugi.

Alessandro escuta com atenção, sua expressão permanece séria e inabalável. Ele não revela qualquer emoção diante da minha confissão. A ideia de que ele tenha investigado minha vida me causa desconforto, mas também me faz perceber que talvez esteja apenas buscando o responsável pela morte da filha.

– E quanto à sua mãe? – ele questiona, mantendo o olhar fixo nos meus.

– Ela era extremamente submissa, nunca se opôs ao que ele fazia comigo, nunca tomou partido a meu favor – minhas lágrimas começam a brotar.

Faço uma pausa enquanto nos observamos um ao outro. O pai de Mia é um homem imponente; sua presença domina o espaço e parece que tudo fica em suspenso enquanto ele está presente.

Tento conter meus pensamentos ao notar que seu rosto, coberto por uma barba densa e iluminado pela fraca luz do ambiente, é extremamente atraente. Seus olhos azuis lembram um oceano profundo envolto em mistério. Sinto uma atração estranha por ele, algo totalmente insano, especialmente considerando as circunstâncias.

– Essa não é a imagem que as pessoas têm de você em Villa San Giovanni – ele comenta, mantendo o olhar fixo no meu.

– O que? Como assim?

– Seus pais contaram a todos que você é uma filha rebelde, Vittoria, que escapou com um marinheiro na primeira chance – Alessandro diz de forma abrupta, rompendo o silêncio – Todos acreditam que você é a vilã dessa história, e não a vítima.

Fico atordoada com suas palavras. Meus pais realmente fizeram isso? Eles mentiram sobre meu desaparecimento enquanto eram os verdadeiros monstros?

– Eles não contaram a verdade! – minha voz ecoa mais alta do que eu gostaria – Eles eram abusivos, Alessandro. Você precisa confiar em mim...

Ele levanta uma das mãos como se quisesse me interromper, mas seus olhos continuam presos aos meus.

– Posso até acreditar em você, Vittoria. Mas quero escutar sua versão dos acontecimentos, então seja o mais clara e sincera possível. Eu saberei se você estiver escondendo algo.

É um aviso, e eu consigo perceber isso.

Respiro profundamente, tentando controlar a raiva que fervilha dentro de mim. Falar sobre o passado é complicado, revisitar as experiências dolorosas que vivi com meus pais é um processo excruciante, mas talvez seja a única forma de Alessandro reconhecer a verdade e confiar em mim.

– Meus pais... eles me mantinham presa em casa desde que tenho memória – digo, olhando nos olhos dele, com lágrimas prestes a escorregar – A realidade é que eles me afastaram do mundo exterior. Minha casa se tornou uma prisão. Eu não aguentava mais, mas ainda assim suportava os espancamentos, as ofensas, as brigas e tudo isso – Respiro fundo e expiro – Mas eu não consegui tolerar quando meu pai me tocou – Agora as lágrimas escorrem livremente pelo meu rosto, enquanto percebo Alessandro apertar os punhos sobre a mesa.

– O que ele fez com você, Vittoria? – Sua voz é profunda e baixa, provocando um arrepio na minha pele; porém, não sinto medo. Alessandro se apresenta como um leão pronto para me proteger, e não para me ferir.

– Estava dormindo... – relembro, segurando o tecido da saia do meu vestido, sem tirar os olhos de Alessandro. – Naquele dia, não havia gritos que indicavam que ele tinha chegado bêbado em casa. Acordei apenas quando senti seu toque sobre o tecido do meu pijama, nos meus seios. Por um momento, pensei que era um pesadelo e que ainda estava sonhando. – Mais lágrimas escorrem dos meus olhos ao recordar aquela cena vívida. – Mas logo sua mão desceu e tocou mais abaixo, no meu sexo. Foi nesse instante que despertei completamente. – Desvio o olhar dele, envergonhada. – Quando abri os olhos, vi minha mãe parada na porta do meu quarto observando tudo com indiferença; percebi então que ela não me ajudaria. Eu estava sozinha e só eu poderia me salvar.

– Filhos da puta – ele rosnou, mas continuei a relatar aquela noite, porque era a primeira vez que compartilhava com alguém tantos detalhes sobre o que aconteceu comigo. Nem mesmo para a Mia tive coragem de contar.

