* Celeste Venturi *
Entrei no banheiro com o vestido vermelho colocando cuidadosamente dobrado sobre o balcão. O tom vibrante de vermelho parecia chamar minha atenção com um misto de poder, e um certo tipo de sedução. Fui até o chuveiro, permitindo que a água quente escorresse sobre mim. O toque suave do sabonete, o aroma floral que permeava o ar… Tudo parecia tentar me acalmar, mas minha mente estava agitada. Eu sabia que a noite seria cheia de tensão. Quando saí do banho, me envolvi em uma toalha macia e segui até o balcão, onde meus produtos de beleza estavam organizados. O vestido continuava ali, esperando por mim, pronto para me transformar na mulher que eu teria que ser.
Comecei a me arrumar, começando pela maquiagem. A base leve uniformizou minha pele, e o pó translúcido a suavizou ainda mais. A sombra dourada nos olhos realçou minha expressão, e o rímel alongou meus cílios, dando um ar mais intenso ao olhar. Quando apliquei o batom vermelho, senti que estava completa. O tom profundo e sedutor, criando o contraste perfeito para a noite.
Coloquei o vestido vermelho, que se ajustou perfeitamente ao meu corpo, como se fosse feito sob medida. O tecido deslizava sobre minha pele de forma sensual e poderosa. O decote discreto, o corte elegante… Com as mãos, deixei meu cabelo solto, mas com um toque mais cuidadoso, as ondas naturais que ele formava agora estavam mais suaves, caindo ao redor do meu rosto e ombros com uma leveza que contrastava com a sofisticação do vestido.
Ouvi uma batida na porta e, antes que eu pudesse responder, a voz suave do segurança atravessou o silêncio.
— Sra. Alighieri, com a devida permissão está no horário.
A reverência na voz dele era clara, e eu sabia que era respeitado não apenas pela posição de Leandro, mas também pela forma como todos se comportavam ao redor dele — e de mim, agora.
— Ok, estou indo.— respondi, minha voz firme, mas com um toque de nervosismo que tentei disfarçar.
Indo em direção a porta, abri-la, saindo do meu quarto. O segurança me seguiu em silêncio, atento a cada movimento. Quando chegamos ao carro, o motorista estava à porta do veículo, esperando por mim.
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O carro parou em frente ao local do evento. O lugar era imenso, um edifício de arquitetura imponente, onde a noite se transformava em algo quase cinematográfico. As luzes brilhavam, e seguranças estavam estrategicamente posicionados, com um olhar atento e um comportamento irrepreensível. Saí do carro com a ajuda do segurança, e, no instante em que pisei no chão, percebi que não era mais Celeste Venturi.
Ali, em frente à porta de entrada, estava Leandro. Seu olhar, como sempre, estava fixo no ambiente ao seu redor, atento a cada movimento, a cada detalhe. Quando me viu, seus olhos se desviaram por um instante para mim. Não havia sorriso em seu rosto, apenas uma seriedade imponente. Ele se manteve parado, sua postura reta e absolutamente controlada.
Leandro fez um leve movimento com a cabeça, um sinal para que eu me aproximasse. Sua presença era pesada, e o simples fato de ele estar ali, esperando, parecia carregar uma expectativa silenciosa, como se nada pudesse sair dos trilhos naquela noite.
— Está pronta, Piccolina? — Sua voz era baixa, quase um sussurro, mas com um tom firme, sem espaço para hesitações.
Eu olhei para ele, tentando conter a ansiedade que começava a surgir. Seus olhos, tão intensos, me encaravam como se já soubesse tudo o que eu estava pensando, como se me sondasse por dentro. Não havia espaço para dúvidas, apenas a certeza de que ele estava no controle.
— Sim — respondi com firmeza, tentando manter o controle da minha própria respiração.
