Capítulo 12 - No Limite

Liz caminhava sem rumo pelas ruas, deixando que seus pensamentos se dissipassem conforme os quilômetros passavam. O sol que antes iluminava a cidade agora começava a se esconder atrás das nuvens, dando lugar a um céu nublado e ameaçador. Mas, de algum modo, Liz se sentia mais à vontade assim, como se o clima sombrio refletisse a confusão dentro de sua cabeça. Ela estava cansada de sentir a pressão de estar sempre à altura das expectativas, de tentar encaixar-se em um papel que não escolhera. Sentia-se como um reflexo distorcido de si mesma, uma versão criada por outras pessoas.

O som dos passos ecoava nas calçadas, mas os pensamentos de Liz eram mais altos. Ela não sabia ao certo quanto tempo já estava andando, mas sentia a necessidade de continuar. Era como se o movimento a ajudasse a escapar do peso da sua nova vida, que a estava esmagando silenciosamente. Cada passo parecia ser uma tentativa de afastar a angústia, uma tentativa de encontrar um pouco de liberdade.

Quando o céu escureceu por completo, ela se encontrou na praia. A brisa salgada do mar acariciava seu rosto, e o som das ondas quebrando na areia parecia, de alguma forma, acalmar o turbilhão em sua mente. Ela caminhou até a beira d'água, observando as ondas se arrastando até seus pés, e, como de costume, entrou em uma pequena loja de conveniência que ficava perto dali.

A jovem comprou uma garrafa de vinho, algo barato, mas suficiente para ajudá-la a desligar de tudo. Sentou-se na areia, tirou os sapatos e deixou o líquido quente descer pela garganta, tentando se perder na sensação de embriaguez que se aproximava. A bebida se misturava com a solidão daquela noite, e por um breve momento, Liz sentiu um alívio. O mar, o vento e a bebida a faziam se esquecer das exigências de seu novo mundo, das câmeras, dos sorrisos falsos, da fachada de felicidade que ela estava sendo obrigada a manter.

Enquanto ela bebia, o celular vibrava repetidamente, mas Liz não estava disposta a olhar para ele. Ela não queria lidar com nada naquele momento. Mas a insistência de Aubrey foi demais. O telefone tocou, e, depois de hesitar, ela atendeu, sem perceber que seu estado de espírito já estava distorcido pelo álcool.

"Você está onde, Liz?" A voz de Aubrey estava tensa, carregada de impaciência. "Onde você foi? Estou tentando falar com você há horas."

Liz sorriu, mas não foi um sorriso feliz. Era uma mistura de desespero e confusão. "Estou... só estou aqui na praia, Aubrey. Sozinha. Ouvindo o mar." Ela riu sem humor, a risada se perdendo no som das ondas.

"Você não pode simplesmente sair assim, Liz! Eu disse que não queria que você ficasse sozinha em casa, e agora você some? O que está acontecendo?" Aubrey parecia irritado, mais preocupado com a imagem pública do que com o bem-estar de Liz.

Liz suspirou, sentindo as palavras pesarem em sua língua. "Eu só precisava de um tempo, Aubrey. Preciso respirar, eu não aguento mais." Ela fechou os olhos, a cabeça girando. "Eu não sei o que estou fazendo. Não sei mais quem sou."

O silêncio do outro lado da linha fez Liz pensar que ele havia desligado, mas não. Ele ainda estava ali, provavelmente se perguntando o que fazer com aquela mulher que ele não conseguia entender. Ele sempre fora bom em resolver problemas, mas ela parecia ser um problema que ele não sabia como consertar.

"Eu vou até aí", disse Aubrey, a voz agora mais calma, mas ainda carregada de preocupação. "Não fique sozinha, Liz."

Liz não respondeu imediatamente. Ela só olhou para a garrafa vazia em sua mão e depois para o mar à sua frente, sentindo-se completamente perdida. Quando Aubrey chegou, ela estava deitada na areia, olhando para o céu, que agora estava coberto de nuvens pesadas, como se refletisse seu estado de espírito. Ela nem se moveu quando ele se aproximou.

Aubrey se agachou ao lado dela, olhando-a com um semblante que misturava preocupação e frustração. "Você está bêbada, Liz", ele disse, com um tom mais suave. "O que está acontecendo?"

Liz levantou a cabeça, olhando para ele com os olhos marejados. "Eu não sei mais, Aubrey. Sério, eu não sei." Ela olhou para o mar novamente, tentando encontrar alguma resposta nas águas escuras. "Eu estou cansada. Cansada de tentar ser alguém que eu não sou. Eu não posso ser a pessoa que você quer que eu seja."

Aubrey permaneceu em silêncio, observando-a, e, então, sem dizer uma palavra, ele se abaixou e a puxou para um abraço. Ele não falou nada, apenas a envolveu em seus braços. Liz, surpresa com o gesto, permaneceu ali, em silêncio, o corpo tenso, mas seu coração começou a se acalmar. Ela sentia o calor dele e, por um momento, desejou que aquela sensação de segurança fosse suficiente para fazer a confusão desaparecer.

"Você não precisa ser quem eu quero que seja, Liz", ele disse finalmente, a voz grave e suave. "Mas você não precisa passar por isso sozinha. Eu estou aqui, mesmo que você não saiba como lidar com isso agora."

Liz deixou os olhos se fecharem lentamente, sua respiração se acalmando enquanto ela se entregava ao abraço. A dor e a frustração ainda estavam lá, mas a presença dele parecia, de alguma forma, suavizar as bordas do caos em sua mente. Ela queria acreditar nele, queria acreditar que aquilo poderia ser real, que ele estava ali por ela, não pela imagem que ele queria construir. Mas as palavras dele ainda não faziam sentido completo para ela.

"Eu só queria que as coisas fossem diferentes", murmurou Liz, a voz baixa e trêmula. "Eu só... não sei se consigo fazer isso."

Aubrey a apertou mais contra o peito, como se fosse a única coisa que ele soubesse fazer para acalmá-la. "Eu sei. E está tudo bem. A gente vai descobrir isso juntos."

Liz sentiu as lágrimas ameaçarem escapar, mas as engoliu. Ela estava exausta demais para chorar, mas, ao mesmo tempo, não sabia se o que ele dizia era verdadeiro. Ela queria acreditar que estava falando sério, que tudo o que ele dizia era de coração. Mas, no fundo, ela não sabia se esse amor que ele dizia que existia era suficiente para salvá-la de si mesma.

Enquanto a noite se estendia sobre a praia, eles ficaram ali, juntos, em silêncio, o mar sussurrando ao fundo. E, naquele momento, Liz percebeu que, talvez, o amor que ela procurava não fosse algo que se encontrava em um abraço ou nas palavras de alguém. Talvez fosse algo que ela tivesse que descobrir por si mesma.

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