– Naquele período, eu possuía uma pedra para afiar facas, que mantinha guardada embaixo da cama, antecipando o momento em que precisaria me proteger. Em um ato desesperado, peguei a pedra e acertei a cabeça do meu pai, fazendo-o desmaiar no chão. – Minhas mãos tremem. A memória é tão vívida que quase sinto o peso da pedra em meus dedos, assim como as mesmas sensações horríveis que me envolveram naquele dia. – Corri passando por minha mãe e vi quando ela se jogou na direção do homem para ajudá-lo, deixando claro para mim com quem estava preocupada. Sei que o que fiz não foi certo, mas não havia outra alternativa.

– Você não fez nada de errado, Vittoria – ele diz e, pela primeira vez, sua voz soa mais suave – Lutar pela sua própria vida nunca será um erro. Passei dias escondida em um porão de uma casa abandonada, mas depois voltei para casa e roubei para conseguir escapar. Desvio o olhar dele mais uma vez, envergonhada e receosa de que ele pense que eu também poderia roubá-lo ou que sinta pena de mim. Foi a primeira e única vez em que peguei algo que não era meu.

Finalmente, olho nos olhos dele para que perceba que estou sendo honesta. No dia seguinte ao ter deixado minha casa, quando consegui embarcar clandestinamente no navio, senti como se um peso tivesse sido retirado dos meus ombros. Eu só queria me livrar de tudo aquilo, Alessandro. Não sabia para onde o navio ia, mas estava ciente de que precisava sair de Villa San Giovanni rapidamente, ou eles me encontrariam. E assim cheguei aos Estados Unidos.

Alessandro escuta minha história com o punho ainda cerrado sobre a mesa de madeira; sua expressão é quase inalterada, mas noto que seus olhos estão mais escuros. Há uma espécie de raiva brilhando nas íris azuis dele. Por um momento, considero a possibilidade de ele realmente acreditar em mim. Se for sincera comigo mesma, desejo muito que ele confie em mim e compreenda que minha única opção era fugir.

Alessandro faz mais algumas perguntas sobre o tempo em que vivi com meus pais, e eu respondo a todas com total sinceridade. Com o passar do tempo, começo a perceber algo diferente em sua expressão. Alessandro parece reagir fisicamente ao que estou dizendo; sua respiração se torna um pouco mais pesada e seus olhos, antes tão gelados, agora parecem exalar uma intensidade ardente, como se chamas de ódio fossem acesas dentro deles.

Quando suas perguntas param, fica um silêncio absoluto entre nós. Assim que o jantar chega ao fim, Alessandro se levanta da mesa, levando-me a fazer o mesmo.

Ainda usando a bota ortopédica, caminho devagar para fora da sala de jantar, enquanto Alessandro permanece um passo atrás de mim. Embora meus instintos clamem para que eu olhe para ele, mantenho meu foco no caminho à frente.

Preciso chegar ao quarto com urgência... a presença de Alessandro é quase opressora. Subo os degraus com meu coração pulsando forte no peito. E então, acontece...

Meu pé direito escorrega em um dos degraus e, por um momento, meu corpo inteiro parece paralisar. Um suspiro de medo escapa dos meus lábios ao perceber que estou prestes a cair escada abaixo. Mas antes que eu possa me chocar contra o chão, Alessandro aparece com uma agilidade impressionante. Seus braços musculosos me envolvem enquanto ele me segura firmemente pela cintura.

– Peguei você! – ele diz, sua respiração quente acariciando a pele do meu pescoço assim que minhas costas colidem com seu peito firme. Meu coração acelera instantaneamente diante dessa sensação estranha – Você está bem, Vittoria? Se machucou?

Ele vira meu corpo suavemente e nossos olhos se encontram. Por um instante, tudo ao nosso redor desaparece. Sinto-me presa em uma tensão insuportável. Percebo seu corpo perto do meu, sua respiração irregular tocando meu rosto.

Seu hálito, um pouco marcado pelo vinho que degustou durante o jantar, se mistura ao ar ao nosso redor. Minha língua automaticamente umedece meus lábios, e Alessandro acompanha o movimento com o olhar. Uma chama de desejo parece acender dentro de mim, mas isso dura apenas até eu perceber que ele está se afastando do meu corpo.

Embora esteja de pé, sinto como se estivesse descendo uma escada rolante. O vento frio da Itália envolve meu corpo, fazendo meus olhos piscarem rapidamente.

