Onde Ela Está?

Capítulo 19

Liam

Eu estava sentado na cama, o celular nas minhas mãos. O brilho da tela iluminava meu rosto no escuro, e meu estômago estava apertado, como se estivesse esperando por algo. Uma mensagem. Algo de Mel. Qualquer coisa que dissesse que ela estava bem, que ela estava em segurança. Eu estava começando a sentir o pânico me engolir, o tipo de pânico que não tinha nome, mas que era tão familiar. A última mensagem de Mel não tinha sido respondida, e isso me fazia ficar cada vez mais agitado. Eu sabia que ela estava em algum lugar, eu sabia que ela precisava de mim, e, de alguma forma, tudo parecia estar escapando de minhas mãos.

Ainda me lembro da última vez que a vi, tão distante, tão diferente, com os olhos vermelhos e a respiração trêmula. A angústia estava estampada em seu rosto, e eu não sabia como ajudar, como fazer as coisas voltarem a ser como antes. Não sabia se ela ainda me amava, ou se tudo aquilo estava se tornando um pesadelo sem fim.

Ela havia ficado estranha, algo estava errado. Eu sabia disso, meu instinto me dizia. Mas o que mais me incomodava era que ela não estava se abrindo para mim, não estava me contando a verdade. E isso me fazia perder o controle. **Eu não poderia perdê-la.**

O som da vibração do celular me tirou dos meus pensamentos, e imediatamente peguei-o. A mensagem estava lá, mas não era de Mel. Era uma localização.

Eu olhei para o endereço e, em seguida, para o mapa. O local era um parque no centro da cidade, um parque afastado. Algo dentro de mim disparou. Eu não sabia o que esperar, mas sabia que, se eu não fosse, teria consequências. A sensação de que o tempo estava correndo, de que eu estava indo atrás de algo, me consumiu. Fui direto para o carro, sem perder tempo.

Acelerei pelas ruas, tentando ignorar o buraco na minha mente. O que estava acontecendo com Mel? Onde ela estava? Eu sabia que alguém estava brincando comigo, com ela. **Mas quem?** **Por que?**

Ao chegar ao parque, a cena era sombria, com árvores altas projetando sombras profundas. O ar estava pesado, e havia algo de errado ali, algo que me fez sentir como se estivesse caminhando para uma armadilha. Eu estava pronto para tudo, mas não para o que encontrei.

Gabriel estava ali. Ele estava de pé, com os olhos fixos à frente, como se estivesse esperando alguém. O que ele estava fazendo aqui? Mas a pergunta nem sequer atravessou minha mente antes de eu começar a caminhar em sua direção.

Ele me viu antes que eu o visse completamente. Ele estava tenso, como se tivesse passado o mesmo tempo angustiante que eu, esperando por algo. Algo que nos conectava naquele momento, a certeza de que estávamos ambos à procura de algo que não podíamos controlar.

— Liam — disse ele, com um tom tenso. Havia algo estranho em seu olhar. Ele sabia que eu estava ali, mas ainda assim, parecia hesitante.

Eu olhei para ele, sentindo a pressão aumentar em meu peito. Não havia tempo para jogos agora.

— Você recebeu a mesma coisa que eu, então. — minha voz saiu fria, calculista, como sempre que meu controle estava se quebrando.

Gabriel assentiu, parecendo um pouco incomodado com a situação.

— Eu... eu não sei o que está acontecendo, mas você tem razão. Eu estava tentando entender. — Ele olhou em volta, tentando se manter calmo, mas eu podia ver as falhas em seu comportamento. — Eu só queria saber onde a Mel está.

Eu o observei, sem dizer uma palavra. Não sabia o que Gabriel realmente queria, mas o que eu sabia, e sabia com certeza, era que nada disso importava se ele não fosse útil. Eu precisava encontrar Mel. O desejo de tomar as rédeas da situação, de ter controle total, era muito forte. Eu não podia perder tempo.

Antes que eu pudesse responder, meu celular vibrou novamente. Uma notificação apareceu. Uma foto. Eu abri a mensagem e vi a imagem.

A visão me paralisou. **Mel estava ali.** Ela estava caída, coberta de sangue, mas ainda com vida, respirando. Seus olhos estavam semiabertos, mas havia algo errado com o olhar dela. Algo me dizia que ela estava tentando lutar contra a dor, mas estava presa em uma realidade cruel, como se estivesse em um estado entre a vida e a morte. Aquelas imagens queimaram dentro de mim.

Eu senti uma raiva imensa crescendo dentro de mim, como um fogo indomável, e tudo ao meu redor desapareceu. **Ninguém mexe com Mel e sai impune. Ninguém.**

— **Quem fez isso com ela?** — a voz de Gabriel foi um sussurro, mas era carregada de medo e raiva. Ele estava claramente abalado pela visão, mas algo dentro de mim estava além de qualquer sentimento de piedade por ele. Eu só queria respostas. Eu queria fazer isso acabar.

Eu não conseguia tirar os olhos da foto. A dor, a frustração, a raiva… tudo isso me consumia. Não consegui me conter.

— Eu vou matar quem fez isso com ela. — Minha voz saiu baixa, mas carregada de uma fúria que eu nunca pensei que fosse sentir.

Gabriel parecia chocado, mas ele não se atreveu a me interromper. Ele sabia. Sabia que algo dentro de mim estava prestes a se soltar, algo que poderia destruir tudo em seu caminho.

Logo depois, outra notificação chegou. Um vídeo. Eu abri com rapidez, sem pensar. Era uma gravação de poucos segundos, mas suficiente para fazer o meu sangue ferver. A imagem de Mel estava ali, ainda inconsciente, e um homem, cuja face estava oculta, apareceu na tela. Ele estava falando, com uma voz grave e ameaçadora:

— **Vocês têm três horas para resgatar a garota. Três horas ou ela vai ser parte de uma estatística.** — A risada que se seguiu foi fria, vazia. — **Boa sorte.**

O celular quase escorregou das minhas mãos. Três horas. Apenas três horas. Eu olhei para Gabriel, sentindo a raiva crescer mais. Agora, já não havia mais como voltar atrás. O que quer que fosse esse jogo, eu estava nele até o final.

Eu podia sentir a mudança dentro de mim, a transformação que acontecia quando a raiva tomava conta. Meu cérebro funcionava de maneira diferente, mais afiada, mais perigosa. Eu me tornava alguém implacável, alguém que não tinha mais limites. **Mel não merecia isso. Ela não deveria estar sofrendo dessa forma.**

Gabriel olhou para mim, hesitante. Ele sabia quem eu era, o que eu podia fazer. Ele sabia que, se não fosse por Mel, eu nunca me importaria com nada. Mas agora… não havia mais retorno. Eu ia matar quem tivesse feito aquilo com ela.

— **Você tem alguma ideia de quem está por trás disso?** — a voz de Gabriel saiu baixa, mas firme.

Eu olhei para ele, e a raiva em meus olhos era a única resposta que ele precisava.

— Não sei. Mas vou descobrir. E quem quer que seja, não vai durar.

Nesse momento, a única coisa que importava era resgatar Mel. E eu faria o que fosse necessário para conseguir.

Continua...

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