Capítulo 18
Acordei com a sensação de estar sendo puxada de um pesadelo para outro. Meu corpo pesava, como se estivesse enterrada em um lugar escuro e profundo, e o cheiro de algo desagradável no ar me fazia sentir ainda mais desorientada. Eu estava sentada, amarrada a uma cadeira, as mãos com as cordas apertando minha pele, e o pano sujo em minha boca dificultava minha respiração. Meu estômago estava embrulhado de medo.
Eu não sabia onde estava. Só sabia que o medo tomava conta de mim, me deixando mais vulnerável do que jamais pensei que poderia ser.
Então, a porta se abriu. O som de passos lentos chegou aos meus ouvidos, e antes que eu pudesse tentar entender o que estava acontecendo, vi as sombras. Era Tom. Ele estava ali, parado, e me encarava com um olhar pesado, como se eu fosse responsável por todo o mal do mundo. Meus batimentos aceleraram. Eu não sabia o que ele queria, mas sabia que estava em perigo.
— Mel...— a voz dele era baixa, ameaçadora. — Você não tem ideia do que fez.
Tentei falar, mas o pano na minha boca me impedia de emitir qualquer som. Meu corpo tremia, e o coração batia forte, quase me sufocando.
Ele deu um passo à frente, seus olhos fixos em mim com uma raiva que eu não sabia de onde vinha. O medo me paralisava. Eu queria me defender, mas minhas mãos estavam amarradas e não havia o que eu pudesse fazer.
— Você quase me matou, sabia? O meu carro...** — ele fez uma pausa, como se tentasse controlar a raiva. — Caiu do penhasco. E sabe o que mais? Foi por sua culpa. Por sua causa, Mel.
Meu corpo estremeceu. Aquelas palavras não faziam sentido. O que ele estava dizendo? Como eu poderia ser responsável por algo tão terrível? Mas, pela expressão no rosto dele, ficou claro que ele acreditava nisso.
— Eu quase morri ali. Fiquei preso, e se não fosse por sorte...— ele continuou, seus olhos quase se incendiando de raiva. — Agora, você e seu namoradinho vai pagar por isso. Você vai pagar por me envolver nesse jogo idiota que você começou.
Eu não entendia nada. A confusão me tomava por completo, e a dor do medo e da impotência me consumia. O que ele estava dizendo? Como eu tinha causado aquilo? Eu queria gritar, queria lutar, mas estava trancada ali, à mercê dele.
A porta se abriu mais uma vez, e Pietra entrou, sorrindo como sempre, mas seu sorriso estava distante, algo vazio nele. Ela caminhou até Tom e o olhou de maneira condescendente. O sorriso dela parecia uma máscara, e eu podia sentir que havia mais por trás daquilo.
— Ah, Mel... Você ainda não percebeu? — a voz dela era suave, mas havia um veneno perceptível em suas palavras. Ela se aproximou de mim, com os olhos brilhando de superioridade. — Tudo estava perfeito antes de você aparecer. Eu estava no controle. Tinha Liam na palma da minha mão, e você... Você estragou tudo.
Meu coração parou por um segundo. Como ela poderia falar daquele jeito? Como ela poderia ser tão fria, tão cruel?
— Você estragou tudo, Mel. — Pietra se agachou na minha frente, olhando-me de cima para baixo, e havia um prazer cruel em sua expressão. — Eu estava em um lugar de poder, e agora... agora você está aqui, sendo fraca, inútil, amarrada e sem saber o que fazer.
Cada palavra dela cortava mais fundo. Eu não conseguia entender o que ela estava tentando fazer comigo, mas de alguma forma, senti que ela estava me desmoronando, me fazendo sentir que não valia nada.
— Você não entende... não entende nada, Pietra! — a raiva subiu até minha garganta. Eu queria gritar, queria que ela soubesse o que estava fazendo, mas as palavras estavam presas.
Ela riu, um riso baixo, quase sinistro.
— Claro que entendo, Mel. Eu entendo tudo muito bem.— ela inclinou a cabeça, observando-me com um olhar de superioridade absoluta. — Eu sabia que você não ia durar. Nunca foi para você, essa vida com Liam. Ele vai acabar se afastando de você, porque você é fraca. Sempre foi.
As palavras dela eram como lâminas, afiadas, entrando em minha pele e deixando uma dor crescente. Eu queria protestar, queria negar, mas algo dentro de mim vacilou. Eu estava sendo esmagada pela ideia de que Pietra estava certa, que eu não tinha lugar naquela história.
— Você é só um obstáculo, Mel. — Pietra continuou, se aproximando mais ainda. — Liam vai me escolher, porque sou melhor que você. Você não tem chance. Nunca teve.
Aquelas palavras cortaram fundo, mais do que qualquer coisa que eu já tivesse experimentado. Eu sentia meu coração se despedaçando, mas, ao mesmo tempo, uma raiva crescente tomava conta de mim. Não, eu não ia deixar que ela me destruísse dessa forma. Não ia permitir que ela se saísse com a dela.
— Você está errada, Pietra. — a voz me falhou, mas eu consegui me manter firme, tentando recuperar um pouco da minha força. — Liam... ele é meu. Não importa o que você diga.
Pietra deu um passo mais perto, rindo baixo, e a intensidade de seu olhar fez meu corpo tremer de medo e raiva.
— Você não entende, Mel. Não entende nada. — ela passou a mão no meu cabelo, com um toque de quem tentava controlar tudo. — Você está sozinha. E vai ver. Vai ver o que acontece quando tenta ficar no caminho de quem tem poder.
E, com um movimento rápido e cruel, Pietra levantou minha cabeça, forçando-me a encará-la diretamente. Seu olhar era frio, sem empatia, como se ela estivesse se divertindo com a minha dor.
— Vai ficar sozinha. — ela repetiu, com um sorriso torto. — E tudo o que você tinha... tudo o que você achava que era seu, vai desaparecer. Liam vai me escolher.
O impacto dessas palavras me fez tremer por dentro. Eu estava começando a entender que, naquele jogo, eu não tinha lugar. Pietra sabia manipular tudo, sabia como me fazer sentir insignificante. E naquele momento, eu me senti derrotada.
Eu queria me libertar, gritar, correr, mas tudo o que eu podia fazer era me sentir cada vez mais presa naquele cenário de dor. Tom, Pietra... todos estavam contra mim, e eu não sabia se conseguiria sair de lá com algum pedaço de mim intacto.
Continua...
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Atualizado até capítulo 22
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