– Você está bem? – Ele pergunta novamente, mas agora mantém uma distância prudente enquanto sua voz soa mais grave do que o habitual.

– Sim, estou bem. Obrigada por me segurar – Minha voz sai trêmula, mas faço esforço para parecer mais tranquila do que realmente estou.

Ele concorda, olhando para mim com intensidade, como se tentasse descobrir os segredos da minha alma. A atmosfera é carregada de tensão. Sinto que estou caminhando sobre uma corda bamba, tentando achar o equilíbrio entre um perigo iminente e algo indefinido que surgiu de repente dentro de mim.

Ao subir as escadas, uma única pergunta ecoa na minha mente: o que está acontecendo comigo?

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Comments

Solange Coutinho

Solange Coutinho

Eu imaginei que o amor entraria no ar entre eles dois gente mas esse MAFIOSO BONITÃO é tudo de bom se é

2025-03-14

0

jeovana❤

jeovana❤

Tomara que ele acabe com os pais dela ser realmente forem os pais de verdade dela

2025-02-25

1

marlene cardoso dos santos

marlene cardoso dos santos

nossa acho que ele ta gostando dela

2024-11-28

3

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Capítulos
1 Introdução
2 Prólogo • Alessandro Pivani
3 Capítulo 01 • Alessandro Pivani
4 Capítulo 02 • Vittoria Fainello
5 Capítulo 03 • Mia Pivani
6 Capítulo 04 • Vittoria Fainello
7 Capítulo 05 • Vittoria Fainello
8 Capítulo 06 • Alessandro Pivani
9 Capítulo 07 • Alessandro Pivani
10 Capítulo 08 • Vittoria Fainello
11 Capítulo 09 • Alessandro Pivani
12 Capítulo 10 • Vittoria Fainello
13 Capítulo 11 • Alessandro Pivani
14 Capítulo 12 • Vittoria Fainello
15 Capítulo 13 • Alessandro Pivani
16 Capítulo 14 • Vittoria Fainello
17 Capítulo 15 • Alessandro Pivani
18 Capítulo 16 • Vittoria Fainello
19 Capítulo 17 • Vittoria Fainello
20 Capítulo 18 • Alessandro Pivani
21 Capítulo 19 • Vittoria Fainello
22 Capítulo 20 • Alessandro Pivani
23 Capítulo 21 • Alessandro Pivani
24 Capítulo 22 • Alessandro Pivani
25 Capítulo 23 • Vittoria Fainello
26 Capítulo 24 • Vittoria Fainello
27 Capítulo 25 • Vittoria Fainello / Alessandro Pivani
28 Capítulo 26 • Vittoria Fainello
29 Capítulo 27 • Alessandro Pivani
30 Capítulo 28 • Vittoria Fainello
31 Capítulo 29 • Vittoria Fainello
32 Capítulo 30 • Vittoria Fainello
33 Capítulo 31 • Alessandro Pivani
34 Capítulo 32 • Vittoria Fainello
35 Capítulo 33 • Alessandro Pivani
36 Capítulo 34 • Vittoria Fainello
37 Capítulo 35 • Alessandro Pivani
38 Capítulo 36 • Vittoria Fainello
39 Capítulo 37 • Alessandro Pivani
40 Capítulo 38 • Vittoria Fainello
41 Capítulo 39 • Alessandro Pivani
42 Capítulo 40 • Vittoria Fainello
43 Capítulo 41 • Vittoria Fainello
44 Capítulo 42 • Vittoria Fainello
45 Capítulo 43 • Alessandro Pivani
46 Capítulo 44 • Vittoria Fainello
47 Capítulo 45 • Vittoria Fainello
48 Capítulo 46 • Alessandro Pivani
49 Capítulo 47 • Alessandro Pivani
50 Capítulo 48 • Vittoria Fainello
51 Epílogo • Alessandro Pivani
52 Agradecimentos • Fernanda T.
Capítulos

Atualizado até capítulo 52

1
Introdução
2
Prólogo • Alessandro Pivani
3
Capítulo 01 • Alessandro Pivani
4
Capítulo 02 • Vittoria Fainello
5
Capítulo 03 • Mia Pivani
6
Capítulo 04 • Vittoria Fainello
7
Capítulo 05 • Vittoria Fainello
8
Capítulo 06 • Alessandro Pivani
9
Capítulo 07 • Alessandro Pivani
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