* Leandro Alighieri *
Acordei antes do amanhecer, sentindo o calor suave do corpo dela ao meu lado, mas não permiti que aquele conforto me segurasse. A noite passada havia sido... intensa, surpreendentemente além do controle que costumo manter sobre tudo. Olhei para Celeste dormindo, os fios dourados de seu cabelo espalhados pelo travesseiro e a expressão suave no rosto, tão diferente de sua habitual teimosia. Algo em mim se contraiu ao vê-la ali, vulnerável, vendo-a assim nem parecia ser a pessoa que era de costume, admito que fiquei orgulhoso de ver ela brigando com Victoria, principalmente como se pôs — e esse pensamento já era demais.
Sem fazer barulho, saí da cama e segui para o banheiro. Liguei o chuveiro e deixei a água quente escorrer pelo meu corpo, afastando qualquer resquício de cansaço, passei a mão pelo rosto, ainda sentindo resquícios do perfume dela em minha pele. Enquanto a água caía, flashes da noite passada passavam pela minha mente. Lembrar de como Celeste se entregou a mim, do jeito que ela confiou e correspondeu, trazia uma sensação confusa, e eu me irritava por ter dado tanto espaço para essas lembranças.
Terminei o banho e escovei os dentes, passando as mãos no rosto uma última vez antes de sair. Me vesti com a precisão de sempre, ajustando o terno, atento a cada detalhe. Afinal, o trabalho à minha espera não deixava espaço para distrações. Sabia que o dia seria longo e que precisava voltar a pensar com clareza — mas, ainda assim, havia algo em mim que hesitava.
Antes de sair, voltei ao quarto e a olhei mais uma vez. Ela continuava dormindo, respirando de forma leve, alheia a tudo. Havia um contraste perturbador entre a calma dela e o mundo lá fora, o mundo que me esperava com cobranças e perigos. Eu não podia dar espaço a esses pensamentos. Era eu quem deveria ter controle, sempre.
Fechei a porta com cuidado, deixando-a para trás. Cada passo até a saída era um lembrete de que sentimentos como esses não deveriam me distrair do que realmente importa.
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* Celeste Venturi *
Acordei devagar, sentindo o corpo pesado e ainda enredado nas memórias da noite anterior. Pisquei algumas vezes, ajustando os olhos à luz suave que invadia o quarto. Olhei ao redor, mas não vi Leandro. O espaço ao meu lado estava vazio, e o lençol frio sugeria que ele já tinha saído há algum tempo.
Suspirei, tentando ignorar a sensação de vazio que sua ausência deixava. Parte de mim sentia-se frustrada por ele já ter ido, como se a intensidade da noite passada não fosse nada além de um momento passageiro para ele. Me mexi, sentindo um pequeno desconforto em algumas partes do meu corpo. Um lembrete físico da noite anterior. A leve dor em minha pele, principalmente na região interna das pernas, me fez lembrar de tudo que havia acontecido entre nós. Cada toque, cada palavra sussurrada voltava à minha mente, me deixando com um misto de timidez e um desejo estranho por mais.
Tentei me concentrar no que era mais urgente: eu precisava me levantar. A dor não era insuportável, mas estava lá, como se meu corpo tivesse sido marcado pela noite. E não era só física. Era algo mais profundo, que mexia com meu emocional e que eu não sabia como lidar.
Levantei-me lentamente, tentando não forçar os movimentos. Caminhei até o banheiro, passando a mão na testa, tentando clarear a mente. Ao olhar no espelho, a imagem refletida era a de uma mulher que ainda estava se ajustando a uma nova realidade. Lavei o rosto, a água fria ajudando a acordar meus sentidos, mas não dissipando completamente a sensação de que algo em mim estava diferente. Algo que só a noite com Leandro poderia ter causado.
Fiz o que precisava no banheiro, tentando não pensar demais nas consequências do que havia acontecido entre nós. Porém, cada passo que dava, cada movimento, parecia um lembrete do que ele havia feito comigo. E, ainda assim, algo em mim queria mais. Algo em mim sentia-se atraída por aquele desejo, mesmo que eu não soubesse direito o que ele significava.
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Eu estava perdida em meus pensamentos, quando ouvi uma batida suave na porta. Antes que eu pudesse reagir, a porta se abriu e uma mulher entrou no quarto. Ela estava vestindo um uniforme simples, mas elegante, e carregava uma bandeja com cuidado, como se fosse uma tarefa habitual para ela.
— Desculpe interromper, Sra. Alighieri — ela disse com uma voz calma e respeitosa. — Trouxe o café da manhã e alguns remédios para ajudar com as dores.
Eu a observei, confusa. Não sabia quem ela era, nem lembrava de ter pedido nada. A mulher parecia ser nova na casa, e isso me fez questionar se Leandro havia organizado tudo sem que eu soubesse.
