* Celeste Venturi *
Enquanto o carro se afastava da cidade, observei a paisagem desdobrar-se pela janela. Árvores, pequenas casas e o brilho das luzes urbanas se desfaziam no horizonte, dando lugar ao silêncio e ao escuro da estrada. A tensão ao meu lado era quase tangível. Leandro dirigia com o semblante sério, seu olhar fixo à frente, imperturbável. A cada quilômetro, o ar entre nós parecia ficar mais denso, o silêncio preenchendo o espaço com um peso que quase me sufocava.
Quando finalmente viramos em uma estrada menor, lá estava ela, a nova mansão — uma construção moderna e luxuosa, escondida entre a vegetação, como um segredo cuidadosamente guardado. A casa ergueu-se à nossa frente, com paredes de vidro e arquitetura imponente. Por um instante, me vi admirando sua estrutura e a elegância que emanava de cada detalhe, mas também senti um calafrio. Seria realmente este o lugar onde eu começaria uma nova vida?
— Foi feita especialmente para nós — ele disse, com a voz baixa, quebrando o silêncio. — Privacidade, segurança... tudo o que precisamos.
Havia um tom de orgulho em sua fala, mas também algo mais profundo, algo que beirava a possessão. Entrei com ele, sendo guiada pelo hall principal.
A decoração era ainda mais impressionante. Linhas minimalistas, cores frias e móveis que pareciam saídos de uma revista. Cada peça, cada canto, tudo gritava sofisticação e... distanciamento. O lugar refletia Leandro em cada detalhe: elegante, reservado, mas com uma frieza que parecia engolir a alma do ambiente. A cada passo, me sentia observada, como se as paredes e o teto fossem cúmplices de algo maior, algo que ainda não compreendia totalmente.
Meu olhar percorreu os cômodos, absorvendo cada detalhe daquela mansão que parecia ter sido construída para exibir poder e controle. Logo depois Leandro me guiou pelos corredores silenciosos, mantendo-se à frente com passos firmes. A luz suave refletia o brilho da madeira escura e dos detalhes de mármore no chão, acentuando a frieza do lugar. Finalmente, ele abriu uma porta e parou, indicando que aquele era o quarto que dividiríamos dali em diante.
Entrei hesitante, deixando o olhar vagar pelo espaço opulento à minha frente. O quarto era uma obra-prima de luxo, com uma cama imensa no centro, coberta por lençóis e colchas impecáveis, como uma cena intocada. Havia uma riqueza evidente em cada detalhe, desde as cortinas de tecido fino que ondulavam suavemente, até os móveis de design impecável e a paleta de cores neutras e profundas. Aquilo era um reflexo de Leandro.
O silêncio entre nós pesava no ar, mas ele não demorou a quebrá-lo.
— Celeste, — começou, a voz calma, mas com uma firmeza que não permitia objeções — existe uma tradição que precisamos cumprir. É esperado que... consumemos o casamento nesta noite.
A realidade de suas palavras atingiu-me como um choque gélido. Ele continuou, sem qualquer hesitação.
— Pela manhã, os lençóis serão recolhidos para serem apresentados à máfia. É uma questão de honra, para ambas as famílias.
Por um momento, fiquei paralisada, tentando absorver o que ele acabara de dizer. A ideia de que esperavam provas da nossa intimidade, como se eu fosse uma peça de um jogo de poder, era revoltante. E ali estava Leandro, falando com naturalidade sobre um ato que para mim representava mais que um simples ritual.
— Isso só pode ser uma piada — sussurrei, minha voz falhando, mas logo a raiva tomou conta de mim. — Você realmente acha que vou seguir essa tradição absurda? Depois de tudo o que aconteceu hoje? Depois do que você me fez passar?
Leandro ficou em silêncio, seus olhos me analisando com aquela expressão impenetrável, mas ele não parecia inclinado a recuar.
— Não vou ser um símbolo de submissão para ninguém, Leandro. E principalmente para você, — continuei, a raiva crescente escapando em cada palavra. — Não depois de você trazer aquela mulher para o meu casamento. Não depois da humilhação que me fez passar!
Ele estreitou os olhos, a paciência desaparecendo do seu rosto, substituída por algo mais duro, implacável.
— Celeste, você é minha esposa agora. Existem regras e expectativas. Não estamos aqui para brincar de casinha.
Leandro começou a se aproximou de mim, a tensão na sala aumentou. Eu recuava, até sentir a parede fria contra minhas costas. Ele parou bem na minha frente, sua presença imponente me fazendo sentir um misto de medo e indignação.
