Depois do que passei com Liam, algo em mim mudou. Meu coração, que antes parecia despedaçado, começou a se reconstruir. O que sinto por ele agora é mais profundo do que uma simples atração, é algo que desafia explicações. Deitados lado a lado, ainda ofegantes e quentes do momento que compartilhamos, o mundo parecia em paz. Até que, de repente, a música parou.
No andar de baixo, um barulho tomou conta. Gritos, passos apressados, o som de cadeiras sendo empurradas. Era como se uma tempestade tivesse invadido o lugar.
— O que será que está acontecendo lá embaixo? Perguntei, ainda com o coração acelerado.
Liam se sentou na cama, franzindo o cenho.
— Não sei, mas vou verificar. — Ele se inclinou, me deu um beijo na testa e começou a vestir suas roupas rapidamente.
— Espera, Liam, vou com você.
Troquei de roupa tão depressa quanto pude, e descemos juntos, braços dados, enquanto uma energia pesada preenchia o ar. Quando chegamos ao salão principal, a cena era caótica.
— Cala a boca, Tom! A Mel te venceu, aceita isso! Talvez o problema seja você como piloto! — gritou Rafa, com uma mistura de raiva e diversão.
O rosto de Tom ficou vermelho, como se estivesse prestes a explodir. Ele deu um passo à frente, mas Mario interceptou, erguendo o queixo com firmeza, desafiador.
— Sai da minha frente, seu viadinho — Tom começou, mas antes que pudesse terminar, empurrou Mario com força.
Mario cambaleou, mas não cedeu.
— Sou mesmo. E com muito orgulho! Agora, vai bater em mulher? Covarde! — A voz de Mario era firme, os olhos, como lâminas afiadas.
Antes que Tom pudesse reagir, Mia apareceu como uma tempestade, empurrando Rafa ao chão.
— É assim que você vai aprender, garota. — Mia estava furiosa, mas antes que pudesse dar o próximo passo, eu avancei.
Com um impulso, empurrei Mia com toda a força, fazendo-a cair sobre uma mesa.
— Você não vai encostar um dedo nela, sua putinha! — gritei, a raiva queimando dentro de mim como uma chama.
Mia se levantou num salto, vindo em minha direção, a mão erguida para me atacar. Mas Liam apareceu na hora em minha frente como um escudo. A voz de Liam ecoou como um trovão.
— Toca nela, e eu acabo com a sua vida. — Ele estava parado, as mãos nos bolsos, mas o olhar gelado era o suficiente para congelar até o coração mais selvagem.
Nesse instante, Tom tentou avançar contra Mario novamente, mas eu interrompi, levantando a voz:
— Ei, Tom! Tenho uma ideia melhor. — Todos os olhares se voltaram para mim. — Vamos resolver isso na pista. Eu e você. Um contra um. Valendo o carro do outro. Ou você tá com medo?
Tom sorriu, um sorriso debochado e cheio de confiança.
— Você vai comer poeira, Mel.
— O ponto de chegada será no final da avenida. — Mal terminei de falar, ele já estava tirando as chaves do bolso, caminhando em direção ao carro.
— Tá esperando o quê, Mel? Tá com medo? — gritou, o tom de zombaria ecoando pelo lugar.
Antes que eu pudesse segui-lo, Liam me puxou pelo braço. Ele me encarou com uma intensidade que fez meu coração tropeçar. E então, ele me beijou, um beijo cheio de urgência, possessividade e… algo mais profundo.
— Toma cuidado, minha princesa. — Sua voz era grave, carregada de preocupação.
Eu dei um pequeno sorriso, tentando acalmar o nó na garganta.
— Sempre.
Subi na minha Ferrari 812 Superfast, ajustei o volante e liguei o motor para aquecer. O rugido ecoou pelo estacionamento, fazendo a multidão vibrar.
— Cinco… quatro… três… dois… um… VAI! — o grito coletivo explodiu, e eu deixei Tom sair na frente.
Os pneus dele cantaram, deixando marcas no asfalto. Meu plano era claro: deixá-lo acreditar que tinha vantagem. A avenida era cheia de curvas, e drift era algo que poucos realmente dominavam.
Acelerei, o motor respondendo como um animal feroz. A primeira curva se aproximou, e Tom quase perdeu o controle, derrapando desajeitado. Sorri. Era a minha chance.