— Eu… não pedi nada — falei, um pouco perdida, tentando entender o que estava acontecendo.
A mulher, sem demonstrar surpresa, sorriu educadamente e explicou.
— Fui instruída a trazer o café da manhã e os remédios, Sra. Alighieri. Sei que a senhora pode estar se sentindo desconfortável, o Sr. Alighieri que pediu para garantir que tivesse tudo o que precisa para se sentir melhor.
Embora não soubesse exatamente o que estava acontecendo, a menção a Leandro me fez me acalmar um pouco. Eu ainda estava confusa, mas, ao mesmo tempo, sabia que era mais fácil seguir as orientações do que questionar tudo.
— Está bem — disse, ainda um pouco relutante, mas aceitando a situação. — Pode deixar aqui, então.
A funcionária colocou cuidadosamente a bandeja na mesinha ao lado da cama. Junto ao café da manhã, havia uma pequena caixa com os remédios que ela mencionara.
— Sra. Alighieri. Se precisar de mais alguma coisa, estarei à disposição — ela disse, antes de se retirar do quarto com a mesma suavidade com que entrou.
Fiquei ali, olhando para a bandeja de café e os remédios. Embora a comida parecesse deliciosa, o que realmente me preocupava eram as lembranças e as sensações da noite anterior. As dores ainda estavam lá, sutis, mas presentes, e eu sabia que teria que tomar os remédios para me sentir um pouco mais confortável.
Respirei fundo, tentando me recompor, e peguei a caixa de remédios.
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A manhã passava lentamente, e o sol se filtrava suavemente pelas janelas do quarto, iluminando os móveis modernos e o design minimalista da casa. A sensação de estar em um lugar novo e ainda desconhecido me envolvia, e, por mais confortável que fosse, algo dentro de mim me dizia que eu precisava sair daquela cama e explorar.
Levantei-me e caminhei até a janela, observando o jardim lá fora. A casa, com suas paredes de vidro e linhas contemporâneas, era um contraste completo com tudo o que eu conhecia. Leandro havia escolhido cada detalhe, e tudo ali refletia seu gosto — moderno, frio, mas também cheio de poder.
Decidi descer. A escada em espiral me conduziu a um corredor amplo, onde as paredes brancas eram adornadas por algumas peças de arte modernas. Tudo estava impecável, como se a casa fosse um reflexo da vida de Leandro: perfeita e cuidadosamente construída, sem espaço para erros ou imperfeições.
Continuei caminhando até encontrar um jardim interno, um refúgio verde em meio ao concreto. Flores exóticas e plantas cuidadas com precisão me lembraram de minha própria paixão por jardins. Mesmo com a riqueza que sempre fez parte da minha vida, a sensação de estar cercada por tanto luxo, com uma imponência que parecia refletir a personalidade de Leandro, ainda me trazia uma leve inquietação. Era como se tudo estivesse ali para me lembrar de quem ele era e do poder que exercia, e, por mais familiar que fosse, era um ambiente completamente diferente do que eu estava acostumada.
Caminhei por ali, tentando me concentrar na beleza ao meu redor, mas uma presença me fez voltar à realidade. Um segurança discretamente me seguia, e eu sabia que, por mais livre que fosse para explorar, estava sempre sob vigilância.
Voltei ao quarto, onde encontrei uma caixa sobre a cama. Ao abrir, descobri um vestido sofisticado e uma carta de Leandro. O tom dele era direto e imponente: “Esta noite, temos um evento importante. Quero que esteja pronta, Piccolina. Não me decepcione.”
Aquela palavra me fez sorrir, mas também me deixou um pouco apreensiva. O que ele poderia estar planejando para essa noite? Embora eu conhecesse o básico sobre o universo da máfia, nunca havia participado de um evento tão próximo de tudo isso. Minha curiosidade estava aguçada, mas o nervosismo também tomava conta. Eu sabia que este não era um simples encontro — era algo que revelava mais sobre o mundo que agora compartilhávamos.
Suspirei, pegando o vestido da caixa e indo para o banheiro. O evento era uma oportunidade de conhecer mais do lado sombrio da vida de Leandro, mas algo me dizia que eu precisava estar pronta para muito mais do que apenas observar.
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Atualizado até capítulo 140
Comments
Auxiliadora Silva
A menina que agora virou mulher.E tem que ser forte, corajosa e enfrentar todos os desafios.Seja poderosa
2024-12-07
0
Marli Aparecida Felix
estou adorando autora agora a celeste tem que ser forte pra poder lutar pelo Leandro 👏👏❤️
2025-02-01
0
Teresylane Costa
que vestido lindo/Heart/
2025-01-02
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