* Celeste Venturi *
A indignação ainda queimava em mim enquanto eu encarava Leandro, tentando absorver tudo o que tinha acabado de descobrir. Eu me sentia traída e completamente sem palavras. Ele olhava para mim com aquele semblante impassível, como se nada do que eu dissesse pudesse abalá-lo.
— Então... você tem uma amante? — minha voz saiu em um sussurro incrédulo, mais uma pergunta do que uma acusação. — E eu só descubro isso agora, no nosso casamento?
Ele suspirou, irritado com o meu questionamento, mas manteve o olhar frio e firme. — Celeste, não seja ingênua. Meu mundo sempre foi diferente do seu. Você entrou nele sabendo que existiriam... certas complicações.
— Complicações? — repeti, tentando entender como ele podia agir com tanta naturalidade. — Eu sou sua esposa, Leandro! Como pode achar que é aceitável trazer outra mulher ou melhor uma das suas putas para o nosso casamento e agir dessa forma?
Ele deu um passo em minha direção, mantendo o olhar firme. — Celeste, eu vou continuar tendo... relacionamentos, mesmo casado. Mas você não precisa se preocupar com isso. A partir de agora, vou garantir que nenhuma delas te atormente. Eu cuido dessa parte.
Eu me afastei, sentindo um misto de incredulidade e desgosto. — Você acha que só garantir que elas fiquem longe é o suficiente? Que eu devo simplesmente aceitar isso?
Ele deu um sorriso frio. — Você tem o meu nome, o meu poder. Isso é o que realmente importa. Nós temos um acordo, Celeste. É só isso, nosso casamento é uma fachada, você sabe disso.
— Eu sou apenas isso um acordo, então? — minha voz estava cheia de amargura.
Ele se manteve inabalável, observando-me com aquele olhar calculista. — Isso, e não pense que vai mudar as regras, Celeste.
A revolta fervilhava em mim, e, em um impulso de desafio, soltei as palavras sem pensar.
— Se é assim, então eu também terei os meus — declarei, fitando-o com determinação.
O rosto de Leandro endureceu, e algo perigoso cintilou em seu olhar. Ele deu um passo à frente, a raiva emanando dele em ondas.
— Não ouse dizer uma coisa dessas, Celeste. — Sua voz era baixa, mas carregada de ameaça. — Enquanto você for minha esposa, isso não é uma opção.
Encarei-o com o mesmo desafio. — E por que não seria? Você é o único que pode quebrar as regras, então?
Ele apertou o maxilar, o azul dos olhos escurecendo com um olhar gélido. — Porque você é minha, Celeste. E eu não sou um homem de ser traído. Isso não é negociável.
— Traído? — rebati, minha voz quase tremendo com a raiva. — E eu, Leandro? Ter várias amantes não é traição?
— Isso é diferente — ele respondeu friamente. — Eu já disse que minhas... distrações nunca vão afetar você. E não quero ouvir mais uma palavra sobre você fazer isso, então não me desafie.
Antes que pudesse responder, um som de passos chamou nossa atenção. Stevan se aproximava, os olhos indo de Leandro para mim, captando a intensidade do momento.
— Algum problema aqui? — ele perguntou, a voz calma, mas o olhar avaliando Leandro com uma expressão dura.
Ao ouvir a voz de Stevan, todo o peso daquela discussão com Leandro pareceu evaporar, como se o mundo ao meu redor tivesse voltado ao eixo. Sem pensar duas vezes, girei nos calcanhares e corri na direção dele, deixando Leandro para trás. Assim que cheguei perto o suficiente, me joguei nos braços de Stevan, abraçando-o com força.
— Stevan! — exclamei, sentindo uma onda de alívio e felicidade tomar conta de mim. Fazia meses que não o via, e aquele abraço parecia trazer um pedaço de casa que eu sentia falta.
Ele me envolveu nos braços com um sorriso caloroso, afagando meu cabelo como fazia quando éramos crianças.
— Estava com saudade, irmãzinha — murmurou Stevan, sorrindo enquanto me abraçava com firmeza.
Aquela sensação de segurança, tão familiar e aconchegante, fazia meu coração bater mais leve. Ele se afastou um pouco, me olhando nos olhos, como se estivesse tentando entender o que estava acontecendo.