Leandro segurava minha mão com firmeza enquanto atravessávamos a grande porta do evento. O lugar era um espetáculo de sofisticação. Chãos de mármore, lustres de cristal reluziam, e a decoração imaculada exalava um ar de poder. Todos os olhares se voltaram para nós, mas, sem surpresa, Leandro não parecia se importar com a atenção. Ele simplesmente continuou seu caminho, com passos calculados e uma aura de autoridade que exigia respeito.
Os murmúrios começaram imediatamente, mas logo foram silenciados quando Leandro se aproximou de um grupo de homens de postura rígida, como se sua presença impusesse ordem naquele ambiente. Ele me conduziu com naturalidade, como se aquele fosse, de fato, o nosso lugar, onde ele sempre seria o centro das atenções.
— Dom Alighieri, é uma honra vê-lo. — Um homem de idade avançada, com um terno bem cortado, se aproximou para cumprimentá-lo. Ele fez uma leve reverência e então me olhou com interesse. — E esta é sua esposa? — O homem disse, com um sorriso admirado.
Leandro não parecia se impressionar com a formalidade. Com um movimento sutil de mão, ele me apresentou sem nenhuma demonstração de afeto, apenas de respeito.
— Esta é minha esposa, Celeste Alighieri. — Ele disse com voz firme, quase como se estivesse declarando o fato para todos ao redor. — Celeste, este é Giovanni Marzano, nosso aliado do norte.
Giovanni acenou com a cabeça e então, com um sorriso afável, se voltou para mim.
— É um prazer conhecê-la, Sra. Celeste Alighieri. — Ele disse, a suavidade em sua voz tentando passar um toque de cordialidade, mas com o respeito que a situação exigia. — Dom Alighieri fez uma excelente escolha.
Leandro permaneceu impassível, mas seu olhar, que se dirigia de volta a Giovanni, já indicava que a conversa deveria seguir no ritmo que ele determinasse. Sem perder tempo, ele acenou para outros ao redor e fez mais apresentações rápidas sobre mim, a sua esposa, eu permanecia ao seu lado, acenando e observando como ele dominava a cena.
— Dom Alighieri, devo dizer, — continuou Giovanni com um tom de aprovação — não há dúvida de que fez uma excelente escolha ao se casar com Sra. Alighieri. Um mulher encantadora com uma beleza juvenil.
Leandro, sem se deixar afetar, manteve a compostura. Seu rosto impassível não refletia nem orgulho nem desconforto, apenas uma frieza que parecia inabalável.
— Agradeço, Giovanni. — Ele disse, com uma leve inclinação de cabeça. — A opinião de um aliado sempre é valiosa.
Logo, Leandro se afastou do grupo, direcionando-se à mesa do bar onde outros mafiosos estavam reunidos. O som dos copos tilintando e risadas abafadas preenchiam o espaço. Ele se sentou com eles, sua postura imponente rapidamente fazendo com que os outros ao seu redor se aquietassem, como se o líder estivesse ali, pronto para comandar.
Enquanto isso, Giovanni se afastou, acompanhado de sua esposa Lara, uma mulher de vestido de seda verde, que logo saiu de perto do seu marido se aproximando de mim com um sorriso educado e olhos curiosos.
— Celeste Alighieri, é um prazer finalmente conhecê-la! — Lara disse com um sorriso caloroso, estendendo a mão. — Eu sou Lara, esposa de Giovanni Marzano.
Ela me olhou com simpatia, seus olhos suaves e acolhedores, sem aquele brilho calculado de quem observa em busca de fraquezas. Seu sorriso era sincero, e ela me fez sentir mais à vontade.
— Eu soube muito sobre você, Dom Leandro Alighieri falou bastante sobre sua esposa e sua família.
Ela falou com uma naturalidade que me fez relaxar um pouco, e pude perceber que Lara não tinha interesse em seguir o padrão de distanciamento e formalidade das outras esposas ali presentes. Ela estava genuinamente interessada em mim.
— É muito bom ouvir isso, Lara. — Respondi com um sorriso discreto. — Leandro... Dom Leandro Alighieri, tem me mostrado tanto sobre esse novo mundo. Ainda estou me acostumando, mas é bom encontrar alguém que já tenha essa experiência.