Eu estava presa contra a parede, o medo e a raiva se misturando em meu peito. Leandro, com aquele olhar frio e imperioso. Minha respiração estava acelerada, e minha mente girava, tentando entender o que ele queria de mim, como se fosse uma ordem infalível.
— Tire a roupa — ele disse, sua voz cortante e autoritária, como se fosse uma ordem inegociável.
Meu corpo estava tenso, os músculos doloridos de tanto reprimir o ódio. Ele queria me humilhar, como se eu fosse nada mais que uma marionete. Não iria ceder, não dessa vez. Ele tinha me empurrado para um casamento arranjado, me exposto à humilhação de sua amante na festa, e agora queria o controle absoluto sobre meu corpo. Eu não permitiria.
— Não, seu idiota! — gritei, meu rosto vermelho de fúria. — Não sou um brinquedo para você brincar quando quiser!
A expressão dele não vacilou, mas eu vi algo escuro nos seus olhos. Ele estava perdendo a paciência, e eu sabia que não ia ser fácil, mas não ia ser submissa. Não depois de tudo.
— Não complique as coisas, Celeste — ele sibilou, a voz agora mais grave, mais fria. Ele estava mais próximo, cada passo que dava era como um peso em minha alma. — Tire a roupa agora.
— Vai se foder! Seu canalha de merda, você não passa de um bastardo! — tentei empurrá-lo, mas a diferença de força entre nós era brutal.
Então, em um segundo, a raiva dele explodiu. Ele levantou a mão e me deu um tapa na cara, um golpe tão forte que me fez cair no chão com um grito de dor. Eu estava atordoada, meu rosto queimando com a sensação da agressão, mas o ódio só cresceu dentro de mim. Eu não ia me calar, não ia me deixar submeter assim.
Leandro, com olhos queimando de fúria, me pegou pelos ombros e me lançou na cama. Meu coração disparava, e eu tentava me levantar, tentando resistir, mas ele foi mais rápido, mais implacável. Suas mãos rasgaram minha roupa, e eu gritei de raiva, tentando lutar, mas ele era um monstro, e tudo que eu fazia só parecia aumentar sua fúria.
— Não pode me tratar assim, Leandro! — gritei, tentando empurrá-lo, mas ele estava como uma muralha em cima de mim.
Ele parou por um segundo, mas seus olhos estavam cheios de raiva e necessidade. Era como se, naquele momento, ele tivesse total controle, e eu, completamente sem poder.
— Não existe mais escolha, Celeste. Você é minha, e vai aprender isso agora.
Leandro não perdeu tempo. Ele se inclinou sobre mim, sua mão indo segurar firme o meu pescoço, controlando qualquer movimento meu. Ele não me deu chance de respirar, seus lábios esmagando os meus com força, forçando a boca aberta e invadindo meu espaço. Eu lutei, bati em seu peito, tentei morder, mas ele não se afastava, apenas intensificava a pressão.
A dor de ser tocada por ele dessa maneira me fazia querer vomitar, e eu tentava me afastar, mas as mãos dele me aprisionavam, mais fortes do que qualquer resistência que eu pudesse oferecer. A humilhação era insuportável, cada segundo parecia durar uma eternidade. Eu estava paralisada pela raiva, pelo medo, pela sensação de impotência.
Ele não parou. Continuou a me beijar, sem sequer se importar com o que eu sentia, com o que eu pensava. Eu estava desmoronando por dentro, lutando contra a necessidade de me render, tentando de tudo para escapar, mas não havia saída. Eu não sabia quanto tempo duraria, até que, finalmente, ele parou.
Os olhos dele estavam preenchidos com algo que eu não conseguia entender, algo que parecia mais com uma necessidade insaciável do que qualquer coisa que eu reconhecesse como carinho ou respeito. Ele respirava pesadamente, ainda me mantendo contra a cama, seus lábios brilhando com o resquício do beijo forçado.
Eu estava tremendo, as lágrimas já escorrendo pelo meu rosto. Minhas mãos estavam nos meus olhos, tentando esconder o que sentia, mas não havia mais como esconder. Eu não conseguia controlar os soluços que saíam de mim, a dor, o medo. Não havia mais forças para brigar.
— Por favor... — sussurrei, entre lágrimas. Minha voz estava quebrada, sem poder. — Por favor, Leandro, pare. Eu... não posso mais.
O olhar dele endureceu por um momento, como se ele estivesse em dúvida, antes de se afastar lentamente. Aquele instante de indecisão me fez sentir ainda mais pequena, mais impotente. Ele me observava com olhos intensos, mas algo em sua expressão havia mudado.
