* Celeste Venturi *
Ainda meio tonta com tudo o que havia acabado de acontecer, saí da cerimônia e fui direto ao banheiro para um momento sozinha. Encostei-me na pia de mármore, tentando recuperar o fôlego enquanto olhava para meu reflexo no espelho. Uma nova sensação me invadia – algo entre o nervosismo e uma excitação que eu não sabia de onde vinha.
Com cuidado, tirei o vestido pesado da cerimônia e troquei-o pelo presente de Serena, um vestido branco mais leve, simples e encantador. Ele parecia ter sido feito exatamente para mim, como se capturasse uma parte da minha personalidade. Soltei o cabelo, deixando que as ondas caíssem livremente sobre os ombros. Eu me sentia diferente – ainda nervosa, mas de uma forma boa.
Respirei fundo e caminhei de volta para a festa, onde todos pareciam já imersos na comemoração. As luzes suaves iluminavam o local, e o céu começava a tingir-se com os tons dourados do pôr do sol. Caminhei entre as pessoas, ainda me adaptando ao novo vestido e à sensação de estar prestes a compartilhar aquela noite com alguém que era, agora, meu marido.
Avistei Beatriz do outro lado, minha amiga desde a infância. Ela sorriu ao me ver e correu até mim, os olhos brilhando de emoção.
— Celeste, você está bonita, amiga! Parece até uma visão.
Soltei uma risada leve, tentando aliviar o nervosismo que ainda se apegava a mim. — Obrigada, Bia. Eu estou... ainda me acostumando com tudo isso.
Ela pegou minhas mãos e me encarou com um sorriso cúmplice. — Sabe, você merece tudo de bom. Aproveita a noite, e quem sabe… dê uma chance a essa nova vida. Mas se ele pisar na bola, avisa, que dou um jeito nele. — brincou.
Estávamos rindo quando senti uma presença firme ao meu lado. Virei-me e encontrei Leandro, já estendendo a mão para mim com um olhar penetrante que me fez prender a respiração.
— Vem dançar comigo, — disse ele, a voz grave e calma.
Abracei a mão dele, tentando ignorar o arrepio que subia por meu braço, e ele me conduziu para o centro da pista. A música começou, uma melodia suave ao piano que encheu o espaço, e ele me guiou com passos firmes, o toque dele seguro e decidido. O olhar intenso dele me prendeu, e a cada movimento eu sentia o peso de tudo o que estávamos construindo.
Conforme a dança avançava, o céu escurecia, e as estrelas começavam a brilhar ao redor, como testemunhas silenciosas daquele momento. Ele me puxou para mais perto, e por um instante, parecia que o mundo era só nosso. Meu coração batia rápido, e toda a tensão entre nós vibrava, preenchendo o espaço de um jeito que as palavras não alcançavam.
A música foi chegando ao fim, e lentamente começamos a diminuir o ritmo até pararmos. Leandro manteve seu olhar fixo em mim, e, por um segundo, pensei que ele fosse se inclinar mais. Mas ele apenas soltou minha mão com um último toque, seus dedos deslizando pelos meus até que o contato se quebrou.
Nos afastamos, o silêncio entre nós carregado de um entendimento mudo, algo que não precisávamos dizer. Ao redor, as conversas e risadas da festa voltaram a preencher o ambiente, mas, em mim, aquele momento continuava pulsando e gravado como um começo.
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A festa prosseguia com a elegância que sempre acompanhava eventos como aquele, mas, após a dança, senti a necessidade de um pouco de ar fresco. Entre sorrisos e apresentações formais, acabei sendo levada pela minha mãe de convidado em convidado, ouvindo cumprimentos e elogios que soavam quase automáticos. Era como se a noite inteira eu estivesse seguindo um roteiro que não escrevi.
Depois de um tempo, consegui finalmente me afastar. Meus passos me levaram até um caminho mais isolado, onde, à beira de um lago, encontrei um banco. Sentei-me ali, observando o reflexo das luzes na água, enquanto os sons da festa ecoavam distantes. Era um raro momento de paz, e, por alguns minutos, permiti-me apenas respirar.
Mas então, uma voz interrompeu meu momento.
— Então, você é a nova Sra. Alighieri — disse uma mulher, com um tom ácido e provocador.
Levantei o olhar, surpresa ao ver uma mulher de aparência marcante parada à minha frente, com um sorriso que exalava confiança. Eu não a conhecia, mas havia algo em seu olhar que me fez ficar em alerta.
— Quem... quem é você? — perguntei, tentando manter a calma.
Ela riu, um som amargo que parecia se divertir com a minha reação.
— Eu sou quem deveria estar no seu lugar, querida — respondeu, inclinando-se um pouco para se aproximar. — Mas, pelo jeito, você foi a escolhida para carregar o título. Só não pense que isso significa algo.
Confusa, tentei entender o que aquela mulher estava insinuando. — Eu realmente não sei do que está falando.
