* Celeste Venturi *
O salão escova as conversas e risadas enquanto me movia pelo espaço com passos firmes, tentando aliviar a tensão que crescia a cada encontro e cada olhar calculado. Precisava de um momento longe da agitação e dos olhares atentos, então decidi ir até o banheiro para refrescar minha mente e ajustar o vestido. Ao passar pelo espelho do lavatório, vi meu reflexo: o vestido vermelho, caindo perfeitamente, destacava minha presença de maneira inegável. Era como se cada detalhe tivesse sido cuidadosamente pensado para aquela noite, e, por um momento, me senti pronta para enfrentar qualquer coisa que aquele universo pudesse lançar contra mim.
Assim que terminei e comecei a sair, notei uma figura familiar se aproximando pelo corredor, os saltos ecoando enquanto ela me fitava com um olhar cheio de desprezo. Lucrezia parou bem em minha frente, bloqueando a passagem e segurando uma taça de vinho com uma postura de quem esperava aquele momento. O sorriso dela se alargou e, sem dizer nada, ela inclinou ligeiramente a taça, derramando o líquido vermelho de propósito sobre meu vestido.
– Ops... Que desajeitada – disse Lucrezia com uma falsa expressão de surpresa, inclinando a cabeça. – Parece que esse tom de vermelho combina mais com você agora.
Respirei fundo, sentindo meu sangue ferver enquanto olhava o vinho escorrendo pelo tecido. Não consegui evitar; dei um passo à frente, o que a fez erguer uma sobrancelha, claramente provocando-me.
– Qual é o seu problema, Lucrezia? – perguntei, mantendo a voz baixa e controlada, mas a irritação escapava entre as palavras.
Ela riu de forma afetada, dando um passo para o lado, mas não sem antes lançar um olhar desdenhoso.
– Meu problema, Celeste? – Ela se aproximou, o rosto a poucos centímetros do meu. – O problema é que certas pessoas simplesmente não pertencem a esse mundo. Você acha que um vestido bonito e o sobrenome Alighieri vão te fazer parte dele? Que patético.
Senti o peito arder, e cada palavra dela era um golpe. Lucrezia não parava, parecia absorver cada gota de ressentimento enquanto falava.
– Dom Alighieri precisa de uma mulher de verdade, não de uma garota mimada e sem... – ela fez uma pausa, um sorriso venenoso se formando em seus lábios – sal.
As palavras ecoaram no corredor vazio, e, naquele instante, a gota final transbordou. Antes que pudesse pensar duas vezes, me aproximei dela, encurtando a distância e deixando claro que eu não recuaria daquela provocação.
– Cuidado com o que diz, Lucrezia. – Minha voz saiu afiada, quase sibilante. – Uma mulher de verdade? Talvez alguém como você, que precisa provocar para se sentir relevante?
Ela ficou séria, o rosto endurecendo.
– Ora, ora... Finalmente resolveu mostrar as garras, não é? Achei que era só uma bonequinha de porcelana.
– E achei que você soubesse ao menos disfarçar melhor sua inveja.
Lucrezia estreitou os olhos, e, em um instante, a provocação se transformou em algo mais sombrio, mais intenso. Antes que eu percebesse, estávamos frente a frente, o ódio silencioso queimando entre nós. Ela deu um passo para trás, como se recuasse, mas logo voltou a se inclinar para a frente, perto do meu ouvido.
– Você vai aprender que não é nada além de um estorvo aqui. E quando Dom perceber isso... – Ela deixou a ameaça pairar.
Foi o suficiente. Sem mais palavras, dei um passo firme e a empurrei com força, o impacto a pegando de surpresa. Ela quase perdeu o equilíbrio, mas se firmou e me olhou, chocada e furiosa.
– Quem você pensa que é, Celeste? – ela gritou, e o som ecoou pelo corredor vazio.
– Talvez você devesse se perguntar isso – retruquei, avançando mais uma vez. – Leandro Alighieri é meu marido, e se você tem algum problema com isso, é hora de resolver. Ou vai continuar se escondendo atrás desse teatro ridículo?
Ela ergueu a mão como se fosse me atingir, mas a agarrei pelo pulso, segurando-a firmemente, sentindo a raiva pulsar entre nós. A expressão dela se transformou em puro ódio, mas, no fundo, percebi uma faísca de surpresa e talvez até medo.