Ele não disse nada, mas a distância entre nós parecia mais fria agora, mais insuportável. Eu estava chorando, soluçando sem controle, e ele, de alguma forma, ainda não parecia satisfeito com o que acabara de fazer. Ele ainda estava ali, me observando, o controle dele sobre mim tão absoluto que mal conseguia respirar.
Aqui está o trecho ajustado conforme o que você pediu, com a adição de que Leandro poupou Celeste da tradição, mas fez algo para as pessoas acreditarem que consumaram a núpcia:
Leandro se afastou, se levantando de forma abrupta e deixando o quarto. Meu coração ainda batia descontrolado, e as lágrimas escorriam pelo meu rosto. A dor da humilhação misturava-se à confusão e ao medo que me dominavam. O que acabara de acontecer me deixara desnorteada, e a sensação de impotência só aumentava.
Os minutos pareciam se arrastar enquanto eu tentava processar tudo, quando, de repente, a porta se abriu novamente. Leandro entrou, agora segurando uma faca. Meu coração parou por um instante, um frio cortante subiu pela minha espinha. Ele a ergueu, o brilho do metal refletindo a luz do quarto, e, num movimento rápido e decidido, cortou a palma da mão.
Eu mal pude conter o grito que subiu pela minha garganta. O sangue começou a escorrer, caindo pesadamente sobre os lençóis brancos, manchando-os de vermelho vívido. A cena era brutal, e a intensidade da ação me fez sentir nauseada.
— Agora você entende — ele disse, sua voz baixa e profunda, mas carregada de uma emoção que eu não consegui decifrar. Ele jogou o sangue nos lençóis, como se estivesse marcando território, como se estivesse me mostrando que ele ainda tinha tudo sobre controle.
Eu o observava, atônita, mas, no fundo, algo começava a fazer sentido. Ele havia poupado a mim da tradição, a tradição da consumação da núpcias, mas o que ele estava fazendo agora era criar uma ilusão para os outros. O sangue, a marca que ele deixava, era a prova de que, para as pessoas, tudo parecia ter acontecido como deveria. Era a forma dele manter as aparências, proteger a imagem, não só dele, mas também a minha.
— As pessoas precisam acreditar que fizemos o que esperavam de nós — ele continuou, a voz firme, como se o que acontecia ali fosse uma necessidade absoluta. — Elas precisam acreditar que tudo foi real, mesmo que, em nossos termos, não tenha sido. Para a máfia, para a família, isso é uma questão de honra. As aparências não podem ser quebradas, Celeste.
O que ele dizia me apertava o peito. Ele estava me forçando a ser parte dessa encenação, a manter uma fachada de um casamento consumado, mesmo que eu não tivesse consentido. Mas, ao mesmo tempo, ele havia poupado de ser parte de algo muito mais cruel. O peso de tudo isso me esmagava, e, de alguma forma, eu estava entendendo a linha tênue entre o que ele fazia por mim e o que ele faria para manter o controle.
Leandro, agora com os olhos fixos nos lençóis manchados, parecia distante, como se estivesse preso em um labirinto que ele mesmo havia criado. Eu sabia que, por mais que ele tentasse me proteger, o poder e as expectativas em cima dele o forçavam a tomar essas medidas extremas.
— Não faça isso — eu disse, segurando sua mão ensanguentada. — Você não pode se arriscar assim. As pessoas podem descobrir a verdade, e isso seria catastrófico.
Leandro me olhou, confuso, mas começou a entender. — O que você sugere?
— E se realmente fizermos?
Ele me observou, e a compreensão começou a se formar em seu olhar. — Mas primeiro, deixe-me fazer um curativo na sua mão — pedi, decidida. Com um pedaço do meu vestido rasgado, improvisei um curativo, enquanto a tensão entre nós se transformava em algo mais profundo.
— Obrigado — ele murmurou, enquanto eu o envolvia cuidadosamente.
— Agora preciso de um tempo para me arrumar — disse, tentando controlar a ansiedade.
No banheiro, lavei meu rosto e retirei a maquiagem. Vestindo uma lingerie preta e rendada, senti um frio na barriga. Ao voltar para o quarto, encontrei Leandro me esperando, e seu olhar percorreu meu corpo com intensidade.
— Você está linda — ele disse, e, naquele momento, a expectativa no ar nos conectava de uma forma nova. Apesar do que estava em jogo, havia uma chance de tornar aquela noite algo significativo, mesmo que sob uma fachada de normalidade.
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Atualizado até capítulo 140
Comments
Teresylane Costa
mais que babaca /Angry/
2025-01-02
1
Fátima Ribeiro
que nojo de homens assim
2024-12-03
0
Fátima Ribeiro
eu me mataria
2024-12-03
1