Depois da situação desconfortável com os parentes de Adam, percebi que havia algo muito mais profundo acontecendo ali. Ele havia virado professor a dois anos, mas, pela primeira vez, consegui ver uma fragilidade em seu rosto que antes me escapava.
Havia uma tensão subjacente, como se ele estivesse constantemente se segurando contra algo que não era apenas o que havia entre nós.
Após um banho revigorante e escolhendo cuidadosamente uma roupa mais formal, fui para a sala. O ar estava carregado de expectativa quando entrei, e imediatamente notei a presença de Blake. Ele estava lá, à mesa, com uma expressão que misturava interesse e algo mais que me deixou desconfortável. Os olhares se voltaram para mim, e um misto de nervosismo e insegurança tomou conta.
— Uau, que beleza avassaladora! — ele comentou, o olhar lascivo e a voz cheia de um entusiasmo que fez meu estômago revirar.
Antes que eu pudesse responder ou revidar com um comentário sarcástico, ouvi o pai de Adam se pronunciar, a voz firme e cheia de autoridade.
— Blake, por favor — ele disse, com um tom que soava mais como uma advertência do que um simples pedido. A abrupta mudança no clima fez com que o sorriso de Blake desaparecesse instantaneamente, e ele se calou como se uma sombra tivesse passado sobre ele.
Naquele instante, percebi que as dinâmicas familiares ali eram complicadas. O que o pai de Adam havia dito parecia um aviso severo, uma linha que Blake não deveria cruzar.
Enquanto todos se acomodavam, eu me senti um pouco mais aliviada, mas ao mesmo tempo inquieta. O jogo de poder na mesa era palpável, e eu estava bem ciente de que não era apenas uma simples refeição familiar. Eu era um elemento desconhecido nessa equação, e, embora estivesse intrigada, não sabia se estava pronta para lidar com as ramificações disso tudo.
Adam me lançou um olhar carregado de significados, e, por um breve momento, nossos olhares se conectaram. Havia um entendimento silencioso entre nós, como se ambos soubéssemos que essa reunião não seria apenas uma formalidade, mas sim o início de um caminho cheio de complexidades.
Assim que saímos de casa para o julgamento, esperei que nos juntássemos a um grupo comum, mas, para minha surpresa, a realidade era bem diferente. Blake era aclamado onde quer que fosse, como se fosse uma celebridade local, e a forma como as pessoas o cumprimentavam deixava claro que ele ocupava um espaço de prestígio na cidade.
A cada passo, sentia a pressão do seu toque, a mão dele repousando em minha cintura, um gesto que deveria ser protetor, mas que também provocava um turbilhão de emoções em mim. Ele me conduzia com facilidade, e eu não sabia se estava mais impressionada com a atmosfera ou com a realidade de que, de alguma forma, eu estava ali ao lado dele.
Quando entramos na sala do tribunal, fomos levados para a primeira fileira, um lugar de destaque que fazia meu coração disparar. O peso da situação me atingiu: estávamos prestes a testemunhar um evento que poderia mudar vidas, e, de alguma forma, eu estava no meio disso tudo.
Enquanto esperávamos o início do julgamento, a cada momento mais pessoas se aproximavam de Blake. Ele era cercado por uma multidão que o cumprimentava calorosamente, como se ele fosse uma das figuras mais importantes daquela comunidade. Era fascinante e, ao mesmo tempo, um pouco desconcertante ver como ele navegava com facilidade por aquelas interações, seu charme e carisma evidentes.
O olhar admirado das pessoas que passavam por nós era algo que eu não esperava. O fato de estar ao lado dele parecia aumentar a reverência com que ele era tratado, e eu me perguntava qual era o verdadeiro papel dele na cidade. Havia um ar de poder ao seu redor, e, enquanto me permitia observar tudo aquilo, uma inquietação começava a se formar em meu peito.
— Você parece impressionada — ele disse, quebrando meu devaneio. Sua voz tinha um tom de provocação, como se estivesse ciente do efeito que sua presença causava.
— Apenas... um pouco surpresa — respondi, tentando esconder a confusão que sentia. O que exatamente ele estava escondendo de mim? Por que era tão respeitado?
Blake sorriu, um sorriso que misturava segurança e mistério, e eu soube que estava prestes a embarcar em uma jornada muito mais complexa do que imaginava. O julgamento estava prestes a começar, e, com ele, um novo capítulo nas nossas vidas.
Adam:
Enquanto esperava o julgamento começar, uma preocupação crescente tomava conta de mim. Como seria a reação de Isabella ao descobrir a verdadeira extensão da minha família? E porque me preocupava com isso, nossa relação é toda aluna e professor com uma grande pitada de ódio, está claro que ela me odeia, ver a grandeza do evento, a pompa que o cercava, era algo que eu sabia que não poderia assustá-la, mas ao saber quem realmente somos faria diferença? Apesar de ter me afastado desse mundo quando fui traído, a realidade era que, em algum momento, eu teria que confrontar minha sucessão ao meu pai e o legado que vinha com ele.
Observei Isabella ao meu lado, seus olhos brilhando de fascínio enquanto absorvia cada detalhe do ambiente luxuoso. Havia algo encantador em sua inocência, em como ela parecia maravilhada com a situação, como se estivesse em um filme. Eu me divertia com suas reações, o jeito como seus lábios se entreabriram em surpresa ao ver as pessoas que vinham cumprimentar-me, a maneira como ela tentava disfarçar sua curiosidade, mas não conseguia evitar os sorrisos.
Isso me fez sentir uma pontada de alegria, mas também voltava o medo sutil. O que aconteceria quando a máscara caísse? E se a realidade do meu mundo a fizesse sentir-se deslocada ou, pior, ameaçada? Eu queria protegê-la disso, mas sabia que não poderia esconder a verdade para sempre.
Assim que algumas pessoas se aproximaram, cumprimentando-me e elogiando minha presença, percebi como a situação se tornava mais intensa. Isabella, ao meu lado, absorvia tudo, e sua expressão passava de admiração para uma leve inquietação. A cada aperto de mão, a cada sorriso, ela parecia perceber que havia mais em mim do que eu deixava transparecer.
Eu queria garantir a ela que eu ainda era o mesmo Adam que conheceu na sala de aula, mas a realidade estava prestes a se revelar de uma maneira que poderia mudar tudo. A única coisa que eu podia fazer era mantê-la ao meu lado, segurar sua mão, e esperar que, ao menos por agora, a magia do momento fosse suficiente para mantê-la encantada—mesmo sabendo que em breve ela teria que enfrentar o homem por trás do professor.
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Atualizado até capítulo 72
Comments
Veranice Zimmer Ferst
Não entendi nada ele é um professor ou empresário ou um mafioso que história sem noção personagens não tem como a gente intender nada 😔
2025-03-03
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Marinêz De Moura Pereira Cortes
A necedade(falta de inteligência) de entender uma estória com um enredo tão bem escrito, e que as entrelinhas já nos contam o que queremos saber, me faz pensar o porquê, de começarem a ler, se não conseguem entender nada e fazer conjecturas muitas vezes absurdas.
2025-03-31
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Andréa Debossan
Aí que nervoso! já tô entendida da me dando brotoejas de ansiedade autora, solta logo a bomba/Joyful//Joyful//Joyful//Joyful/ quem é esse homem?
2025-03-17
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