— Está tudo bem? — Stevan perguntou, lançando um olhar rápido e severo para Leandro.
Balancei a cabeça, tentando afastar a mágoa e a tensão que ainda estavam tão presentes. — Agora está. — Murmurei, segurando seu braço como se precisasse daquela âncora, de alguém que eu sabia que estava verdadeiramente do meu lado.
Leandro observava a cena, seu olhar impassível, mas pude perceber a tensão em seu rosto enquanto ele nos fitava em silencio.
Stevan soltou-me suavemente e virou-se para Leandro, com uma expressão séria, mas respeitosa. Ele estendeu a mão, e os dois trocaram um aperto firme, embora houvesse uma tensão palpável no ar.
— Stevan Venturi — cumprimentou Stevan, mantendo o tom cordial, mas sua postura era clara: ele estava ali como irmão, antes de tudo.
Leandro assentiu, o rosto mantendo a expressão indecifrável de sempre.
— Leandro Alighieri.
Antes de se afastar, Leandro me lançou um olhar direto, e suas palavras vieram como uma ordem disfarçada de generosidade.
— Vou te dar vinte minutos para ficar com seu irmão. Depois disso, vamos para casa. — ele avisou, a voz baixa e firme, e então se afastou, sem esperar resposta.
Stevan observou Leandro se afastar, franzindo o cenho ligeiramente, antes de voltar a atenção para mim.
— Vinte minutos, é? — ele murmurou, com um toque de ironia. — Parece que seu marido gosta de ter tudo sob controle.
Suspirei, balançando a cabeça.
— Bem-vindo ao meu novo mundo, Stevan.
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Enquanto eu e Stevan conversávamos, senti um raro momento de alívio. Ele falava sobre Nova Iorque, descrevendo a cidade com detalhes e o brilho no olhar de quem se apaixonou por um lugar novo e cheio de oportunidades. Ele estava morando lá agora, buscando seus próprios caminhos, e, mesmo com a distância, fez questão de voltar para o casamento e passar um tempo com a nossa família.
Eu estava imersa em suas histórias quando notei uma presença ao meu lado. Leandro havia retornado, interrompendo nossa conversa.
— É hora de irmos para a nossa casa — ele anunciou, a voz firme, embora polida para a ocasião.
Respirei fundo, deixando as palavras de Stevan ainda ressoa em mim enquanto me levantava. Abracei meu irmão uma última vez, sabendo que aquela breve conversa não havia sido o suficiente, mas ainda assim grata por ele estar ali.
— Nos vemos em breve, irmãzinha — ele disse, apertando-me nos braços antes de me soltar.
Despedir-me da minha família e dos amigos foi um pouco mais difícil do que eu havia antecipado. Minha mãe, com os olhos levemente marejados, segurou minhas mãos por alguns instantes, como se hesitasse em me deixar partir. Beatriz veio logo em seguida, com seu jeito alegre, desejando-me sorte e prometendo que nos veríamos em breve. Passei por todos, um por um, recebendo seus votos, até chegar à família Alighieri. O clima era mais formal, mas cada palavra proferida carregava um peso quase ritualístico.
Finalmente, encontrei-me ao lado de Leandro, que me conduziu até o carro — um Bugatti preto, imponente e impecável. Aquele carro refletia a personalidade dele: poderoso, misterioso e, de certa forma, intimidador.
A porta foi aberta para mim, e entrei, sentando-me no assento de couro macio. Senti o nervosismo retornar enquanto ele se acomodava no banco do motorista, ligando o motor que rugiu como um aviso. A partir daquele momento, a festa estava para trás, e agora eu iria para nossa nova casa, onde a realidade desse casamento se tornaria ainda mais palpável.
Ele não disse uma palavra enquanto começávamos a deixar o local, mas eu sabia que minha vida estava prestes a mudar. E essa viagem era apenas o começo.
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Steven Venturi
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Atualizado até capítulo 140
Comments
Fátima Ribeiro
que situação a da celeste.
casada com um tipo desse ouvindo esses horrores que será pra ela.🤔🤔😢😢
2024-12-03
0
Janete Ribeiro
aí coitada da celeste já vai ser chifruda
2024-12-28
0
Luciana Lima
cadê a foto de Leandro?
2025-01-05
0