– Não ache que vou me intimidar por suas ameaças. E se derramar mais uma gota que seja em mim, o próximo vermelho vai ser o seu.
Soltei o pulso dela com um empurrão leve, e Lucrezia deu um passo para trás, sem saber como reagir. A expressão dela era pura raiva, mas em seu olhar também havia uma ponta de surpresa pela minha reação. Eu ainda sentia o calor da briga, meus dedos ligeiramente trêmulos com a intensidade do que acabara de acontecer. E então, o som de passos pesados ressoou pelo corredor, aproximando-se de nós.
Virei-me para encontrar Leandro e, ao lado dele, o marido de Lucrezia, Lorenzo Conti, um capo influente, com expressão fechada e olhos apertados, focados na esposa. Ao ver Lorenzo, Lucrezia recuou um pouco, como se a máscara de confiança que exibia diante de mim tivesse finalmente se quebrado.
– Lucrezia, o que está acontecendo aqui? – A voz de Lorenzo era fria, um tom de reprovação evidente. Seus olhos pousaram no vestido manchado de vinho que eu usava, e ele entendeu imediatamente o que havia acontecido.
– Estava apenas... conversando com Celeste – disse ela, forçando um sorriso, mas Lorenzo não parecia convencido. Ele suspirou, os olhos endurecendo, e lançou um olhar acusador à esposa.
Leandro deu um passo à frente, seu olhar penetrante fixo em Lucrezia. Sua postura imponente enchia o espaço, e apenas o silêncio dele já era uma advertência. Lorenzo engoliu em seco e se dirigiu a ele com um tom respeitoso.
– Dom Alighieri, me perdoe pela conduta da minha esposa – disse Lorenzo, inclinado ligeiramente a cabeça em um gesto de respeito. – Acredito que ela tenha esquecido seu lugar.
Leandro assentiu levemente, mas o olhar frio que lançou para Lucrezia dizia tudo. Lorenzo, percebendo o descontentamento de Leandro, segurou o braço da esposa com firmeza, trazendo-a para perto dele enquanto falava baixo e incisivo:
– Espero que entenda, Lucrezia, que faltas de respeito não são toleradas aqui. Ainda mais com a esposa de Dom Leandro Alighieri. Se não tem algo construtivo a dizer, sugiro que permaneça em silêncio.
Lucrezia abaixou o olhar, visivelmente envergonhada. Eu observei a cena, o calor da raiva ainda presente em mim, mas com uma sensação de vitória silenciosa. A presença de Leandro ao meu lado, sua postura firme e olhar implacável, era o suficiente para deixar claro que ele não aceitaria menos que respeito absoluto.
Depois de um momento tenso, Lorenzo se virou novamente para Leandro.
– Mais uma vez, minhas desculpas, Dom Alighieri. – Ele inclinou a cabeça e, em seguida, olhou para mim. – Sra. Alighieri, não se preocupe, minha esposa entenderá que não deve importuná-la novamente.
Leandro lançou um último olhar para Lucrezia, a imponência de sua presença deixando claro que qualquer tentativa de afronta à minha posição teria um preço. Ele não precisou dizer nada; seu silêncio falava mais alto do que qualquer palavra. Em seguida, voltou-se para mim e, oferecendo seu braço, indicou que era hora de sairmos daquele corredor.
Ao sairmos do salão, Leandro me guiou silenciosamente até a saída, o rosto sério e impenetrável enquanto passávamos pelos olhares curiosos dos convidados. Lá fora, o ar fresco da noite trouxe uma sensação de alívio. Sem uma palavra, ele fez sinal para o segurança, que rapidamente trouxe o carro. Entramos, e o silêncio continuou, agora mais íntimo, enquanto o carro deixava o evento para trás.
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Atualizado até capítulo 140
Comments
Marilena Yuriko Nishiyama
a Celeste deveria ter dado umas bofetadas nessa Lucrezia,ô mulher mal amada,querendo ser a mulher do Dom Leandro,vc Lucrezia parece mais uma p**a do que ser mulher de alguém isso sim
2024-11-11
3
Marcia Cristina Carneiro
celeste mais uma vez 👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏 não abaixa a cabeça 19/11/24/
2024-11-20
2
Fátima Ribeiro
Celeste tem que se impor mesmo. Mostar a que veio!
2024-12-05
1