Episódio 11: Quem realmente é você?
Mel
Nos últimos dias, algo parecia diferente. Era como se o ar ao meu redor estivesse carregado com uma energia que eu não conseguia explicar. Minha rotina continuava a mesma, mas um pressentimento estranho me acompanhava. No entanto, nada poderia me preparar para o que estava por vir naquela manhã.
A sala estava movimentada como sempre. Risos, cochichos, o barulho de cadeiras sendo arrastadas. Eu já estava sentada quando o professor entrou acompanhado de um rosto novo.
— Classe, este é Gabriel. Ele é um novo aluno e espero que vocês o tratem bem.
Silêncio. Todos olharam para ele, e eu não fui diferente. Gabriel tinha uma presença impossível de ignorar. Seus cabelos platinados refletiam a luz que entrava pela janela, e seus olhos carregavam uma intensidade desconcertante. Ele parecia tão calmo, tão confiante.
— Prazer em conhecê-los. Espero que possamos nos dar bem. — Sua voz era grave, mas ao mesmo tempo tranquila, quase reconfortante.
O burburinho começou imediatamente. Cochichos e risadinhas encheram o ambiente, mas eu continuei olhando para ele. Por quê? Eu não sabia. Havia algo nele que atraía, mas ao mesmo tempo causava um frio na espinha.
Então, para minha surpresa, Gabriel escolheu a carteira ao meu lado. Ele se aproximou, me olhando diretamente, e sorriu de forma amigável, mas havia algo no fundo daquele sorriso que parecia calculado.
— Melinda, certo? — Ele perguntou enquanto se sentava.
Meu coração disparou. Como ele sabia meu nome?
— Sim... — Respondi hesitante, tentando não parecer desconcertada.
— Espero que não se importe de me ter como colega de mesa. — Ele disse, com um tom casual, mas os olhos fixos em mim, como se estivesse tentando me decifrar.
— Não, tudo bem. — Sorri, tentando soar natural, mas minhas mãos estavam suando.
O resto da aula foi um borrão. Gabriel parecia completamente à vontade, enquanto eu tentava ignorar a presença dele ao meu lado. De vez em quando, sentia seu olhar sobre mim. Quando finalmente criei coragem para olhar de volta, ele não desviava. Aquilo me deixava inquieta, mas de uma forma que eu não conseguia definir.
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**Liam**
Eu estava esperando por Mel do lado de fora da sala, como sempre fazia. Mas dessa vez, algo diferente aconteceu. Ela saiu acompanhada de um garoto que eu nunca tinha visto antes. Eles conversavam, riam. Era uma visão que me incomodava profundamente, embora eu não entendesse exatamente por quê.
Quando chegaram até mim, Mel sorriu como se nada estivesse errado.
— Liam, este é Gabriel. Ele acabou de chegar.
Gabriel me olhou com um sorriso educado, mas havia algo nos seus olhos que me fez desconfiar imediatamente. Era como se ele estivesse me avaliando, tentando medir cada reação minha.
— Prazer. — Ele estendeu a mão.
Hesitei, mas acabei apertando-a. Seu aperto era firme, quase como um desafio.
— Liam. — Respondi, minha voz firme.
Ele manteve o sorriso, mas havia algo de falso nele. Algo que eu não conseguia identificar, mas que fazia meu instinto gritar.
— Bem, foi bom conhecê-lo. — Ele disse, soltando minha mão e voltando sua atenção para Mel. — Nos vemos depois, Melinda.
E com isso, ele foi embora, deixando-me com uma sensação de inquietação.
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**Mel**
Mais tarde, enquanto eu caminhava pelo corredor, Gabriel apareceu novamente.
— Ei, Melinda. — Ele chamou, com um sorriso fácil. — Você tem um minuto?
— Claro. — Respondi, surpresa.
— Estava pensando... Você parece gostar de lugares tranquilos. Tem algum aqui que você recomendaria?
Parei por um momento, pensando, mas havia algo no tom dele, na forma como ele parecia genuinamente interessado, que me desarmou.
— Tem o jardim, atrás do prédio principal. É bem calmo.
— Parece perfeito. Você se importaria de me mostrar?
Eu hesitei. Havia algo em Gabriel que me deixava nervosa, mas ao mesmo tempo, não consegui dizer não.
— Tudo bem, vamos.
Caminhamos em silêncio por alguns minutos até chegar ao jardim. Era um dos meus lugares favoritos, com bancos sob a sombra de grandes árvores e flores cuidadosamente plantadas ao redor.
— Uau, é ainda melhor do que imaginei. — Ele disse, olhando ao redor.
— Eu gosto de vir aqui para pensar. — Comentei, me sentando em um dos bancos.
Gabriel me acompanhou, mas em vez de olhar para o jardim, seus olhos estavam fixos em mim.
— Parece combinar com você. Tranquilo, mas com algo de especial. — Ele disse, sua voz suave.
Meu rosto esquentou, e eu ri, desconcertada.
— Obrigada, eu acho.
A conversa continuou fluindo de forma inesperadamente fácil. Gabriel parecia saber exatamente o que dizer para me deixar à vontade. Ele era atencioso, fazendo perguntas que pareciam genuínas, mas ao mesmo tempo, havia algo nele que me deixava alerta.
— E você? O que gosta de fazer? — Perguntei, tentando mudar o foco.
— Ah, coisas simples. Gosto de observar as pessoas, entender o que as torna únicas. — Ele respondeu, com um sorriso que parecia esconder algo mais profundo.
Antes que pudesse responder, ouvi passos atrás de mim. Quando me virei, vi Liam parado ali, a expressão fechada.
— Mel, posso falar com você? — Ele perguntou, ignorando Gabriel completamente.
— Claro. — Respondi, levantando-me. Olhei para Gabriel, que parecia avaliar Liam mais uma vez, mas com um sorriso tranquilo. — A gente se fala depois?
— Com certeza. — Ele disse, mas havia algo no seu tom que parecia desafiar Liam.
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**Liam**
Depois de me certificar de que Mel estava bem, decidi seguir Gabriel. Algo nele estava errado, e eu precisava descobrir o que era.
Ele parecia saber que eu o estava seguindo, porque parou de repente e virou-se para me encarar.
— Está me seguindo? — Ele perguntou, com um tom casual, mas os olhos carregados de algo intenso.
— Quem é você? — Perguntei diretamente, sem rodeios.
— Eu já disse. Sou Gabriel, o novo aluno. — Ele respondeu, com um sorriso enigmático.
— Isso é o que você quer que a gente acredite. Por que você está aqui? Por que está tão interessado na Mel?
Por um momento, ele não respondeu. Apenas me olhou, os olhos parecendo analisar cada detalhe do meu rosto. Então, ele deu um passo à frente, ficando perigosamente perto.
— E por que você está tão preocupado com isso? — Ele perguntou, com um tom baixo, quase ameaçador.
Minha mandíbula travou. Ele estava escondendo algo, e eu sabia disso. Mas antes que pudesse pressioná-lo, ele sorriu, um sorriso frio e calculado.
— Quem sou eu? Você vai descobrir.
Com essas palavras, ele se virou e se afastou, me deixando ali parado, cheio de perguntas sem resposta.
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Continua...
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Atualizado até capítulo 22
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