Ela deu um passo à frente, sua expressão tornando-se ainda mais fria. — Claro que não sabe. Você acha que um casamento vai mudar alguma coisa entre mim e Leandro? Acha mesmo que ele se importa com você, além do contrato que assinaram?
Seus olhos me analisavam com uma intensidade que me incomodava profundamente.
— Olha, não sei quem você é, mas não tem o direito de vir aqui e falar comigo assim — repliquei, tentando conter minha irritação, embora as palavras dela tivessem começado a me afetar.
— Meu nome é Victoria, mas o importante aqui é o que represento para Leandro — ela afirmou, cruzando os braços com um sorriso vitorioso. — Sabe, eu conheço ele de verdade. Sei dos segredos, dos desejos... Coisas que você jamais entenderia.
Minha respiração ficou pesada. Aquela era a amante de Leandro. O choque foi imediato, mas tentei não demonstrar o impacto.
— Acha que ele vai mudar por causa de um papel assinado? Acha que ele vai abrir mão do que sente por mim só porque agora você carrega o sobrenome dele? — A voz dela era quase um sussurro venenoso. — Não se iluda, Celeste. Para ele, você é apenas uma esposa de aparência. Uma obrigação.
Cada palavra dela parecia um golpe, mas recusei-me a abaixar a cabeça. Levantei-me do banco, encarando-a.
— Talvez você esteja certa — comecei reunindo a força que me restava. — Mas se pensa que vou recuar por isso, está enganada.
Victoria deu uma risada seca, seus olhos carregados de desdém e algo mais sombrio. Ela se aproximou, seu rosto agora a poucos centímetros do meu.
— Está tentando bancar a corajosa, não é? — disse ela, com um sorriso de escárnio. — A garota rica, criada no luxo, que acha que pode enfrentar o mundo... Celeste, você não faz ideia do que está enfrentando. Leandro é meu. Você acha que só porque colocou um anel no dedo, isso significa alguma coisa? Eu estava ao lado dele muito antes de você sequer saber da existência dele.
As palavras dela se misturavam ao frio da noite, cortantes e implacáveis. A raiva que eu tentava conter começava a borbulhar, mas não me permiti recuar.
— Você é realmente patética — respondi, mantendo meu tom firme. — Se ele fosse realmente seu, Victoria, por que estaria aqui agora, no meu casamento? Você está aqui porque ele escolheu outra pessoa, uma mulher de verdade com valores e não uma amante barata. Talvez seja hora de você aceitar isso e seguir em frente.
A expressão de Victoria endureceu, e eu soube que havia ultrapassado um limite. Em um movimento rápido, ela levantou a mão e me deu um tapa no rosto. O impacto me pegou de surpresa, fazendo meu rosto arder.
— Sua idiota! — ela cuspiu, o olhar dela fervendo de raiva. — Não se atreva a falar assim comigo! Você não tem ideia do que eu posso fazer!
Por um segundo, o mundo pareceu parar. Mas então, a raiva em mim explodiu. Não pensei, apenas deixei minha fúria me guiar.
Puxei o cabelo dela com força, fazendo-a se desequilibrar. — Nunca mais encoste em mim! — gritei, minha voz fervendo de ódio. Antes que ela pudesse se recompor, acertei um tapa em seu rosto com toda a força, liberando cada centímetro da minha indignação.
Victoria tentou reagir, mas eu a segurei pelo cabelo, mantendo meu olhar fixo e destemido. — Você é patética, tentando marcar território onde não tem lugar! — Eu disse, dando outro puxão enquanto ela tentava se afastar, mas eu não cedia.
O conflito se tornava mais feroz até que uma voz autoritária ecoou.
— Já chega! — Leandro apareceu, sua presença imediata cortando o clima de hostilidade. Com passos firmes, ele se aproximou e separou-nos com um gesto decidido, seu olhar de puro desgosto direcionado a Victoria.
Ele a encarou com uma frieza inabalável. — Saia daqui, Victoria. Agora.
Ela parecia prestes a protestar, mas o olhar gélido de Leandro a silenciou. Ainda com o rosto marcado pela raiva e os cabelos bagunçados, ela lançou um último olhar venenoso para mim antes de sair, suas palavras silenciosas, mas cheias de ódio.
Quando ela se afastou, Leandro se voltou para mim, seu olhar ainda intenso, mas com um ar de preocupação.
— Está tudo bem? — ele perguntou, a voz um pouco mais baixa.
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Atualizado até capítulo 140
Comments
Marilena Yuriko Nishiyama
ah essa vadia da Victoria,se realmente achaste que vc deveria estar no lugar da Celeste,então porque o Dom Leandro não se casou com vc,vc só serviu para ele se aliviar sua mocréia ,só espero que a Celeste imponha ao Dom Leandro o limite dessa convivência
2024-11-11
4
Fátima Ribeiro
que sem noção
aparecer no casamento que ela não foi a escolhida
2024-12-03
1
Teresylane Costa
oxe... era pra ter dado era mais
2025-01-02
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