Lara riu suavemente, seus olhos brilharam com empatia.
— Eu entendo perfeitamente. Quando me casei com Giovanni, também fui jogada de cabeça nesse universo. Mas logo você vai ver, é tudo uma questão de se adaptar. — Ela disse com um sorriso compreensivo. — E posso te garantir, Celeste, Dom Leandro Alighieri é muito respeitado por aqui. Ele fez uma excelente escolha ao te escolher como esposa. Você vai ver como todos vão te apoiar aqui.
O tom dela era acolhedor, e de alguma forma, suas palavras fizeram com que eu me sentisse mais confiante. Ela não parecia querer me testar ou me colocar em uma posição desconfortável, ao contrário, suas palavras eram de incentivo.
Enquanto conversávamos, ela me guiou para uma mesa com outras mulheres, todas muito bem arrumadas e com posturas impecáveis. Lara me apresentou a algumas delas com simpatia, e embora as mulheres parecessem cautelosas, pude perceber que todas estavam atentas a qualquer movimento meu, como se estivesse sendo analisada em cada palavra que eu dissesse.
— Aqui é o nosso espaço. Todos estão sempre muito focados nos homens, mas nós também temos nossos próprios interesses. — Lara comentou enquanto nos sentávamos. Ela deu uma piscadela, claramente tentando aliviar a tensão. — E, caso precise de algo, me avise. Estarei por aqui, sempre que precisar de alguém para conversar.
Eu sorri agradecida, sentindo uma sensação de alívio. Lara parecia ser a única ali disposta a me tratar de forma mais humana, sem o peso da competição ou do julgamento. E, ao mesmo tempo, ela não deixava de me alertar sobre o que esperar desse novo mundo, que agora parecia mais complexo do que eu imaginava.
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Lara manteve um sorriso acolhedor enquanto puxava assuntos leves com as outras mulheres, fazendo com que a conversa fluísse, mesmo em meio a um ambiente em que todas pareciam observar e medir cada palavra. A expressão de Lara era controlada, como se ela soubesse exatamente como manter as coisas em paz, mas eu podia sentir que, por trás do sorriso, ela compreendia as intrigas e tensões que pairavam no ar.
Enquanto eu me acomodava na conversa, meus olhos foram involuntariamente atraídos para Leandro. Ele estava cercado por outros homens, sua postura forte e autoritária se destacando na mesa. Observando-o dali, era impossível não notar o respeito que todos ao redor demonstravam. Os outros capos riam de maneira contida, atentos a cada gesto de Dom Leandro Alighieri, como se ele definisse o tom da conversa.
Lara percebeu meu olhar e se inclinou levemente, o tom baixo e confidencial.
— Dom Leandro Alighieri realmente sabe como comandar o ambiente, não é? — Ela comentou com um sorriso sutil. — Cada um desses homens o respeita não só pelo poder que possui, mas pela forma como ele mantém tudo sob controle.
Eu balancei a cabeça, voltando minha atenção para a mesa, tentando não parecer tão curiosa ou impressionada.
— Imagino que seja... natural para ele. — Respondi suavemente.
Antes que a conversa pudesse continuar, uma mulher com um vestido preto de corte impecável, cabelo escuro puxado para trás e um olhar penetrante, se aproximou da mesa onde estávamos. Ela parecia carregada de uma altivez natural, e suas joias brilhavam sob a luz do salão, refletindo um gosto extravagante.
— Celeste Alighieri, não é? — Ela perguntou, sem esperar resposta, como se já soubesse quem eu era. O tom dela tinha uma mistura de curiosidade e algo mais sutil, talvez um julgamento velado.
Lara deu um sorriso diplomático e interveio antes que eu pudesse responder.
— Esta é Celeste Alighieri, sim. E Celeste, esta é Lucrezia Costanzo, esposa de um dos capos da família Costanzo.
