Zoe

Zoe Narrando

Assim que Vicenzo recebeu alta, fui praticamente arrastada para a casa dele. Não tive muita escolha, estou de mãos atadas. Assim que chegamos vi que não era qualquer casa. O lugar parecia um palácio. E não estou exagerando. Era gigantesco, cercado por seguranças para todos os lados, como se fosse uma fortaleza. Parecia mais um castelo moderno, desses que a gente só vê em filmes de máfia. E agora, eu estava dentro desse mundo.

Assim que cheguei, fui bem recebida. Os funcionários eram atenciosos e se certificaram de que eu tinha tudo o que precisava. Meu quarto ficava ao lado do de Vicenzo, e era extremamente confortável. Tudo de primeira, desde a cama enorme até as janelas que davam para o imenso jardim que rodeava o lugar. E, claro, tinha segurança em todos os cantos, como se cada movimento ali fosse monitorado. Mesmo com todo Conforto e luxo, eu sinto saudades da minha mãe, da minha casa, da minha vida lá fora.

A mãe de Vicenzo era a única que me tratava com certa naturalidade, sempre muito educada e gentil, querendo saber se eu estava confortável ou precisando de algo. Já o pai dele, Don Romano, era completamente diferente. A única vez que o via era quando ele entrava no quarto do filho para checar como estava a recuperação. Ele nunca trocou mais do que duas ou três palavras comigo, e toda vez que estava por perto, o clima ficava pesado, tenso. Tenho medo desse mundo.

Minha rotina ali era praticamente toda voltada para cuidar de Vicenzo. Ele está bem, o coração curado. A cirurgia foi um sucesso, e agora era só seguir as orientações para o pós-operatório. E eu estava lá, me dedicando cada segundo a isso. Não porque me sentia obrigada, mas porque, de alguma forma, sentia que era o certo a se fazer. Apesar de tudo, Vicenzo é alguém por quem eu estou desenvolvendo um carinho verdadeiro.

— Você deve estar se sentindo melhor, não é? — perguntei, enquanto ajustava a medicação.

— Melhor do que nunca — ele respondeu, com aquele sorriso discreto que ele raramente soltava. — Nunca pensei que ia me sentir assim tão rápido.

Ele é uma mistura de mistério e nobreza. Por mais que eu soubesse que ele faz parte de algo perigoso, ele é um mafioso, ele me mostrava, aos poucos, que tinha um coração diferente do que eu imaginava. Durante os dias no hospital, e agora aqui, na Fortaleza da família dele, construímos uma amizade que eu nunca esperei que fosse acontecer. No início, ele era fechado, distante, mas agora, ele se permitia ser ele mesmo na minha presença.

— Você se acostumou rápido com isso tudo, não é? — ele me perguntou, certa vez, quando estávamos na varanda do quarto dele, olhando para o enorme jardim.

— Com o quê? — perguntei, fingindo não entender.

— Comigo, com essa vida, com tudo isso ao redor — ele gesticulou para o vasto território da propriedade, como se dissesse que nem ele se sentia parte disso tudo.

— Acho que a gente se acostuma com qualquer coisa, né? Mas eu só estou aqui por você, Vicenzo. Esse é meu trabalho, E também o seu pai deu aquela forcinha — disse, tentando desviar do peso da situação.

— Só pelo trabalho? — ele me olhou sério, como se quisesse escavar a verdade nas minhas palavras.

Parei por um momento. Não era só pelo trabalho. E ele sabia disso. Eu não conseguia esconder que, em algum nível, eu me importava com ele. O carinho que sinto por ele é real. Não é o mafioso que as pessoas temiam. É o homem que se abriu comigo, que me mostrou que, no fundo, é alguém de bom coração, apesar do mundo em que está envolvido.

— Não só por isso — admiti, baixando os olhos.

— Eu sabia — ele sorriu novamente, mas dessa vez, era um sorriso leve, sem ironia, sem as defesas que ele costumava levantar.

A verdade é que Vicenzo tinha se tornado mais do que apenas um paciente. A gente passou tanto tempo juntos, nos momentos mais vulneráveis, que a amizade que criamos ali é algo especial. Ele, aos poucos, me mostrou quem era de verdade. Um homem que carrega uma vida complicada, um peso nas costas que ninguém deveria carregar, mas que ainda assim, tem um coração nobre.

Ele não falava muito, mas suas ações falavam por ele. Ele se importa comigo de uma maneira genuína.

— Eu não sei o que teria sido de mim sem você, Zoe. Você foi a única que viu o meu verdadeiro eu — ele disse um dia, depois de mais uma sessão de fisioterapia.

— Vicenzo, você é forte. Mesmo sem mim, teria dado um jeito.

— Talvez. Mas, com você aqui, ficou mais fácil.

Olhei para ele, e por um momento, me perguntei o quanto essa aproximação era perigosa. Eu sei de quem ele é filho, sabia o que a família dele representa. Mas também sei que ele não era só isso. Ele era mais do que o rótulo de "mafioso". E agora, depois de tudo que passamos, eu não conseguia mais enxergá-lo apenas como o homem da organização.

Os dias iam passando, e Vicenzo se recuperava bem. Seguia todas as orientações, e o pós-operatório corria sem problemas. Mas algo me dizia que minha vida nunca mais será a mesma depois disso tudo.

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Comments

Suelana Azevedo

Suelana Azevedo

claro que não zoe o amor está no ar /Heart//Heart//Heart//Heart//Heart/

2025-03-03

0

Gemima Costa

Gemima Costa

Zoe tá amando e não se deu conta disso e Vicenzo tbm 🥰🥰🥰🥰🥰

2024-11-23

4

Leoneide Alvez

Leoneide Alvez

é amor que tão sentindo

2024-11-22

1

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