Ao chegar em casa, me despedi brevemente de Isabelle, que subiu para o quarto, enquanto eu seguia até o escritório para falar com meu pai. Ele me recebeu com a familiar expressão rígida, mas o diálogo entre nós seria breve e direto, como sempre.
O escritório estava mergulhado em uma penumbra elegante, e meu pai, sempre impecável, mantinha aquele semblante calmo e controlado enquanto arrumava alguns papéis na mesa. Quando me aproximei, ele levantou o olhar, direto e penetrante, e, sem rodeios, mencionou:
— A família Cazerin ficou imensamente grata pela sua presença hoje — disse ele, em tom de aprovação, mas também de uma expectativa não tão velada. — Pensei que talvez esse retorno pudesse te lembrar de suas responsabilidades. Afinal, você cogita voltar em definitivo?
O velho hábito dele de tentar me atrair de volta aos negócios da família era incansável. Inspirei fundo e mantive o tom firme ao responder:
— Não. Vim apenas pelo que era necessário. Meu lugar não é mais aqui — disse, num tom que buscava encerrar a questão, mesmo que soubesse que isso não era verdade.
Ele ergueu uma sobrancelha, avaliando minha resposta, e o canto da sua boca se curvou em um sorriso discreto, porém sagaz. Ele conhecia todas as minhas fraquezas e sabia exatamente onde apertar.
— Interessante — respondeu, o olhar relanceando para o corredor onde Isabelle desaparecera há poucos minutos. — Especialmente considerando seu visível interesse pela jovem que trouxe consigo. Curioso, não? Uma aluna, ainda por cima. Acho que a universidade tem regras sobre isso.
Senti o incômodo familiar dessa provocação, mas mantive o rosto impassível.
— Ela não sabe quem eu realmente sou — declarei, tentando não mostrar o quanto aquele comentário dele me atingia. — E eu não sinto nada por ela.
A risada contida dele foi ainda mais irritante do que suas palavras.
— Claro, Adam — respondeu, com uma ironia calma. — Como quiser.
Por mais que eu quisesse ignorá-lo, senti que ele, de fato, sabia que minhas palavras não condiziam com o que eu sentia. Ele conhecia minha teimosia e, ao mesmo tempo, minha resistência em aceitar qualquer sentimento. Meu pai, contudo, preferiu deixar o assunto morrer por ali, como se soubesse que insistir não traria resultados. Para ele, tudo era apenas uma questão de tempo.
Resolvi o necessário e, ao terminar, fui em direção ao quarto de Isabelle para a avisar que sairíamos para jantar em duas horas.
Antes de bater, no entanto, ouvi sua voz ao telefone. Ela falava baixo, mas a preocupação no tom era evidente, e, movido pela curiosidade, fiquei escutando por um momento, sem intenção de invadir sua privacidade, mas querendo entender o que tanto a afligia:
— Mãe, eu sei… Não se preocupa, eu dou um jeito — dizia ela, numa tentativa de confortar a outra pessoa na linha. — Vou mandar o dinheiro assim que puder. Não, ele não vai conseguir tirar a loja de vocês. Eu prometo, mãe.
Fez-se um breve silêncio, e então ouvi o som suave de sua voz dizendo algo carinhoso antes de desligar. Foi nesse momento que a vi enxugar o rosto rapidamente, tentando disfarçar as lágrimas que escorriam. Fiquei parado ali, sem saber se deveria me aproximar ou me afastar.
Meu instinto inicial foi ir até ela, mas percebi que isso só a deixaria ainda mais desconfortável. Isabelle não aceitaria ser vista naquele estado, não sem um olhar de orgulho por cima de qualquer vulnerabilidade que quisesse esconder.
Me afastando, ainda podia ouvir a leve hesitação em sua respiração, como quem ainda tenta segurar as emoções. Saber que ela carregava aquele peso silencioso me perturbou mais do que eu esperava.
Minha vontade era de aliviar seu fardo, mas sabia que Isabelle era orgulhosa demais para aceitar ajuda se percebesse.
Segui para o meu quarto com a mente trabalhando em uma forma de ajudá-la sem que ela soubesse.
Porque agora, mais do que nunca, eu entendia que a minha presença ali não era apenas um acaso...
A noite estava silenciosa quando desci ao escritório, determinado.
Encontrei meu pai ainda ali, imerso em papéis, mas ao me ver, ele levantou o olhar, surpreso com minha presença a essa hora.
— Preciso que entre em contato com aquele parceiro brasileiro — falei, direto. — Preciso que uma família receba uma boa quantia, a cidade é pequena demais, mas sei que seu parceiro pode fazer o valor chegar lá, e o dinheiro que enviar deve chegar sem levantar suspeitas.
Ele franziu o cenho, intrigado, mas não questionou logo de início. Passando os olhos pelos papéis, perguntou casualmente:
— Qual seria o valor, exatamente?
— Trezentos mil reais.
A surpresa dele foi evidente, mas disfarçada por um rápido sorriso. Ele me olhou com um misto de curiosidade e satisfação, como se estivesse esperando por isso há anos.
— Uma quantia considerável... Posso saber o motivo de tanta generosidade? — Sua voz era calculadamente neutra, mas o brilho em seus olhos o traiu. — Isso tem a ver com a jovem que trouxe?
Permaneci em silêncio. Poderia ter dado uma desculpa, mas qualquer tentativa de negar seria inútil. Ele percebeu minha hesitação e, no meu silêncio, encontrou sua resposta.
Um sorriso largo e cheio de satisfação se abriu em seu rosto, e ele cantarolou com um tom que só os anos de convivência o ensinavam a usar comigo:
— Ah, então é isso... Quem diria, meu filho. Parece que, enfim, está se aproximando do seu verdadeiro lugar.
__ Posso considerar isso feito? Te enviei ali no celular os dados da pessoa que quero que receba o dinheiro, por banco ou pessoalmente isso tem que ser resolvido até a noite — falei e meu pai concordou, sai dali aliviado, pelo menos esse império serviu para isso.
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Atualizado até capítulo 72
Comments
joelma araujo
adorando a história, cheia de surpresas enigmas a serem descobertas por nós leitores apaixonados por uma linda história de amor...
2025-03-31
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Graça Lobo Sales
Parabéns autor história interessante maravilhosa Nossa o que será que ele faz além de ser advogado mandasse r$ 300 mil para família dela que maravilha
2025-03-24
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Andréa Debossan
aí doida que ele conte pra ela sobre o império dele pra gente ficar sabendo tbm /Joyful//Joyful//Joyful//Joyful//Joyful/
2025-03-17
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