O Beijo No Caos

Liam

Capítulo 6

Quando soube que Mel ia a um encontro, senti meu estômago revirar. A ideia de vê-la com outro cara era insuportável. Mel pediu que eu fosse embora, mas eu sabia que ela precisava de mim, mesmo que ainda não percebesse. Decidi segui-la. O encontro era em um cinema drive-in, e eu fiquei escondido, observando de longe. Eles pareciam se divertir, rindo e conversando, até o momento em que se beijaram. Algo dentro de mim quebrou. Senti uma raiva profunda, mas permaneci atento.

Quando Mel saiu do encontro, parecia perturbada, e isso me preocupou ainda mais. Ela entrou em casa, e eu esperei do lado de fora, ansioso. Pouco tempo depois, vi-a sair em disparada. O jeito agressivo com que dirigia mostrava que algo estava errado. Corri para o carro e a segui, mas, em um momento de descuido, ela desapareceu. Eu a perdi, e uma sensação de pânico tomou conta de mim. Continuei dirigindo, até que avistei o carro dela, parado ao lado de uma viatura policial. Fiquei à distância, observando.

Ao ver Mel desmaiada e machucada no chão, algo escuro e profundo se libertou dentro de mim. A visão dela, inerte, os machucados visíveis em seu rosto... Eu não sabia mais quem eu era. Aquele animal dentro de mim acordou, e ele queria vingança. Com passos firmes e rápidos, me aproximei do policial e, sem hesitar, o empurrei com toda a minha força.

— Qual é o seu problema, cara? — Ele me olhou, surpreso e confuso, mas para mim, ele não era mais um homem; era apenas um alvo.

Um sorriso distorcido surgiu em meu rosto enquanto eu o observava cambalear. Meu sangue fervia, e meu corpo inteiro vibrava com uma fúria incontrolável. Sem pensar, meus punhos se ergueram, e no instante seguinte, eu estava sobre ele, socando-o com uma força brutal. Cada golpe trazia uma sensação de prazer mórbido, uma satisfação sombria. Senti meus próprios lábios se curvarem em um sorriso enquanto o sangue começava a escorrer de seus cortes, manchando meus punhos, meu rosto, tudo ao redor.

— Você machucou a Mel, seu filho da puta. — minha voz saiu rouca e ameaçadora, quase como um sussurro cheio de ódio.

Cada vez que ele tentava se proteger ou lutar de volta, aumentava minha vontade de esmagá-lo ainda mais. Meus olhos fixaram-se nos dele, que agora estavam cheios de medo, e isso só me fez querer vê-lo sofrer mais. A cada golpe, eu sentia minha fúria crescer, uma fome insaciável de vê-lo completamente destruído. Eu o esmurrava sem piedade, até seus gritos se transformarem em meros gemidos de dor.

No meio daquela fúria, senti algo suave contra minha pele: os braços de Mel me envolvendo, puxando-me de volta. Sua voz, fraca e trêmula, chegou até mim.

— Liam... por favor, para. Por favor...

Meu corpo congelou. Antes que eu pudesse entender, Mel se aproximou ainda mais e pressionou seus lábios contra os meus. O beijo foi suave, quente, e me fez sentir como se o mundo à nossa volta tivesse desaparecido. Aquele toque, tão inesperado, tão doce em meio ao caos, foi como um choque que me arrancou da escuridão onde eu estava preso.

Era tudo o que eu precisava para voltar à realidade, para lembrar quem eu era. Senti uma calma profunda me envolver, apagando a raiva que queimava há poucos segundos. Minha respiração ficou mais lenta, meu coração ainda disparado, mas agora por outra razão. E, então, como se tivesse dado tudo de si, logo senti seu corpo amolecer.

Olhei para ela, o rosto sereno mesmo ferido, e senti algo se quebrar dentro de mim. Abraçando-a com cuidado, percebi que nada mais importava além de protegê-la.

Esquecendo completamente o policial ensanguentado e indefeso no chão, peguei-a com cuidado e a levei ao hospital, sentindo uma mistura estranha de culpa e orgulho pelo que tinha feito por ela.

— Felizmente, os ferimentos não são graves — disse o médico, sua expressão surpresa ao me ver coberto de sangue.

Expliquei o que havia acontecido, omitindo detalhes, dizendo que só reagi ao ver Mel machucada. Em pouco tempo, a mãe de Mel chegou, acompanhada por algumas autoridades. Ela parecia preocupada, mas aliviada.

— Obrigada por cuidar da minha filha, rapaz. — Seus olhos me analisavam com cautela. — Eu já te vi em algum lugar?

Se Mel já tinha problemas suficientes, a última coisa que eu queria era criar mais.

— Não, senhora. Acho que me lembraria se tivéssemos nos conhecido. — menti, tentando parecer convincente.

Ela hesitou, me observando atentamente. — Seu rosto me parece familiar... — murmurou.

Para minha sorte, o médico voltou nesse instante.

— Vocês podem entrar para vê-la agora.

As autoridades me pararam novamente, fazendo algumas perguntas sobre o que aconteceu. Eu mantive a história simples: vi o policial machucar Mel e, sem pensar, reagi para defendê-la, agindo por puro instinto, movido pelo carinho que sentia. Minhas palavras pareceram convencê-los, e logo permitiram que eu entrasse no quarto.

Mel estava desacordada, mas logo começou a abrir os olhos. Quando finalmente acordou, viu sua mãe primeiro e, depois de um tempo, seus olhos encontraram os meus. A culpa me tomou, e tudo que consegui fazer foi me sentar ao lado dela em silêncio. Ela sorriu suavemente, me agradecendo. Esse simples gesto foi como uma faca girando no meu peito.

Quando sua mãe saiu do quarto, Mel se virou para mim e me abraçou, de novo. Por ela, eu seria capaz de qualquer coisa. Destruiria o mundo se fosse preciso, arrancaria as estrelas do céu. Queria dizer tudo isso, mas ela apenas segurou minha mão e me pediu para viver aquele momento com ela. Respeitei seu desejo. Depois de algumas horas, Mel foi liberada, e seguimos caminhos separados.

Desde que saiu do hospital, não a vi novamente. Talvez eu devesse arriscar e mandar uma mensagem no Instagram — afinal, não peguei o número dela.

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