Além da pista

Olá, pessoas, desculpe por demorar tanto a publicar um novo episódio. Diariamente terá episódios por agora. Fiquem com o episódio 9.

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Naquele instante, enquanto o caos da corrida parecia se transformar em silêncio absoluto, meu coração estava dividido entre culpa e um medo avassalador. Cada passo que eu dava ao lado do xerife, sentindo o metal frio das algemas, parecia uma sentença que eu jamais poderia escapar.

Liam caminhava atrás de mim, tentando argumentar com o xerife e com os oficiais presentes.

— Escutem, ela não fez isso sozinha! Eu estava lá, vi tudo. Se alguém deve ser preso, prendam a mim também! — insistiu, a voz firme, mas com uma ponta de desespero.

O xerife virou-se para ele, com paciência quase zero.

— Garoto, não se meta. Não é você quem decide como a lei funciona.

Os gritos dos curiosos que haviam presenciado o acidente ainda ecoavam pela avenida, mas minha mente estava presa em outro lugar. “Tom sobreviveu?”, essa era a única pergunta que rondava meus pensamentos.

Liam tentou tocar meu ombro, mas o policial o afastou. O olhar que ele me deu era de uma promessa: ele não ia desistir até me tirar dessa confusão.

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Na delegacia, a sala de interrogatório era fria, quase hostil. Um abajur piscando iluminava o lugar, e os estalos do relógio pareciam amplificar minha ansiedade. Eu estava sentada, sozinha, esperando alguém aparecer para me questionar.

Minha mente não parava. A imagem do carro de Tom desaparecendo no penhasco se repetia como um filme. Eu sentia um aperto no peito, um nó que só apertava mais a cada segundo.

A porta se abriu, e o xerife entrou.

— Muito bem, Melinda Evans. Você sabe por que está aqui, certo?

Eu apenas assenti, engolindo em seco.

— Corridas ilegais, endangering lives, e o acidente que quase matou Tom Riker. Você tem mais de 18 anos mas parece uma adolescente. Isso não é brincadeirade adolescente. Isso é crime.

As palavras dele caíram sobre mim como tijolos.

— Eu… eu não sabia que ia acabar assim — murmurei.

Ele inclinou-se para a frente, o olhar sério.

— Esse é o problema das pessoas que acham que estão no controle. Sempre acham que podem prever o resultado. Mas você quase matou alguém hoje, garota. Pense nisso.

O som do celular vibrando interrompeu o sermão. O xerife olhou para a tela e, após alguns segundos, atendeu.

— Sim, senhora Evans? — ele começou, em um tom subitamente mais respeitoso.

Era minha mãe. Claro que ela tinha descoberto, mesmo estando a milhares de quilômetros de distância, em viagem.

Eu não conseguia ouvir tudo o que ela dizia, mas o xerife claramente ficou menos rígido depois da ligação. Ele desligou, voltou-se para mim e suspirou, exasperado.

— Você tem sorte, garota. A sua mãe acabou de mandar dinheiro suficiente para reformar metade desta delegacia. Eu vou deixar você ir, mas com uma condição: fique longe das pistas.

Que hipócrita, tentando me dar moral depois que aceitou o dinheiro de minha mãe como propina.

Antes de sair, ele parou na porta e jogou a bomba que me tirou o chão:

— Ah, e sobre o Tom… Ele sobreviveu, mas por muito pouco. O carro dele foi segurado por uma árvore. Passou por cirurgia, mas ainda está respirando. Isso deveria ser suficiente para te fazer repensar suas escolhas.

Fiquei paralisada. Um misto de alívio e culpa me dominou. Quando saí da sala, Liam estava me esperando, sentado na recepção. Assim que me viu, ele se levantou e correu até mim.

— Você está bem? — ele perguntou, segurando meu rosto entre as mãos.

Eu só consegui balançar a cabeça, incapaz de falar. Ele me puxou para um abraço apertado, e eu finalmente desabei.

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De volta à casa de Liam, o silêncio entre nós era ensurdecedor. Ele preparou um chá, sentou-se ao meu lado no sofá e esperou pacientemente que eu falasse.

— Tudo isso foi culpa minha — sussurrei, quebrando o silêncio.

Ele balançou a cabeça.

— Não foi, Mel. Tom escolheu correr. Ele sabia dos riscos tanto quanto você.

— Mas fui eu que provoquei. Eu que o desafiei. E ele quase morreu! — As lágrimas começaram a rolar de novo, e eu escondi o rosto nas mãos.

Liam não tentou interromper meu desabafo. Ele esperou, ouvindo tudo, até que minha voz falhou.

— Você sabe o que eu vejo? — ele perguntou suavemente, inclinando-se para frente. — Eu vejo uma garota que carrega o peso do mundo nas costas porque se importa demais. Você não é perfeita, Mel, mas também não é culpada de tudo de ruim que acontece ao seu redor.

Levantei os olhos para ele, vendo algo nos olhos dele que eu nunca havia notado antes.

— Por que você faz isso? Por que você sempre tenta me salvar? — perguntei, a voz embargada.

Ele deu um sorriso pequeno, cheio de ternura.

— Porque eu te amo.

As palavras dele me atingiram como um raio. Meu coração disparou, e por um momento, esqueci até como respirar. Aquele cara realmente é o mesmo Liam?

— Você… o quê?

Ele segurou minhas mãos, os polegares traçando círculos em minha pele.

— Eu te amo, Mel. Sempre amei. Desde o momento em que você entrou na minha vida, nada mais fez sentido sem você.

Antes que eu pudesse responder, ele se inclinou e me beijou. Foi um beijo suave no início, mas cheio de emoção. Medo, culpa, alívio e amor se misturaram naquele momento, e pela primeira vez em horas, eu me senti segura.

Quando o beijo terminou, ele encostou sua testa na minha.

— Você não está sozinha nisso, ok? Eu estou com você, sempre.

Aquela noite terminou connosco no sofá, abraçados, enquanto o mundo lá fora parecia distante. Por mais caótica que a minha vida fosse, com Liam ao meu lado, eu sabia que poderia enfrentar qualquer coisa.

Continua...

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