* Celeste Venturi *
Antes que eu pudesse protestar, Leandro já havia desferido uma série de socos no rosto do homem, que caiu no chão como um saco de batatas. O silêncio tomou conta da boate por um instante, todos os olhares fixos na cena. O homem estava lá, com a cara desfeita, enquanto Leandro, com uma expressão feroz, parecia não se importar com os outros. Ele apenas girou a cabeça para um de seus seguranças e ordenou, com a voz baixa e cheia de raiva:
— Cuida desse lixo.
O segurança acenou e se dirigiu ao homem caído, enquanto Leandro voltava sua atenção para mim. Ele se aproximou, seus olhos ardendo em fúria, e agarrou meu braço com força, me arrastando para fora da boate me levando até seu carro. O movimento era brusco, e eu sentia uma mistura de indignação e excitação.
Entrando dentro do carro Leandro começa a me perguntar.
— O que você pensa que estava fazendo? — ele disparou, sua voz baixa e cortante enquanto atravessávamos a multidão. — Sair de casa assim, sem avisar ninguém? Que porra você tem na cabeça?
— Eu posso fazer o que quiser, Leandro! — protestei, mas a fúria dele parecia apenas crescer.
Ele parou abruptamente, me encarando com uma intensidade que me fez sentir um frio na barriga.
— Você não pode andar por aí a noite achando que está tudo bem caralho, presta atenção na suas ações. — ele gritou, batendo a mão no volante do carro com força.
Minhas bochechas arderam de indignação. Ele estava me tratando como se eu fosse uma criança.
— E você acha que me prender em casa vai resolver tudo? Isso não é justo! Você não pode decidir por mim!
— Olha só, Celeste, você não entende nada! — ele gritou, batendo a mão no capô do carro. — Se você continuar assim, vai acabar se machucando! Está chamando a atenção de todos os homens como se fosse uma puta em um desfile!
— Vai se foder, Leandro! — lancei, não conseguindo conter a revolta. — Eu não estou aqui para te agradar! Você não tem o direito de controlar minha vida!
Ele se aproximou rapidamente, segurando meu rosto com força, seus olhos ardendo em raiva. A proximidade dele era opressiva, e eu podia sentir a intensidade de sua fúria.
— Escuta bem, sua cabeça-dura — ele rosnou, a voz grave e ameaçadora. — Segura a boca, senão você vai conhecer o diabo em pessoa. Não estou aqui para brincadeiras! Você acha que isso é um jogo? Você é minha noiva, e não vou deixar que você se coloque em perigo desse jeito.
— Me deixa em paz! — gritei, mas ele apenas apertou mais o meu queixo, forçando-me a encarar seus olhos.
— Você é tão ingênua que não percebe que já está envolvida em tudo isso. E se não parar de fazer merda, vou mostrar quem realmente manda aqui. Ninguém ousa tocar em você enquanto eu estiver por perto, e você não vai ser a primeira a desafiar isso.
Senti um calafrio percorrer minha espinha ao ouvir suas palavras. Ele estava sério, e o que era apenas uma discussão antes agora se tornava algo muito mais intenso. Eu queria retrucar, mas a forma como ele me segurava e a intensidade do seu olhar me deixavam sem palavras.
— Você não pode me tratar assim! — finalmente consegui dizer, minha voz mais fraca do que eu esperava.
Ele soltou meu rosto, mas a fúria em seus olhos ainda queimava. Leandro ligou o carro e começou a dirigir em silêncio. Eu virei a cara para a janela, observando as luzes da cidade passarem rapidamente. O clima estava carregado, e eu podia sentir a raiva dele pulsando no ar. Era uma tensão palpável, e eu me perguntava até onde aquela situação iria.
...----------------...
O trajeto até a mansão dos Alighieri foi silencioso e carregado. Leandro dirigia com uma expressão dura, os olhos fixos na estrada. Minha tentativa de resistir se esvaiu rapidamente diante de sua força e determinação, mas a raiva ainda fervilhava dentro de mim. A noite tinha se transformado em um verdadeiro pesadelo, e tudo que eu queria era me ver longe dele.
Ao chegarmos à mansão, Leandro saiu do carro sem dizer uma palavra e contornou para o meu lado, abrindo a porta e me puxando com força pelo braço. Eu tentei me soltar, mas o aperto dele só se intensificou, me arrastando para dentro da casa. A casa estava escura, silenciosa, e parecia que todos já estavam dormindo. Aquilo me deu um frio na espinha.
Subimos as escadas, e o silêncio pesado entre nós tornava o ambiente ainda mais opressor. Ele abriu a porta de um quarto e me empurrou para dentro, fechando a porta atrás de si enquanto eu tentava recuperar o fôlego.
Ele me encarou com aquele olhar frio e inabalável, uma mistura de irritação e algo mais sombrio. Sem rodeios, ele anunciou:
— Amanhã vamos nos casar. Já cansei dessa sua rebeldia. Uma vez casada, quem sabe você comece a agir como uma mulher e não como essa criança mimada que sua família criou.
Arregalei os olhos, o choque e a indignação me deixando sem fala por um instante.
— O quê?! — Minha voz tremeu, mas tentei manter a postura.
Ele deu um passo à frente, e eu recuei instintivamente.
— Já tive paciência o suficiente. Vou falar com o seu pai pela manhã. Vamos ver o que ele tem a dizer sobre essa educação fraca que te deram, mas já posso imaginar que foi sua mãe quem a mimou assim. Parece que ela se esqueceu de preparar você para o que é esperado de uma mulher no seu lugar.
As palavras dele cortaram fundo. Era um golpe certeiro, e eu sentia a raiva ferver dentro de mim. Mesmo assim, segurei a resposta, me obrigando a não ceder ao impulso de discutir.
Ele finalmente recuou, indo em direção à porta. Parecia decidido a sair, mas, antes de me deixar sozinha, me virei para ele, sem conter a preocupação.
— E a Beatriz? Minha amiga que estava comigo... Você a deixou sozinha na boate?
Leandro suspirou, impaciente.
— Pedi para Miguel levá-la para casa. Ela já está segura, e você deveria agradecer que eu cuidei disso também.
Ele saiu do quarto, deixando a porta se fechar com um estrondo. Fiquei ali, sozinha, encarando o vazio, a mente girando em mil direções. As palavras dele ecoavam na minha cabeça. Amanhã. O casamento. A tentativa de controlar tudo ao meu redor. Eu queria gritar, quebrar alguma coisa, mas só conseguia sentir a frustração e o medo tomando conta.
Essa noite será longa.
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Atualizado até capítulo 140
Comments
Fátima Ribeiro
falar o que
um rabugento e uma adolescente
2024-11-29
1
Marilena Yuriko Nishiyama
isso realmente é verdade a Celeste é muito mimada,por isso não foi educada como deveria para ser uma esposa submissa
2024-11-11
2
Marcia Cristina Carneiro
sem comentários 😘 19/11/24/
2024-11-20
1