Ela se inclinou para frente, com uma expressão que fazia questão de mostrar superioridade, e olhou para mim como se estivesse prestes a revelar algo explosivo. – Imagino que, sendo esposa de Dom Leandro Alighieri, você já deva estar... acostumada com certas questões. Ou ainda não?
Eu franzi o cenho, sem entender bem a insinuação, mas mantendo a expressão impassível. Lara percebeu o desconforto e tentou intervir com uma leve tossida, mas Lucrezia não deu espaço.
– Ou será que você ainda não sabe sobre as... – ela fez uma pausa, sorrindo com um ar de falsa inocência – sobre as outras mulheres que circulam na vida dele? Afinal, Dom Alighieri é um homem de... – ela lançou um olhar calculado na direção dele – interesses amplos.
A insinuação era clara, e meu coração apertou por um instante, mas mantive a postura, me recusando a dar a ela qualquer satisfação.
– O que está tentando insinuar, Lucrezia? – Minha voz saiu controlada, mas firme.
Ela deu um sorriso debochado, recuando um passo e cruzando os braços.
– Ah, por favor, Celeste. Acredita mesmo que um homem como Dom Leandro Alighieri ficaria limitado a uma esposa tão... – ela me lançou um olhar de cima a baixo, e seu sorriso se alargou com desprezo – sem sal?
A palavra sem sal soou como uma faca, e senti uma onda de calor percorrer meu corpo. Olhei para Lara, esperando uma intervenção, mas o olhar dela era de alerta, como se estivesse esperando para ver minha reação.
Foi a gota d’água. Antes que eu percebesse, avancei um passo em direção a Lucrezia, e o choque no rosto dela foi imediato. Sentia meus músculos tensos e minha voz saiu fria e decidida.
– E a senhora acha que alguém como você pode saber o que Dom Alighieri faz ou deixa de fazer? Talvez seja a senhora que esteja... limitada a rumores e inveja, não?
As outras mulheres à nossa volta ficaram boquiabertas, e Lucrezia me olhava como se não acreditasse que eu, de fato, havia ousado confrontá-la. Ela tentou dar um passo para trás, mas me aproximei, sem recuar um centímetro. Minha voz era um sussurro, mas cheio de uma força que eu mesma desconhecia.
– Dom Leandro Alighieri é meu esposo, e se fosse de outra forma, eu certamente saberia, não acha? – Aproximei-me mais, meu rosto agora a poucos centímetros do dela. – A senhora deveria tomar cuidado com as palavras que escolhe, porque respeito é algo que a senhora parece ter esquecido como usar.
Houve um silêncio profundo no ambiente, e eu podia sentir os olhares de todos. Lucrezia, pela primeira vez, parecia acuada, e seu rosto estava vermelho. Ela balbuciou algo, tentando recuperar o controle da situação, mas não dei espaço. Mantive meu olhar fixo no dela até que, por fim, ela virou as costas e se afastou, o corpo rígido e o rosto tomado por constrangimento.
Lara soltou um suspiro aliviado ao meu lado e colocou uma mão delicada sobre meu ombro, murmurando baixo:
– Você fez muito bem, Celeste. Lucrezia já passou do limite várias vezes, e parece que hoje encontrou alguém que soube colocá-la no lugar.
Senti meu corpo relaxar gradativamente, enquanto as outras mulheres me olhavam com misto de surpresa e admiração. A atitude que tomei havia sido um reflexo imediato, mas percebi que, naquele mundo, era necessário mostrar força e estabelecer respeito.
De longe, notei que Leandro estava me observando, seu olhar intenso e uma expressão que eu não conseguia decifrar por completo.
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Atualizado até capítulo 140
Comments
Fátima Ribeiro
muito bem Celeste.
mostre quem você é!
2024-12-05
0
Auxiliadora Silva
Quem diz o que quer ouve o que não quer dizer kkkk
2024-12-07
1
Marcia Cristina Carneiro
19/11/24/celeste 👏👏👏👏👏👏👏👏👏
2024-11-20
1