Girei o volante com precisão, os pneus cantando enquanto a Ferrari deslizava em um drift perfeito, beirando o penhasco. A multidão ao longe gritou em êxtase. Tom tentou me sabotar, jogando o carro contra o meu, mas eu acelerei ainda mais, escapando da armadilha.
A próxima curva era uma das mais perigosas, fechada e estreita. Nós dois paramos lado a lado, respirando fundo, o medo visível em seus olhos.
Eu segurei firme o volante da minha Ferrari, sentindo o suor nas palmas das mãos. O penhasco se erguia à minha esquerda, uma parede de pedra que caía vertiginosamente no abismo. Meu coração pulsava forte, misturando adrenalina e concentração.
—Vamos lá, bebê! — Gritei, acelerando a Ferrari.
O V12 de 789 cavalos disparou como um foguete, atingindo 200 km/h em segundos. A estrada sinuosa se estendia à frente, um desafio para minhas habilidades. Eu girava o volante com precisão, sentindo a Ferrari responder como uma extensão do meu corpo.
O vento uivava através da janela aberta, e eu sentia o suor frio em minha testa. A Ferrari derrapou em uma curva fechada, e eu corrigi o curso com um movimento rápido.
— Whooo! — Gritei, sentindo a adrenalina explodir em meu corpo.
O penhasco se aproximava, e eu sabia que precisava fazer o drift perfeito. Girei o volante bruscamente, e a Ferrari respondeu, derrapando em um arco perfeito enquantoo cheiro de borracha queimada enchia o ar. O pneu traseiro esquerdo fumegava, enquanto a Ferrari deslizava lateralmente, apenas centímetros do precipício.
—Isso é vida! — Gritei, sentindo a liberdade intensa.
A Ferrari recuperou a tração, e eu acelerei novamente, deixando o penhasco para trás. O velocímetro atingiu 320 km/h, e eu sentia a Ferrari voar.
Quando saí da curva, olhei pelo retrovisor e vi o desastre.
O carro de Tom perdeu tração, girando descontrolado. O som do metal rasgando ecoou enquanto a Lamborghini deslizava perigosamente em direção ao penhasco.
Tudo parecia em câmera lenta. Eu freei, saí do carro e corri em direção à borda.
— TOM! — gritei, minha voz se perdendo no caos.
O carro parou na beira do penhasco, metade da roda já fora da terra firme. Tom estava imóvel, os olhos arregalados.
Eu estava sozinha, completamente vulnerável, sem o Liam para me apoiar. O carro do Tom desceu pelo penhasco, desaparecendo na escuridão, deixando-me com um vazio no peito que parecia não ter fim. Meu coração parou de bater por alguns segundos, e minha mente foi invadida por pensamentos de Liam - seu sorriso contagiante, seu olhar profundo, sua voz suave e reconfortante. Sempre que eu precisava de ajuda, ele era o primeiro que vinha à mente.
Corri em direção ao penhasco, meu coração pulsando forte, e minha visão turva pelas lágrimas que começavam a rolar pelo meu rosto. O vento uivava em meus ouvidos, e o som do carro se estatelando ecoava em minha mente, me fazendo sentir como se estivesse em um pesadelo do qual não conseguia acordar. Tentei ver algo, mas apenas encontrei escuridão, um vazio que parecia engolir tudo.
Minhas mãos tremiam enquanto pegava meu celular e discava o número do Liam, como se fosse minha única esperança. O telefone tocou por alguns segundos, e eu sentia meu coração afundando cada vez mais.
—Mel? Conseguiu ganhar a corrida?
Ele perguntou, cheio de entusiasmo, sem saber do desastre que acabara de ocorrer. Sua voz era como um raio de sol em um dia nublado, mas não conseguiu me confortar.
Um silêncio pesado tomou conta de mim. Eu não conseguia falar. Minha garganta estava fechada, e as palavras ficaram presas, como se estivessem sendo sufocadas pela dor e pelo medo.
—Mel? Está tudo bem? — Ele repetiu, começando a se preocupar. Sua voz estava mais baixa agora, mais suave, como se estivesse tentando me acalmar.
Uma lágrima rolou pelo meu rosto, seguida por outra, e outra. Minha voz tremia enquanto eu gaguejava:
— Me... me... ajuda.
A palavra saiu como um sussurro desesperado, revelando toda a minha dor e vulnerabilidade. Eu sentia-me perdida, sem rumo, e apenas o Liam poderia me guiar de volta à segurança. Eu precisava dele agora mais do que nunca.
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Atualizado até capítulo 22
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